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O Caso Rembrandt - Uma História de Gabriel Allon (Cód: 4087308)

Silva, Daniel

Arqueiro

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O Caso Rembrandt - Uma História de Gabriel Allon

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Descrição

Em Glastonbury, na Inglaterra, um restaurador de arte é assassinado e a obra em que trabalhava – um quadro de Rembrandt nunca exposto – é misteriosamente roubada. O renomado negociante de arte Julian Isherwood sabe que só existe uma pessoa capaz de encontrar o quadro e levar os criminosos à justiça: o espião israelense e restaurador de arte Gabriel Allon.

Após sofrer um atentado, tudo o que Gabriel quer é cortar de uma vez por todas os laços com o serviço de inteligência internacional de seu país, também conhecido como “Escritório”.

Mas parece que o mundo das operações secretas ainda não está pronto para deixá-lo em paz. Apesar de sua relutância, ele acaba sendo persuadido a assumir o caso.

Ao seguir meticulosamente as pistas que o levam a Amsterdã, a Buenos Aires e, por fim, a uma mansão às margens do lago Genebra, Gabriel descobre segredos perturbadores relacionados ao roubo. Neste intricado quebra-cabeça, a pintura de Rembrandt é a peça-chave que o ajudará a desmascarar uma conspiração capaz de pôr em risco a paz mundial.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580410808
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580410808
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Claudio Carina
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 304
Peso 0.38 Kg
Largura 16.00 cm
AutorSilva, Daniel

Leia um trecho

PARTE UM – Procedência Embora o forasteiro não soubesse disso, a partir daquela noite, duas séries distintas de eventos já conspiravam para atraí-lo de volta ao campo de batalha. Uma delas se desenrolava por trás das portas trancadas dos serviços secretos internacionais de inteligência, enquanto a outra era o assunto da vez da imprensa mundial. Os jornais a chamavam de “verão dos roubos”, a pior epidemia de furtos de obras de arte na Europa em muitas décadas. Por todo o continente, pinturas de valor inestimável desapareciam com uma rapidez impressionante. Os angustiados mestres do universo da arte diziam estar chocados com a onda de roubos, embora os verdadeiros profissionais da lei admitissem que era surpreendente que ainda houvesse qualquer quadro para ser roubado. “Se você pendura 100 milhões de dólares numa parede com pouca segurança”, disse um oficial da Interpol, “é só uma questão de tempo até que algum ladrão tente levá-los embora”. A ousadia dos criminosos só estava à altura da sua competência. A habilidade deles era inegável. Mas o que a polícia mais admirava em seus oponentes era a disciplina ferrenha. Não havia vazamento de informações, nenhum sinal de intrigas internas, nem sequer um único pedido de resgate, pelo menos nenhum pedido verdadeiro. Os ladrões roubavam com frequência, mas com critério, nunca levando mais do que um único quadro por vez. Não eram amadores procurando trabalhos rápidos nem integrantes do crime organizado atrás de uma fonte de dinheiro. Eram ladrões de arteno sentido mais puro da expressão. Um detetive exausto chegou a prever que os quadros roubados naquele longo e quente verão provavelmente permaneceriam desaparecidos por anos, se não décadas. Na verdade, ele achava que havia uma boa probabilidade de nunca mais serem vistos pelo público. Até a polícia ficava maravilhada com a variedade de técnicas dos ladrões. Eles eram como grandes jogadores de tênis capazes de vencer em vários tipos de quadra na mesma semana. Em junho, os criminosos recrutaram um segurança insatisfeito no Museu Kunsthistorisches, em Viena, e realizaram um furto noturno de David com a Cabeça de Golias, de Caravaggio. Em julho, optaram por um ousado ataque de competência militar em Barcelona e levaram do Museu Picasso o Retrato da Senhora Canals. Apenas uma semana depois, o adorável Maisons à Fenouillet desapareceu tão silenciosamente das paredes do Museu Matisse, em Nice, que a aturdida polícia francesa se perguntou se a pintura tinha criado pernas e saído por conta própria. Em seguida, no último dia de agosto, houve uma operação impecável de arrombamento e furto na Galeria Courtauld, em Londres, que lhes rendeu o Autorretrato com a Orelha Cortada, de Vincent van Gogh. O tempo total da operação foi de impressionantes 97 segundos – mais impressionantes ainda considerando-se que um dos ladrões parou por um momento, quando saía pela janela do segundo andar, para fazer um gesto obsceno em direção ao voluptuoso Nu Feminino, de Modigliani. Naquela noite, o vídeo da segurança já rodava em toda a internet. Segundo o perturbado diretor da Courtauld, foi um final previsível para um verão absolutamente terrível. Os roubos geraram uma série de críticas em relação à segurança dos museus internacionais. Uma reportagem do Timesrelatou que uma análise interna feita havia pouco tempo pela Galeria Courtauld originara uma séria recomendação para que o Van Gogh fosse realocado em um lugar mais seguro. Mas as análises foram rejeitadas, pois o diretor da galeria gostava do quadro onde estava. Na esteira do Times, o Telegraphproduziu uma série de ótimos artigos referentes às dificuldades financeiras enfrentadas pelos grandes museus da Grã-Bretanha. Revelou que a Galeria Nacional de Londres e a Tate não tinham sequer se dado o trabalho de fazer seguro para suas coleções, preferindo confiar em câmeras de segurança e vigias mal pagos para proteger as obras. “Não deveríamos nos perguntar como as grandes obras de arte desaparecem das paredes dos museus”, declarou o renomado negociante de arte Julian Isherwood, “e sim por que isso não acontece com mais frequência. Pouco a pouco, nossa herança cultural está sendo saqueada”. Os raros museus com recursos para aumentar a segurança o fizeram rapidamente, mas os que tinham dinheiro apenas para o essencial só conseguiram instalar grades nos portões e rezar para não serem os próximos na lista dos ladrões. Porém, quando setembro chegou ao fim sem qualquer ocorrência, o mundo da arte deu um suspiro coletivo de alívio e se convenceu de que o pior havia passado. Os meros mortais já estavam tratando de questões mais importantes. Com as guerras no Iraque e no Afeganistão ainda em andamento e a economia global indo mal das pernas, poucas pessoas tinham energia para se indignar com o sumiço de quatro retângulos de tela cobertos de tinta. A líder de uma organização beneficente internacional estimou que o valor somado das peças desaparecidas poderia alimentar a África por anos. Não seria melhor se os milionários fizessem algo mais útil com sua fortuna do que forrar suas paredes e encher seus cofres secretos com obras de arte? Essas palavras eram uma heresia para Julian Isherwood e sua irmandade, que dependiam da ganância dos ricos para seu sustento. Mas eles tinham um público mais receptivo em Glastonbury, a antiga cidade de peregrinos a oeste de Londres, em Somerset. Na Idade Média, os cristãos formavam verdadeiros rebanhos para ver a famosa abadia de Glastonbury e admirar a sagrada Árvore de Espinhos, que teria brotado quando José de Arimateia, discípulo de Jesus, deitou seu cajado no chão no ano 63 da era cristã. Agora, quase dois milênios depois, a abadia era apenas uma gloriosa ruína, com os restos de sua fachada outrora sublime deixados ao relento num parque como túmulos erguidos para uma fé moribunda. Os novos peregrinos de Glastonbury raramente se davam o trabalho de visitar o local, preferindo subir as encostas da montanha mística conhecida como Tor ou passear pelas lojas do movimento Nova Era que ficavam na High Street. Alguns iam em busca de si mesmos. Outros, atrás de uma mão para guiá-los. E poucos realmente estavam à procura de Deus. Ou ao menos de uma cópia razoável Dele. Christopher Liddell não tinha ido à cidade por nenhuma dessas razões. Ele chegara ali por causa de uma mulher e permanecera por causa de uma criança. Não era um peregrino. Era um prisioneiro. Fora Hester quem o arrastara para lá. Hester, seu maior amor, seu pior engano. Cinco anos antes ela tinha exigido que saíssem de Notting Hill para que ela pudesse encontrar a si mesma em Glastonbury. Mas, ao se encontrar, Hester descobriu que o segredo de sua felicidade era dispensar Liddell. Talvez outros homens tivessem se sentido tentados a partir, mas, embora Liddell fosse capaz de viver sem Hester, não conseguia imaginar a vida sem Emily. Era melhor continuar em Glastonbury e aturar os pagãos e os druidas do que voltar a Londres e se tornar uma lembrança desbotada na memória de sua única filha. Assim, Liddell enterrou sua tristeza e sua revolta e seguiu em frente. Era dessa forma que ele lidava com todas as coisas. Era um homem confiável. Mas achava que essa não era a melhor coisa que um homem podia ser. Glastonbury não era completamente desprovida de encanto. Um deles era o café Hundred Monkeys, adepto da culinária vegetariana e sustentável desde 2005, o lugar favorito de Liddell. Ele estava na mesa de sempre, protegido por um exemplar do jornal Evening Standardaberto à sua frente. Na mesa ao lado, uma mulher de meia-idade lia um livro chamado Crianças Crescidas: A Disfunção Secreta. Num canto nos fundos, um profeta calvo vestido de branco fazia um sermão para seis pupilos extasiados sobre alguma coisa relacionada ao espiritualismo zen. Na mesa próxima à porta, um homem de cerca de 30 anos com a barba por fazer tinha as mãos aninhadas embaixo do queixo em um gesto contemplativo. Seus olhos passeavam pelo quadro de avisos, coberto com as bobagens de sempre – um convite para entrar para o Grupo Viver Positivamente de Glastonbury, um informe de um seminário grátis sobre a dissecação de corujas, um panfleto de sessões de cura tibetanas –, mas ele parecia examinar tudo com uma atenção incomum. Uma xícara de café continuava intocada à sua frente, ao lado de um caderno de anotações aberto, também intocado. Um poeta em busca de inspiração, pensou Liddell. Um polemista esperando pela fúria. Liddell o examinou com seu olhar experiente. Ele vestia uma calça jeans esfarrapada e uma camisa de flanela, o uniforme de Glastonbury. O cabelo era escuro e puxado para trás num rabo de cavalo curto e espesso, e os olhos, de um castanho bem escuro e com um suave brilho. Usava um relógio com correia de couro grossa no pulso direito e várias pulseiras baratas de prata no esquerdo. Liddell esquadrinhou os braços e antebraços em busca de tatuagens, mas não encontrou nenhuma. Estranho, já que em Glastonbury até mesmo vovós exibiam suas tatuagens com orgulho. Por ali uma pele imaculada era algo raro como o sol no inverno. A garçonete apareceu e deixou a conta no meio do jornal de Liddell, de forma provocante. Era alta e bastante bonita, com o cabelo claro repartido no meio e um crachá com o nome GRACEpreso no suéter justo no corpo. Desde a partida de Hester, Liddell perdera a capacidade de conversar com mulheres desconhecidas. Além do mais, havia outra pessoa em sua vida agora. Era uma garota tranquila, que perdoava os defeitos dele e sentia-se grata por sua afeição. Acima de tudo, precisava dele tanto quanto ele precisava dela. Era a namorada perfeita. A amante perfeita. E era o segredo de Christopher Liddell. Pagou a conta em dinheiro – estava em guerra com Hester por conta dos cartões de crédito; na verdade, por conta de praticamente tudo – e foi em direção à porta. O poeta-polemista rabiscava furiosamente no caderno. Liddell passou por ele e saiu do café. Uma névoa incômoda se formava na rua e de algum lugar a distância ele ouviu a batida de tambores. Então lembrou que era quinta-feira, quando acontecia a noite da terapia xamã com batuques no espaço cultural Assembly Rooms. Atravessou a rua e passou em frente à entrada da Igreja de St. John, depois da pré-escola da paróquia. No dia seguinte, à uma da tarde, Liddell estaria lá entre mães e responsáveis para buscar Emily. Por ordem judicial, tinha se tornado pouco mais que uma babá. Duas horas por dia era o tempo a que tinha direito, o que quase não dava nem para uma volta no carrossel e um lanche na loja de doces. Era a vingança de Hester. Entrou na Church Lane. Era um beco estreito, com paredes altas de pedra cinzenta nos dois lados. Como sempre, a única lâmpada estava queimada. Liddell vinha pensando em comprar uma pequena lanterna, como a que seus avós usavam durante a guerra. Pensou ter ouvido passos e olhou por cima dos ombros na direção da escuridão. Chegou à conclusão de que não era nada, só coisa de sua cabeça. Você é muito bobo, Christopher, chegou a ouvir Hester dizendo. Você é muito bobo.

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