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O Fio (Cód: 4704000)

Hislop, Victoria

Intrinseca

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Descrição

Tessalônica, 1917. No momento do nascimento de Dimitri Komninos, o fogo devasta a cidade multicultural onde cristãos, judeus e muçulmanos convivem lado a lado. Essa é a primeira das muitas catástrofes que modificaram o lugar para sempre, enquanto a guerra, o medo e a perseguição começavam a dividir o povo. Cinco anos depois, a jovem Katerina foge para a Grécia quando sua casa na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. Ao se perder da mãe em meio ao caos, ela acaba em um navio cujo destino é desconhecido. Desde esse dia, as vidas de Dimitri e Katerina se entrelaçam: entre si e com a história da cidade. Tessalônica, 2007. Um jovem ouve a história de seus avós pela primeira vez e percebe que precisa tomar uma decisão. Por muitas décadas, o casal guardou as memórias e os tesouros de pessoas forçadas a abandonar sua terra natal. Agora, o rapaz terá que escolher entre deixar a cidade ou permanecer ali e fazer de Tessalônica sua casa. Fruto de uma pesquisa meticulosa, O fio tem como cenário a tortuosa história política da Grécia no século XX. Uma narrativa emocionante que une amor e história ao contar a saga de duas famílias na segunda maior cidade grega.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580572988
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580572988
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Adalgisa Campos da Silva
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 368
Peso 0.50 Kg
Largura 16.00 cm
AutorHislop, Victoria

Leia um trecho

Prólogo
Maio de 2007
Eram sete e meia da manhã. A cidade nunca ficava tão tranquila quanto nesse horário. Um nevoeiro prateado pairava sobre a baía, cujas águas, opacas como mercúrio, batiam calmamente no quebra-mar. Não havia cor no céu e a atmosfera estava impregnada de sal. Para alguns, era o finzinho da noite anterior, para outros, um novo dia. Estudantes desgrenhados tomavam o último café e fumavam o último cigarro ao lado de casais mais velhos bem-vestidos que haviam saído para os exercícios matinais. Com o levantar da cerração, o monte Olimpo surgiu aos poucos do outro lado do golfo Termaico e a placidez azul do céu e do mar se despiu daquele manto pálido. Petroleiros parados lembravam tubarões desfrutando o sol, suas silhuetas escuras contra o céu. Um ou dois barcos menores cruzavam o horizonte. Ao longo do passeio pavimentado de mármore, que acompanhava a enorme curva da baía, havia um fluxo constante de senhoras acompanhadas de seus pequenos cachorros, jovens com vira-latas, corredores, patinadores, ciclistas e mães com carrinhos de bebê. Entre o mar, a esplanada e a fileira de cafés, os carros avançavam devagar para entrar na cidade, e os motoristas, inescrutáveis atrás de seus óculos escuros, cantavam os últimos sucessos. À beira-mar, num passo seguro, mas lento, após ter passado a noite dançando e bebendo, seguia um rapaz magro, de cabelos sedosos, vestindo uma calça jeans cara e rasgada. A barba de dois dias sombreava o seu rosto bronzeado, mas os olhos cor de chocolate eram brilhantes e cheios de vida. O ritmo relaxado de sua caminhada era o de alguém de bem consigo mesmo e com a vida, e ele cantarolava baixinho ao andar. Do outro lado da rua, no espaço estreito entre uma pequena mesa e o meio-fio, um casal idoso se encaminhava vagarosamente para o café ao qual costumava ir. O homem determinava a cadência com seus passos cuidadosos, apoiando-se pesadamente na bengala. Talvez na faixa dos noventa anos, e não passando de um metro e sessenta e cinco, os dois estavam bem-vestidos, ele com uma camisa de mangas curta bem engomada e calças claras, ela com um vestido simples de algodão com estampa floral abotoado na frente e um cinto marcando a cintura, um modelo que ela provavelmente usava havia cinco décadas. Todas as cadeiras de todos os cafés que orlavam o passeio da rua Niki eram voltadas para o mar, e os clientes podiam sentar-se e contemplar a constante e animada paisagem de pessoas, carros e de navios deslizando em silêncio ao entrar e sair das docas. Dimitri e Katerina Komninos foram saudados pelo dono do café Assos e trocaram algumas palavras a respeito da greve geral do dia. Com grande parte dos trabalhadores tendo o dia livre, o café ficaria mais movimentado, portanto o dono não estava se queixando. As paralisações eram algo com que todos estavam acostumados. Não havia necessidade de fazerem o pedido. Sempre pediam o café da mesma maneira e bebericavam o líquido adoçado de textura encorpada acompanhado de um doce triangular, o kataifi, que dividiam entre si. O velho estava mergulhado na leitura das manchetes do jornal quando sua mulher deu tapinhas urgentes em seu braço.
 — Olhe, olhe, agapi mou!Lá está o Dimitri!
— Onde, meu amor?
— Mitsos! Mitsos! — gritou ela, usando o diminutivo pelo qual ela e o marido chamavam o neto, mas o menino não podia ouvir com as buzinas impacientes dos carros que aceleravam ao se afastar dos sinais de trânsito. Mitsos escolheu aquele momento para erguer os olhos de seu devaneio e entreviu os acenos frenéticos da avó em meio ao tráfego. Disparou por entre os carros para alcançá-la.
— Yiayia!— disse, jogando os braços em volta dela, antes de apertar a mão estendida do avô e lhe dar um beijo na testa. — Como estão? Que surpresa agradável… Eu ia visitar vocês hoje! A avó abriu um grande sorriso. Ela e o marido eram apaixonados pelo único neto que, por sua vez, se rendia à afeição deles.
— Vamos pedir alguma coisa para você! — disse a avó empolgada.
— Não é necessário. Estou bem. Não preciso de nada.
— Você precisa comer alguma coisa. Tome um café, um sorvete…
— Katerina, tenho certeza de que ele não quer um sorvete! O garçom tornara a aparecer.
— Quero só um copo d’água, por favor.
— Só isso? Tem certeza? — insistiu a avó.
— Que tal um café da manhã? O garçom já se afastara. O velho se debruçou e tocou no braço do neto.
 — Então, nada de aula de novo hoje, suponho? — perguntou.
— Infelizmente, não — respondeu Mitsos. — Já me acostumei com isso. O jovem estava passando um ano na Universidade de Tessalônica, estudando para um mestrado, mas os professores estavam em greve naquele dia, assim como todos os demais funcionários públicos do país, de modo que, para Mitsos, era uma espécie de feriado. Após uma longa noitada nos bares em Proxenou Koromila, ele estava indo para casa dormir.
Fora criado em Londres, mas todo verão Mitsos visitava os avós paternos na Grécia, e desde os cinco anos, todos os sábados, frequentava a escola grega. Seu ano na universidade já estava quase no fim, e embora as greves frequentes significassem aulas perdidas, ele era absolutamente fluente na que considerava ser sua língua “paterna”.
Apesar da pressão dos avós, Mitsos estava morando num alojamento para estudantes, mas fazia visitas regulares nos finais de semana ao apartamento deles, próximo ao mar, onde eles quase o esmagavam com o carinho extremo que é o dever do avô grego.
— Nunca houve tantas paralisações quanto neste ano — disse o avô. — Mas temos que suportar de qualquer forma, Mitsos. E esperar que as coisas melhorem.
Assim como os professores e os médicos, os lixeiros estavam em greve, e, como sempre, não havia transporte público. Os buracos nas ruas e as rachaduras no calçamento ficariam sem conserto por muitos meses mais. A vida sempre fora dura para o velho casal e Mitsos de repente se dava conta da fragilidade deles ao entrever a cicatriz feia no braço da avó e as mãos do avô deformadas pela artrite.

Avaliações

Avaliação geral: 4.5

Você está revisando: O Fio

Talita recomendou este produto.
01/01/2016

Trama maravilhosa!

O livro é muito bom e realmente deveria estar entre os mais vendidos. É uma história, que embora não tenha mistério nem algo do tipo, envolve o leitor a querer descobrir como a vida dos personagens vai se desenvolver. Além disto, o livro tem fatos históricos verídicos e acrescenta conhecimento sobre a Grécia, as guerras e os povos que com elas sofreram. É um livro lindo e fantástico!
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Rosana recomendou este produto.
04/05/2014

Vale a pena ler!

Apesar de não ser um livro que está na "moda" ele é muito melhor do que muitos que estão fazendo sucesso por ai e que não merecem, muito bem escrito, tem partes que emocionam. Vale a pena.
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