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O Jogo do Anjo (Cód: 2598938)

Zafon,Carlos Ruiz

Suma De Letras

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Descrição

Em 'O Jogo do Anjo', o catalão Carlos Ruiz Zafón explora novos ângulos da cidade onde ambientou 'A Sombra do Vento', sucesso que já ultrapassou a marca dos 10 milhões de exemplares em todo o mundo e, no Brasil, já figura há mais de um ano na lista de mais vendidos. Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade.
Na Barcelona dos anos 20, David Martín é um jovem escritor fracassado, obcecado por um amor impossível e abatido por uma doença fatal. Até que vê sua sorte mudar ao receber uma oferta irrecusável.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Suma De Letras
Cód. Barras 9788560280308
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788560280308
Profundidade 1.00 cm
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 416
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorZafon,Carlos Ruiz

Leia um trecho

PRIMEIRO ATO A Cidade dos Malditos Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no fi nal do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço. Minha primeira vez chegou num dia distante de dezembro de 1917. Tinha na época 17 anos e trabalhava em La Voz de la Industria, um jornal decadente que defi nhava num edifício cavernoso que, em tempos passados, tinha abrigado uma fábrica de ácido sulfúrico e cujas paredes ainda transpiravam aquele vapor corrosivo que consumia o mobiliário, a roupa, o ânimo e até a sola dos sapatos. A sede do jornal fi cava atrás do bosque de anjos e cruzes do cemitério de Pueblo Nuevo e, de longe, a silhueta do edifício se confundia com a dos mausoléus, recortando-se contra um horizonte espetado por centenas de chaminés e fábricas que teciam um crepúsculo vermelho e negro estendido perpetuamente sobre Barcelona. Na noite que mudaria o rumo de minha vida, o subdiretor do jornal, dom Basilio Moragas, achou por bem convocar-me, um pouco antes do fechamento da edição, ao cubículo escuro e encravado no fundo da redação, que fazia as vezes de escritório e de área para fumantes de charutos havana. Dom Basilio era um homem de aspecto feroz e bigode farto que não estava para brincadeiras e adotava a teoria de que tanto o uso liberal de advérbios quanto o excesso de adjetivos eram coisa de pervertidos e de gente com defi ciências vitamínicas. Quando descobria um redator inclinado à prosa mais fl oreada, tratava de transferilo para a redação de obituários por três semanas. Se, depois do castigo, o indivíduo reincidisse, dom Basilio o mandava para a seção de prendas do lar para todo o sempre. Todos tínhamos pavor dele, e ele sabia disso. — Mandou me chamar, dom Basilio? — arrisquei timidamente. O subdiretor me olhou de canto de olho. Entrei no escritório, que cheirava a suor e tabaco, nessa ordem. Dom Basilio ignorou minha presença e continuou revisando um dos artigos que estavam na escrivaninha, lápis vermelho em punho. Durante alguns minutos, o subdiretor metralhou o texto, corrigindo, quando não amputando, e resmungando como se eu não estivesse ali. Sem saber o que fazer, vi que havia uma cadeira encostada na parede e fiz menção de sentar. — Quem disse que podia se sentar? — murmurou dom Basilio, sem levantar os olhos do texto. Levantei apressadamente e contive a respiração. O subdiretor suspirou, deixou cair o lápis vermelho e reclinou-se em sua poltrona para examinar-me como se eu fosse um traste imprestável. — Me disseram que você escreve, Martín. Engoli em seco e quando abri a boca, só o que saiu foi um ridículo fio de voz. — Bem, um pouco, quer dizer, não sei... ou seja, sim, escrevo... — Espero que escreva melhor do que fala. Mas escreve o quê, se não for demais perguntar? — Histórias policiais. Quero dizer... — Já peguei a idéia. O olhar com que dom Basílio me brindou é indescritível. Se eu tivesse dito que me dedicava a fazer figurinhas de presépio com esterco fresco teria obtido o triplo de entusiasmo. Suspirou de novo e deu de ombros. — Vidal diz que o senhor não é de todo mau. Que se destaca do resto. Claro que, com a competência que se vê por essas bandas, também não é preciso ser grande coisa. Mas se Vidal falou. Pedro Vidal era a estrela literária de La Voz de la Industria. Escrevia uma crônica semanal na editoria de polícia, que constituía a única coisa que merecia ser lida em todo o jornal, e era autor de uma dezena de livros de suspense sobre gângsteres do bairro do Raval vivendo em promiscuidade com damas da alta sociedade, os quais lhe garantiram uma modesta notoriedade. Metido invariavelmente em impecáveis ternos de seda e reluzentes mocassins italianos, Vidal tinha os traços e os gestos de um galã de sessão da tarde: cabelo louro sempre bem penteado, bigode espetado e o sorriso fácil e generoso de quem se sente bem na própria pele e no mundo. Provinha de uma dinastia de imigrantes que tinha feito fortuna nas Américas com negócios de açúcar e que, na volta à Espanha, tinha cravado os dentes numa suculenta fatia do plano de eletrificação da cidade. Seu pai, o patriarca do clã, era um dos acionistas majoritários do jornal, e dom Pedro usava a redação como pátio de recreio para matar o tédio de nunca, nem um único dia de sua vida, ter trabalhado por necessidade. Pouco importava que o diário perdesse tanto dinheiro quanto os automóveis que começavam a circular pelas ruas de Barcelona perdiam óleo: com abundância de títulos de nobreza, a dinastia dos Vidal dedicava-se agora a colecionar bancos e mansões do tamanho de pequenos principados no Ensanche. Pedro Vidal foi a primeira pessoa a quem mostrei os esboços que escrevia quando era apenas um menino e trabalhava entregando café e cigarros na redação. Sempre teve tempo para mim, para ler meus escritos e dar bons conselhos. Com o tempo, chamou-me para ser seu assistente e permitia que datilografasse seus textos. Certo dia anunciou que, se queria mesmo apostar meu destino na roleta-russa da literatura, estava disposto a me ajudar e a guiar meus primeiros passos. Fiel à palavra dada, tinha me jogado nas garras de dom Basilio, o cão de guarda do jornal. — Vidal é um sentimental que ainda acredita em lendas profundamente antiespanholas, como a meritocracia, e em dar oportunidade a quem merece e não ao apadrinhado da vez. Rico como é, pode dar uma de lírico pelo mundo afora. Se tivesse um centésimo da grana que sobra para ele, teria me dedicado a escrever sonetos, e os passarinhos viriam comer na minha mão, fascinados por minha bondade e meu encanto. — O sr. Vidal é um grande homem — protestei eu. — É mais do que isso. É um santo porque, apesar dessa sua pinta de morto de fome, há semanas que ele me aporrinha com exemplos de como é talentoso e trabalhador o caçula da redação. Ele sabe que, no fundo, sou um sentimental e, além do mais, garantiu que, se eu lhe der uma oportunidade, ele me dará uma caixa de havanas. E se Vidal pede, para mim é como se Moisés descesse do monte Sinai com os Dez Mandamentos numa mão e a verdade revelada na outra. De modo que, concluindo, como é Natal e para que seu amigo feche a porra da matraca de uma vez por todas, vou convidá-lo para estrear como os heróis: contra a corrente dos ventos e das marés. — Muitíssimo obrigado, dom Basilio. Garanto que não vai se arrepender de... — Menos, meu caro. Vejamos o que pensa do uso generoso e indiscriminado de advérbios e adjetivos... — Que é uma vergonha e deveria ser crime previsto no código penal — respondi com a convicção de um crente militante. Dom Basilio concordou com entusiasmo. — Muito bem, Martín. Tem prioridades claras. Os que sobrevivem nessa profissão são os que têm prioridades e não os que têm princípios. Eis o plano. Pode sentar e trate de entender, pois não vou repetir duas vezes. O plano era o seguinte. Por motivos que dom Basilio não considerou oportuno esclarecer, a última página da edição dominical, tradicionalmente reservada para um relato literário ou de viagem, tinha caído na última hora. Tratava-se de uma narrativa de índole patriótica e inflamado lirismo sobre a saga dos almograves, na qual, canção vai, canção vem, eles salvam a cristandade e tudo o que há de decente sob o céu, a começar pela Terra Santa e a terminar pelo delta do Llobregat. Lamentavelmente, o texto não chegou a tempo ou, suspeitava eu, Basilio não tinha a menor vontade de publicá-lo. Isso nos deixava a seis horas do fechamento e sem nenhum outro candidato para substituir o conto senão um anúncio de página inteira de uma marca de cintas feitas de osso de baleia, que prometiam quadris de sonho e imunidade às macarronadas. Diante do dilema, o conselho editorial determinou que estufássemos o peito e convocássemos os talentos literários que brotavam em todos os cantos da redação, a fim de tapar o buraco e ocupar as quatro colunas com um texto de interesse humano, para o deleite de nossa leal audiência familiar. A lista de talentos comprovados disponíveis era composta de dez nomes, nenhum dos quais, é claro, era o meu. — Amigo Martín, as circunstâncias conspiraram para que nenhum dos paladinos da lista esteja aqui de corpo presente ou possa ser localizado numa margem de tempo prudente. Diante do desastre iminente, resolvi lhe dar uma oportunidade. — Conte comigo. — Conto com cinco laudas em espaço duplo, antes das seis horas, dom Edgar Allan Poe. Traga uma história, não um discurso. Se quisesse um sermão, iria à missa do galo. Traga uma história que não tenha lido antes ou, se já tiver lido, que venha tão bem escrita que eu nem perceba. Já ia sair correndo, quando dom Basilio levantou, rodeou a escrivaninha e apoiou sua mão, do tamanho e do peso de uma bigorna, no meu ombro. Só então, ao vê-lo de perto, percebi que seus olhos sorriam. — Se a história for decente, pagarei dez pesetas. E se for mais que decente e agradar aos leitores, publicarei outras. — Alguma indicação específi ca, dom Basilio? — perguntei. — Sim: não me decepcione. Passei as seis horas seguintes em transe. Instalei-me na mesa que ficava bem no meio da redação, reservada para os dias em que Vidal cismava de passar um tempinho no jornal. A sala estava deserta e mergulhada numa penumbra feita com a fumaça de dez mil charutos. Fechei os olhos um instante e invoquei uma imagem: um manto de nuvens negras derramando-se sobre a cidade em forma de chuva, um homem que caminhava buscando a sombra, com sangue nas mãos e um segredo no olhar. Não sabia quem era nem do que fugia mas durante as seis horas seguintes, ia se transformar no meu melhor amigo. Enfiei uma folha na máquina e, sem trégua, comecei a despejar tudo o que tinha dentro de mim. Lutei com cada palavra, cada frase, cada lance, cada imagem e cada letra como se fossem os últimos que jamais escreveria. Escrevi e reescrevi cada linha como se minha vida dependesse daquilo e, depois, reescrevi de novo. Toda a companhia que tinha era o eco incessante do teclado, perdendo-se na sala escura, e o grande relógio da parede esgotando os minutos que restavam até o amanhecer. Pouco antes das seis da manhã, arranquei a última folha da máquina e suspirei derrotado e com a sensação de ter um vespeiro no cérebro. Ouvi os passos lentos e pesados de dom Basilio saindo de uma de suas sestas com hora marcada e aproximando-se lentamente. Juntei as páginas e entreguei a ele, sem me atrever a enfrentar seu olhar. Dom Basilio escolheu uma das mesas próximas, sentou e acendeu a lâmpada. Seus olhos deslizaram para cima e para baixo sobre o texto, sem deixar transparecer nenhuma emoção. Então, largou o charuto sobre a ponta da mesa por um instante e, olhando para mim, leu em voz alta a primeira linha. — “Cai a noite sobre a cidade e as ruas carregam o cheiro de pólvora como o hálito de uma maldição.” Dom Basilio me olhou de esguelha e eu me escudei num sorriso que deixava todos os dentes à mostra. Sem dizer nada, levantou e partiu com meu conto nas mãos. Vi que caminhava até o escritório e fechava a porta depois de entrar. Fiquei petrificado, sem saber se devia sair correndo ou esperar o veredicto de morte. Dez minutos depois, que para mim foram dez anos, a porta do escritório do subdiretor se abriu e a voz retumbante de dom Basilio se fez ouvir em toda a redação. — Martín. Faça o favor de vir aqui. Arrastei-me tão lentamente quanto pude, encolhendo vários centímetros a cada passo, até que não tive outro remédio senão meter a cara e levantar os olhos. Dom Basilio, o temível lápis vermelho em riste, me olhava friamente. Quis engolir saliva, mas tinha a boca seca. Dom Basilio pegou as laudas e devolveu. Agarrei-as e dei meia-volta rumo à porta tão rápido quanto pude, pensando que sempre haveria lugar para mais um engraxate na recepção do hotel Colón. — Leve isso para a gráfi ca e mande rodar — disse a voz às minhas costas. Virei, pensando que era objeto de uma brincadeira cruel; dom Basilio abriu a gaveta da escrivaninha, contou dez pesetas e colocou-as sobre a mesa. — Isso é seu. Sugiro que compre outro terno, pois faz quatro anos que o vejo por aí com esse que, ainda por cima, é seis números maior que você. Se quiser, procure o sr. Pantaleoni na alfaiataria da rua Escudellers e diga que fui eu quem mandou. Vai tratá-lo bem. — Muito obrigado, dom Basilio. É o que farei. — E vá preparando outra história como essa. Vou lhe dar uma semana para isso. Mas não durma no ponto. E vamos ver se bota menos mortos, que o leitor de hoje gosta de um fi nal bem meloso, em que a grandeza do espírito humano triunfa e outras baboseiras mais. — Sim, dom Basilio. O subdiretor deu como aceita a instrução e estendeu a mão. Apertei-a. — Bom trabalho, Martín. Segunda-feira quero vê-lo na mesa que era do Junceda e que agora é sua. Vou colocá-lo na editoria de polícia. — Não vou desapontá-lo, dom Basilio. — Não, não vai. Mas cedo ou tarde me deixará na mão. E fará bem, pois não é um jornalista e nunca será. Mas também não é um escritor de romances policiais, embora pense que sim. Fique por aqui uma temporada e poderemos lhe ensinar duas ou três coisas que nunca serão demais. Naquele momento, com a guarda baixa, fui invadido por um sentimento de gratidão tão grande que tive vontade de abraçar aquele homenzarrão. Dom Basilio, a máscara feroz de volta ao lugar, cravou-me um olhar de aço e indicou a porta. — Nada de cenas, por favor. Feche quando sair. Por fora. E feliz Natal. — Feliz Natal. Na segunda-feira seguinte, quando cheguei à redação disposto a ocupar pela primeira vez a minha própria escrivaninha, encontrei um envelope de papel pardo com um laço e meu nome no mesmo tipo que vinha datilografando há anos. Abri e encontrei a última página do jornal de domingo, com minha história marcada e um bilhete que dizia: “Isso é só o começo. Em dez anos, eu serei o aprendiz e você, o mestre. Seu amigo e colega, Pedro Vidal.”

Avaliações

Avaliação geral: 5

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Marcos recomendou este produto.
25/10/2015

Um bom livro

Dos três livros da coleção "o cemitério dos livros esquecidos" este é o meu favorito. Um livro que mistura gêneros, mas que classifico como mistério, ou suspense. A história se passa em Barcelona, no início do século XX, com o personagem principal sendo David Martin, um escritor.
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