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O Ladrão de Arte (Cód: 2594268)

Charney,Noah

Intrinseca

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Descrição

Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma magnífica pintura de Caravaggio desaparece sem deixar pistas.
Paris: Na câmara de segurança do porão da Sociedade Malevitch, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento do maior tesouro da instituição: Branco sobre Branco, a famosa obra do russo Kasimir Malevitch.
Londres: Roubada a mais recente aquisição da National Gallery of Modern Art.

Os inspetores Jean-Jacques Bizot, da polícia parisiense, e Harry Wickenden, da Scotland Yard, recompõem as peças desse intrincado quebra-cabeça. O que parecia uma série de roubos sem conexão é parte de um plano monumental que conjuga pistas falsas e enigmas de sofisticação apaixonante. Nos bastidores do mundo artístico, nos museus, galerias e casas de leilões se esconde um mistério concebido com a genialidade digna das melhores obras-de-arte.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788598078311
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788598078311
Profundidade 0.00 cm
Tradutor Cláudio Figueiredo
Número da edição 1
Ano da edição 2008
MÊS AGOSTO
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 320
Peso 0.40 Kg
Largura 16.00 cm
AutorCharney,Noah

Leia um trecho

Capítulo 1 Era quase como se ela estivesse esperando, ali parada, naquela escuridão artificial. A pequenina igreja barroca de Santa Giuliana in Trastevere se encolhia num canto da cálida noite de Roma. As ruas estavam sombrias e sem qualquer movimento, iluminadas apenas pela luz mansa da lâmpada de um poste numa praça próxima. Então fez-se um ruído. Dentro da igreja. Era um ruído mínimo, produzido pelo roçar de metal sobre metal, quase imperceptível de dia, mas que àquela hora parecia o contraste entre o branco e o preto. Então parou. O som tinha sido momentâneo, mas seu eco perdurava. Do bojo da igreja fechada um pássaro apareceu. Um pombo esvoaçou aflito pela capela sombria e arremeteu por entre as abóbadas e ao longo do transepto, esculpindo um padrão às cegas pelo interior cavernoso e sombrio. Então o alarme soou. Padre Amoroso despertou num sobressalto. Havia suor em sua testa, rente ao cabelo. Ele olhou para o relógio na cabeceira da sua cama. Três e quinze. Ainda era noite do lado de fora da janela do quarto. Mas o ruído que soava em seus ouvidos não parava. Então ele percebeu que não era apenas em seus ouvidos. Jogou um roupão por cima da camiseta com que dormia e enfiou os pés nas sandálias. Num segundo já tinha descido a escada e corrido a distância de poucos passos ao longo da praça até a Santa Giuliana in Trastevere, que espreitava, com suas formas que lembravam as de um tatu, como havia pensado certa vez, mas que agora vibrava com aquele som. Padre Amoroso avançou às cegas com suas chaves e fi nalmente empurrou a porta antiga, inchada pela umidade. Virou-se para o dispositivo que destoava como algo anacrônico, logo na entrada, e desligou o alarme. Olhou à sua volta por um momento. Então pegou o telefone. — Scusi, signore. Estou aqui, sim... Não sei. Provavelmente algum defeito no sistema de alarme, mas eu... Um momento... Padre Amoroso deixou a polícia esperando enquanto inspecionava o interior. Nada se mexia. Bem comportada, a escuridão mantinha-se no entorno da igreja e a luz da lua na nave projetava sombras entre os bancos. Ele deu um passo adiante, e então, pensando melhor, mudou de idéia. Acendeu as luzes. O interior barroco pouco a pouco ganhou vida. Holofotes apontados para as várias reentrâncias e tesouros iluminavam indiretamente os espaços vazios. Padre Amoroso avançou até o centro da nave e examinou tudo atentamente. Havia a capela de Santa Giuliana, a pintura de Domenichino retratando Santa Giuliana, o confessionário, a pia branca de mármore para água benta, os candelabros das orações com a inscrição offerte, a estátua de Sant’Agnese de autoria de Maderno, o ícone bizantino e os cálices no interior da vitrina, a pintura de Caravaggio da Anunciação acima do altar, o relicário onde estava sepultada a tíbia de Santa Giuliana sob um mar de ouro e vidro... Nada parecia estar fora do lugar. Padre Amoroso voltou ao telefone. — Non vedo niente... Deve ser um problema com o sistema. Desculpem, por favor. Obrigado... Boa noite... Sim... Sim, obrigado. Pôs o telefone no gancho e desligou as luzes. A igreja que por um momento tinha adquirido vida agora voltava a adormecer mais uma vez. Armou novamente o alarme, empurrou a porta pesada, trancou-a e voltou a seu apartamento para dormir. Padre Amoroso ergueu-se de repente na cama, os olhos arregalados. Acabara de ter um sonho terrível no qual não conseguia fazer parar a campainha soando em seus ouvidos. Por um momento atribuiu o ruído à zupa di frutti dimare do jantar no Da Saverio, mas então se deu conta mais uma vez de que o alarme não estava apenas em seus ouvidos. Todo mundo deve ter comido no Da Saverio, pensou por um instante, e então acordou completamente. Era o alarme, mais uma vez tocando com violência. Ele olhou para o relógio de cabeceira. Três e cinqüenta. O sol ainda estava num sono profundo. E ele, por que não estava? Pôs o roupão e as sandálias e desceu mais uma vez aos tropeções para a insone noite romana. Ainda que raramente se portasse como um homem profano, padre Amoroso murmurou entre os dentes algumas imprecações leves, enquanto manuseava desajeitadamente suas chaves, enfi ava-as na pesada porta de madeira e a empurrava para abri-la, apoiando-se nos calcanhares para tomar impulso. Isso era para ser uma igreja, não um despertador, pensou. Lá dentro, virou-se na direção do alarme na parede, derrubando sem querer o telefone do gancho. “Dio!”, murmurou, então pensou melhor e apontou para o céu ao sussurrar: — Scusa, signore. Estou um pouco cansado. Scusa. Desligou o alarme e então voltou-se para o interior da igreja. As sombras pareciam zombar dele. Acendeu as luzes com satisfação. A igreja bocejou ao se iluminar. Padre Amoroso pegou o telefone. — Si? Si, mi dispiace. Não sei... Não, isso não vai ser necessário... Um instante, por favor... Largou o telefone e mais uma vez se dirigiu para o centro da nave. A pequenina igreja parecia boquiaberta, grande e vazia, em meio à escuridão da madrugada. Nada aparentava estar faltando. Dessa vez padre Amoroso caminhou ao longo das paredes internas da igreja. Deslocou-se pela ardósia gasta do piso, passando ao largo de fi leiras de velas apagadas, bancos entalhados em madeira e reentrâncias ainda sombrias, nas quais se escondiam fi guras de santos em relevo ou pintadas a óleo. Tudo estava quieto. Ele voltou ao telefone. — Niente. Niente di niente. Mi dispiace, ma... Certo, agora são quatro e dez da manhã... Sim, provavelmente um defeito... Sim... Mais tarde, pela manhã, sim. Não há nada a se fazer até lá. Obrigado, boa-noite... Quer dizer, bom-dia. A noite já acabou há algum tempo... Ciao. Padre Amoroso olhou com desprezo para o alarme que havia disparado duas vezes sem motivo algum, só para debochar dele. Talvez não devesse ter olhado por tanto tempo para a Signora Materassi na missa do último domingo. Deus tem seus caminhos. Mais tarde telefonaria pedindo que o alarme fosse checado. Talvez ainda conseguisse dormir um pouco. Padre Amoroso apagou as luzes. Ignorou o alarme vistoso ao sair porta afora, trancou-a e voltou à sua casa para capturar quaisquer minutos preciosos de sono que ainda estivessem ao seu alcance. Um alarme disparou. Padre Amoroso pulou da cama. Mas então se acalmou. Era o alarme do despertador na sua cabeceira. Eram sete horas, numa manhã de segunda-feira. Assim é melhor, pensou. O sol estava presente no horizonte e o dia prometia sua habitual luminosidade romana em meio à umidade do verão. Ele bocejou despreocupadamente e esticou os braços cansados, abrindo-os em forma de cruz. Tirando sua camisa de dormir, padre Amoroso caminhou gingando até o banheiro e de lá surgiu como um novo homem, limpo e revigorado para outro dia. Vestiu suas roupas clericais e desceu para ir até a Santa Giuliana. Estava dez minutos adiantado. Não esperavam que abrisse a igreja até que soassem as oito horas. O dia ainda não estava quente demais, e padre Amoroso decidiu dar uma escapada por um momento. Escapuliu para o bar ao lado e pediu um caffè. Admirou a luz do sol no piso antigo enquanto bebericava seu espresso, de pé, no bar. Os transeuntes passavam na rua lá fora. O turista ocasional aparecia por ali, de mapa na mão e câmera a postos. Olhou o relógio. Sete e cinqüenta e sete. Acabou de beber e atravessou a praça rumo à sua igreja. Com uma agradável sensação de quem gozava de uma folga, padre Amoroso manuseou lentamente as chaves e, tendo encontrado a que procurava, girou-a e empurrou a enorme porta de madeira. Quando já a tinha aberto o sufi ciente, travou o trinco de metal para mantê-la escorada, permitindo que o ar parado, preso lá dentro, esfriasse na brisa matinal que corria do lado de fora. Entrou na igreja e, ao passar, lançou um olhar de desprezo para o sistema de alarme. Deus, vou ter de mandar consertar isso hoje, pensou, e então se deu conta da blasfêmia e olhou de relance para o céu pedindo perdão. Arrastou os pés pelo chão a caminho do escritório da igreja, afastou para o lado a cortina que escondia a porta e a destrancou. Virou-se e avançou para o centro da nave, parando por um momento para dobrar os joelhos quando passava diante do altar. Estava prestes a seguir em frente quando percebeu. Não podia acreditar em seus olhos. Talvez ainda estivesse dormindo, pensou, esperançoso. Então se convenceu, e recuou aos tropeções, enquanto gritava: — Dio mio! O retábulo de Caravaggio havia desaparecido.

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