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O Manifesto Comunista - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649376)

Engels, Friedrich; Marx, Karl

Saraiva De Bolso

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Descrição

“O manifesto comunista” é uma obra basilar no que se refere à teoria das classes sociais no capitalismo e à luta de classes. Além de sua importância sob uma perspectiva histórica, esse livro assume viés contemporâneo, graças à atualidade de suas questões e dado o lugar ímpar que nunca deixará de ocupar no cânone. Publicado em 1848, esse texto foi um dos mais influentes num momento de forte eclosão dos movimentos operários. Foi também uma das primeiras obras a desestabilizar as concepções políticas, sociais e econômicas do mundo moderno.

Tradutor: Maria Lucia Como

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925096
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925096
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
País de Origem Brasil
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorEngels, Friedrich; Marx, Karl

Leia um trecho

Introdução Um fantasma ronda a Europa: o fantasma do comunismo. Todos os poderes da antiga Europa uniram-se numa caçada demagógica ao fantasma: o papa e o czar, Metternich e Guizot, os radicais franceses e os espiões da polícia alemã. Onde está o partido oposicionista que não tenha sido desacreditado como comunista por seus oponentes no poder? Onde está a oposição que, uma vez rotulada como comunista, não tenha devolvido esta acusação aos partidos oposicionistas mais avançados e até mesmo aos seus adversários reacionários? Deste fato resultam duas coisas: 1) o comunismo já foi reconhecido por todos os poderes europeus como um poder; 2) já é hora de os comunistas publicarem suas opiniões, suas metas, suas tendências abertamente, para o mundo inteiro, e enfrentar esta lenda do fantasma do comunismo com um Manifesto do próprio partido. Com este fim, comunistas de várias nacionalidades fizeram uma assembleia em Londres e esboçaram o seguinte Manifesto, para ser publicado em inglês, flamengo e dinamarquês. Burgueses e proletários A história de todas as sociedades que já existiram é a história de luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, chefe de corporação3 e assalariado; resumindo, opressor e oprimido estiveram em constante oposição um ao outro, mantiveram sem interrupção uma luta por vezes aberta — uma luta que todas as vezes terminou com uma transformação revolucionária ou com a ruína das classes em disputa. Nos primeiros tempos da História, por quase toda parte, encontramos uma disposição complexa da sociedade,em várias classes, uma variada gradação de níveis sociais. Na Roma antiga, temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos. Na Idade Média, senhores feudais, vassalos, chefes de corporação, assalariados, aprendizes, servos. Em quase todas estas classes, mais uma vez, gradações secundárias. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos das classes. Estabeleceu novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta no lugar das antigas. Nossa época — a época da burguesia — distingue-se, contudo, por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se cada vez mais em dois grandes campos inimigos, em duas classes que se opõem frontalmente: burguesia e proletariado. Dos servos da Idade Média surgiram os burgueses privilegiados das primeiras cidades; a partir dessas primeiras cidades burguesas desenvolveram-se os primeiros elementos da burguesia. O descobrimento da América e a circum-navegação da África prepararam o terreno para a recém-surgida burguesia. As Índias Orientais e os mercados chineses, a colonização da América, o comércio com as colônias, o aumento dos meios de troca e das mercadorias em geral deram ao comércio, à navegação, à indústria um impulso nunca antes conhecido e, desse modo, um desenvolvimento rápido ao elemento revolucionário na sociedade feudal esfacelada. O sistema feudal ou corporativo, sob o qual a produção industrial era monopolizada por corporações fechadas, já não bastava mais para a demanda em crescimento dos novos mercados. O sistema de manufatura veio ocupar este posto. Os chefes de corporação foram afastados pela classe média manufatureira; a divisão de trabalho entre os vários grupos corporativos desapareceu com a divisão de trabalho em cada oficina. Nesse meio-tempo, os mercados continuaram sempre a crescer, a demanda sempre a aumentar. A manufatura já não era suficiente. Em consequência disso, o vapor e as máquinas revolucionaram a produção industrial. O lugar da manufatura foi tomado pela indústria gigantesca moderna; o lugar da classe média industrial, pelos milionários da indústria, líderes de todo o exército industrial, os burgueses modernos. A indústria moderna estabeleceu o mercado mundial, para o qual a descoberta da América havia aberto caminho. Este mercado desenvolveu enormemente o comércio, a navegação, a comunicação por terra. Este crescimento afetou novamente a extensão da indústria; e, na mesma medida em que a indústria, o comércio, a navegação e as estradas de ferro se estendiam, a burguesia se desenvolvia, aumentava o seu capital e deixava para trás todas as classes provenientes da Idade Média. Vemos, portanto, como a burguesia moderna é, ela mesma, produto de um longo curso de desenvolvimentos, de uma série de revoluções nos modos de produção e de troca. Cada passo no desenvolvimento da burguesia foi acompanhado por um avanço político correspondente. Uma classe oprimida sob a autoridade da nobreza feudal, uma associação autogovernada na comuna4 medieval. Aqui, uma república urbana independente (como na Itália e na Alemanha); ali, o “Terceiro Estado” da monarquia, sujeito a impostos (como na França). Depois, no período da manufatura propriamente dita, servindo à monarquia semifeudal ou à monarquia absoluta como um contraponto à nobreza e, na verdade, pedra fundamental das grandes monarquia sem geral. A burguesia, afinal, com o estabelecimento da indústria moderna e do mercado mundial, conquistou para si própria, no Estado representativo moderno, autoridade política exclusiva. O Poder Executivo do Estado moderno não passa de um comitê para gerenciar os assuntos comuns de toda a burguesia. A burguesia, historicamente, teve um papel extrema-mente revolucionário. Em todas as vezes que chegou ao poder, pôs termo a todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Desapiedadamente, rompeu os laços feudais heterogêneos que ligavam o homem aos seus “superiores naturais” e não deixou restar vínculo algum entre um homem e outro além do interesse pessoal estéril, além do “pagamento em dinheiro” desprovido de qualquer sentimento. Afogou os êxtases mais celestiais do fervor religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo filisteu, nas águas geladas do calculismo egoísta. Converteu mérito pessoal em valor de troca. E no lugar das incontáveis liberdades reconhecidas e adquiridas, implantou a liberdade única e sem caráter do mercado. Em uma palavra, substituiu a exploração velada por ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, impudente, direta e brutal. A burguesia desnudou de sua auréola toda ocupação até agora honrada e admirada com respeito reverente. Converteu o médico, o advogado, o padre, o poeta e o cientista em seus operários assalariados. Ela arrancou da família o seu véu sentimental e reduziu a relação familiar a uma mera relação de dinheiro. A burguesia revelou como a demonstração brutal de força, tão admirada pelos reacionários da Idade Média, pôde encontrar seu complemento perfeito na preguiça mais indolente. Foi a primeira a dar provas do que a atividade humana pode empreender. Realizou maravilhas que superaram de longe as pirâmides egípcias, os aquedutos romanos e as catedrais góticas; conduziu expedições que puseram na sombra todos os êxodos anteriores de nações e cruzadas. A burguesia não pode existir sem revolucionar, constantemente, os instrumentos de produção e, desse modo, as relações de produção e, com elas, todas as relações da sociedade. A conservação dos antigos modos de produção de forma inalterada era, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as antigas classes industriais. A revolução constante da produção, os distúrbios ininterruptos de todas as condições sociais, as incertezas e agitações permanentes distinguiram a época burguesa de todas as anteriores. Todas as relações firmes, sólidas, com sua série de preconceitos e opiniões antigas e veneráveis foram varridas, todas as novas tornaram-se antiquadas antes que pudessem ossificar. Tudo o que é sólido desmancha-se no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são por fim compelidos a enfrentar de modo sensato suas condições reais de vida e suas relações com seus semelhantes. A necessidade de um mercado em expansão constante para seus produtos persegue a burguesia por toda a superfície do globo. Precisa instalar-se em todos os lugares, acomodar-se em todos os lugares, estabelecer conexões em todos os lugares. A burguesia, por meio de sua exploração do mercado mundial, deu um caráter cosmopolita para a produção e o consumo em todos os países. Para grande desgosto dos reacionários, rebaixou a base nacional da indústria até o rés do chão. As indústrias nacionais antigas foram destruídas ou seguem sendo destruídas dia após dia. Elas são desalojadas por novas indústrias, cuja introdução torna-se questão de vida e morte para todas as nações civilizadas; por indústrias que não mais trabalham com matéria-prima nacional, mas matéria-prima extraída de zonas remotas; cujos produtos são consumidos não só no próprio país, mas em todos os cantos do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pela produção do país, encontramos novas necessidades, exigindo para satisfazê-las produtos de terras e climas distantes. No lugar da antiga reclusão e autossuficiência local e nacional, temos conexões em todas as direções, uma interdependência universal das nações. E tanto em produção material como em produção intelectual. As criações intelectuais de nações individuais tornam-se propriedade comum. A parcialidade e a mentalidade tacanha nacional tornam-se sempre mais impossíveis e, das numerosas literaturas nacionais e locais, forma-se uma literatura universal. A burguesia, pelo aperfeiçoamento rápido de todos os instrumentos de produção, pelos meios de comunicação imensamente facilitados, arrasta todas as nações, até a mais bárbara, para a civilização. Os preços baratos de suas mercadorias são a artilharia pesada com a qual derrubam até mesmo a Muralha da China, com que forçam o ódio intenso e obstinado dos bárbaros contra os estrangeiros a capitular. Compele todas as nações, sob pena de extinção, a adotar o modo de produção burguês. Compele-as a introduzirem o que chama de civilização no seu meio, ou seja, a se tornarem burguesas. Resumindo, cria um mundo à sua imagem. A burguesia subjugou o país às leis das cidades. Criou cidades enormes; aumentou em grande escala a população urbana, se comparada à rural e, assim, resgatou uma considerável parte da população da idiotia da vida rural. Do mesmo modo como tornou o país dependente das cidades, tornou países bárbaros e semibárbaros dependentes dos países civilizados, nações de camponeses dependentes de nações burguesas, o Oriente dependente do Ocidente. A burguesia coloca obstáculos cada vez maiores à dispersão da população, dos meios de produção e da propriedade. Aglomerou populações, centralizou meios de produção e concentrou a propriedade em algumas poucas mãos. A consequência necessária disto foi a centralização política. Províncias independentes, províncias com interesses, leis, governos e sistemas de impostos separados foram aglomerados em um bloco, em uma nação com um governo, um código de leis, um interesse nacional de classe, uma fronteira e uma tarifa alfandegária. A burguesia, durante o seu domínio de quase cem anos, criou forças produtivas mais maciças e colossais do que todas as gerações precedentes juntas. Sujeição das forças da natureza pelo homem, maquinarias, aplicação da química na indústria e na agricultura, navegação a vapor, estradas de ferro, telégrafos, remoção do cultivo de continentes inteiros, canalização de rios, populações inteiras conjuradas fora de suas áreas — que século anterior teve, mesmo que fosse um pressentimento, de que tais forças produtivas ficariam inativas no colo do labor social? Vimos, portanto, que os meios de produção e de troca, nos quais a burguesia erigiu-se, foram gerados na sociedade feudal. Em um certo estágio do desenvolvimento desses meios de produção e de troca, as condições sob as quais a sociedade feudal produziu e trocou, a organização feudal de agricultura e indústria manufatureira, resumindo, as relações de propriedade feudais tornaram-se não mais compatíveis com as forças produtivas já desenvolvidas. Tornaram-se grilhões. Tinham de ser estilhaçados. Foram estilhaçados. No seu lugar, entrou a concorrência livre, acompanhada por uma constituição social e política adaptada a ela e sob o controle econômico e político da classe burguesa. Um movimento similar está acontecendo diante de nossos olhos. A sociedade burguesa moderna, com suas relações de produção, de troca e de propriedade, é como um bruxo que já não controla os poderes do outro mundo por ele conjurado com seus feitiços. Para muitos, a década passada da história da indústria e do comércio é somente a história da revolta das forças produtivas modernas contra as condições modernas de produção, contra as relações de propriedade que são a condição para a existência da burguesia e de seu domínio. Basta mencionar a crise comercial que, com sua periodicidade, põe à prova, cada vez mais ameaçadoramente, a existência de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais, grande parte, não só dos produtos existentes, mas também das forças produtivas criadas anteriormente, é periodicamente destruída. Nestas crises, surge uma epidemia que, em todas as épocas antigas, teria parecido absurda: a epidemia da superprodução. A sociedade se vê, subitamente, de volta a um estado de barbarismo momentâneo. Seria como se uma escassez, uma guerra universal devastadora houvesse cortado o fornecimento de todos os meios de subsistência. A indústria e o comércio parecem ter sido destruídos. E por quê? Porque há civilização em demasia, meios de subsistência em demasia, indústrias em demasia, comércio em demasia. As forças produtivas à disposição da sociedade não mais tendem a fomentar o desenvolvimento das condições da propriedade burguesa. Pelo contrário, tornaram-se poderosas demais para estas condições, que as restringem. Assim que se livram desses grilhões, trazem desordem para toda a sociedade burguesa, pondo em risco a existência da propriedade burguesa. As condições da sociedade burguesa são estreitas demais para abranger toda a riqueza que criou. E como faz a burguesia para vencer essas crises? Por um lado, reforça a destruição da massa de forças produtivas; por outro lado, tenta conquistar novos mercados e busca uma exploração mais completa dos antigos. Ou seja, pavimentando o caminho para crises mais extensas e mais destrutivas e diminuindo os meios pelos quais previnem-se crises. As armas, com as quais a burguesia abateu o feudalismo, voltaram-se contra a própria burguesia. Mas ela não só forjou as armas que trazem a morte para si própria, como também criou os homens que irão empunhar estas armas: a classe trabalhadora moderna, o proletariado. Na mesma medida em que a burguesia — isto é, o capital — se desenvolve, também o proletariado se desenvolve. A classe trabalhadora moderna desenvolve-se: uma classe de trabalhadores, que vive somente enquanto encontra trabalho e que só encontra trabalho enquanto o seu labor aumenta o capital. Estes trabalhadores, que precisam vender a si próprios aos poucos, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio, e são, por consequência, expostos a todas as vicissitudes da competição, a todas as flutuações do mercado. Em virtude do uso extensivo de maquinarias e da divisão do trabalho, o trabalho dos proletários perdeu todo o seu caráter individual e, em consequência, todo o estímulo para o trabalhador. Ele se torna um apêndice da máquina e dele só é exigida a habilidade mais simples, mais monótona e mais facilmente adquirida. Por isso, o custo de produção de um trabalhador é restrito, quase completamente, aos meios de subsistência que ele requer para a sua manutenção e para a propagação de sua raça. Mas o preço de uma mercadoria e, portanto, também do trabalho, é igual ao seu custo de produção. Em proporção, conforme a repulsa do trabalho aumenta, o salário diminui. E ainda, na proporção em que o uso de maquinaria e a divisão de trabalho aumentam, o peso da labuta aumenta, seja pela prolongação das horas de trabalho, seja pelo aumento do trabalho exigido durante um lapso de tempo determinado ou pelo aumento da velocidade da maquinaria etc. A indústria moderna converteu a pequena oficina do mestre patriarcal na grande fábrica do industrial capitalista. Massas de trabalhadores, comprimidos nas fábricas, são organizados como tropas. Como soldados do exército industrial, são colocados sob o comando de uma hierarquia perfeita de oficiais e sargentos. Não são somente escravos da classe burguesa e do Estado burguês, mas são, a todo dia e a toda hora, escravizados pela máquina, pelo supervisor e, acima de todos, pelo próprio indivíduo fabricante burguês. Quanto mais abertamente este despotismo proclama que o ganho é o seu fim e a sua meta, tanto mais mesquinho, tanto mais odioso e tanto mais amargo ele se torna. Quanto menos habilidade e força física venha requerer o trabalho manual, isto é, quanto mais se desenvolve a indústria, tanto mais o trabalho dos homens é substituído pelo das mulheres. Diferenças de idade e de sexo não têm mais validade distintiva social para a classe trabalhadora. São todos instrumentos de trabalho, mais ou menos caros, para serem usados de acordo com sua idade e sexo. Tão logo o trabalhador é explorado pelo fabricante e, no fim, recebe seu salário em dinheiro, ele é atacado pelas outras porções da burguesia, o senhorio, o lojista, o penhorista etc. A camada mais baixa da classe média, os pequenos comerciantes, lojistas e artífices aposentados em geral, artesãos e camponeses, todos eles se afundam, gradualmente, no proletariado. Em parte, porque seu capital diminuto não basta para a escala na qual a indústria moderna é levada avante, e atola-se na competição com os grandes capitalistas; e, em parte, porque suas especializações se tornaram inúteis com os novos métodos de produção. Assim, o proletariado é recrutado de todas as classes da população. O proletariado passa por vários estágios de desenvolvimento. Com seu nascimento, começa a sua luta contra a burguesia. No início, a disputa é conduzida pelo indivíduo trabalhador, depois pelos operários de uma fábrica, assim como pelos artífices de uma classe profissional, em uma localidade, contra o indivíduo burguês que os explora diretamente. Eles não dirigem seus ataques apenas contra as relações burguesas de produção, mas também contra os próprios instrumentos de produção. Eles destroem mercadorias importadas que competem com seu trabalho. Despedaçam máquinas. Incendeiam fábricas. Buscam restaurar pela força a condição do operário da Idade Média que desapareceu. Nesse estágio, os trabalhadores ainda formam uma massa incoerente, espalhada pelo país todo e fracionada pela competição. A união da enorme massa de trabalhadores ainda não é um resultado da sua própria união, e sim o resultado da união da burguesia, que precisa pôr em movimento todo o proletariado para alcançar seus objetivos políticos; e, ao menos por enquanto, ela ainda o pode fazer. Nesta fase, portanto, os proletários não lutam contra seus inimigos, mas os inimigos de seus inimigos, remanescentes da monarquia absoluta, os proprietários de terras, os burgueses neoindustriais, a pequena burguesia. Assim, todo o movimento histórico está concentrado nas mãos da burguesia. Toda vitória obtida assim é uma vitória para a burguesia. No entanto, com o desenvolvimento da indústria, o proletariado não só aumenta em número, como se torna concentrado em massas maiores; sua força cresce e ele sente mais essa força. Os vários interesses e condições de vida dentro das linhas do proletariado são sempre mais equalizados, na proporção em que a maquinaria cancela todas as distinções de trabalho e, por quase toda a parte, reduz salários para o mesmo nível baixo. A competição crescente entre os burgueses e a crise comercial resultante fazem os salários dos trabalhadores flutuarem ainda mais. As melhorias incessantes da maquinaria, sempre desenvolvendo-se mais rápido, torna o seu meio de vida mais e mais precário. As colisões entre indivíduos trabalhadores e indivíduos burgueses tomam cada vez mais o caráter de colisão entre duas classes. Sobre isso, os trabalhadores começam a formar combinações (sindicatos) contra os burgueses. Eles se unem de modo a manter alto o nível dos salários. Fundam associações permanentes de modo a assegurar-se, antecipadamente, para estas revoltas ocasionais. Aqui e ali a contenda manifesta-se em tumultos. De tempos em tempos, os trabalhadores vencem, mas só provisoriamente. O verdadeiro fruto de suas batalhas repousa não no resultado imediato, mas na união cada vez mais abrangente dos trabalhadores. Esta união é favorecida pelos meios de comunicação mais desenvolvidos, criados pela indústria moderna e que colocam os trabalhadores de localidades diferentes em contato uns com os outros. Era somente este contato o necessário para centralizar as numerosas lutas locais, todas do mesmo caráter, em uma luta nacional entre classes. Mas cada luta de classe é uma luta política. E com essa união para alcançar o que os burgueses da Idade Média, com suas estradas vicinais, precisaram de séculos — os proletários modernos, graças às estradas de ferro, alcançaram em poucos anos. Esta organização dos proletários em uma classe e, consequentemente, em um partido político, está sendo perturbada, continuamente, pela competição entre os próprios trabalhadores. Mas ela sempre se levanta outra vez, mais forte, mais firme, mais poderosa. Ela força um reconhecimento legislativo dos interesses particulares dos trabalhadores, aproveitando-se das divisões no meio da própria burguesia. Assim foi aprovada na Inglaterra a Lei das Dez Horas. Em geral, as colisões entre as classes da velha sociedade favorecem, de muitos modos, o curso do desenvolvimento do proletariado. A burguesia encontra-se envolvida em uma batalha constante. Primeiro, com a aristocracia; depois, com estas porções da própria burguesia, cujos interesses se tornaram antagônicos aos progressos da indústria; e em todas as épocas, com a burguesia de outros países. Nestas batalhas, ela se vê compelida a apelar para o proletariado, pedir a sua ajuda e, assim, arrastá-lo para dentro da arena política. A própria burguesia, portanto, fornece ao proletariado seus próprios elementos de educação política e geral, em outras palavras, supre o proletariado com armas para enfrentar a burguesia. Ademais, como já vimos, parcelas inteiras das classes governantes são lançadas no proletariado pelo avanço da indústria ou pelo menos têm sua existência ameaçada. Isto também supre o proletariado de elementos recentes de formação e de progresso. Finalmente, em épocas em que a luta de classes beira a sua hora decisiva, o processo de dissolução em desenvolvimento dentro da classe governante, na verdade, dentro de toda a extensão da antiga sociedade, assume um caráter tão violento, tão penetrante, que uma pequena par-cela da classe governante desprende-se e une-se à classe revolucionária, a classe que carrega o futuro em suas mãos. Exatamente como, em uma época anterior, uma parcela da nobreza uniu-se à burguesia, assim, agora, uma parte da burguesia une-se ao proletariado e, em particular, uma parte composta de ideólogos burgueses que chegaram a uma compreensão histórica do movimento como um todo. De todas as classes que se põem frente a frente hoje com a burguesia, somente o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As outras declinam e, finalmente, desaparecem ante à indústria moderna. O proletariado é o seu produto mais autêntico. A classe média baixa, o pequeno fabricante, o lojista, o artesão, o camponês, todos esses lutam contra a burguesia para não naufragarem. Eles não são, portanto, revolucionários, mas conservadores. E ainda, são reacionários, pois giram a roda da História para trás. Se, por acaso, são revolucionários, eles o são só por terem em vista sua transferência iminente para o proletariado. Deste modo, defendem não os interesses do presente, mas os do futuro. Deserdam seu ponto de vista em prol daquele do proletariado. A “classe perigosa”, o lúpem-proletariado, essa massa que apodrece passivamente, repudiada pelas camadas mais baixas da antiga sociedade, pode, aqui e ali, ser arrastada para o movimento por uma revolução proletária. Suas condições de vida, contudo, preparam-na muito mais para o papel de uma ferramenta subornada da intriga reacionária. As condições de vida da sociedade antiga já se encontram destruídas nas condições de vida do proletariado. O proletário não tem propriedade; sua relação com esposa e filhos já não tem coisa alguma em comum com as relações da família burguesa; o trabalho moderno industrial, a sujeição moderna ao capital, iguais na Inglaterra como na França, nos Estados Unidos e na Alemanha, desnudou-o de todos os traços de caráter nacional. Lei, moralidade, religião são para ele preconceitos burgueses atrás dos quais se escondem os interesses da burguesia. Todas as classes precedentes, que tiveram o comando, procuraram garantir suas oposições sujeitando a sociedade em geral às suas condições de apropriação. Os proletários não podem se tornar patrões das forças produtivas da sociedade, exceto abolindo seus próprios meios de apropriação anteriores e, de tal modo, também todos e quaisquer outros modos de apropriação anteriores. Eles nada têm para assegurar e fortificar. A missão deles é destruir todas as garantias e seguranças da propriedade individual. Todos os movimentos históricos anteriores foram movimentos de minorias, ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento autoconsciente, independente da imensa maioria, no interesse da imensa maioria. O proletariado, a camada mais baixa da nossa sociedade atual, não pode sublevar-se, não pode se revoltar, sem que toda a camada dominante da sociedade oficial seja arremessada no ar. Apesar de não em substância, mas em forma, a luta do proletariado contra a burguesia é antes de tudo uma luta nacional. O proletariado de cada país precisa, claro, primeiro de tudo acertar seus assuntos com sua própria burguesia. Ao retratar as etapas mais gerais do desenvolvimento do proletariado, podemos acompanhar a guerra civil (ora mais, ora menos velada) dentro da sociedade, até o ponto em que ela irrompe em uma revolução aberta. Até agora, toda forma de sociedade foi baseada, como já vimos, no antagonismo das classes opressoras e oprimidas. Mas, para oprimir uma classe, certas condições devem ser asseguradas sob as quais ela poderá, ao menos, continuar sua existência submissa. Os servos, no período da servidão, elevaram-se à qualidade de membros da comuna, assim como os pequenos-burgueses, sob o jugo do absolutismo feudal, transformaram-se em burguesia. O trabalhador moderno, pelo contrário, em vez de crescer com o progresso da indústria, enterrou-se sempre mais fundo, abaixo das condições de existência de sua própria classe. Tornou-se pobre e a pobreza cresce mais rápido do que a população e a riqueza. Aqui torna-se evidente que a burguesia é inapta para ser a classe governante da sociedade e para impor suas condições de existência à sociedade como uma lei primordial. É inapta para governar porque é incompetente para assegurar uma existência para os seus escravos dentro da escravatura; porque não consegue evitar de deixá-lo afundar em tal estado, pois ela tem de alimentá-lo, em vez de ser alimentada por ele. A sociedade não pode mais viver sob esta burguesia, em outras palavras, a sua existência não é compatível com a sociedade. A condição essencial para a existência e para o poder da classe burguesa é a formação e o crescimento de capital. A condição para o capital é o trabalho assalariado. O trabalho assalariado fundamenta-se exclusivamente na competição entre os trabalhadores. O avanço da indústria, cujo promotor involuntário é a burguesia, substitui o isolamento dos trabalhadores, em virtude da competição, pela combinação revolucionária, devido à associação. O desenvolvimento da indústria moderna, portanto, tira de sob seus pés a própria fundação sobre a qual a burguesia produz e apropria-se de produtos. O que a burguesia, portanto, produz, acima de tudo, é seus próprios coveiros. A sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis. Proletários e comunistas Como se posicionam os comunistas em relação aos proletários em geral? Os comunistas não formam um partido separado em oposição a outros partidos das classes trabalhadoras. Eles não estabelecem nenhum princípio específico que pretenda modelar o movimento proletário. Os comunistas distinguem-se de outros partidos de classes trabalhadoras somente pelo seguinte: 1) nas lutas nacionais de proletários de países diferentes, eles ressaltam e apresentam os interesses comuns de todo o proletáriado, independente de nacionalidade; 2) nos vários estágios de desenvolvimento que a classe trabalhadora atravessa em sua luta contra a burguesia, eles representam sempre o interesse do movimento como um todo. Os comunistas, portanto, em termos práticos, são a parcela mais avançada e resoluta dos partidos de classes trabalhadoras de todo país, aquela que lança todas as outras para frente. Por outro lado, em termos teóricos, eles têm sobre a inestimável massa do proletariado a grande vantagem de entrever a linha da marcha, as condições e os resultados gerais do movimento proletário. A meta imediata dos comunistas é a mesma de todos os outros partidos proletários: a formação do proletáriado em uma classe, a derrubada da supremacia burguesa, a conquista do poder político pelo proletariado. Suas conclusões teóricas não estão baseadas de modo algum em ideias ou princípios que foram inventados, ou descobertos, por este ou aquele futuro reformador universal. Mas são apenas expressões generalizadas das condições de uma luta de classes que existe de fato, de um movimento histórico que se passa diante de nossos olhos. Todas as relações de propriedade estiveram sujeitas a uma constante transformação e a uma constante mudança histórica. Todas as relações de propriedade do passado têm sido continuamente sujeitas às mudanças históricas consequentes das mudanças de condições históricas. A Revolução Francesa, por exemplo, aboliu a propriedade feudal em favor da propriedade burguesa. A característica distintiva do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa. A propriedade privada da burguesia moderna é a expressão final e mais completa do sistema de produção e de apropriação de produtos, que é baseado no antagonismo de classes, na exploração de um homem por outro. Neste sentido, a teoria dos comunistas pode ser resumida em uma sentença: abolição da propriedade privada.

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