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O Mar Nunca Transborda (Cód: 4869729)

Machado, Ana Maria

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

Liana é uma talentosa jornalista que trabalha na sucursal de uma revista brasileira em Londres. Além dos percalços da profissão, tem de lidar com as mesquinharias do mundo corporativo, repleto de trapaças e disputas. Porém, a vida na capital inglesa e o namoro com o fotógrafo Tito são o respiro para que a personagem possa narrar a história de suas raízes.



A protagonista recupera lembranças de família dos séculos que atravessam um refúgio no litoral capixaba, desde o encontro entre os índios e os primeiros portugueses, até a especulação imobiliária do século XX. Ao mesmo tempo, o romance conta a história da própria protagonista, mulher independente, dividida entre os novos rumos que o presente lhe oferece e a fidelidade ao passado, que fez dela o que ela é.



Em Londres, Liana conta a história de Manguezal dos Reis Magos, paradisíaco trecho da costa capixaba onde havia passado a infância, e terra onde sua família havia estabelecido raízes desde os bisavôs. Sua escrita, construída a partir de lembranças e narrativas que passaram de geração a geração, atravessa cinco séculos de história do Brasil, resumindo naquele cenário a complexa trajetória do país ao longo de quinhentos anos.



Quando seus irmãos decidem vender a propriedade do bisavô, Liana se vê diante de uma questão decisiva: transformar em dinheiro o cenário de sua infância, radicando-se em Londres, ou permanecer fiel àquele passado, aberta a uma nova história de amor, como tantas outras que se fizeram à beira daquele mar?


As duas narrativas avançam em paralelo, até que o passado toque o presente. Índios, brancos e negros, invasores, jesuítas e colonos, escravos fugidos, imigrantes europeus e até uma criança que surge na praia, sem nenhuma explicação, mesclam-se e povoam o paradisíaco Manguezal. E é essa cidade que exigirá que Liana decida se está pronta para fixar-se em Londres e no amor, ou se é preciso manter as possibilidades em aberto.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
Cód. Barras 9788579622113
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788579622113
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 240
Peso 0.36 Kg
Largura 15.00 cm
AutorMachado, Ana Maria

Leia um trecho

Primeira Parte

Não ia dar para esquecer nunca. Nesse dia, tudo foi diferente. E depois dele, nada, nunca mais, foi igual.
Mas, quando começou, não parecia.
Foi uma manhã como as outras, um meio-dia quente como qualquer outro dessa época do ano. E até aquele instante, uma tarde como todas. Um dia que terminava num final dourado. Daqueles em que Cairé achava que o mundo todo ficava com inveja da saíra e pedia ao sol para deixar para trás as cores das penas dela. Algumas vezes, como nessa tarde, o sol atendia, logo antes de ir dormir. Então era dia de festa. Era o que o menino gostava de pensar sempre que, nessa hora, descia o barranco em direção ao rio, carregando as armadilhas onde de noite os pitus iam entrar para comer e depois iam se perder, ficar presos e virar comida de gente no dia seguinte.
Fazia isso tantas vezes, todo dia sempre igual, nunca mudava, era um araiaué, já estava cansado. Mas sabia que ainda precisava esperar duas floradas de pitangueira antes que pudesse sair para caçar e pescar com os grandes. Por enquanto, um piá de sua idade só podia mesmo pouca coisa. Mas pelo menos era melhor que ser como Cajati, sua irmã, e ter que cuidar das roças de milho e mandioca com as mulheres. Ele não. Podia sair da aldeia. Ajudava a recolher os peixes que os homens tinham pescado com timbó no rio. Mas queria sair com eles na piroga rio acima, para trazer peixe grande apanhado na ponta da flecha. Queria entrar com eles na mata, atrás de rastro de capivara e caititu. E, sobretudo, queria um dia estar numa canoa que descesse pela boca do rio Escuro, deixasse para trás a correnteza de água doce e castanha, subisse e descesse as ondas espumentas que vinham quebrar na areia, e saísse para aquele verde salgado que não existia na terra em lugar nenhum. Nem nas asas do papagaio, nem no peito do beija-flor, nem no dorso do tuim. Nem em folha nenhuma, de nenhuma árvore da mata.
Mas por enquanto, mar era só para tomar banho e brincar, catar marisco e ouriço nas pedras, pegar um siri de vez em quando. Ou então, para ver de longe, do alto do morro que dominava a barra do rio, vigiando as nuvens que vinham dos lados da praia das Tartarugas, por cima da copa esparramada da sibipiruna grande, e davam banho na terra toda. Ou descobrindo o azul que começava na casa do sol e ia tomando conta de tudo no fim da chuvarada, trazido no sopro do aracati, que limpava o mar desde longe, fazendo com que ele fosse ficando menos cinzento, mais azulão, cada vez mais, até depois ir clareando e virar aquele verde que não existia em outro lugar.
Isso era coisa de que Cairé gostava. Olhar o mar. De tarde, do alto, antes de sair para preparar as armadilhas. Enquanto descia o barranco. E depois, quando acabava, sentado na areia da praia. Era uma alegria ver escurecer, a estrelada toda aparecendo devagar. Ou esperar a lua chegar, quando ela estava cheia e nascia naquela hora de fim de tarde.
Mas nesse dia, pelo meio do caminho, Cairé viu uma coisa que nunca tinha visto. Foi por isso que voltou correndo, entrou na aldeia gritando e avisou aos guerreiros:
— Depressa! Venham ver! Um bicho enorme no mar!
Mal conseguia falar. Como é que podia explicar aquela baleia enorme com um pássaro imenso de asas brancas pousado em cima? Ou seriam muitos pássaros? Enormes. Maiores que qualquer gaivota, que qualquer gavião. Com as asas bem abertas.
Todos se levantaram, saíram correndo, foram até o alto da pequena chapada que dominava a barra do rio. De lá, olharam a praia que se estendia em lua nova entre o mar e as palmeiras, até a linha de recifes que avançava mar adentro e abraçava a enseada na outra ponta. Cairé tinha razão. Era um bicho que ninguém tinha visto antes. Mas não era baleia. Elas sempre nadavam por ali e eles conheciam bem: uma espécie de boto enorme, de ilha pequena que aparecia e mergulhava, brincando. Esse bicho era diferente.
— Parece mais uma tartaruga grandona, só que deitada na água — distinguiu a visão atenta de Ibijara.
— E esses pássaros em cima, com as asas abertas? — Irapuã estava curioso, meio perdido nessas coisas do mar que não conseguia rastrear.
— Nunca vi um bicho desse tamanho — comentou Menibi, pensativo. — Será que ele sai da água?
— Está vindo da casa do sol... — disse o velho Piracema, devagar e quase solene.
Ficaram olhando e comentando, sem atinar com o que seria.
O animal continuava a se aproximar. Após se abrigar nas águas tranquilas da enseada, de repente parou. Fechou uma asa, depois outra, mais outra... Como se estivesse se preparando para dormir.
Os índios foram descendo pelo caminho escavado no barranco. Homens e mulheres, velhos e crianças. Iam até a praia olhar mais de perto. Ao chegarem lá, já com a noite começando a escurecer tudo, Ibijara disse uma coisa surpreendente:
— Eu acho que não é baleia, nem tartaruga, nem nada. Não é bicho... — Então o que é? — quis saber Menibi.
— Eu acho que é uma canoa enorme...
— E as asas? Você não viu as asas? — duvidou Irapuã.
— Eu acho que não é asa. É esteira. Ou rede. Não sei. Mas acho que é uma igaraçu, canoa enorme.
Todos olharam com mais atenção. Difícil de ver com a escuridão. Uma canoa enorme? Podia ser... Nesse caso, pensou Cairé com um sobressalto, ia ter gente dentro. Visitantes do sol. O velho Piracema devia ter pensado a mesma coisa, porque disse:
— Se for uma canoa grande que o sol mandou para trazer seus mensageiros, eles devem estar esperando o sol voltar para aparecer. Temos que estar preparados. Quando as estrelas forem embora, temos que receber os visitantes com presentes. Fazer uma festa.
Começaram a organizar tudo. Alguns homens ficariam na praia vigiando. Os outros iriam para a aldeia, se ocupar dos preparativos. Nessa noite dormiriam pouco e mal.

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