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O Menino do Pijama Listrado (Cód: 1989653)

Boyne, John

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Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus.Também não faz idéia de que
seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade,
Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região
desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga.
Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel,um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo
dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as
atividades de seu pai. 'O Menino do Pijama Listrado' é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Características

Editora Seguinte
Cód. Barras 9788535911121
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788535911121
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorBoyne, John

Avaliações

Avaliação geral: 4.9

Você está revisando: O Menino do Pijama Listrado

Rafaela Vicente recomendou este produto.
27/06/2016

Emocionante

A tristeza e a felicidade caminham justas neste livro até a última página. Leitura fácil e agradável
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Mariana C G Ribeiro recomendou este produto.
10/05/2016

Recomendo a leitura

Livro excelente! História bela e triste que nós emociona até a última página.
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João Victor Borges de Azevedo recomendou este produto.
24/04/2016

Excelente

Narrativa simplesmente maravilhosa,os elementos de narração foram cuidadosamente utilizados pelo autor para que a narrativa nos passe de forma clara e detalhada todos os cenários,os personagens,suas emoções,enfim,uma bela estória que quando terminei,deixou aquele gostinho de quero mais.
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Victor Wlademir recomendou este produto.
11/04/2016

Muito bom o livro

Só um amante de livros de guerra e me emocionou bastante.Nota 5 estrelas.:P
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Tania recomendou este produto.
02/04/2016

ótimo, excelente

Um ótimo livro, sem dúvida.
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Tania recomendou este produto.
02/04/2016

ótimo, excelente

Um ótimo livro, sem dúvida.
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PATRICIA GONÇALVES recomendou este produto.
14/03/2016

MARAVILHOSO!!

Livro Incrível!
Me apaixonei pela história.
Estória envolvente e emocionante.
Livro veio em perfeito estado e entrega rápida.
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Maria recomendou este produto.
22/02/2016

Ótimo livro!

Um ótimo livro com um final surpreendente, porém triste. Me emocionei muito ao lê-lo.
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Julia Magalhães recomendou este produto.
11/12/2015

repertorio instigante

Eu fico feliz por escreverem tao bem e retratarem bem o que querem passar para gente! Gosto muito do livro, quanto do filme, amo muito!!
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samara recomendou este produto.
07/12/2015

muito bom o filme

o filme e muito legal mas o fim delle nao e muito porque o menino more dai tipo eu nao consigui ficar sem chorar
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Giovanna Santana recomendou este produto.
04/12/2015

Ótimo

Eu não li ainda, mas pelos comentários e o breve resumo do livro, parece ser ótimo.
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Amarildo Santos recomendou este produto.
11/10/2015

Um livro surpreendente com um final emocionante.

O livro mostra a grande amizade entre dois meninos em tempos de guerra. Uma amizade pura e ingenua que não via o mal que o nazismo provocara entre ambos os lados,assim divididos por uma cerca. E essa amizade permaneceu até o final como era de se esperar,mas com um triste fim...Resumindo,o livro é surpreendente e tem um final emocionante...
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lila recomendou este produto.
11/05/2015

otimo

parabens
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Caroline recomendou este produto.
16/04/2015

Eu adorei esse livro

Recomendo muito este livro, é muito emocionante e comovente uma jornada que infelizmente não acabou bem, mas é com certeza muito bom
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stefany kimberly recomendou este produto.
01/04/2015

muito perfeito

nunca cheguei a ler o livro... mas ja assisti o filme, gente comprem o livro , pq pelo filme ja da p você ter uma ideia do que esta acontecendo....
infelizmente não posso falar oq acontece mas, é uma historia linda que tem um fim trágico.. vocês vão se emocionar .. :')
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Sarah recomendou este produto.
27/03/2015

Perfeito

Muito bom mesmo, emocionante!!
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Tatielly Mariano recomendou este produto.
16/03/2015

Aprovado!!

Gostei muito do livro, a mistura da inocência infantil de Bruno e os fatos reais da época. Como já havia visto o filme, não me surpreendi com o final, porém não perdeu seu encanto.
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naira recomendou este produto.
26/02/2015

espetacular

mostra que em meio tanta guerra a amizade e o amor persistem,e que o feitiço vira contra o feiticeiro!!
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Anny_Pinho recomendou este produto.
18/02/2015

perfeito

muito bom =D
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Raiane recomendou este produto.
19/12/2014

Um filme tocante, emocionante.

Um filme tocante, emocionante.
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kelenlopes recomendou este produto.
11/12/2014

livro ótimooooooooooooooooo

amei
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AndréiaDavid recomendou este produto.
04/08/2014

Tipo de livro que nos faz refletir

Sou apaixonada por livros que possuam alguma relação com a Segunda Guerra Mundial, e esse realmente é fascinante. Pra quem se interessa por livros melancólicos eu super recomendo esse! É o tipo de livro que meche com a gente.
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LITU recomendou este produto.
04/08/2014

UM LIVRO MARAVILHOSO

NÃO TEM COMO NÃO SE EMOCIONAR COM ESSE LIVRO. DE UMA SENSIBILIDADE INCRÍVEL.
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Tania recomendou este produto.
04/07/2014

Ótimo

John Boyne, parabéns, ótimo livro, muito bem escrito.
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Josi recomendou este produto.
04/07/2014

Maravilhoso!!

Lí o livro em três dias! Nas primeiras páginas achei a leitura muito simples e até um pouco infantil, mas depois percebi que era pelo fato de narrar os pensamento do menino...Já no segundo capítulo estava totalmente envolvida com a história! É uma história comovente, vale a pena ler, indico com certeza, inclusive já o emprestei para outras pessoas e elas adoraram!
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Eloiza Cirne recomendou este produto.
04/07/2014

Clássico

Um livro lírico, poético.
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MarciAssiSantos recomendou este produto.
04/05/2014

Emocionante

Simplesmente Marcante
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TashaGuedes recomendou este produto.
04/05/2014

Bom

Bom, o livro me pareceu bem mais interessante que o filme, no geral.. excelente livro, recomendo :)
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fernanda recomendou este produto.
04/03/2014

Lindo!

Adoro histórias envolventes e que nos prendem a atenção!
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keeh recomendou este produto.
04/03/2014

exelente livro

amei esse livro amei o jeito que autor relata a vida de Bruno e Shmuel chorei no final...vale a pena ler,e se eu for ler de novo eu chorarei,como chorarei todas as vezes que eu for ler
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Leia um trecho

1 BRUNO FAZ UMA DESCOBERTA Certa tarde, quando Bruno chegou em casa vindo da escola, surpreendeu-se ao ver Maria, a governanta da família - que sempre mantinha a cabeça abaixada e jamais levantava os olhos do tapete -, de pé no seu quarto, tirando todos os seus pertences do guarda-roupa e arrumando-os dentro de quatro caixotes de madeira, até mesmo aquelas coisas que ele escondera no fundo e que pertenciam somente a ele e não eram da conta de mais ninguém. "O que você está fazendo?", ele perguntou tão educadamente quanto pôde, pois, embora não estivesse contente por chegar em casa e descobrir alguém remexendo nas suas coisas, sua mãe sempre lhe dissera para tratar Maria com respeito e não simplesmente imitar a maneira com que seu pai a tratava. "Tire as mãos das minhas coisas." Maria sacudiu a cabeça e apontou para a escada atrás dele, onde a mãe de Bruno acabara de aparecer. Era uma mulher alta, de longos cabelos ruivos, presos numa espécie de rede atrás da cabeça; ela estava retorcendo as mãos em sinal de nervosismo, como se houvesse algo que ela não quisesse falar ou alguma coisa em que não quisesse acreditar. "Mãe", disse Bruno, marchando em direção a ela, "o que está acontecendo? Por que a Maria está mexendo nas minhas coisas?" "Ela está fazendo suas malas", a mãe explicou. "Fazendo minhas malas?", ele perguntou, repassando rapidamente os eventos dos últimos dias para avaliar se fora um mau menino ou se dissera em voz alta as palavras que ele sabia não poder dizer e, por isso, estava sendo mandado embora. Mas não conseguiu pensar em nada que justificasse tal pensamento. Na verdade, durante os últimos dias ele se comportara de maneira perfeitamente decente com todos e não conseguia se lembrar de ter criado nenhuma confusão. "Por quê?", ele perguntou então. "O que eu fiz?" A mãe já havia entrado em seu próprio quarto a essa altura, mas Lars, o mordomo, estava lá, fazendo as malas dela também. Ela suspirou e jogou as mãos para o ar em sinal de frustração antes de marchar de volta à escada, seguida por Bruno, que não ia deixar o assunto morrer sem uma explicação satisfatória. "Mãe", ele insistiu. "O que está havendo? Estamos de mudança?" "Venha comigo até o andar de baixo", disse ela, levando-o até a ampla sala de jantar onde o Fúria estivera para comer com eles na semana anterior. "Conversaremos lá embaixo." Bruno desceu as escadas correndo e até a ultrapassou na descida, de maneira que já estava esperando pela mãe na sala de jantar quando ela chegou. Ele observou-a sem dizer nada por um momento e pensou consigo que ela não devia ter aplicado corretamente a maquiagem naquela manhã, pois as órbitas dos olhos estavam mais avermelhadas do que de costume, como os seus próprios olhos ficavam quando ele criava confusão e se metia em encrenca e acabava chorando. "Veja, Bruno, não há motivo para se preocupar", disse a mãe, sentando-se na cadeira na qual se sentara a bela mulher loira que viera jantar acompanhando o Fúria e que acenara para ele quando o pai fechou a porta. "Na verdade, acho que será uma grande aventura." "Que aventura?", ele perguntou. "Estão me mandando embora?" "Não, não é apenas você", ela disse, parecendo que ia abrir um sorriso momentâneo, mas mudando de idéia. "Todos nós vamos embora. Seu pai e eu, Gretel e você. Todos os quatro." Bruno pensou a respeito e franziu o cenho. Não o incomodava em especial se Gretel fosse mandada embora, porque ela era um Caso Perdido e só o metia em encrencas. Mas parecia um pouco injusto que todos tivessem que acompanhá-la. "Mas para onde?", ele perguntou. "Aonde vamos exatamente? Por que não podemos ficar aqui?" "É o trabalho do seu pai", explicou a mãe. "Sabe como isto é importante, não sabe?" "Sim, é claro", disse Bruno, acenando com a cabeça, pois sempre havia na casa muitos visitantes - homens em uniformes fantásticos, mulheres com máquinas de escrever das quais ele deveria manter longe as mãos sujas -, e eram todos sempre muito educados com o pai e diziam que ele era um homem para ser observado e que o Fúria tinha grandes planos para ele. "Bem, às vezes, quando uma pessoa é muito importante", prosseguiu a mãe, "o homem que o emprega lhe pede que vá a outro lugar, porque lá há um trabalho muito especial que precisa ser feito." "Que tipo de trabalho?", perguntou Bruno, porque, se fosse honesto consigo mesmo - e ele sempre tentava ser -, teria de admitir que não sabia ao certo qual era o trabalho do pai. Na escola todos conversaram um dia sobre seus pais, e Karl dissera que seu pai era quitandeiro, o que Bruno sabia ser verdade, porque o homem cuidava da quitanda no centro da cidade. E Daniel dissera que seu pai era professor, o que Bruno sabia ser verdade, porque o homem ensinava aos meninos maiores, dos quais era sempre melhor manter distância. E Martin dissera que seu pai era chef de cozinha, o que Bruno sabia ser verdade, porque, nas vezes em que o homem vinha buscar Martin na escola, sempre vestia bata branca e avental xadrez, como se tivesse acabado de deixar a cozinha. Mas, quando perguntaram a Bruno o que seu pai fazia, ele abriu a boca para dizer-lhes e então percebeu que ele próprio não sabia. Só era capaz de dizer que seu pai era um homem para ser observado e que o Fúria tinha grandes planos para ele. Ah, e que ele também tinha um uniforme fantástico. "É um trabalho muito importante", disse a mãe, hesitando por um momento. "Um trabalho que precisa ser feito por um homem muito especial. Você consegue entender isso, não é?" "E todos nós temos que ir também?", indagou Bruno. "Claro que sim", disse a mãe. "Você não gostaria que seu pai fosse até o novo trabalho e se sentisse solitário lá, gostaria?" "Acho que não", disse Bruno. "Papai sentiria muito a nossa falta se não fôssemos com ele", ela acrescentou. "De quem ele sentiria mais saudade?", perguntou Bruno. "De mim ou de Gretel?" "Ele teria saudades de ambos igualmente", disse a mãe, que era partidária da opinião de não escolher favoritos, o que Bruno respeitava, especialmente porque sabia que, na verdade, era ele o favorito dela. "Mas e quanto à nossa casa?", perguntou Bruno. "Quem vai cuidar dela enquanto estivermos longe?" A mãe suspirou e olhou o quarto ao redor, como se nunca mais fosse vê-lo novamente. Era uma casa muito bonita e tinha ao todo cinco andares, se incluirmos o porão, onde o cozinheiro preparava toda a comida e Maria e Lars sentavam-se à mesa discutindo um com o outro e chamando-se de nomes que não se deviam empregar. E se considerássemos o pequeno quarto no topo da casa, que tinha as janelas oblíquas através das quais Bruno conseguia ver até o outro lado de Berlim, se ficasse na ponta dos pés e segurasse firme no parapeito. "Teremos que fechar a casa por enquanto", disse a mãe. "Mas voltaremos algum dia." "Mas e quanto ao cozinheiro?", perguntou Bruno. "E Lars? E Maria? Eles não vão ficar morando aqui na casa?" "Eles vêm conosco", explicou a mãe. "Mas agora basta de perguntas. Talvez seja melhor você subir e ajudar Maria a fazer as malas." Bruno levantou-se da cadeira mas não foi a lugar nenhum. Havia apenas mais algumas perguntas que ele precisava fazer, antes que pudesse deixar o assunto de lado. "É muito longe?", ele perguntou. "O emprego novo, quero dizer. Fica a mais de um quilômetro de distância?" "Oh, céus", disse a mãe, rindo, embora fosse uma risada estranha porque ela não parecia feliz e se virou como se não quisesse que Bruno visse seu rosto. "Sim, Bruno", disse ela. "Fica a mais de um quilômetro de distância. Bem mais que isso, na verdade." Os olhos de Bruno se arregalaram e a boca fez o formato de um O. Ele sentiu os braços pendendo estendidos ao seu lado, como costumavam ficar quando alguma coisa o surpreendia. "Você não quer dizer que iremos deixar Berlim, não é?", ele perguntou, sem fôlego, esforçando-se para proferir as palavras. "Temo que sim", disse a mãe, acenando tristemente com a cabeça. "O trabalho de seu pai é..." "Mas e quanto à escola?", disse Bruno, interrompendo-a, algo que ele sabia que não podia fazer, mas que pensou ser perdoável naquela ocasião. "E quanto a Karl, e Daniel e Martin? Como eles saberão onde eu estarei quando quisermos fazer alguma coisa juntos?" "Você terá que se despedir dos seus amigos, por enquanto", disse a mãe. "Mas estou certa de que você os verá novamente com o tempo. E não interrompa sua mãe quando ela estiver falando, por favor", acrescentou, pois, apesar das notícias estranhas e desagradáveis, decerto não havia necessidade de Bruno quebrar as regras de boa educação que lhe foram ensinadas. "Despedir-me deles?", ele perguntou, encarando-a com surpresa. "Despedir-me deles?", repetiu, cuspindo as palavras como se a boca estivesse cheia de bolachas que ele mastigara mas ainda não engolira. "Despedir-me de Karl e Daniel e Martin?", prosseguiu Bruno, a voz se aproximando perigosamente do grito, o que não era permitido dentro de casa. "Mas eles são os três melhores amigos da minha vida toda!" "Ah, você fará novas amizades", disse a mãe, acenando com a mão no ar, como se dispensasse o assunto, supondo que, para um menino, fazer três grandes amizades para a vida toda fosse coisa fácil. "Mas nós tínhamos planos", protestou ele. "Planos?", perguntou a mãe, erguendo uma sobrancelha. "Que tipo de planos?" "Bem, eu não posso entregar o jogo", disse Bruno, que não podia revelar a natureza exata dos planos - os quais incluíam criar muita confusão, especialmente dentro de algumas semanas, quando a escola fechasse para as férias de verão e eles não precisassem mais passar todo o tempo apenas fazendo os planos, mas pudessem, finalmente, colocá-los em prática. "Sinto muito, Bruno", disse a mãe, "mas os seus planos terão que esperar. Não há escolha quanto a isso." "Mas, mãe!" "Já chega, Bruno", disse ela, agora ríspida, se levantando para indicar-lhe que tinha falado sério quando disse que já bastava. "Francamente, na semana passada você estava reclamando do quanto as coisas mudaram por aqui nestes últimos tempos." "Bem, eu não gosto dessa história de apagar todas as luzes quando chega a noite", admitiu ele. "Todos têm que fazer isso", disse a mãe. "É para a nossa segurança. E quem sabe, talvez seja menos perigoso se nos mudarmos daqui. Agora eu quero que você suba as escadas e vá ajudar a Maria a arrumar suas malas. Não temos tanto tempo quanto gostaríamos para fazer os preparativos, graças a certas pessoas." Bruno acenou e saiu cabisbaixo, sabendo que "certas pessoas" era uma expressão que os adultos usavam para "pai", e que ele próprio não podia usar. Ele foi vagarosamente até as escadas, segurando o corrimão com uma das mãos, e se perguntou se a casa nova, onde seria o novo trabalho, tinha um corrimão tão bom de escorregar quanto aquela. Pois o corrimão daquela casa vinha desde o andar mais alto - começava do lado de fora do pequeno quarto onde, se ele ficasse na ponta dos pés e segurasse firme no parapeito da janela, era possível ver até o outro lado de Berlim - até o piso térreo, bem diante das duas enormes portas de carvalho. E o que Bruno mais gostava de fazer era subir a bordo do corrimão no andar de cima e escorregar pela casa toda, fazendo barulho de vento ao longo do caminho. Descia do andar de cima até o próximo, onde estavam o quarto do pai e da mãe e o grande banheiro, e onde ele não deveria ficar de maneira nenhuma. Descia até o próximo andar, onde ficavam o seu próprio quarto e o de Gretel e o banheiro menor, que ele deveria utilizar com freqüência maior do que de fato fazia. Descia até o térreo, onde caía do final do corrimão e tinha de aterrissar equilibrado nos dois pés, ou então perdia cinco pontos e tinha de começar tudo outra vez. O corrimão era a melhor coisa da casa - além do fato de vovô e vovó morarem tão perto -, e quando pensou nisso ele se perguntou se eles também viriam até o emprego novo e acreditou que sim, pois seria impossível deixá-los para trás. Ninguém precisava muito de Gretel, porque ela era um Caso Perdido - seria bem mais fácil se ela ficasse para tomar conta da casa -, mas vovô e vovó? Aí já era outra história. Bruno subiu devagar as escadas até seu quarto; porém, antes de entrar, olhou para trás e para baixo na direção do piso térreo e viu a mãe entrando no escritório do pai, que dava de frente para a sala de jantar - e onde era Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção -, e escutou-a falando alto com ele, até que o pai falou mais alto do que a mãe era capaz, e isso terminou com a conversa entre eles. Então a porta do escritório se fechou, e, como Bruno não conseguiu mais ouvir nada, pensou que seria boa idéia voltar ao seu quarto e assumir a tarefa de fazer as malas, porque senão Maria era capaz de retirar todos os seus pertences do guarda-roupa sem o devido cuidado e consideração, até mesmo as coisas que ele escondera no fundo e que pertenciam somente a ele e não eram da conta de mais ninguém.
O Menino do Pijama Listrado (Cód: 1989653) O Menino do Pijama Listrado (Cód: 1989653)
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O Menino do Pijama Listrado (Cód: 1989653) O Menino do Pijama Listrado (Cód: 1989653)
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