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O Milagre - o Amor Tem o Poder de Superar Até Os Mais Difíceis Obstáculos (Cód: 8868716)

Sparks, Nicholas

Arqueiro

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Descrição

Jeremy Marsh é um jornalista cético que dedica a vida a investigar e desmentir fenômenos sobrenaturais. Ele está no auge do sucesso, prestes a ir trabalhar na TV, quando recebe uma carta curiosa.

Nela, uma senhora relata a ocorrência de luzes estranhas e fantasmagóricas no cemitério de Boone Creek, uma pequena cidade na Carolina do Norte. Farejando uma boa história, Jeremy sai de Nova York e vai passar uma semana lá.

Quando começa suas investigações, ele conhece a obstinada Lexie Darnell. Responsável pela biblioteca local, ela está determinada a proteger as pessoas e a cidade que tanto ama – e nem um pouco disposta a confiar no forasteiro. Depois de sofrer pelo término de dois relacionamentos, ela tem duas certezas: a primeira é de que seu lugar é em Boone Creek, e a segunda é de que não se pode acreditar num homem tão sedutor quanto Jeremy.

O que ela não imagina é que o jornalista também tem suas feridas. Ele nunca conseguiu superar completamente a dor de seu casamento desfeito e a frustração de saber que jamais poderá ser pai.

Enquanto tenta descobrir a verdade por trás das luzes do cemitério, Jeremy tem que desvendar também os próprios sentimentos e se vê diante de escolhas muito difíceis, entre elas a de voltar para a vida que conhece em Nova York ou fazer algo completamente novo: acreditar.

O milagre é um romance que explora os maiores mistérios de todos: os do coração.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580414011
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580414011
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Flávia Souto Maior
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 288
Peso 0.29 Kg
Largura 16.00 cm
AutorSparks, Nicholas

Leia um trecho

Capítulo 1 Jeremy Marsh sentou-se no estúdio, com os outros espectadores do programa ao vivo. Tinha a estranha impressão de que chamava a atenção. Ele era um entre apenas meia dúzia de homens presentes ali, naquela tarde de meados de dezembro. Vestia preto, é claro, e seus cabelos escuros e ondulados, olhos azul-claros e a barba rente da moda condiziam totalmente com a imagem do nova-iorquino que era. Enquanto analisava o convidado no palco, conseguia observar de maneira furtiva a loura atraente a três fileiras de distância. Sua profissão muitas vezes exigia que executasse várias tarefas ao mesmo tempo, de modo eficaz. Era um jornalista investigativo em busca de uma história, e a loura era apenas mais uma pessoa na plateia. Ainda assim, o observador profissional que existia nele não podia deixar de notar como ela ficava atraente usando camiseta frente-única e jeans. Jornalisticamente falando, é claro. Esvaziando a cabeça, ele tentou voltar a se concentrar no convidado. O cara era mais do que ridículo. Sob o brilho das luzes da televisão, Jeremy achou que o guia espiritual parecia sofrer de prisão de ventre enquanto alegava ouvir vozes do além. Ele havia adotado uma falsa intimidade, agindo como se fosse irmão ou melhor amigo de todos, e parecia que a grande maioria da plateia boquiaberta – incluindo a atraente loura e a mulher a quem o convidado se dirigia – o considerava uma dádiva dos céus. O que fazia sentido, pensou Jeremy, já que era lá que todos os entes queridos perdidos iam parar. Espíritos do além estavam sempre cercados por uma luz brilhante e angelical, envoltos por uma aura de paz e tranquilidade. Jeremy nunca ouvira falar de um guia espiritual se comunicando com aquele outro lugar, muito mais quente. Um ente querido nunca mencionava que estava sendo assado em um espeto ou cozido em um caldeirão de óleo de motor, por exemplo. Mas Jeremy sabia que estava sendo cético. Além disso, tinha que admitir, o programa era muito bom. Timothy Clausen era ótimo – muito melhor do que a maioria dos charlatões sobre quem havia escrito ao longo dos anos. – Sei que é difícil – disse Clausen ao microfone –, mas Frank está dizendo que já é hora de deixá-lo ir. A mulher a quem ele se dirigia com uma empatia exagerada parecia prestes a desmaiar. Tinha 50 e poucos anos, vestia uma blusa com listras verdes e seus cabelos cacheados eram desgrenhados. As mãos estavam entrelaçadas com tanta força na altura do peito que os nós dos dedos estavam brancos. Clausen parou e levou a mão à testa, conectando-se mais uma vez ao “além”, como ele mesmo dizia. Em silêncio, a multidão se inclinava para a frente nos assentos. Todos sabiam o que vinha em seguida. Aquela mulher era a terceira pessoa da plateia que Clausen havia escolhido naquele dia. Não era de surpreender que ele fosse o único convidado do popular programa de entrevistas. – Você se lembra da carta que ele lhe mandou? – perguntou Clausen. – Antes de morrer? A mulher ficou espantada. O funcionário da equipe que estava ao seu lado segurou o microfone ainda mais perto para que todos os telespectadores pudessem ouvi-la com clareza. – Sim, mas como é que você sabe...? – gaguejou ela. Clausen não a deixou terminar. – Você lembra o que dizia? – Lembro. Clausen fez um gesto positivo com a cabeça, como se ele próprio houvesse lido a carta. – Era sobre perdão, não era? No sofá, a apresentadora do programa de entrevistas mais popular dos Estados Unidos alternava o olhar entre Clausen e a mulher. Ela parecia ao mesmo tempo impressionada e satisfeita. Guias espirituais eram sempre bons para a audiência. Quando a mulher da plateia confirmou, Jeremy notou o rímel começando a escorrer pelo rosto dela. As câmeras deram um zoom para mostrar mais claramente. Programação diurna em todo o seu drama. – Mas como você...? – insistiu a mulher. – Ele estava falando sobre sua irmã também – murmurou Clausen. – Não apenas dele. A mulher fixou o olhar nele, atônita. – Sua irmã Ellen – acrescentou Clausen. Com essa revelação, a mulher enfim caiu num choro convulsivo. As lágrimas brotaram como um sistema anti-incêndio. Clausen – bronzeado e elegante com seu terno preto e sem nenhum fio de cabelo fora do lugar – continuou a balançar a cabeça como um daqueles cachorros de plástico que as pessoas põem no painel do carro. A plateia olhava para a mulher no mais absoluto silêncio. – Frank deixou mais uma coisa para você, não deixou? Algo de seu passado. Apesar das luzes quentes do estúdio, a mulher pareceu ficar pálida. No canto do cenário, atrás da área de visão geral, Jeremy viu o produtor rodando o dedo no ar, como a hélice de um helicóptero. Estava chegando a hora do intervalo. Clausen deu uma olhada praticamente imperceptível naquela direção. Ninguém além de Jeremy pareceu notar. Ele sempre se perguntava por que os espectadores nunca se questionavam como a comunicação com o mundo dos espíritos podia estar em tão perfeita sincronia com os intervalos comerciais. Clausen continuou: – Que mais ninguém podia saber. Algum tipo de chave, não é? A mulher assentiu, ainda chorando. – Você nunca pensou que ele guardaria, não é? Certo, aqui está o argumento final, pensou Jeremy. Mais uma crente no papo. – É do hotel onde vocês passaram a lua de mel. Ele queria que, quando você a encontrasse, se lembrasse dos momentos felizes que passaram juntos. Ele não quer que se lembre dele com dor, porque ele a ama. – Ooohhhhhhh... – gritou a mulher. Mais ou menos. Talvez fosse um gemido. De onde estava, Jeremy não podia ter certeza, porque o grito foi abafado por aplausos repentinos e entusiasmados. O microfone foi puxado para longe. As câmeras se afastaram. Depois de terminado seu momento de fama, a mulher da plateia desmoronou na cadeira. Nesse momento, a apresentadora se levantou do sofá e olhou para a câmera. – Lembrem-se: o que vocês estão vendo é real. Nenhuma dessas pessoas nunca se encontrou com Timothy Clausen. – Ela sorriu. – Voltaremos com mais uma leitura após o intervalo. Mais aplausos quando o programa foi interrompido pelos comerciais. Jeremy recostou em seu assento. Jornalista investigativo conhecido por seu interesse pela ciência, ele fizera carreira escrevendo sobre pessoas como aquele homem. Na maior parte do tempo, gostava do que fazia e se orgulhava de seu trabalho, considerando-o um valioso serviço de utilidade pública, em uma profissão tão especial que tinha seus direitos enumerados na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Para sua coluna regular na revista Scientific American entrevistara ganhadores do Prêmio Nobel, explicara para leigos as teorias de Stephen Hawking e Einstein e recebera os créditos por incitar o movimento da opinião pública que levou o órgão responsável pelo controle de medicamentos a retirar um perigoso antidepressivo do mercado. Havia escrito bastante sobre o projeto Cassini, o espelho defeituoso na lente do telescópio espacial Hubble, e fora um dos primeiros a acusar publicamente o experimento de fusão a frio de Utah de ser uma fraude. Infelizmente, por mais impressionante que pudesse parecer, sua coluna não lhe rendia muito dinheiro. Era o trabalho como autônomo que pagava a maioria de suas contas e, como todos os profissionais liberais, ele estava sempre se matando para encontrar matérias que pudessem interessar aos editores de jornais e revistas. Seu nicho havia se ampliado para incluir “qualquer coisa incomum” e, nos últimos quinze anos, pesquisava e investigava paranormais, guias espirituais, pessoas que diziam promover a cura pela fé e médiuns. Expôs fraudes, trotes e falsificações. Visitou casas mal-assombradas, procurou criaturas místicas e caçou as origens de lendas urbanas. Cético por natureza, ele também tinha a rara habilidade de explicar conceitos científicos difíceis de forma que o leitor mediano conseguisse entender, e seus artigos já haviam sido publicados em centenas de jornais e revistas de todo o mundo. Ele sentia que a desmistificação científica era tão nobre quanto importante, mesmo que o público nem sempre a apreciasse. Com frequência, correspondência que recebia após publicar seus artigos era apimentada com palavras como “idiota”, “babaca” e o seu xingamento preferido: “puxa-saco do governo.” Havia aprendido que o jornalismo investigativo era um ramo ingrato. Refletindo sobre isso com a testa franzida, ele observava a plateia conversando apaixonadamente, imaginando quem seria escolhido em seguida. Jeremy deu mais uma olhada para a loura, que verificava o batom em um espelhinho. Ele já sabia que as pessoas escolhidas por Clausen não faziam parte do número, mesmo que a apresentação dele fosse anunciada com antecedência e as pessoas lutassem para conseguir ingressos. O que significava, é claro, que a plateia estava cheia de pessoas que acreditavam em vida após a morte. Para elas, Clausen era honesto. De que forma poderia saber coisas tão pessoais sobre estranhos se não falasse com espíritos? Mas, como qualquer bom mágico cujo repertório é ensaiado à perfeição, a ilusão ainda era uma ilusão, e, pouco antes do programa, Jeremy havia não apenas descoberto como ele executava seu truque, mas tinha evidência fotográfica para provar. Desmascarar Clausen seria o maior golpe de Jeremy até o momento, e o cara merecia. Era um golpista do pior tipo. Ainda assim, o lado pragmático de Jeremy também percebia que esse era o tipo de história que quase nunca aparecia e ele queria tirar o máximo proveito dela. Clausen, afinal, estava virando uma grande celebridade e, nos Estados Unidos, ser celebridade era só o que importava. Embora soubesse ser muito improvável, fantasiava com o que aconteceria se Clausen o escolhesse. Não esperava que fosse acontecer. Seria o mesmo que ganhar na loteria. E, mesmo que não acontecesse, Jeremy sabia que ainda tinha uma matéria de qualidade. No entanto, muitas vezes qualidade e singularidade estavam separadas por simples reveses do destino, e quando terminou o intervalo comercial, sentiu uma leve pontada de esperança injustificada que dizia que, de algum modo, Clausen apontaria para ele. E, como se Deus também não estivesse muito empolgado com o que Clausen estava fazendo, foi exatamente o que aconteceu. Três semanas depois, o inverno castigava Manhattan. Uma frente fria havia chegado do Canadá, fazendo as temperaturas caírem a quase zero e nuvens de vapor saírem constantemente dos bueiros até recaírem sobre as calçadas congeladas. Não que alguém parecesse se importar. Os resistentes cidadãos de Nova York demonstravam a indiferença de sempre a todas as coisas relacionadas ao clima, e noites de sexta-feira não podiam ser desperdiçadas de jeito nenhum. As pessoas trabalhavam muito durante a semana para desperdiçar uma noite, sobretudo quando havia motivos para comemorar. Nate Johnson e Alvin Bernstein já estavam comemorando havia uma hora, junto com dezenas de amigos e jornalistas – alguns da Scientific American que haviam se reunido para homenagear Jeremy. A maioria já estava na fase agitada da noite, divertindo-se bastante, em grande parte porque jornalistas costumavam se preocupar com grana e era Nate quem estava pagando. Nate era agente de Jeremy. Alvin, um operador de câmera autônomo, era o melhor amigo de Jeremy. Eles estavam reunidos no bar da moda do Upper West Side para comemorar a aparição de Jeremy no Primetime da ABC. As chamadas do programa haviam passado na televisão aquela semana – muitas delas mostrando a capa e a matéria escrita por Jeremy e a promessa de uma grande revelação –, e pedidos de entrevistas do mundo todo não paravam de chegar ao escritório de Nate. Mais cedo, naquela mesma tarde, a revista People havia ligado, e uma entrevista fora agendada para a manhã da segunda-feira seguinte. Não houve tempo para reservar uma sala privada para a reunião, mas ninguém parecia se importar. Com o longo balcão de granito e luzes teatrais, o estabelecimento lotado parecia o lar dos ricos e bem-sucedidos. Enquanto os jornalistas da Scientific American tendiam a usar paletós esportivos de tweed com protetores de bolso e estavam agrupados em um canto, discutindo fótons, a maioria dos outros clientes parecia estar passando por lá após sair do trabalho em Wall Street ou na Madison Avenue: paletós de ternos italianos pendurados nas costas das cadeiras, gravatas Hermès afrouxadas, homens que não pareciam querer nada além de apreciar as mulheres que frequentavam o local e exibir seus relógios Rolex. Mulheres vindas direto do trabalho na área editorial e de publicidade vestiam saias de marcas famosas e saltos impossivelmente altos, bebericando martínis aromatizados e fingindo ignorar os homens. O próprio Jeremy estava de olho em uma ruiva alta do outro lado do bar que parecia estar olhando em sua direção. Ele ficou imaginando se ela o estava reconhecendo dos comerciais de televisão ou se apenas queria companhia. Ela se virou, aparentando desinteresse, mas logo voltou a olhar para ele. O olhar dela se demorou apenas um pouco mais dessa vez, e Jeremy ergueu o copo. 13 – Vamos, Jeremy, preste atenção – disse Nate, cutucando-o com o cotovelo. – Você está na TV! Não quer ver como se saiu? Jeremy tirou os olhos da ruiva. Olhando para a tela, viu a si mesmo sentado de frente para Diane Sawyer. Estranho, pensou, era como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ainda não parecia muito real. Nada nas últimas três semanas parecia real, apesar de todos esses anos na mídia. Na tela, Diane o descrevia como o “jornalista científico mais conceituado dos Estados Unidos”. A matéria não apenas havia se transformado em tudo o que ele queria, mas Nate também estava conversando com o Primetime Live sobre Jeremy fazer matérias regulares para eles, com a possibilidade de reportagens especiais para o Good Morning America. Embora muitos jornalistas acreditassem que a televisão era menos importante que outras formas mais sérias de jornalismo, nada impedia que muitos deles, em segredo, a considerassem o Santo Graal – associando-a, desse modo, a muito dinheiro. Apesar dos cumprimentos, a inveja estava no ar, uma sensação tão estranha a Jeremy quanto uma viagem espacial. Afinal, jornalistas como ele não estavam exatamente no topo da hierarquia da mídia – até hoje. – Ela acabou de dizer que você é conceituado? – perguntou Alvin. – Você escreve sobre o Pé Grande e a lenda de Atlantis! – Psiu! – Nate disse com os olhos grudados na televisão. – Estou tentando escutar. Isso pode ser importante para a carreira do Jeremy. Como seu agente, Nate estava sempre promovendo eventos que “podiam ser importantes para a carreira do Jeremy”, simplesmente porque o trabalho como autônomo não era assim tão lucrativo. Anos antes, quando Nate estava começando, Jeremy havia submetido a proposta de um livro e os dois estavam trabalhando juntos até hoje, apenas porque se tornaram amigos. – Não importa – disse Alvin, ignorando a repreensão. Enquanto isso, piscando na tela atrás de Diane Sawyer e Jeremy estavam os momentos finais da participação do jornalista no programa vespertino, no qual ele havia fingido sofrer pela morte de seu irmão ainda na infância, um menino com quem Clausen alegava estar se comunicando em benefício de Jeremy. – Ele está comigo. – Clausen podia ser ouvido anunciando. – Ele quer que você o deixe ir, Thad. A imagem mudou para capturar a interpretação de Jeremy de um participante angustiado, seu rosto contorcido. Clausen fez um sinal positivo com a cabeça ao fundo, demonstrando empatia ou parecendo sofrer de prisão de ventre, dependendo da perspectiva. – Sua mãe nunca desmontou o quarto dele... o quarto que você dividia com ele. Ela insistiu em mantê-lo intacto, e você ainda tinha que dormir lá – continuou Clausen. – Sim – murmurou Jeremy. – Mas você tinha medo de ficar lá e, num acesso de raiva, pegou algo dele, algo muito pessoal, e enterrou no jardim. – Sim – Jeremy conseguiu dizer mais uma vez, como se estivesse emotivo demais para falar. – Seu aparelho ortodôntico! – Oooooohhhhh! – gritou Jeremy, levando as mãos ao rosto. – Seu irmão o ama, mas você tem que perceber que ele agora está em paz. Ele não sente raiva de você... – Ooooohhhhhhh! – gemeu Jeremy outra vez, contorcendo ainda mais o rosto. No balcão, Nate assistia às imagens, concentrado e em silêncio. Alvin, por outro lado, estava rindo e ergueu o copo de cerveja. – Esse cara merece um Oscar! – gritou. – Foi bem impressionante, não foi? – brincou Jeremy, com um riso forçado. – Ei, vocês dois, estou falando sério – disse Nate, sem esconder a irritação. – Conversem durante os comerciais. – Não importa – repetiu Alvin. “Não importa” sempre foi a expressão favorita dele. No Primetime Live, o vídeo que estava sendo transmitido escureceu e a câmera focalizou Diane Sawyer e Jeremy, sentados um de frente para o outro. – Então nada do que Timothy Clausen disse era verdade? – perguntou Diane. – Nada! – afirmou Jeremy. – Como você já sabe, meu nome não é Thad, e embora eu tenha cinco irmãos, estão todos vivos e bem. Diane segurava uma caneta sobre um bloco de papel, como se fosse tomar notas. – E como Clausen fez isso? – Bem, Diane – começou Jeremy. No bar, Alvin ergueu sua sobrancelha com piercing. Ele se aproximou de Jeremy. – Você acabou de chamá-la de Diane? Como se fossem amigos? – Vocês podem parar? – pediu Nate, ficando cada vez mais irritado. Na tela, Jeremy continuava: – O que Clausen faz não passa de uma variação do que as pessoas vêm fazendo há centenas de anos. Em primeiro lugar, ele é bom em analisar pessoas, e é especialista em fazer associações vagas e carregadas de emoção e em reagir a pistas dadas por membros da plateia. – Sim, mas ele foi tão específico. Não só com você, mas com os outros participantes. Ele tinha nomes. Como faz isso? Jeremy deu de ombros. – Ele me ouviu falando sobre meu irmão Marcus antes do programa. Simplesmente inventei uma vida imaginária e a anunciei em alto e bom som. – Como isso chegou aos ouvidos de Clausen? – Golpistas como Clausen são conhecidos por utilizar uma variedade de truques, incluindo microfones e “ouvintes” pagos que circulam na área de espera antes do programa. Antes de me sentar, fiz questão de circular e puxar conversa com vários membros da plateia, observando se alguém demonstrava curiosidade fora do comum por minha história. E um homem me pareceu particularmente interessado. Atrás dele, o vídeo foi substituído por uma fotografia ampliada que Jeremy havia tirado com uma pequena câmera escondida em seu relógio, um brinquedinho de espião com tecnologia avançada que ele logo pôs na conta da Scientific American. Jeremy adorava brinquedos tecnológicos. Quase tanto quanto adorava colocá-los na conta dos outros. – O que estamos vendo aqui? – perguntou Diane. Jeremy explicou: – Esse homem estava na plateia, passando-se por visitante de Peoria. Tirei essa foto pouco antes do programa, quando estávamos conversando. Aproximem mais a imagem, por favor. Na tela, a fotografia foi ampliada e Jeremy foi até ela. – Está vendo o pequeno broche dos Estados Unidos em sua lapela? Não é apenas um enfeite. Na verdade, é um transmissor em miniatura que envia sinais a um gravador nos bastidores. Diane franziu a testa. – Como você sabe disso? – Porque – disse Jeremy, erguendo uma sobrancelha – eu, por acaso, tenho um igualzinho. No mesmo instante, Jeremy enfiou a mão no bolso do paletó e tirou um broche dos Estados Unidos idêntico, ligado a um longo e fino fio e a um transmissor. – Esse modelo específico é produzido em Israel. – A voz de Jeremy podia ser ouvida sobre o close que câmera dava no dispositivo. – E é bem moderno. Ouvi dizer que é usado pela CIA, mas, é claro, não posso confirmar essa informação. O que posso dizer é que a tecnologia é muito avançada. Este pequeno microfone é capaz de captar conversas do outro lado de uma sala lotada e barulhenta e, com os sistemas de filtragem adequados, pode até mesmo isolá-las. Diane inspecionou o broche com aparente fascinação. – E você tem certeza de que era mesmo um microfone e não apenas um broche? – Bem, como você sabe, já estou investigando o passado de Clausen há um tempo, e, uma semana após o programa, consegui obter algumas fotos. Uma nova fotografia apareceu na tela. Embora um pouco granulada, era a imagem do mesmo homem que estava usando o broche dos Estados Unidos. – Essa foto foi tirada na Flórida, em frente ao escritório de Clausen. Como pode ver, o homem está entrando. Seu nome é Rex Moore e, na verdade, é funcionário de Clausen. Trabalha para ele há dois anos. – Ooohhhhh! – gritou Alvin, e o resto da transmissão, que já estava mesmo terminando, foi abafado quando os outros, invejosos ou não, começaram com gritos e assobios. A bebida grátis havia cumprido sua função, e Jeremy foi inundado de cumprimentos após o fim do programa. – Você foi incrível – disse Nate. Aos 43 anos, ele era baixo, estava perdendo cabelo e costumava usar ternos um pouco apertados na cintura. Apesar de tudo, era a personificação da energia e, como a maioria dos agentes, estava sempre entusiasmado e muito otimista. – Obrigado – falou Jeremy, virando o resto da cerveja. – Isso vai ser importantíssimo para sua carreira – continuou Nate. – É seu passaporte para um emprego regular na televisão. Chega de se arrastar por trabalhos ruins em revistas, chega de ir atrás de histórias de OVNIs. Sempre falei que você foi feito para a TV com essa sua aparência. – Você sempre disse isso – admitiu Jeremy, revirando os olhos como quem cita um sermão repetido com frequência. – Estou falando sério. Os produtores do Primetime e do GMA não param de ligar, falando sobre usar você como colaborador regular nos programas. Você sabe, “o que essa notícia científica de última hora significa para você” e tudo mais. Um grande salto para um repórter de ciências. – Eu sou jornalista. – Jeremy fungou. – E não repórter. – Não importa – disse Nate, fazendo um gesto como se espantasse uma mosca. – Como eu sempre falei, sua aparência foi feita para a televisão. – Tenho que admitir que Nate está certo – concordou Alvin, piscando um dos olhos. – Quero dizer... de que outra forma você poderia ser mais popular que eu com as damas, apesar de não ter personalidade? – Durante anos, Alvin e Jeremy frequentaram bares juntos, tentando caçar mulheres. Jeremy riu. Alvin Bernstein, cujo nome parecia se referir a de um contador bem alinhado e de óculos – um dos inúmeros profissionais que usavam sapatos Florsheim e carregavam pastas de couro para o trabalho –, não se parecia com um Alvin Bernstein. Quando adolescente, ele tinha visto Eddie Murphy no stand-up Delirious e decidido adotar o estilo couro-total, um guarda-roupa que horrorizava Melvin, seu pai, adepto dos sapatos Florsheim e da pasta de couro. Por sorte, o couro parecia combinar bem com suas tatuagens. Alvin as considerava um reflexo de sua estética singular, e ele era singularmente estético nos dois braços, até as escápulas. Tudo isso complementado por orelhas cheias de piercings. – Então ainda está planejando uma viagem ao sul para investigar aquela história de fantasma? – perguntou Nate. Jeremy podia ver com clareza as engrenagens girando em sua cabeça. – Depois da entrevista para a People, quero dizer... Jeremy afastou os cabelos escuros dos olhos e fez sinal para o barman servir outra cerveja. – É, acho que sim. Com ou sem o Primetime, ainda tenho contas para pagar e pensei em usar isso para minha coluna. – Mas você manterá contato, não é? Não vai ser como daquela vez em que se infiltrou entre os Justos e Sagrados? Ele se referia a uma matéria de seis mil palavras que Jeremy havia feito para a Vanity Fair sobre um culto religioso. Naquela ocasião, Jeremy praticamente cortara toda a comunicação por um período de três meses. – Manterei contato – afirmou Jeremy. – Essa história não tem nada a ver com aquela. Devo sair de lá em menos de uma semana. “Luzes misteriosas no cemitério.” Nada de mais. – Ei, por acaso você precisa de um operador de câmera? – Alvin se intrometeu. Jeremy olhou para ele. – Por quê? Você quer ir? – Claro. Ir para o sul no inverno, talvez conhecer uma bela sulista enquanto você banca tudo. Ouvi dizer que as mulheres lá de baixo são uma loucura, mas no bom sentido. Seriam umas férias exóticas. – Você não tinha que gravar alguma coisa para o Law & Order semana que vem? Por mais estranho que Alvin parecesse, sua reputação era impecável, e seus serviços costumavam ser muito requisitados. – É, mas até o final da semana já estarei livre. E, veja só, se está realmente levando a sério essa coisa de televisão como Nate diz que devia estar, pode ser importante ter umas imagens boas dessas luzes misteriosas. – Supondo que existam mesmo luzes para filmar. – Você faz o trabalho preliminar e me avisa. Vou deixar a agenda em aberto. – Mesmo se existir alguma luz, é uma história pouco importante – alertou Jeremy. – Ninguém da televisão terá interesse. – Talvez não no mês passado – disse Alvin. – Mas depois de ver você hoje à noite, eles ficarão interessados, sim. Você sabe como funciona a televisão... todos aqueles produtores correndo atrás do próprio rabo, tentando encontrar a próxima grande atração. Se o GMA demonstra um interesse repentino, você sabe que o Today logo vai ligar e o Dateline baterá na porta. Nenhum produtor quer ficar de fora. É assim que eles são demitidos. A última coisa que querem é explicar aos executivos por que perderam o barco. Acredite em mim, eu trabalho na televisão. Conheço essas pessoas. – Ele tem razão – concordou Nate. – Você nunca sabe o que vai acontecer em seguida, e pode ser uma boa ideia planejar de antemão. Ficou claro que você marcou presença hoje à noite. Não se engane. E, se conseguir filmar as luzes, pode ser exatamente o que o GMA ou o Primetime precisam para tomar a decisão. Jeremy encarou seu agente com os olhos estreitos. – Está falando sério? É uma história de nada. Resolvi fazer a matéria porque precisava dar um tempo depois do Clausen. Aquela matéria ocupou quatro meses da minha vida. – E veja aonde o levou – observou Nate, colocando a mão no ombro de Jeremy. – Pode ser uma matéria bobinha, mas com imagens sensacionais e um bom pano de fundo, quem sabe o que a televisão vai achar? Jeremy ficou em silêncio por um instante antes de, por fim, dar de ombros. – Está bem – cedeu. Depois olhou para Alvin: – Saio na terça-feira. Veja se consegue chegar lá até a próxima sexta. Ligo antes disso com os detalhes. Alvin pegou a cerveja e tomou um gole. – Por Deus – falou, imitando o comediante Gomer Pyle. – Eu vou para a terra da canjica e da tripa de porco. E prometo não cobrar caro. Jeremy riu. – Já esteve lá no sul? – Não. E você? – Já visitei Nova Orleans e Atlanta – admitiu Jeremy. – Mas são cidades grandes, e cidades grandes são mais ou menos iguais em todo lugar. Para essa matérias, vamos para o sul de verdade. É uma cidadezinha na Carolina do Norte, um lugar chamado Boone Creek. Você precisa ver o site da cidade. Ele fala das azaleias e cornisos que florescem em abril e exibe com orgulho a foto do cidadão mais proeminente da cidade. Um cara chamado Norwood Jefferson. – Quem? – perguntou Alvin. – Um político. Ele foi representante da Carolina do Norte no Senado de 1907 a 1916. – E daí? – Exato – confirmou Jeremy com um gesto. Olhando para o outro lado do bar, notou, decepcionado, que a ruiva já tinha ido embora. – Onde exatamente fica esse lugar? – Bem entre o meio do nada e “onde estamos mesmo?”. Vou ficar hospedado em um lugar chamado Greenleaf Cottages, que a Câmara do Comércio descreve como pitoresco e rústico, mas ao mesmo tempo moderno. Ou seja lá o que isso signifique. Alvin riu. – Parece uma aventura. – Não se preocupe com isso. Você vai se dar muito bem lá no sul, tenho certeza. – Você acha? Jeremy observou o couro, as tatuagens e os piercings. – Ah, tenho certeza – disse Jeremy. – Acho até que vão querer adotá-lo.

Avaliações

Avaliação geral: 4.7

Você está revisando: O Milagre - o Amor Tem o Poder de Superar Até Os Mais Difíceis Obstáculos

Larissa Santos recomendou este produto.
23/03/2016

Perfeito

Uma historia perfeita que te encanta até o final e com partes tão emocionantes que podem te fazer chorar...
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Giselis Soares recomendou este produto.
08/12/2015

ótimo

Eu li À PRIMEIRA VISTA e não sabia que era continuação de O MILAGRE, mas tenho certeza que será uma ótima mistura de emoções como os outros do NICHOLAS que já li e Amei...
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David Brilhante recomendou este produto.
06/06/2015

Simplesmente Ótimo

De repente eu comprei o livro "A primeira vista" e quando terminei de ler descobri que se tratava da continuação de "O milagre", livro que não tinha conhecimento até então. Logo comecei a procurar o livro na internet e em muitos lugares eu vi que os leitores em si não tinham gostado do livro, diziam que tinha uma dinamica lenta e fraca, muitos disseram que pararam de ler no meio e outros chegaram a dizer somente que era chato.
Bem, eu discordo completamente de todos eles. Já li a maioria dos livros de Nicholas Sparks e para mim O Milagre é um livro tão bom quanto todos os outros e mais uma vez o autor me surpreendeu com a normalidade de seus personagens principais. O livro é simplesmente ótimo, um ritmo muito bom e personagens bastante interessantes.
Recomendo com toda certeza, eu não consegui parar de ler e já li novamente sua continuação A Primeira Vista. Espero que gostem tanto quanto eu.
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