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O Mistério do Casamento (Cód: 168320)

Mason,Mike

Mundo Cristão

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O Mistério do Casamento

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Descrição

Se você acredita que casamentos funcionam à base de receitas prontas, então aceite um conselho e desista deste livro agora. Porém, se você não se ilude com esse tipo de abordagem e sabe que a vida conjugal é um assunto muito mais profundo e complexo, acertou em cheio no autor e no título. O autor evita todo o tipo de superficialidade para esquadrinhar os mecanismos psicológicos, espirituais, éticos, físicos e morais que podem decretar o sucesso ou o fracasso de uma relação entre um homem e uma mulher. Porém, o faz com tal maestria que consegue tirar, mesmo das construções mais cruéis, toda poesia e todo encanto com os quais Deus ungiu o amor conjugal. 'O Mistério do Casamento' é uma celebração ao milagre deste amor. O autor formula um tratado singular a respeito das belezas e agruras da mais original, complexa e maravilhosa instituição divina para o ser humano, analisando o casamento a partir dos seus aspectos mais fundamentais: alteridade, amor, intimidade, votos, sexo, submissão e a morte.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Mundo Cristão
Cód. Barras 9788573252422
Altura 20.80 cm
I.S.B.N. 8573252421
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2005
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 191
Peso 0.22 Kg
Largura 14.10 cm
AutorMason,Mike

Leia um trecho

Introdução Se algum aluno meu recém-casado, do Regent College, que desejasse ser escritor e tivesse me consultado sobre fazer um livro cujo tema fosse casamento, eu lhe diria tão categoricamente quanto possível que, por mais natural que fosse a idéia, em vista de sua condição presente, não levasse a cabo sua decisão, devendo pô-la de lado. Teria explicado que o casamento, por ser o mais delicado e exigente de todos os relacionamentos humanos, bem como potencialmente o mais prazeroso, é um tema dificílimo de escrever bem e com sabedoria. Teria enfatizado que o mundo cristão já está repleto de livros ruins sobre o casamento, escritos ao que parece por fariseus extrovertidos para leitores igualmente extrovertidos, que desejam reduzir a vida a rotinas de desempenho de papéis, e que dificilmente poderiam fugir à influência desses bem-intencionados, mas terríveis modelos. Teria observado que são necessários anos para que os casais coloquem sua união em perspectiva e, em último lugar, afirmaria que os autores jovens raramente escrevem com profundidade sobre relacionamentos. Continuando nesse teor, eu o desencorajaria de todas as maneiras possíveis e teria a certeza de que estaria prestando a ele um serviço. Para a felicidade do mundo, assim como para a minha, Mike Mason, tendo assistido com atenção a algumas de minhas aulas, não me consultou sobre o que pretendia fazer, mas tomou fôlego e seguiu adiante, com o resultado que está agora à sua frente - esta grande realização, da qual eu teria privado você se Mike tivesse pedido e seguido meus conselhos. Bem ou mal (posso tomar apropriadamente essa frase, julgo), tenho escrito várias introduções ultimamente: O nihil obstat de Packer é apreciado por alguns. Poucas vezes, entretanto, um livro novo despertou em mim tanto entusiasmo como a combinação de sabedoria, profundidade, dignidade e brilho - não me ocorre outra palavra para isso - que encontrei nesses capítulos. Fazer uma introdução a eles não é trabalho, mas prazer. Cristãos, leiam - porém devagar! A qualidade de seu tom, fundamentada na Bíblia, é mais rica do que aquela a que estamos acostumados. Casais, leiam juntos! Sua reverência e alegria no caminho em que entraram serão grandemente alimentadas. Multnomah Press encomende mais livros a Mike Mason! - pois este é extraordinário. Leitores, por favor, desculpem minha leve vertigem, as páginas de Mike me fizeram perceber de novo que eu também sou um homem apaixonado. Sou profundamente grato pelo frescor e força com que ele revela a magnificência do casamento no plano de Deus e predigo que muitos outros em breve se sentirão como eu. James PackerJaneiro, 1985PrefácioHá muitas maneiras de avaliar o sucesso de um livro. Eu avalio o sucesso deste pelos amigos que me proporcionou. Desde o início, tem sido um livro que faz amigos. Laurie Hills, de Manistee, Michigan, está entre meus amigos favoritos. Cerca de um ano após a publicação de O mistério do casamento, ela escreveu para dizer que estava percorrendo o país, ensinando em vários seminários, e onde quer que fosse mantinha uma caixa com meus livros no carro, entregando-os a todo mundo. A essa altura, meu livro já tinha recebido ótimas resenhas e meu editor mostrava-se muito entusiasmado. Mas, no dia em que Laurie Hills entrou em contato comigo, eu sou soube que escrevera um bom livro. Com o passar dos anos muitos outros amigos me escreveram, telefonaram, ou apareceram nos lugares mais inesperados para contar-me quanto este livro significou para eles. Vários deles o leram duas ou três vezes, outros compraram um exemplar e deram seis de presente. O que mais me aquece o coração são os casais que dizem ter lido o livro em voz alta um para o outro. Isso ainda me surpreende e deleita. Uma coisa é os pais lerem em voz alta para os filhos. Mas, quando adultos fazem isso, parece-me que algum bem fantástico está em ação no mundo. Aposto que os anjos se reúnem para ouvir e penso que a terra deve até se mexer um pouco em seu eixo. Pessoas como as que mencionei acima me ensinaram que, enquanto escrevo as palavras deste novo prefácio, não estou escrevendo para uma página em branco, mas para um grande grupo de amigos. Esse pensamento é como um fogo acolhedor que ilumina as quatro paredes de meu escritório, e trouxe uma vida tremenda ao que escrevo. Depois que tudo é dito e feito, os amigos são o que o escritor deseja. Escrever pode significar uma vida de solidão. Com certeza é solitária, ou tem sido para mim. Não se trata apenas do ato de escrever em si, que precisa ser realizado em solidão, num aposento; significa também um estilo de vida relativamente solitário. Não conheço nenhuma maneira de escrever bem, sem passar bastante tempo lendo, pensando e orando. Especialmente orando. De fato, a receita para mim tem sido sempre cerca de três horas em oração para cada hora de escrita. Isso é muito tempo passado a sós no escritório! Como sou grato a Deus, então, por desde o início ele ter me dado uma esposa amorosa, para ser minha melhor amiga. Ela é (como diz o poema no final deste livro) meu monastério. Tendo decidido no início de minha vida cristã tornar-me monge, descobri-me, em vez disso, apaixonado por uma mulher. A princípio, preocupei-me intensamente com a idéia de ter cometido um enorme erro, de ter caído em terrível tentação. Mas que surpresa descobrir com o passar dos anos que na condição de homem casado (e também de pai), tornei-me cada vez mais um verdadeiro monge, muito mais do que poderia ter sido encerrado em um monastério. Como pode ser? É porque o amor, o verdadeiro amor, liberta as pessoas para serem quem são. Eu disse muitas vezes a Karen que ela é a melhor esposa do mundo e creio realmente nisso. Afirmei também que ela é a mais bela e maravilhosa das mulheres, e acredito também nessas palavras. Ela é como Eva para mim, a única mulher do mundo. É claro que é pecadora como eu. Mas quando, como Deus, decidimos olhar para além disso um no outro, entramos no Paraíso do amor. Quando eu escrevi O mistério do casamento, estava adentrando o Paraíso, e sabia disso. Era o segundo ano de nosso casamento, nós havíamos aparado algumas das arestas. Morávamos numa linda casa de campo, nas montanhas em Hope, na Colúmbia Britânica. Era inverno, e a casa sem aquecimento estava gelada. Dormíamos debaixo de pilhas de cobertores, e em meu escritório havia nada menos que três aquecedores: um de propano, um elétrico portátil, e uma almofada elétrica para os pés. Enquanto digitava, olhava para a paisagem das montanhas lá fora e para o rio Coquihalla que corria impetuoso. Eu nunca tinha sido tão feliz em minha vida, mas não mais do que hoje. Meu trabalho naquele inverno foi pegar os diários que mantivera durante o período de noivado e transformá-los em um livro sobre o casamento. Foi muito simples. O conteúdo já estava pronto, tinha apenas de editá-lo. Muitos se espantam com isso, surpreendem-se por saber que o material para um livro abalizado sobre o casamento tenha sido composto em sua maioria antes do matrimônio. Mas é verdade. Durante aquele ano rapsódico, tumultuado de noivado, escrevi tudo, todos os pensamentos que me vinham à mente sobre o amor, tanto os sofrimentos como as alegrias. Se há alguma verdade neste livro, é porque o escritor estava (e está) completamente apaixonado. O indivíduo mais sábio de todos é aquele que ama, não é? Há, porém, outro segredo com relação a este livro. No ano que antecedeu o casamento, eu também me tornei um novo cristão. De fato, eu estava escrevendo sobre meu caso de amor com Jesus. Estava escrevendo sobre minha vida de oração. Meu amor por Deus misturou-se com meu amor por Karen. Tudo parecia a mesma coisa para mim, o que de fato é. Amor é amor. Se tivermos realmente o amor de Deus, vamos descobrir que ele se espalha entre todos que nos rodeiam. Primeiro entre os que estão mais próximos, depois vai se alargando como as ondas em um lago. Vamos descobrir que o casamento é uma metáfora perfeita para o amor de Deus, e que o mesmo se aplica à paternidade e à maternidade, à amizade, à igreja, à natureza e a tudo mais na vida. Foi assim que Deus planejou, que tudo em nossa vida deveria refletir perfeitamente seu amor, a fim de que sua glória cubra a terra. Tudo o que experimentamos é uma porta para o Paraíso. O único problema é que muitos de nós estão atravessando a porta da maneira errada, saindo em vez de entrar. Estes são tempos difíceis para o casamento. As estatísticas sobre o divórcio, para não citar os abusos no casamento, estão mais elevadas do que nunca. Sinto, porém, que o oposto também é verdadeiro. À medida que o reino das trevas avança, o reino da luz avança mais ainda. Mais do que nunca na história, creio, os casais que se submetem voluntariamente ao casamento, tanto a Deus como um ao outro, se acham no limiar do Paraíso, da pura felicidade. Acredito que esse seja um dom de Deus disponível a todos que o desejam, não só no casamento, mas em todos os relacionamentos. O amor está mais em evidência do que nunca! Ele faz parte das celebrações fantásticas que o Pai reservou para que a humanidade glorificasse seu filho. Por que não estender, hoje, a mão para o Senhor e a outra para seu cônjuge e entrar no Jardim?Mike MasonPáscoa, 19861Uma parábola aéreaprólogoHá três coisas que são maravilhosasdemais para mim, sim, há quatro que não entendo:o caminho da águia no céu,o caminho da cobra na penha,o caminho do navio no meio do mar,e o caminho do homemcom uma donzela.Provérbios 30:18-19Na semana de nossa lua-de-mel, minha esposa e eu paramos certa tarde diante de um monastério trapista. Era um dia quente de verão, o ar claro e parado, e o céu de um azul profundo e opaco. Nada se movia. Não havia um monge à vista. Saímos do carro e fomos de mãos dadas até o monastério, e logo deixamos o azul quente e brilhante do dia para entrar no silêncio fresco da capela, onde havia um brilho diferente, e uma quietude interior que era bem diferente da tranqüilidade exterior. Nossas mãos se separaram e um sentimento constrangedor se insinuou em mim, fiquei embaraçado. Suponho que estava imaginando o que Deus pensava realmente sobre meu casamento. Nós nos ajoelhamos para orar. O silêncio clamava, ecoando por todo o prédio como gritos. Ele refletia meu coração, ecoando para mim minha própria confusão. Todas as perguntas e dúvidas desde o período de nosso noivado voltaram em turbilhão. O que era na verdade este casamento? Era real agora? Como pude realizá-lo? Era tarde demais para voltar atrás? Quem era realmente esta mulher? Eu não poderia ficar ali e me tornar monge? O silêncio da capela batia como asas ao nosso redor, sem oferecer, no entanto, uma partícula de consolo. Ao sairmos, deparamos com o mestre-de-cerimônias, alguém que me conhecia. Apresentei minha esposa para ele e senti vergonha. Com certeza estava claro para ele, pensei, o erro terrível que eu cometera. Trocamos amabilidades e depois nos despedimos. Enquanto percorríamos o caminho arborizado e longo que nos levava para longe daquele lindo lugar, senti-me encurralado e desesperada e irremediavelmente desolado como jamais havia me sentido em minha vida. No final do caminho, chegamos à estrada principal. As árvores davam lugar aos campos de trigo maduro e dourado, que se abriam à nossa frente e se estendiam ao encontro do firmamento azul a distância. Outro tipo de quietude caíra sobre nós, não a quietude daquele dia glorioso e brilhante, nem a da pequena capela, mas uma nova quietude, misteriosa e agonizante, entre minha mulher e eu, a quietude mais ruidosa de todas. Ela apontou de repente para um pequeno ponto escuro sobre o trigal, bem ao longe, mas se movendo em nossa direção. Observamos, e logo vimos que havia um segundo ponto, e que os dois pontos rodeavam um em torno do outro. De vez em quando pareciam cruzar um o caminho do outro, para logo se separarem. - Falcões - disse Karen. - É, falcões - confirmei. Os dois ainda voavam bem alto, mas ao se aproximarem de nós, começaram a descer em grandes círculos demorados pelos balaústres invisíveis do ar. Parecia que estavam descendo especialmente com a intenção de fazer um show para nós. Estacionei o carro e descemos para observar. Estavam bem visíveis agora. A luz do sol derramava auras delicadas ao redor de suas formas afuniladas. Podíamos ver penas desgastadas, translúcidas nas pontas. Nenhum dos dois pássaros moveu sequer uma vez o músculo das asas. Eles se mantinham perfeitamente firmes, tensos, mas relaxados, voando contra o ar e planando como se fizessem parte dele, apenas duas moléculas do ar vazio que se tornara visível, virando-se em espirais lentas e belas que se mesclavam e depois se afastavam como engrenagens, como um casal de patinadores no gelo. Um se virou no sentido horário, o outro no anti-horário, e girando e descendo cada vez mais eles pareciam formar o vórtice da quietude do dia. Quanto mais tempo olhávamos, mais claro se tornava que aqueles falcões não estavam fazendo absolutamente nada de importância prática: não estavam caçando, por exemplo, ou buscando algo, ou indo a algum lugar. Simplesmente brincavam. Desfrutavam o azul quente do dia, da força e habilidade em suas asas, da alegria de voar, e (talvez mais que tudo) da diversão um com o outro. Não sei muito a respeito de falcões, mas o que me chamou particularmente a atenção naquele dia, curiosamente, foi ver dois falcões juntos, o que nunca tinha visto. Sempre que vira um falcão antes, pensei, ele não estava sozinho? Havia então alguma coisa naquela dança dos dois, com todo o céu à disposição, que me falou diretamente, não só da brincadeira e da liberdade num dia de verão, mas da magnífica beleza do amor, da pura despreocupação e da alegria do companheirismo. Eu e minha esposa ficamos observando aquela surpreendente parábola aérea por muito tempo. Quando por fim os dois grandes pássaros voltaram a ser pontinhos na distância azul e dourada e entramos de novo no carro, outro tipo de quietude desceu sobre nós: a quietude da perfeita compreensão.o o oEste livro nasceu da experiência dos dois falcões brincando no céu aberto de verão, no monastério trapista em nossa lua-de-mel. Ele nasceu, em outras palavras, de um conflito profundo e arraigado em mim mesmo, o conflito entre a ânsia de solitude e a de companhia, e do início da resolução desse conflito. Ele nasceu da lenta e suave desconstrução da noção equivocada que eu tinha sobre a vida conjugal e, acredito, sobre a vida e o amor em geral: pois eu nunca vira o grande céu azul da liberdade onde o casamento, e de fato todos os relacionamentos, se desenrola. Como cristão solteiro, começara a pensar em mim mesmo, bastante pomposamente, como "celibatário", quando na verdade não passava de um solteirão inveterado, que nunca considerara que o indivíduo, quando se casa, não desposa uma instituição, mas uma pessoa, não uma estreiteza, mas uma extensão inconcebível de possibilidades. Pois a pessoa é a única entidade ilimitada na criação, e se há algo ainda mais ilimitado e irrestrito do que uma pessoa são duas pessoas juntas. Nem todos apreciam tanto a solitude como eu apreciava. E, com certeza, nem todos contemplaram seriamente a idéia de encerrar-se no claustro, só para, em vez disso, acabar apaixonado e casado. Foi assim, entretanto, que o casamento chegou até mim. O casamento vem para todos, penso eu, com algo da mesma surpresa, da mesma reviravolta do destino, da mesma exposição minuciosa de profundo conflito. Não só isso, mas qualquer que seja o temperamento ou a circunstância de uma pessoa, parece-me que o conflito que o casamento revela é sempre essencialmente o mesmo: sempre uma versão dessa tensão entre a necessidade de dependência e a de independência, entre o impulso à cooperação amorosa e o impulso contrário de isolamento, privacidade e auto-suficiência. Até para as pessoas que sonharam durante anos com o casamento e que julgam odiar a solidão, o casamento não pode vir senão como uma invasão da privacidade. Ninguém jamais se casou sem se surpreender, e geralmente se alarmar, com a pura intensidade dessa invasão. Eu fiquei alarmado. No momento em que conheci minha esposa, tive a sensação de que um processo de desintegração interior estava começando a operar em mim, sistemática e insidiosamente. De outras formas, é claro, eu estava rejuvenescendo e sendo tremendamente edificado. Mas um homem de trinta anos é como uma cidade densamente povoada: nada de novo pode ser construído em seu coração sem que outra coisa seja derrubada. Comecei então a ser demolido. Muitas vezes sentia seriamente que tudo o que minha vida representara estava sendo desafiado, ou que de algum modo eu fora enganado para vender minha própria alma por causa do amor de uma mulher! Quero dizer que havia muita coisa em jogo à medida que o dia do casamento se aproximava: de fato, tudo estava em jogo. Nunca antes eu sentira que tanta coisa dependia de uma única decisão. Mais tarde, eu descobriria muito gradualmente que essa é uma das principais características do amor: ele pede tudo. Não só um pouquinho, ou muito, mas tudo. E se você não for desafiado a dar tudo, é porque não ama realmente. Como é difícil, porém, dar tudo! É praticamente impossível. É possível fazer um gesto simbólico de entregar tudo, acompanhado de uma grande e dramática declaração pública (é o que acontece na cerimônia de casamento). Esse, no entanto, é apenas o começo. O casamento não passa do início de um processo de entregar absolutamente tudo durante a vida inteira, não simplesmente o que a pessoa tem, mas tudo o que ela é. Não há ninguém que não seja quebrantado por esse processo. É excruciante e inexorável, e ninguém pode enfrentá-lo. Todas as pessoas são quebrantadas na roda do amor, e esse quebrantamento não se compara a nada. Não é como o quebrantamento que ocorre na bancarrota ou na perda da colheita, do emprego ou no colapso do trabalho de uma vida. Não é sequer como o quebrantamento que ocorre num corpo arruinado por uma doença dolorosa. No casamento, o quebrantamento é produzido pelo próprio calcanhar do amor. A culpa não pode ser atribuída a uma dor física, a um desastre natural, ou ao mundo maligno "lá fora", mas é o amor, o próprio amor que nos quebranta. E isso é o mais difícil de aceitar. Pois na arena da vida, o amor é nosso plexo solar. É nele que as coisas realmente doem. Não há dor como aquela que dói no lugar onde amamos. Quando algo vai mal no casamento, esse é o lugar afetado. O ponto vulnerável em todos os relacionamentos humanos. O que está em jogo sempre, com cada pessoa que conhecemos, é nossa capacidade de amar e ser amado. Mas enquanto na maioria dos outros relacionamentos nossa vulnerabilidade nesse aspecto pode ser ocultada, mais ou menos (e como somos bons em escondê-la!), no relacionamento do casamento é justamente a qualidade de vulnerabilidade que é exposta, exaltada e explorada. É isso que pode ser demais para as pessoas. Muitas desistem e fogem, sua vida inteira desmorona. Mesmo os que persistem enfrentam a ruína inevitável, pois também devem ser quebrantados. Há, entretanto, uma diferença importante entre os que perseveram e os que fogem, entre os casamentos que duram e são bons e os que se dissolvem ou se arrastam num estado de tensão indecisa e de neurose. Ambos devem suportar a ruína, mas a diferença está no lugar em que essa ruína é experimentada. Para os que fogem do fogo intenso do casamento, a ruína ocorre onde está o amor para eles, e esse lugar, essa gloriosa, misteriosa e delicada capacidade neles recebe realmente um ferimento terrível, algumas vezes suficiente para prejudicar uma vida. Mas no caso daqueles que se apegam ao amor e persistem nele até seu fim mortal, a ruína que ocorre, a derrocada interna, não é no lugar do amor (embora freqüentemente pareça estar acontecendo ali), mas no lugar, no palácio do ego. Isso faz toda a diferença. Uma coisa é destroçar o ego; outra, e de fato justamente o oposto, é fazer naufragar a alma.o o oUma das coisas mais difíceis no casamento é a sensação de estar sendo observado. É a vigilância constante que atinge o indivíduo, que pode desgastá-lo como uma luz forte brilhando nos olhos e que leva inevitavelmente ao desmoronamento de todas as defesas, todas as fachadas, todos os costumeiros fingimentos e máscaras da personalidade. Isso faz o casamento parecer uma experiência de lavagem cerebral? Na verdade, esse é bem o tipo de efeito que provoca, com a única exceção de que a pessoa que faz a lavagem, a que segura a luz brilhante, não é um promotor im-piedoso ou um algoz, mas o amor. É o amor que nos empurra contra a parede e nos faz responder, nos mantém respondendo até que a resposta que surge seja aquela que o amor quer ouvir. Pode ser difícil então ser observado, ver toda a nossa vida colocada sob vigilância; e para a pessoa que não quer ser espiada, faz pouca diferença se o observador é o amor ou algo mais sinistro. O que é desagradável é a vigilância. Por sermos criaturas opacas, sólidas, resistimos à idéia de transparência. Todavia, é isso que o amor pede: transparência. O matrimônio, então, mediante essa estratégia devastadora de observar, lança um feroz e incessante ataque sobre a fortaleza do ego, sobre o lugar na pessoa que deseja privacidade, independência, auto-suficiência, ausência de interferência. Não obstante, para o casal que consegue suportar esse ataque e que amadurece junto em amor, há uma grande surpresa à espera, pois há uma descoberta gradual de que o casamento em sua melhor forma possui de fato um poder misterioso para satisfazer profundamente esse ego, essa separação peculiar de cada pessoa, mesmo enquanto o castiga. O casamento, em outras palavras, acaba sendo o melhor de dois mundos, satisfazendo todas as necessidades relativas à separação e à solitude, juntamente com as do companheirismo. Pense como é, por exemplo, ficar sozinho com o ente amado, ficar em silêncio, calado e embevecido, sem nenhum outro propósito além de ficar junto, a sós com o amor. Essa não é, estranhamente, uma experiência de ficar só ou ficar acompanhado, mas, pelo contrário, entre as duas coisas, e envolvendo de algum modo o melhor de ambas as experiências. Significa que se pode relaxar totalmente, com um relaxamento que tem, porém, uma aresta, pois há sempre a percepção de ser observado. Todavia, ser observado por alguém que ama não é como a vigilância de qualquer outra pessoa na terra! Não, ser amado enquanto somos observados se compara apenas a uma coisa: é como a vigilância do próprio Senhor Deus, a sensação de que o cristão tem de viver na presença invisível do Deus vivo e de ser amado de tal forma como se uma aura ou um halo já tivesse sido colocado sobre ele, uma eletricidade espiritual que cerca e enche todas as suas palavras e atos, pois subitamente tudo o que ele é e faz não é só aceito e respeitado, mas também admirado. Mais do que ser apenas apreciado, ele é tratado como impressionante e belo. Ele é amado. Com tal tratamento, é óbvio, o indivíduo tem a oportunidade de desabrochar como uma flor e tornar-se perfeitamente natural, perfeitamente ele mesmo. Esse "eu" verdadeiro, porém, se transforma surpreendentemente em alguém que esse indivíduo nunca conheceu antes, alguém misteriosamente diferente do "eu" real que ele pensou que fosse e que só pode acabar sendo descrito como alguém inteiramente novo. Ou alguém que sempre esteve ali, talvez, mas que finalmente se tornou autoconfiante o suficiente para sair das sombras, graças ao amor. É isso que o amor faz: leva as pessoas à luz, não importa como essa transição possa ser penosa. O amor visa à revelação, ao esclarecimento e à definição de nossa verdadeira natureza. É uma espécie de processo de aguçamento, poda dos exteriores embotados e sem vida, a fim de que o novo ângulo da verdadeira personalidade da pessoa possa começar a brilhar e reluzir à luz do dia. Um diamante não pode ser cortado com um abridor de latas, nem o falcão pode voar como uma borboleta. Para que a pessoa cresça inteligente, brilhante e verdadeira, ela precisa de amor, ou seja, precisa de outra pessoa: "Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo" (Pv 27:17). O processo de afiar é doloroso: se o sofrimento for retirado do amor, nada restará.o o oQuando vi então aqueles dois falcões, tomei-os como um sinal, um sinal do prazer de Deus em meu casamento e como sua promessa de que, acima e além da dor, da incerteza, do sofrimento do processo de afiar, chuviscos de faíscas ardentes e cristalinas voavam para o teto azul do céu. Não só os falcões voavam, mas anjos dançavam para festejar meu casamento, e qualquer desejo que eu tivesse de estar em um monastério (além de ser algo ridiculamente irreal àquela altura) não passava de uma tentação do diabo. Aqueles dois falcões eram uma confirmação de que, para mim pelo menos, nenhuma adoração poderia ser mais agradável ou aceitável a Deus do que a adoração do amor conjugal, duas vidas juntas em uma aliança de colaboração amorosa. O que aconteceu comigo naquele dia de verão foi uma daquelas amáveis erupções da graça que o Senhor envia tão silenciosa e casualmente, de modo tão brincalhão para nossa vida, mas que têm o poder de explodir nossa desumanidade em nosso rosto e colocar em nós um coração limpo e novo. Nunca mais eu teria desculpa para ceder àquelas dúvidas incapacitantes e angustiosas quanto a Deus ter me chamado para o casamento, ou se ele teria me chamado para casar-me com aquela mulher em particular. Nunca mais poderia pensar no casamento como algo separado ou subordinado à vida de fé. De fato, se é verdade que o cristão não pode pensar em Deus sem pensar ao mesmo tempo em Jesus Cristo, então é também verdade que um marido cristão passa a pensar mais e mais em sua esposa em relação a Cristo e sua promessa de segui-lo. É assim que o casamento para o homem passa a ser estreitamente ligado a seu amor por Deus. Ensina Paulo: "Maridos, amai vossa mulheres, como também Cristo amou a igreja" (Ef 5:25). O casamento para o cristão é um sacramento contínuo e um ato de louvor e obediência, um meio de graça tão "espiritual" como tudo que se passa no monastério, ou na igreja ou no campo missionário, e tão importante (ou mais) do que qualquer outro "trabalho" que possamos fazer no mundo. Nutrir um anseio beato pelo claustro não é a única maneira de tentar fugir dos votos matrimoniais! Meus sentimentos na capela trapista foram apenas um exemplo evidente da tentação central que, de maneira freqüentemente mais sutil, persegue todo casamento: a falta de compromisso total e sincero. Existe um ressentimento secreto das exigências do casamento, uma relutância em dar mais do que o absolutamente necessário. Há uma tentação constante de retrair-se da plena intensidade do relacionamento, de prosseguir somente com os requisitos básicos. Mas, em contraste, há o desafio constante de dar mais e mais de si mesmo, em níveis cada vez mais profundos, e de ver em nosso parceiro um canal abundante e perfeito para o derramar da graça de Deus em nossas vidas. Muito tempo depois do incidente dos dois falcões, minha mulher e eu estávamos de pé no alto de uma montanha, de onde se avistava o Oceano Pacífico, e vimos algo que nunca tínhamos visto antes. Dessa vez foram duas águias, fazendo justamente o que os dois falcões tinham feito: voando em círculos um ao redor do outro, preguiçosamente, mas com rara concentração, as asas perfeitamente firmes, os corpos cruciformes no vôo. Dessa vez não levantamos os olhos para os lindos pássaros, mas para as costas, pois estávamos em um ponto mais alto do que eles. Era dia de Ano Novo, e atrás de nós jazia um ano de conflitos significantes. Mas agora, mais uma vez, o céu não tinha nuvens, e o ar dançava com o sol quando o Senhor abriu as mãos e libertou aqueles dois pássaros dourados como mais um sinal para nós de seu enorme prazer em nosso amor conjugal. As águias estavam cerca de trezentos metros abaixo de nós, e duas vezes essa distância, abaixo deles, ficava a água azul, azul do Pacífico, recebendo todo o ouro do sol e carregando-o onda após onda até os confins do mundo. O ar estava tão limpo que podíamos, talvez, ver mais longe do que já tínhamos visto em nossas vidas. Deus nunca manda um sinal único: ele continua confirmando seu curso para nós com uma visão após outra. A leitura dos sinais divinos, porém, é essencialmente uma tarefa para a fé, uma tarefa para os que estão dispostos a persistir na busca da correspondência entre as realidades eterna e visível da vida e o clima interior da alma, esforçando-se sempre para alinhar as duas coisas, a fim de que o Reino de Deus possa vir. A jornada interior é necessariamente uma jornada exterior, o caminho para Deus é necessariamente o caminho para o aprofundamento dos relacionamentos humanos. O casamento situa-se no centro dessa estimulante dialética espiritual, pois, como Paulo salientou, ele é uma breve representação do relacionamento de toda a Igreja com seu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esse é o território que este livro busca examinar, a correspondência dinâmica entre o casamento e as grandes realidades invisíveis da fé cristã. Não é tanto um livro sobre "como fazer", mas sobre "como acontece", uma investigação meditativa a respeito dos fundamentos espirituais sobre os quais o casamento é edificado.

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