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O Monge Inglês (Cód: 2377740)

Montaldi,Valeria

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Descrição

Na escuridão da noite, as muralhas de Milão são iluminadas por um brilho sinistro. Um incêndio consome a casa do mestre-pedreiro Guglielmo Salvo. Não muito longe, o abade Arnolfo vê no crepitar das chamas sinais de tempos terríveis. Na Milão de 1246, marcada pela sombra de pragas e bruxarias, a chegada do monge inglês Matthew acaba perturbando ainda mais a cidade.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501077691
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788501077691
Profundidade 1.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 378
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorMontaldi,Valeria

Leia um trecho

1 Castelo de Graines, 1246 OS PEÕES ESTAVAM ALINHADOS dos dois lados do tabuleiro de xadrez. No meio, os quadrados seqüenciais brilhavam à luz ondulante das tochas fixas nas paredes. A sala estava deserta. Do exterior, penetrando através do vão profundo das seteiras, chegavam à sala as vozes excitadas dos soldados de guarda, o pranto de alguma criança e o relinchar dos cavalos nas estrebarias. Pensando que por muitos meses não poderia mais ouvir aqueles sons familiares e tranqüilizantes, Rachele aviou-se em direção à longa escada de madeira que, do fundo da sala, conduzia aos aposentos superiores. Abriu a porta de seu quarto: no interior, o grande leito de lárix estava escondido pelas cortinas de couro lavrado que o circundavam de três lados. Encostado a uma parede, o baú que abrigava seu guarda-roupa estava aberto e deixava entrever as cores vivas das vestes de seda. Aproximou-se da cama e, depois de afastar uma das pesadas cortinas, sentou-se: ainda não tinha conseguido, depois de todo aquele tempo transcorrido no castelo, se habituar àquele suave, silencioso afundar entre as plumas do colchão. Durante muitos anos, seu corpo tinha sido recebido por camadas de palha dura e crepitante, mal fechadas em ásperos pedaços de cânhamo, e a lembrança daquele contato desagradável a atormentava ainda hoje. Lentamente, desfez o coque sobre a nuca. Os cabelos negros, libertos do pente de prata que os segurava, recaíram sobre os ombros e as costas. Segurou a cabeça entre as mãos e entrecerrou os olhos. Será que estava fazendo a escolha certa? Conseguiria manter até o fim a decisão tomada? Encontraria compreensão por parte daqueles que precisariam apoiá-la no longo caminho que estava para empreender? Ergueu a cabeça, deixando as mãos caírem no colo: seus olhos reabriram-se e correram para o grande volume sobre a mesa. O tomo estava aberto na metade e as tirinhas de couro da encadernação pendiam das bordas. Sem tirar os olhos dele, Rachele levantou-se e, sentando-se na banqueta, acariciou o pergaminho com a ponta dos dedos. Não, seria absurdo hesitar, toda a sua vida estava ali, entre aquelas páginas: já devia ter aprendido toda a sabedoria recolhida naquelas linhas escritas e, se lhe tivessem permitido, ainda outras coisas da profissão médica. Seu pai tinha lhe prometido e falado também com Aimone para obter dele o consentimento necessário: não pôde se tornar sua mulher, mas a gratidão que lhe devia por ter-lhe salvo a vida a obrigava a submeter-se à sua vontade. Quando, três anos antes, ela o seguira titubeante até o castelo, sua decisão tinha sido ditada pelo desespero, pela consciência de ter perdido tudo. Agora, ao contrário, depois de ter partilhado com ele os dias e as noites e de ter constatado como era grande o respeito de Aimone por tudo que lhe concernia, a inexplicável atração inicial que a levara a aceitar sua oferta de abrigo tinha se transformado em amor. E o castelão não apenas percebeu isso, como também propôs que ela se casasse com ele, mesmo sabendo que sua fé hebraica tornaria a realização do matrimônio muito difícil. Pediu audiência ao bispo de Augusta para implorar seu apoio tendo em vista uma dispensa papal, mas não conseguira nada: o prelado tinha respondido que os tempos ainda não estavam maduros e que seria preciso esperar. Nesse ínterim, a mulher judia deveria ser tratada apenas como uma hóspede no castelo e não como uma concubina: a Igreja e o próprio visconde não estavam dispostos a tolerar escândalos. Mesmo desiludido e amargurado, o castelão não mudou seus comportamentos em relação a ela: mesmo colocando seu feudo em risco, continuaram a compartilhar os dias, à espera de poder regularizar sua união. Até uma semana atrás. Certa manhã, um escudeiro entregou em Graines uma carta da parte de Bosone di Challant. Com aquele homem, irmão do visconde Gotofredo, Aimone já colecionava mais de um desentendimento, e a chegada inesperada daquela carta não prometia nada de bom. Rachele recordava que, poucos minutos depois de tê-la lido, ele subira até seu quarto sem se fazer anunciar. O espanto com a visita inesperada logo foi substituído pela preocupação: Aimone estava muito pálido e, quando lhe estendeu o rolo de pergaminho, suas mãos tremiam. Tinha começado a ler. À medida que sua mente captava o significado daquelas palavras elegantemente vertidas por um douto escrivão, a inquietação inicial transformou-se em medo. Com tom intimidador, Bosone aconselhava Aimone a não dar um passo que, escrevia ele, embora fruto de uma escolha pessoal, poderia prejudicar sua futura permanência em Graines como regente do castelo. Se, como seus informantes lhe tinham secretamente relatado, Aimone um dia colocasse em prática o seu projeto de regularizar sua união com a judia Rachele ben David, nem ele nem seu irmão Gotofredo poderiam garantir a manutenção das relações amigáveis com o pequeno feudo de Graines. Quanto ao matrimônio, acrescentava, seria totalmente estapafúrdio, considerando-se a fé religiosa da mulher. O inusitado pedido de uma dispensa papal seria totalmente inaceitável por parte da Igreja, e o visconde, de sua parte, jamais o apoiaria junto ao pontífice: se Aimone realmente sentia tal necessidade de entreter com uma mulher as suas horas de ócio, pois bem, que escolhesse uma de fé cristã. A ameaça contida na carta era claríssima: se o castelão a desposasse, os Challant o privariam do feudo. A dor e a humilhação aniquilaram-na: ergueu os olhos e encontrou os de seu amante. Fitou-o petrificada: no rosto de Aimone o único movimento perceptível era o tremor involuntário de um músculo no canto dos olhos. Os lábios estavam cerrados. Depois, desviou os olhos, deixando-os vagar pela minúscula seteira encravada na parede de pedra: miríades de grãos de poeira turbilhonavam incessantemente no feixe de luz. Apoiada contra a porta, jogou longe o pergaminho; em seguida, deixando-se deslizar para o chão, encolheu-se sobre si mesma e começou a chorar. Aimone aproximou-se em silêncio: depois de um tempo que lhe pareceu longuíssimo, ajoelhou-se diante dela e tomou suas mãos, acariciando e beijando-as como naquela primeira vez, quando declarou timidamente o seu amor. Seu corpo forte era percorrido por um frêmito que não tinha fim. Ficaram assim, inconscientes das horas que passavam, até que, das trincheiras dos muros, as vozes dos soldados de guarda anunciaram o fechamento da ponte levadiça. Naquela noite velaram juntos, naquele mesmo quarto que agora ela estava prestes a deixar. Ficaram calados muito tempo, cada um perdido em seus próprios pensamentos: por fim, enquanto a primeira claridade da aurora já se insinuava pela seteira, Rachele começou a falar. Iria embora. Não podia permitir, dissera com voz dilacerada, que a posse do feudo por parte de Aimone fosse posta em risco por sua presença no castelo. Voltaria para Milão, para a choupana que tinha partilhado com o pai, e de lá, quando a ocasião se apresentasse, partiria para Veneza, onde sabia que alguns entre os melhores médicos hebreus, árabes e cristãos exerciam a profissão e mantinham boas escolas. Se algum deles a aceitasse como aluna, ela se estabeleceria na cidade e passaria os anos estudando sua arte, com a intenção de obter uma licença e, em seguida, a inscrição no colégio profissional. Aimone permaneceu em silêncio. Olhou-a durante alguns instantes e depois, erguendo-se de chofre do leito, saiu do aposento. Lentamente, ela também se levantou e, com o peito apertado num nó, continuou a girar entre aquelas quatro paredes sem conseguir nem mesmo chorar. Ele voltou somente ao entardecer. Com voz fria e uma estranha luz nos olhos, disse que aceitara a sua decisão. Acrescentou que, justamente naqueles dias, o mercador Otto Biener, de Canton des Allemands, estava de partida para Veneza, onde pensava estabelecer uma loja para vender suas valiosas lãs. Tinha acabado de falar com ele, perguntando se estava disposto a aceitá-la em sua comitiva para escoltá-la até aquela distante cidade. Otto recebera a proposta com entusiasmo: uma vez chegados ao destino, garantiu que encontraria instalações dignas para ela, o mais perto possível da sede da escola. Aimone concluiu dizendo que a partida já estava fixada para dali a uma semana e que a bagagem para tão longa viagem ficaria pronta a tempo. Diante destas últimas palavras, Rachele não conseguiu mais se controlar e prorrompeu num choro desatado. Cobrindo os olhos com as mãos como uma menina, jogou-se no leito e afundou o rosto nos travesseiros para sufocar o som dos soluços. Permaneceu ali, sem ver nem ouvir nada, até que cessassem aqueles espasmos violentos. Então, erguendo-se sobre o cotovelo, virou-se: Aimone estava ali, em pé, e fitava as tábuas de lárix do chão. A máscara de indiferença, tenazmente mantida até bem pouco, desaparecera de seu rosto. Do canto dos olhos, grossas lágrimas deslizavam silenciosamente por entre a barba grisalha; a boca estava semicerrada e tremia. Rachele fitou-o longamente, atônita. Em seguida, levantou-se da cama, aproximando-se dele com os braços estendidos. Aimone tinha aberto os seus, acolhendo-a contra si: ficaram abraçados até que ele a empurrou para o colchão, onde se deixaram cair os dois juntos. Fizeram amor com fúria e desespero, como nunca tinha acontecido antes. Quando, exaustos, cobriram-se com o espesso cobertor de lã inglesa, a tocha fixa na parede não desprendia mais luz: a resina tinha sido totalmente consumida. No escuro, Aimone falou de novo e desta vez não tentou fingir: com um tom aflito, disse que não sabia se conseguiria suportar aquela separação, mas que, por outro lado, a decisão que ela tivera a coragem de tomar era a certa. Para ela mesma, que finalmente poderia coroar seu sonho de tornar-se médica, e para ele também, que durante a sua longa ausência tentaria encontrar uma solução para os dois. — Irei a Augusta e farei com que o visconde me receba — tinha dito. — Depois, se for necessário, irei até mesmo a Roma e pedirei a dispensa papal para poder casar com você. Se não conseguir, vou me submeter às decisões de Gotofredo: no fundo, meu filho Bartolomeo já tem idade suficiente para suceder-me na condução do feudo e, ninguém, nem mesmo Challant, poderá privá-lo de seu direito legítimo de sucessão. Assim, o feudo já não me pertencerá mais e serei livre para governar minha vida como bem entender, sem ter que me submeter a chantagens e juízos malévolos. Prometi a seu pai que cuidaria de você e por nenhuma razão desse mundo pretendo trair a confiança dele, assim como não pretendo trair a sua. Quando você se recusou a abjurar sua fé para seguir-me, estávamos ambos conscientes de que isso causaria dificuldades e dor. Espero apenas que a separação que nos espera não seja capaz de mudar o seu amor por mim: quantos outros homens encontrará em seu caminho? Quantos deles vão procurá-la, adulando-a com dinheiro ou com poder ou, simplesmente, apaixonando-se por você? Não posso perdê-la, Rachele, sabe disso. Sem você minha vida não teria mais nenhum sentido... Rachele colocara os dedos sobre os lábios dele, como se quisesse deter aquelas palavras. Não falaram mais. Passaram as primeiras horas da noite abraçados. Depois, pouco a pouco, mergulharam no sono. Ela suspirou. Amarrou as tiras que fechavam o volume de matéria médica que pertencera ao pai e levantou-se. Do fundo do quarto, arrastou até onde estava o baú de viagem e depositou cuidadosamente o livro. Em seguida, depois de ter extraído do repositório os saquinhos de ervas e as ampolas dos ungüentos, guardou-os ordenadamente ao longo das bordas da caixa, protegendo-os com um velho pano de linho que enrolou várias vezes sobre si mesmo. Deu uma olhadela distraída para as roupas que se destacavam no armário: levaria consigo apenas as roupas mais cômodas, pois a viagem seria longa e desconfortável. Sentou-se na banqueta e, com calma, começou a escolher. Otto saiu da torre acompanhado de frei Matthew. A conversa tinha terminado: o castelão tinha lhes transmitido suas últimas disposições. Ao alvorecer da manhã seguinte, eles partiriam. Os informantes de Aimone tinham prevenido que o percurso até a planície deveria ser tranqüilo: naqueles meses o imperador Frederico estava na Toscana e o vexame sofrido no ano anterior durante a tentativa de assalto a Milão fazia prever que, pelo menos por algum tempo, suas tropas se manteriam distantes da Lombardia. A primeira etapa da viagem terminaria em Milão, onde a caravana faria uma parada por alguns dias para permitir que Otto estabelecesse acordos com os mercadores locais: havia cerca de dois anos, a demanda constante de suas lãs por parte dos aristocratas e notáveis milaneses o obrigara a organizar uma rede de representantes comerciais dentro dos muros da cidade. Frei Matthew iria com eles. Aimone lhe pedira que se juntasse à comitiva. A ansiedade com o destino de Rachele e com as dificuldades que certamente encontraria ao longo do caminho levaram-no a pedir ajuda ao frade inglês, de cuja amizade não tinha por que duvidar. Aquele homem, que durante muito tempo tinha sido preceptor de seu filho e ao qual era ligado agora como a um irmão, conhecia Rachele muito bem: Aimone estava certo de que velaria por ela, aconselhando-a e protegendo-a das armadilhas da viagem. Matthew, por seu lado, aceitou de bom grado o encargo de acompanhar a jovem, que, apesar da difer ença de credo religioso, sempre tinha se mostrado respeitosa e discreta no que lhe dizia respeito. A parada em Milão permitiria, além disso, que reencontrasse Arnolfo da Sala, abade de San Simpliciano, com quem vinha mantendo, nos últimos três anos, uma relação epistolar constante. Em uma de suas missivas, Arnolfo mencionara uma questão legal referente às propriedades do monastério que, segundo dizia, certamente lhe causaria problemas. Conhecendo bem a perspicácia do abade na avaliação dos fatos, o frade temia que aquela breve alusão escondesse dificuldades bem mais graves do que a sua discrição deixava entrever. Mergulhados em seus pensamentos, os dois homens atravessaram em silêncio a clareira que se opunha à torre. O sol acabara de se esconder atrás das montanhas que dominam a Dora e o castelo já mergulhava na sombra: enquanto as primeiras tochas eram acesas nas trincheiras, nas portas dos aposentos começava a bruxulear a luz das velas.

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