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O Olho de Jade (Cód: 2534626)

Liang,Diane Wei

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Descrição

Mei Wang é a primeira mulher a se tornar detetive particular em Pequim. Um dia, um amigo da família pede que ela encontre um valioso jade da dinastia Han, roubado de um museu durante os anos da Revolução Cultural. Mei, então, submerge numa parte sombria e brutal da história da China.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501079466
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8501079464
Profundidade 1.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 304
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorLiang,Diane Wei

Leia um trecho

1 No escritório, situado num prédio antigo do distrito Chongyang, em Pequim, o ventilador zunia alto, como um velho irritado com a própria inutilidade. Mei e o Sr. Shao sentavam-se em lados opostos de uma mesa. Ambos transpiravam copiosamente. Lá fora, o sol escaldava o ar até transformá-lo num bloco sólido de calor. O Sr. Shao secou a testa com um lenço. Recusara-se a tirar o paletó do terno. — Dinheiro não é problema — ele pigarreou. — Mas preciso que você comece já. — Estou trabalhando em outros casos no momento. — Quer que eu pague mais, não é isso? Um adiantamento, talvez? Posso lhe dar mil iuanes agora mesmo — propôs o Sr. Shao, levando a mão ao bolso. — As falsificações aparecem mais rápido do que sou capaz de produzir os originais e são vendidas pela metade do meu preço. Levei dez anos para construir um nome, dez anos de sangue e suor. Mas não quero que você recorra a seus velhos amigos no Ministério, ouviu bem? Quero a polícia fora disso. — O senhor não está fazendo nada ilegal, está? — Mei perguntava-se por que o homem tanto insistia em lhe pagar um adiantamento. Aquilo não era comum, especialmente no caso de um comerciante tão sagaz quanto o Sr. Shao. — Por favor, Srta. Wang. O que é legal ou ilegal nos dias do hoje? A senhorita sabe o que dizem por aí: “O Partido tem estratégias, e o povo, contra-estratégias.” O Sr. Shao encarou Mei com seus olhos amendoados. — A medicina chinesa é como mágica — disse. — As regulamentações existem para os produtos que não funcionam. Os meus curam. É por isso que as pessoas compram. Ele deu uma breve risada, mas isso não aliviou a tensão. Mei cogitava se diante dela estava um comerciante inteligente ou um charlatão. — Não gosto da polícia — continuou o Sr. Shao. — Não considere uma ofensa, Srta. Wang. Sei que a senhorita era um deles. Quando comecei, vendia ervas nas ruas. A polícia andava sempre no meu encalço, confiscando minha mercadoria, me arrastando para a delegacia como se eu fosse um criminoso. O camarada Deng Xiaoping disse que os Ge Ti Hu, os comerciantes independentes, contribuíam para a construção do socialismo. Mas e a polícia? A polícia fingiu que não ouviu. Ovos podres, todos eles. Hoje a situação está melhor. Meu negócio cresceu, as pessoas me respeitam. Mas, se quer realmente saber, a polícia é a mesma. Quando a gente precisa de proteção, não pode contar com ela. Pedi que investigassem as falsificações. E o que disseram? Que não fazem esse tipo de serviço. No entanto, sempre que há mudança nas regras, um arrocho ou uma inspeção, eles avançam no meu pescoço feito um bando de cães famintos. — Seja como for, vamos ter de andar na linha — disse Mei, a voz menos convincente que as próprias palavras. Detetives particulares haviam sido proibidos na China. Mei, como todos os colegas de profissão, havia recorrido à contra-estratégia de registrar seu escritório como uma agência de consultoria de informação. — Naturalmente — concordou o Sr. Shao, abrindo um sorriso tão largo quanto um oceano. Tão logo ele saiu, Mei colocou-se diante do ventilador. Aos poucos foi se refrescando com o vento fraco que atravessava a blusa de seda. A porta foi aberta. O assistente de Mei, Gupin, entrou no escritório com o aspecto de uma lagosta cozida. Sem dizer palavra, dirigiu-se à mesa da ante-sala e bebeu todo o chá gelado de uma jarra deixada ali no início da manhã. Retirou a mochila militar dos ombros e largou-a no chão. — Esse que acabou de sair é o Sr. Shao, o rei do soro de crescimento capilar? — Gupin levantou os olhos, recuperando o fôlego. Tinha um sotaque discreto, porém perceptível, que denunciava sua origem rural. Mei fez que sim com a cabeça. — Você vai pegar o caso dele? — Disse a ele que sim, mas agora estou em dúvida. Há algo de estranho nesse homem. — Ele usa peruca. — Gupin se aproximou com um pequeno pacote embrulhado em folhas de jornal. — Recebi 5 mil iuanes em dinheiro vivo do Sr. Su — disse, sorrindo. O rosto, ainda vermelho em razão do esforço realizado, brilhava de orgulho. Mei recebeu o pacote e apertou-o de leve; estava firme. Abriu espaço para Gupin diante do ventilador. — Ele criou algum obstáculo? — perguntou. Gupin agora estava ao lado dela, o braço desnudo quase a roçá-la. Mei podia sentir o cheiro de suor que ele exalava. — No início, sim. Mas ele não me dá medo, nem me enrola com seus truques. Conheço esse tipo de pilantra, não nasci ontem. As pessoas ficam preocupadas quando vêem um imigrante como eu naquele tipo de lugar. — A palavra “pilantra” ficava ainda mais contundente com o sotaque de Gupin. Mei sorriu. Em ocasiões como essa felicitava-se pela contratação do assistente, uma decisão acertada que, curiosamente, podia ser creditada à irmã. Quando Mei abriu o escritório, Lu, sua irmã mais nova, se opôs à idéia. — O que você entende de negócios? Olha só pra você: não tem amigos, não gosta de política, não tem nenhuma Guanxi, nenhuma rede de contatos com que possa contar. Como isso pode dar certo? Ao contrário do que você pensa, irmãzinha querida, tocar um negócio não é nada fácil. Sei disso porque sou casada com um homem de negócios muito bem-sucedido. Mei revirou os olhos. Estava cansada demais para continuar discutindo. Desde que pedira demissão do Ministério de Segurança Pública, todos se julgavam no direito de repreendê-la com alguma lição de moral. — Bem, suponho que você já esteja chegando a seu limite — Lu suspirou, afinal. — Se não consegue continuar no Ministério, o que mais pode fazer? Trabalhar por conta própria, claro. Mas não posso ficar de braços cruzados enquanto você se joga num rio de águas turbulentas sem saber nadar. Deixe pelo menos que eu encontre alguém para lhe ensinar o bê-á-bá dos negócios. No dia seguinte, o Sr. Hua telefonou convidando Mei para um encontro no escritório dele. Lá ela se acomodou num sofá de couro escuro e, tomando o café servido pela linda secretária, pôs-se a ouvir o que o Sr. Hua tinha a dizer a respeito das Guanxi, sobre os muitos procedimentos que podiam ser evitados e os poucos que não podiam, a criatividade na organização e na contabilidade e, principalmente, sobre a importância de se manter olhos e ouvidos bem abertos. — Você precisa estar atenta às mudanças no vento e na política — ele disse. — Atenta às pessoas que podem apunhalá-la pelas costas. Se me permite um conselho — Mei já havia constatado que essa era uma das expressões prediletas do empresário —, confie apenas nos amigos, em mais ninguém. Se quiser progredir, é fundamental que tenha uma boa rede de contatos, especialmente nas altas rodas. — O Sr. Hua pegou café pela quinta vez. — E as secretárias? — perguntou. — O que tem as secretárias? — Já pensou no tipo de secretária que pretende contratar? Mei respondeu que não tinha intenção de contratar uma secretária, pelo menos enquanto não tivesse clientes. O Sr. Hua balançou a cabeça em sinal de desaprovação. — Pode-se contratar alguém por uma ninharia — disse. — Muitos dos imigrantes das províncias estão dispostos a trabalhar por quase nada. O custo de se ter alguém para atender o telefone ou realizar pequenos serviços é mínimo, e os benefícios são consideráveis. Seu escritório parecerá estranho se não tiver uma secretária. Ninguém gosta de fechar negócios num ambiente estranho. Olhe só ao seu redor e diga o que está vendo. Mei passou os olhos pela sala ampla e ricamente mobiliada. — O senhor tem um belo escritório — disse. — Exatamente. O que tenho aqui é o que as pessoas chamam de uma “sociedade fantasma”. Convido empresas internacionais para participar de joint ventures. Como você deve saber, todos os investidores estrangeiros precisam de sócios chineses. Então eles vêm falar comigo e encontram este belo cenário, num dos melhores endereços da cidade. Mas não se dão conta de que não tenho nenhuma fábrica, nenhuma folha de pagamentos sob minha responsabilidade. Acham que sou alguém importante, dono de algo real. Mas só o que faço é correr atrás de fornecedores tão logo recebo o dinheiro dos sócios estrangeiros. Se consigo fechar um negócio por ano, ótimo. Se fecho dois, posso ficar o restante do ano sem trabalhar. “Sabe, fazer dinheiro é fácil. Difícil é conseguir que lhe paguem à vista. É por isso que gosto de trabalhar com estrangeiros. Com os chineses é muito mais difícil. Se me permite um conselho, quando for contratar alguém, pense nos seus recebimentos, escolha uma secretária que tenha firmeza, que seja capaz de intimidar os devedores. Aquilo fez sentido para Mei, que colocou um anúncio à procura de uma secretária para seu novo negócio. Entre todos os candidatos, Gupin era o único homem. Embora não tivesse considerado a possibilidade de contratar um secretário, Mei decidiu entrevistá-lo. Gupin viera de uma cidade rural na província de Henan e ganhava seu sustento trabalhando nas construções de Pequim. — Fui um dos melhores alunos da escola de ensino médio do condado — ele contou a Mei com seu forte sotaque de Henan. — Mas tive de voltar para o vilarejo em que nasci, porque era lá que eu estava registrado. Queria trabalhar numa das cidades do condado, mas o prefeito do vilarejo não permitiu. Disse que nosso povoado precisava de um “homem dos livros”. Mei demorou um tempo para se acostumar ao sotaque do rapaz e compreender o que ele estava falando. — Mamãe queria que eu me casasse. Mas eu, não. Não queria terminar feito meu irmão. Todos os dias ele se levanta de madrugada e trabalha no campo até o sol se pôr, mas nunca tem dinheiro suficiente pra sustentar a mulher e o filho. Com papai era a mesma situação. Ele morreu muitos anos atrás, de tuberculose. Todo mundo diz que as grandes cidades são minas de ouro. Então resolvi vir pra Pequim. Quem sabe meu futuro não está aqui? Mei observava o candidato. Ele era jovem, acabara de completar 21 anos e tinha ombros largos. Exibia músculos firmes sob a camisa. Tinha um sorriso tímido, porém honesto. Infelizmente viu-se obrigada a dizer que ele não estava apto para a posição oferecida. Ele não conhecia Pequim, e o sotaque de Henan poderia afugentar as pessoas. — Quando você abrir a boca, as pessoas vão fazer uma série de deduções a seu respeito, e do meu negócio também. Algumas pensarão até que estou dirigindo uma farsa. Um absurdo, eu sei. Mas as pessoas são assim. O mesmo aconteceria comigo se eu fosse para Xangai. Provavelmente seria trapaceada pelos motoristas de táxi, receberia toda sorte de informações erradas. Mas Gupin era persistente. — Me dê uma chance — suplicou. — Aprendo rápido e não tenho medo de trabalhar. Posso aprender tudo sobre Pequim. Me dê três meses e prometo que vou conhecer todas as ruas desta cidade. Também vou perder o sotaque. Eu consigo, pode acreditar em mim. Por fim, Mei decidiu dar ao rapaz uma oportunidade. Lembrou-se do que havia dito o Sr. Hua e concluiu que Gupin seria, senão um bom secretário, pelo menos um cobrador mais eficaz do que qualquer outra pessoa que ela havia entrevistado até então. Além disso, era, de longe, o mais barato. — Vou lhe dar um ano — disse. — Você nem faz idéia de como Pequim é grande. Mais de um ano depois, Gupin havia se revelado tudo aquilo que dissera ser: trabalhador, esperto, leal. Passara boa parte de seu tempo livre andando de bicicleta pelas hutongs* e pelas ruas de Pequim e agora conhecia certas partes da cidade bem melhor que a própria Mei. Tornara-se para ela uma extensão de seus próprios olhos e ouvidos. — Bom trabalho — cumprimentou Mei. — O Sr. Su não é homem de abrir a mão com facilidade. Podemos dar o dia por encerrado. Eles recolheram seus pertences e conferiram todas as trancas da porta. No corredor escuro estava mais fresco do que na sala. *Hutongs são ruelas ou becos, geralmente associados a Pequim, na China. São formados por linhas de siheyuan, residências tradicionais. (N. do R.) — Espero que o fim de semana não seja tão quente — disse Gupin enquanto eles deixavam o prédio. A mochila militar sacudia em suas costas. — Vai fazer algo especial? — Um piquenique no Palácio de Verão. — Tão longe, só para um piquenique? — É a reunião dos meus colegas de universidade. Do lado de fora a luz do sol estava turva, e o ar, espesso feito uma calda. Os dois se despediram e tomaram seus respectivos rumos: Gupin, para o álamo ainda jovem em que havia amarrado sua bicicleta Flying Pigeon;* Mei, para o cupê Mitsubishi estacionado sob a copa de um velho carvalho. *Flying Pigeon é a marca de bicicleta mais famosa na China. Em português, significa “Pombo Voador”, e desde a década de 1950 é chamada de “bicicleta do povo”, pois na época representava o sonho de consumo de toda família chinesa. (N. do R.)

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