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O Pistoleiro - Col. A Torre Negra Vol. I (Cód: 161998)

King,Stephen

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Cartão Saraiva

Descrição

Este livro é o primeiro dos sete volumes de série A Torre Negra, obra mais ambiciosa do escritor Stephen King. 'O Pistoleiro' apresenta ao leitor o fascinante personagem de Roland Deschain, último descendente do clã de Gilead, e derradeiro representante de uma linhagem de implacáveis pistoleiros desaparecida desde que o Mundo Médio onde viviam 'seguiu adiante'. Para evitar a completa destruição desse mundo já vazio e moribundo, Roland precisa alcançar a Torre Negra, eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço, e verdadeira obsessão para Roland, seu Cálice Sagrado, sua única razão de viver. O pistoleiro acredita que um misterioso personagem, a quem se refere como o homem de preto, conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra, e por isso o persegue sem descanso. Pelo caminho, encontra pessoas que pertencem a seu ka-tet - ou seja, cujo destino está irremediavelmente ligado ao seu. Entre eles estão Alice, uma mulher que Roland encontra na desolada cidade de Tull, e Jake Chambers, um menino que foi transportado para o mundo de Roland depois de morrer em circunstâncias trágicas na Nova York de 1977. Mas o pistoleiro não conseguirá chegar sozinho ao fim da jornada que lhe foi predestinada. Na verdade, sua aventura se estenderá para outros mundos muito além do Mundo Médio, levando-o a realidades que ele jamais sonhara existir. Inteiramente revista pelo autor, esta primeira edição brasileira de 'O Pistoleiro' traz também prefácio e introdução inéditos de King.

Características

Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573026030
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8573026030
Profundidade 1.30 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2004
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 224
VOLUME 1
Peso 0.34 Kg
Largura 16.00 cm
AutorKing,Stephen

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Você está revisando: O Pistoleiro - Col. A Torre Negra Vol. I

Leia um trecho

Torre Negra - Volume I: O Pistoleiro Tradução de Mário Molina 1 O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás. O deserto era a apoteose de todos os desertos, imenso, estendendo-se para o céu no que parecia ser eternidade em todas as direções. Era branco e ofuscante e seco e sem feições a não ser o débil, enevoado traço das montanhas que se esboçavam no horizonte e a erva do diabo que trazia sonhos doces, pesadelos, morte. Uma ocasional placa mortuária indicava o caminho, pois antigamente a trilha poeirenta que avançava pela espessa crosta alcalina fora uma rodovia. Diligências e carroças tinham passado por lá. O mundo havia continuado desde então. O mundo havia se esvaziado. O pistoleiro fora atingido por uma momentânea tontura, uma espécie de guinada que fez o mundo inteiro parecer etéreo, quase uma coisa que pudesse ser atravessada pelo olhar. Isso passou e, como o mundo sobre cujo couro ele andava, ele continuou. Foi vencendo apaticamente os quilômetros, sem afobação, sem perda de tempo. Trazia um cantil de couro pendurado na cinta como uma salsicha estufada. Estava quase cheio. Avançara através da khef durante muitos anos e atingira talvez o quinto nível. Se fosse um santo manni, podia nem sentir a sede; observaria o corpo desidratando com atenção clínica, isenta, e só irrigaria as trincadas e escuras cavidades internas quando a lógica lhe dissesse que isso devia ser feito. Não era, porém, um manni, nem um seguidor daquele homem, Jesus, e não se considerava de modo algum santo. Era apenas, para resumir, um peregrino comum e o que podia dizer com toda certeza era que tinha sede. E, mesmo assim, não sentia qualquer ímpeto especial de beber. De um modo vago, aquilo o agradava. Era uma exigência daqueles campos, campos sedentos, e em sua longa vida ele não fora outra coisa além de adaptável. Debaixo do cantil ficavam seus revólveres, a cuidadosa distância das mãos; uma placa de metal fora adicionada a cada um quando passaram do pai para ele; o pai tinha sido mais leve e não tão alto. Os dois cinturões se cruzavam acima da braguilha da calça. A camada de óleo dos coldres era tão profunda que mesmo aquele sol filisteu não conseguia rachá-la. As coronhas eram de sândalo, amarelo e primorosamente raiado. Correias de couro cru mantinham os coldres folgados contra suas coxas, fazendo-os balançar um pouco a cada passada; elas tinham apagado o azul do jeans (e puído o tecido), formando dois arcos, que quase lembravam sorrisos. A coisa de metal da munição roçava contra o cinturão heliografado no sol. Havia menos cartuchos agora. O couro dava pequenos rangidos. A camisa dele, da não-cor de chuva ou poeira, estava aberta no pescoço, com uma tira de couro saindo frouxa dos ilhós furados à mão. O chapéu se fora. Assim como o chifre de boi que antigamente levava; se fora há muitos anos aquele chifre, solto da mão de um amigo moribundo, e ele perdera os dois. Encarou uma duna de elevação suave (embora não houvesse areia ali; era um deserto de terra dura, onde mesmo os ventos cortantes, que sopravam quando vinha a escuridão, só conseguiam levantar uma poeira irritantemente áspera, como pó de metal) e viu os restos chutados de uma minúscula fogueira no lado oposto ao vento, o lado que o sol abandonaria primeiro. Pequenos sinais como aquele, afirmando de novo a possível humanidade do homem de preto, sempre conseguiam agradá-lo. Os lábios se esticaram nos restos marcados, lascados do rosto. Foi um esgar horrível, doloroso. Ele se pôs de cócoras. Sua presa tinha queimado a erva do diabo, é claro. Era a única coisa ali que de fato queimaria. Queimava com uma luz oleosa, uniforme, e queimava devagar. Moradores da orla tinham lhe dito que os demônios viviam até mesmo nas chamas. Eles a queimavam, mas não olhavam para a luz. Diziam que os demônios hipnotizavam, chamavam, acabavam puxando quem olhasse para as chamas. E o próximo homem suficientemente estúpido para encarar o fogo poderia ver o anterior. A relva queimada estava cruzada no agora familiar padrão ideográfico e se desfez num cinzento inútil ante a mão agitada do pistoleiro. Nada havia nos restos além de um pedaço queimado de toucinho, que ele comeu com ar concentrado. Fora sempre assim. Já há dois meses o pistoleiro seguia o homem de preto através do deserto, pelas infindáveis, gritantemente monótonas extensões de purgatório, e ainda não descobrira outras pistas além dos ideogramas higiênicos e estéreis das fogueiras que ele fazia. Não encontrara uma lata, uma garrafa ou cantil (o pistoleiro deixara quatro dos seus para trás, como peles de cobra). Não encontrara qualquer esterco. Presumiu que o homem de preto o enterrava. Talvez as fogueiras fossem uma mensagem, soletrando uma Grande Carta de cada vez. Mantenha distância, parceiro, podiam dizer. Ou: O fim passou perto. Ou talvez até: Venha me pegar. Pouco importava o que diziam ou não. Ele não estava interessado em mensagens, se mensagens houvesse. O que importava era que aquelas cinzas eram tão frias quanto todas as outras. Contudo, havia progredido. Sabia que estava mais perto, mas não sabia como sabia. Uma espécie de cheiro, talvez. O que também não importava. Continuaria avançando até que algo mudasse e, se nada mudasse, mesmo assim continuaria avançando. Haveria água se Deus quisesse, diziam os moradores antigos. Água se Deus quisesse, mesmo no deserto. O pistoleiro se levantou, sacudindo as mãos. Nenhum outro sinal; o vento, cortante como navalha, teria sem dúvida dispersado as raras marcas eventualmente deixadas sobre a terra dura. Nenhum excremento humano, nenhum lixo posto fora, nem um único sinal de onde essas coisas pudessem ter sido enterradas. Nada. Só aquelas fogueiras apagadas ao longo da antiga rodovia movendo-se para sudeste, e o incansável marcador de quilometragem na sua cabeça. Embora, é claro, houvesse mais que isso; a atração para sudeste era mais que apenas um senso de direção, mais até que magnetismo. Sentou-se e se permitiu um pequeno gole do cantil. Lembrou-se daquele momento de tontura no início do dia, a sensação de estar quase destacado do mundo, e se perguntou o que aquilo poderia significar. Por que aquela tontura o fazia pensar na corneta de chifre e no último de seus velhos amigos, ambos perdidos há tanto tempo no monte Jericó? Ainda tinha os revólveres - os revólveres do pai - e certamente eles eram mais importantes que cornetas... ou mesmo que amigos. Não eram? A questão era um tanto perturbadora, mas como não parecia haver outra resposta além da óbvia, ele a pôs de lado, possivelmente para considerações posteriores. Esquadrinhou o deserto e depois ergueu os olhos para o sol, agora deslizando para um afastado quadrante do céu que, estranhamente, não ficava de todo a oeste. Levantou-se, tirou as luvas surradas do cinto e começou a puxar a erva do diabo para sua própria fogueira, depositando-a sobre as cinzas que o homem de preto havia deixado. Julgou a ironia, como a sede, amargamente significativa. Quando tirou da bolsa o sílex e a vara de pederneira, os restos do dia já eram apenas um calor fugidio no chão sob seus pés e uma sardônica linha laranja no horizonte monocromático. Sentou-se com o revólver estendido no colo e observou pacientemente o sudeste, olhando para as montanhas, não esperando ver a linha fina e regular da fumaça de uma nova fogueira, não esperando ver um brilho alaranjado de chama, mas observando de qualquer modo, pois observar fazia parte da coisa e trazia sua própria e amarga gratificação. Você não verá o que não estiver procurando, maluco, Cort teria dito. Abra os faroletes que ganhou dos deuses, valeu? Mas não havia nada. Estava perto, mas só em termos relativos. Não perto o bastante para ver fumaça no pôr-do-sol ou o clarão alaranjado de uma fogueira. Mexeu o sílex embaixo da vara de ferro e levou a centelha ao mato seco, espigado, sussurrando velhas e poderosas palavras que nada significavam: "Faísca-a-risca, cadê meu pai? Vou me cansar? Vou me amparar? Abençoe com fogueira este campo." Era estranho como certas palavras e manias de infância caíam e eram deixadas para trás, enquanto outras se mantinham firmes e seguiam a vida inteira conosco, tornando-se cada vez mais pesadas à medida que o tempo passava. Ele se esquivou da corrente do pequeno clarão, deixando a fumaça irreal seguir para o deserto. O vento, a não ser por eventuais redemoinhos da poeira infernal, era uniforme. No alto, as estrelas surgiam sem piscar, também constantes. Sóis e mundos aos milhões. Estonteantes constelações, tom mortiço em cada foco principal de luz. Enquanto contemplava, o céu escureceu do violeta ao ébano. Um meteoro desenhou um arco espetacular e breve sob a Velha Mãe e desapareceu piscando. O fogo lançava estranhas sombras enquanto a erva do diabo queimava devagar, formando novos padrões - não ideogramas, mas um xadrez simples, vagamente assustador em sua absurda simplicidade. Não depositara a erva combustível num padrão engenhoso, mas apenas funcional. Que falava em preto-e-branco. Que falava de um homem que era capaz de endireitar quadros tortos em quartos de hotéis desconhecidos. O fogo ardia com labaredas firmes, vagarosas, e espectros dançavam no centro incandescente. O pistoleiro não viu. Os dois padrões, o artístico e o utilitário, uniram-se enquanto ele dormia. O vento gemia, como bruxa com câncer na barriga. De vez em quando, uma perversa corrente de ar fazia a fumaça girar e soprar em sua direção; ele a inalava um pouco. A fumaça criava sonhos do modo como um pequeno estímulo irritante pode criar uma pérola numa ostra. De vez em quando, o pistoleiro gemia com o vento. As estrelas eram tão indiferentes a isto quanto a guerras, crucificações, ressurreições. O que também parecia agradá-lo.