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O Refúgio (Cód: 1162877)

Jenkins,Jerry

Mundo Cristão

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Cartão Saraiva

Descrição

Após a terceira guerra mundial, um governo internacional aflora, decretando o fim de todas as religiões. Cristãos sufocados pelas restrições impostas organizam-se em movimentos clandestinos. A ação extraordinária de Deus traz novo ânimo aos fiéis, ao mesmo tempo em que a repressão recrudesce a níveis jamais experimentados. Descoberto como agente duplo, Paul Stepola e sua família fogem, por se tornarem alvos prioritários da agência para o qual trabalhava. A repercussão da severa punição imposta por Deus estremece os pilares do governo central, provocando intensa luta nos bastidores; nem mesmo a população não-cristã está certa se as religiões devem continuar banidas. A linha dura da repressão não aceita ceder. Por quanto tempo Paul e sua família resistirão aos bombardeios? Quem prevalecerá? Será o fim?

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Mundo Cristão
Cód. Barras 9788573254402
Altura 22.50 cm
I.S.B.N. 8573254408
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2006
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 287
Peso 0.36 Kg
Largura 15.50 cm
AutorJenkins,Jerry

Leia um trecho

AO FINAL DA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL, no outono de 2009, foi determinado pelo governo internacional, em Berna, Suíça, que a partir de 1o de janeiro do ano seguinte a designação anno Domini (a.D.), "no ano de nosso Senhor" ou "depois de Cristo" (d.C.), seria substituída por pós-Terceira Guerra Mundial (P.3). Assim, 1o de janeiro de 2010 a.D. se tornaria 1o de janeiro de 1 P.3. Esta história começa 37 anos mais tarde, em 38 P.3. O QUE ACONTECEU ANTES DEPOIS DA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL, uma guerra santa que destruiu nações inteiras, facções contra a religião e contra a guerra derrubaram quase todos os chefes de Estado. Um governo internacional surgiu das cinzas e da lama. A religião foi proibida no mundo inteiro, numa tentativa de erradicar a guerra. Os Estados Unidos foram reformulados, com a divisão em sete regiões, passando a ser conhecido como Sete Estados Unidos da América (SEUA). O presidente foi deposto, e o vice-presidente tornou-se governador regional, subordinado ao Governo Internacional da Paz, em Berna, Suíça. Quando o dr. Paul Stepola completou a pós-graduação em estudos religiosos, sua esposa, Jae, exortou-o a trabalhar na Organização Nacional da Paz. O pai dela, o general reformado Ranold B. Decenti, ajudou a construir a ONP, das cinzas do FBI e CIA. Pouco a pouco, Paul vai subindo na hierarquia da organização. Quando a ONP cria uma nova força-tarefa, Fanáticos Clandestinos, para descobrir e eliminar a influência religiosa nos SEUA, o chefe do escritório da ONP em Chicago, Bob Koontz, escolhe Paul como elemento fundamental. Paul se envolve nas operações secretas da ONP. É condecorado, como o único sobrevivente de um ataque a uma pequena casa-igreja em São Francisco, em que atira e mata a líder religiosa, uma viúva. Durante uma investigação de sabotagem de poços de petróleo, no Texas, ele testemunha o assassinato de um cristão clandestino. Pouco depois, Paul perde a visão num incêndio num poço de petróleo. Enquanto se recupera, Paul conhece Stuart "Straight" Rathe, um voluntário no hospital e fiel secreto. Paul pede a seus superiores que lhe providenciem o Novo Testamento em disco. Assim, poderia analisar as convicções de seus alvos, caso algum dia volte a ver e retome seu trabalho. A exposição ao Novo Testamento e a Straight levam a sua conversão e à dramática recuperação da visão. Paul não pode contar a Jae, receando que ela revele tudo ao pai, o que acarretaria a condenação à morte. Straight apresenta Paul aos líderes do movimento clandestino cristão. Um deles - com o codinome Abraão - convence-o a se tornar um agente duplo, permanecendo na ONP, ao mesmo tempo em que ajuda secretamente a resistência. Paul pode simular o zelo pelas ações da ONP ao prender falsas pessoas de fé, mas sua verdadeira lealdade é submetida a um teste durante uma grande operação em Los Angeles. Paul se torna suspeito e é quase descoberto quando trabalha secretamente com facções clandestinas para protegê-las do genocídio planejado pela ONP. Eles oram para que Deus julgue seus inimigos, com uma seca que afeta todas as pessoas em Los Angeles, exceto os verdadeiros fiéis. Depois de três trágicos atentados terroristas na Europa, desfechados por um homem que alega ser cristão, Paul é enviado ao exterior para encontrá-lo. Ali, ele faz contato secreto com fiéis clandestinos e descobre que o terrorista não é uma pessoa de fé. Outra vez, Paul se torna suspeito de traição, passando a ser seguido e vigiado. Mas seu papel na caçada ao terrorista afasta temporariamente a ameaça. Enquanto isso, sua esposa começou a escutar os discos do Novo Testamento, alternadamente preocupada com a possibilidade de o marido ter se tornado fiel e impressionada com as palavras sobre sua própria vida que encontra no texto. O governo internacional marca um prazo para que todos os cidadãos assinem um compromisso de lealdade, que diz o seguinte: Por ordem do Conselho Supremo do Governo Internacional da Paz, sediado em Berna, Suíça, a partir desta segunda-feira, 21 de janeiro de 38 P.3, fica decidido que no prazo de sessenta dias, até 22 de março de 38 P.3, todo cidadão da comunidade internacional que tenha alcançado a idade de dezoito anos será obrigado a estipular, pela assinatura deste documento, que terá registro público, o seguinte: "Sob pena de prisão perpétua, ou pena de morte em casos extremos, declaro por este documento que apoio pessoalmente a proibição global da prática da religião. Não estou filiado a qualquer grupo ou organização, nem ligado a qualquer indivíduo que age em oposição às determinações do governo internacional nessa questão. Também declaro que se tiver conhecimento de qualquer cidadão violando este decreto, tenho a obrigação de comunicar às autoridades. O não-cumprimento dessa obrigação acarretará a mesma punição". Com as informações da liderança clandestina dos cristãos na Europa, SEUA, e no resto do mundo, Paul prepara uma resposta, para ser divulgada ao máximo possível que os fiéis ousarem, inclusive para a imprensa de seus respectivos países. A resposta diz o seguinte: Para: ilustre Baldwin Dengler, chanceler do Governo Internacional da Paz, Berna, Suíça De: A Igreja Internacional de fiéis no único e verdadeiro Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e do Filho de Deus, Jesus Cristo Ref.: Seu decreto anunciado nesta segunda-feira, dia 21 de janeiro de 39 p.3, que nós chamamos o ano de Nosso Senhor de 2047 a.D. Chanceler Dengler: Declaramos que o atual sistema mundial, que há quase quatro décadas proíbe a prática da religião por pessoas de fé, é uma abominação aos olhos do Deus Todo-Poderoso. Estamos convencidos de que você e seu governo, assim como a maioria de seus cidadãos leais, desconhecem o tamanho e a influência potencial de um povo que, sob a pressão das ações oficiais, foi levado à clandestinidade e forçado a praticar sua fé ilegalmente. Pedimos que revogue imediatamente o decreto anunciado hoje e determine uma moratória sobre todas as leis que proíbem a pratica da religião, até que possa determinar como as pessoas de fé conseguirão viver em paz nesta sociedade, sem medo de represálias. Estamos suplicando a nosso Deus para agir em julgamento, caso esse pedido não seja atendido no prazo de quarenta horas depois de anunciado o decreto, ou meia-noite, horário de Berna, terça-feira, 22 de janeiro. Acreditamos que Deus agirá para nos livrar de você, nosso opressor, como fez em Los Angeles, Califórnia, no ano passado. Advertimos, com todo respeito, que vai se arrepender se ignorar este pedido, já que invocamos Deus, expressamente, para agir como fez há milhares de anos, no Egito, quando o Faraó recusou-se a permitir que os Filhos de Israel deixassem seus domínios. Sugerimos que leia o relato do Antigo Testamento sobre as dez pragas que Deus lançou contra o Egito. Há entre nós os que pedem a Deus para se abster das nove primeiras pragas e que não endureça o coração. É nosso desejo sincero que você evite as terríveis conseqüências da décima praga, ao final do prazo de quarenta horas. Se não for assim, receamos que Deus possa não limitar essa praga ao centro do poder, mas permitir que afete o mundo inteiro. Aos nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo, lembramos que não precisam se sentir obrigados pela condição do Antigo Testamento para a proteção de suas famílias, que era a de salpicar sangue nas portas como meio de identificação. Acreditamos que o sangue de Cristo já foi derramado por vocês e que Deus conhece os seus. Concluindo: revogue o decreto de lealdade, suspenda as leis contra a prática da religião, ou assuma todos os riscos inevitáveis. Para seu conhecimento, é o seguinte o texto da décima praga do Egito, que tememos Deus aplicar aos que se fizerem surdos as nossas súplicas. Agora Moisés anunciou ao Faraó: "Assim diz o Senhor: "Cerca de meia-noite passarei pelo meio do Egito. E todo primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito do Faraó, que se assenta no seu trono, até ao primogênito da serva que está junto à mó, e todo primogênito dos animais. Haverá grande clamor em toda a terra do Egito. Qual nunca houve nem haverá jamais; porém contra nenhum dos filhos de Israel, desde os homens até os animais, nem ainda um cão rosnará, para que saibais que o Senhor fez distinção entre os egípcios e os israelitas. Então, todos estes oficiais descerão a mim e se inclinarão perante mim, dizendo: 'Sai tu e todo o povo que te segue.' E, depois disto, sairei". ... Aconteceu que à meia-noite feriu o Senhor todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos animais. Levantou-se Faraó de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto. Então, naquela mesma noite, Faraó chamou a Moisés e a Arão e lhes disse: "Levantai-vos, saiam do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; ide, servi ao Senhor, como tendes dito". O chanceler Baldwin Dengler responde que não haverá negociação, alegando que os fiéis são tão poucos que não contam com a atenção de Deus. Lembra ao mundo que essas crenças causaram a guerra mundial, que resultou na proibição da religião. Jae viaja para a Europa, a fim de visitar Paul. Descobre no computador do marido que ele é o autor do Manifesto Cristão. Se o denuncia como traidor, ele será condenado à morte. Apesar de sua criação e de uma vida inteira de ateísmo, ela sente-se compelida a orar pelo marido. Quando Paul finalmente volta, são e salvo, ela diz que conhece seu segredo: "Não sei onde estou em tudo isso, Paul, mas você já deve saber a esta altura que não vou entregá-lo. Quer concordemos quer não sobre Deus, não quero perdê-lo". DE A REAÇÃO A IRA DE DEUS SOBREVÉM À TERRA "NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA, JAE, não poderei continuar trabalhando na ONP. Mesmo que eu não me rebele hoje, a verdade vai aflorar daqui a sessenta dias, quando eu me recusar a assinar o documento de lealdade. E vai precisar decidir que tipo de vida isso significará para você e para as crianças." No avião [de volta aos Sete Estados Unidos da América, a 22 de janeiro], Jae disse a Paul: "Não acredito que essa mortandade possa ocorrer. Se não acontecer, vai me dizer muita coisa sobre seus companheiros de fé e a efetividade de suas orações. Se acontecer, além de me tornar a pessoa mais chocada no mundo, não posso prever que sentimentos isso me despertará em relação a Deus. Creio que terei de acreditar que ele existe mesmo, mas teria muita dificuldade para compreendê-lo ou gostar dele". Paul preocupava-se com Jae, é claro, e não podia deixar de olhar o relógio a todo instante. Meia-noite em Berna seriam seis horas da tarde em Washington. Com a diferença dos fusos horários, o avião deveria chegar a Washington no meio da manhã. Extremamente tenso, Paul não sabia mais o que dizer ou fazer. Ele baixou a cabeça e dormiu, durante todo o vôo, perdendo o lanche oferecido. Só acordou quando o avião pousou. Jae também estava exausta, mas não conseguiu dormir. Queria descobrir o verso que ecoava no fundo da mente. Pôs para tocar o disco de Hebreus, e escutou tudo, até que encontrou o verso: De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. E ela orou: "Quero acreditar que há um Deus, e estou sinceramente a sua procura". A mãe de Jae pegou-os no aeroporto. As crianças estavam na escola, e ela disse que ambas vinham se divertindo e fazendo novas amizades. - Ranold já foi trabalhar, mas está ansioso em vê-los. Berlitz e Aryana [o irmão de Jae e sua esposa] também jantarão conosco, às 18h30. Jae teve a sensação de que um nevoeiro de loucura se dissipava em um arremedo de sanidade. Quando voltaram da escola, naquela tarde, as crianças [Brie e Connor] jogaram-se em cima de Paul, rolando pelo chão. Contaram o que faziam, sobre as novas amizades, os professores. - Temos de voltar para Chicago agora que você está em casa? - Perguntou Brie. - Pensei que vocês quisessem voltar - comentou Paul. - E queremos, mas não agora. Ranold chegou em casa por volta de cinco horas. Saltou do carro, em seu melhor terno, já tirando a gravata. Apertou o ombro de Jae, e sacudiu vigorosamente a mão de Paul. - Quero ouvir tudo, filho. Mas tudo mesmo! Deixe-me só trocar de roupa. Sua mãe avisou que Berlitz e a nova esposa estarão aqui para jantar? Paul assentiu com a cabeça, enquanto as crianças gritavam: "Oba!" Ranold subiu a escada quase correndo, com uma energia que Jae não observava há muito tempo. Desceu pouco depois, vestindo uma camisa de flanela, calça desbotada, e meias brancas. - Perdoem a informalidade, mas não suportava aquele terno. Paul, vamos para o escritório. Pode me acompanhar num uísque. Quero saber de tudo antes do jantar. [No escritório] Paul olhava a todo instante para o relógio. Ranold percebeu. - Está quase na hora do noticiário. Ele ligou a tevê. Transmitido os últimos minutos de um seriado cômico, que começava às cinco e meia. Paul tamborilava no braço da poltrona. - Eu não poderia me sentir mais orgulhoso de você - comentou Ranold. - Ei, não tocou na sua Coca-Cola! - Não tenho sede. Na verdade, Paul queria estar com Jae naquele momento. Podia ouvi-la conversar com a mãe na cozinha, enquanto as crianças brincavam na sala. Às seis horas em ponto, foi como se toda a energia da sala fosse cortada. Tudo apagou, a televisão, todas as luzes. Brie gritou. Ranold disse: - Mas o que aconteceu? Paul ouviu-o levantar, ir até a janela, puxar as cortinas. - Está tudo às escuras - informou Ranold. - Um blecaute geral. E foi aí que as luzes acenderam. As crianças riram. Margaret disse algo coisa, a voz estridente e aliviada. A imagem na ressurgiu, mostrando o âncora caído sobre a mesa. A outra apresentadora estava de pé, gritando por ajuda. - Olhe só para isso! - Ranold inclinou-se para frente. - Parece que o homem desmaiou. Um infarto, ou algo parecido. O telefone tocou, e Margaret atendeu. - O que aconteceu, Aryana? - indagou ela, alarmada. Jae levantou os olhos para a mãe, enquanto as crianças entravam correndo na cozinha. - As luzes apagaram! - gritou Connor. Foi nesse instante que Margaret desmaiou, deixando cair o telefone. -Papai! - gritou Jae. Os homens vieram correndo do escritório, enquanto ela pegava o telefone. - O que foi, Aryana? A mulher estava histérica. - Ele desmaiou! Quando a energia foi desligada, até os faróis do carro desligaram. Eu disse a Berlitz que era melhor parar, mas percebi no mesmo instante que ele não estava mais guiando. Peguei o volante, e senti seu corpo inerte. Consegui pisar no freio, no instante em que batemos no meio-fio. As luzes tornaram a acender, mas ele morreu, Jae! - O quê? - Ele morreu! Não há pulsação, nada! - Papai! - chamou Jae. - Você precisa falar com Aryana! Jae foi tentar despertar a mãe, enquanto Ranold pegava o telefone. - Não é possível, Aryana! Ele é muito jovem! Chame uma ambulância! O celular de Paul estava tocando. E o de Ranold também. - Tenho de atender uma ligação, Aryana - disse Ranold. - Peça ajuda, e depois volte a nos chamar. Paul atendeu. Era Enzo Fabrício [líder do movimento cristão clandestino italiano], de Roma. - Aconteceu, Paul. Está assistindo o noticiário? Ranold, pálido, também atendeu sua ligação. - Oh, Bia, não! - exclamou ele. - Meu filho também! Ele bateu com o telefone no balcão da cozinha. - Tenho de alcançar Berlitz e ajudar Aryana. Você vem comigo, Paul? - Papai, deixe-o ficar com mamãe -, pediu Jae. - Aconteceu, Ranold - disse Paul. - O que aconteceu? - A maldição. A praga. O aviso do movimento clandestino. - Como? Como? - Ranold fitou a todos na cozinha, desesperado, até se fixar em Connor. - Mas seu filho... seu primogênito continua vivo! As crianças desataram a chorar. Ranold saiu, angustiado. Jae ajudou a mãe a sentar numa cadeira, abanando-a. - Vocês, crianças, podem ajudar sua avó. Tragam um copo com água. Paul, é melhor você assistir ao noticiário. Paul voltou ao escritório, onde a tevê anunciava milhões de mortos no mundo inteiro. E sabendo que sua vida, de Jae e das crianças nunca mais seria a mesma, Paul ouviu uma notícia de Berna, informando que o chanceler Baldwin Dengler, do governo internacional, lamentava a perda de seu filho mais velho. 1 PAUL FICOU PARADO DIANTE DA TELEVISÃO, fazendo um esforço para não hiperventilar. Já estivera antes em situações de vida ou morte, enfrentara seus momentos de matar ou morrer. Há muito que confiava no instinto, e provara que seu intelecto prodigioso podia avaliar incontáveis possibilidades, mesmo sob pressão, e mantê-lo bastante calmo para tomar as decisões mais sensatas. Entretanto, nunca tivera de enfrentar tantas conseqüências, todas as ruins. Alguém poderia, em qualquer lugar, duvidar que aquela catástrofe global - a súbita e inexplicável morte de cada primogênito, independente da idade, em cada família que se recusara a reconhecer Deus - fosse qualquer outra coisa que não a consumação da advertência? Por um lado, Paul podia imaginar que incontáveis pessoas, apavoradas, no mundo inteiro, procurariam a fé. Por outro lado, a carnificina era inconcebível. Que porcentagem da população global morrera de repente, cada homem como estava naquele exato momento, de pé, sentado, deitado, correndo, andando? E o que isso significaria para a economia, para os serviços públicos, para as organizações policiais? O que acarretaria para a existência normal? Como as pessoas poderiam superar a tragédia? Devia haver corpos por toda parte; e se era verdade que haviam sido abatidos pela ação sobrenatural de Deus, era mais que provável não haver nenhuma patologia evidente. Não haveria sinais de hemorragia ou trauma, nenhuma indicação do motivo pelo qual milhões de homens, meninos, e até mesmo bebês haviam deixado de existir de um momento para outro. Era possível que, em vez de uma busca maciça por Deus, ocorresse justamente o contrário. A própria Jae dissera que uma praga global como aquela poderia persuadi-la a acreditar da intervenção de Deus nos assuntos humanos, mas também a deixaria com dificuldade para compreendê-lo ou apreciá-lo. Era isso o que se esperava de uma mulher que se encontrava à beira da fé. Milhões de pessoas, com toda certeza, aproveitariam o caos e o lamento para justificar seu ódio contra um Deus que aparentemente era vingativo e rancoroso. Seria um passo e tanto, pensou Paul, do ateísmo à relutante aceitação de que havia um ser supremo. Ele não tinha a menor dúvida que a maioria preferia estar convencida de que havia um Deus que se empenhava pelo amor, paz, e harmonia, não apenas por justiça e julgamento. Enquanto trocava os canais na televisão, Paul lembrou-se das notícias de televisão amadoristas que examinara nos arquivos, quando fazia o doutorado de estudos religiosos, anos antes. A história tivera ocasiões em que os acontecimentos prevaleciam até mesmo sobre os jornalistas mais profissionais. O assassinato do presidente americano John F. Kennedy, quase 85 anos antes, deixara os repórteres pálidos, e um famoso apresentador de noticiário sucumbira à emoção. Um desastre espacial americano, no século anterior, deixara os jornalistas atordoados, noticiando rumores e informações não confirmadas, lendo notícias de telegramas no papel em vez do ponto eletrônico, para depois retificarem com uma raiva evidente. Ataques terroristas ocorridos antes do nascimento de Paul mostraram os jornalistas das redes de televisão tentando separar fatos de rumores, com a maior inépcia, e tentando manter uma aparência de profissionalismo, embora estivessem visivelmente pálidos de medo. As transmissões históricas durante a Terceira Guerra Mundial mostravam a mesma coisa, à medida que a quantidade de mortes causadas pela tsunami e outros desastres provocados pelas explosões nucleares desesperavam os locutores em pleno ar. A mesma coisa acontecia agora. Em apenas uns poucos minutos, as notícias terríveis do mundo inteiro deixaram os apresentadores abalados, desesperados para se manterem objetivos. Mas à medida que a enormidade da situação os envolveu - com repórteres e técnicos mortos ao redor - os sobreviventes começaram a compreender os desdobramentos. Se aquilo era o que fanáticos clandestinos haviam previsto, o evento que oraram, todos seriam afetados, de uma maneira ou de outra. Rara era a pessoa que não tinha um parente - pai, irmão, avô, tio, filho, primo - que fosse primogênito. E o que dizer de amigos e conhecidos? Paul viu a verdade começar a se registrar no rosto de repórteres e apresentadores. Deviam estar frenéticos para sair do ar e telefonar, a fim de confirmar seus piores receios. E o número de mortos aumentava a cada segundo. Não se limitava, é claro, aos primogênitos. A mortandade estendia-se a outros inocentes, passageiros em aviões pilotados por primogênitos, vítimas de acidentes causados por motoristas primogênitos em carros, ônibus, e caminhões. Pedestres haviam sido atropelados por carros desgovernados; cirurgiões desabaram em cima de pacientes; pais largaram bebês no chão; eletricistas soltaram fios com a carga elétrica ligada; bombeiros abandonaram o trabalho, as mangueiras lançando água para longe das chamas. A extensão do cataclismo não seria conhecida por dias, talvez semanas. Paul não podia calcular a demanda de serviços fúnebres. Não havia como realizar enterros normais com a quantidade de mortos no mundo inteiro. Haveria necessidade de covas coletivas, fogueiras fúnebres colossais, refrigeração para os mortos cujas famílias tinham condições de esperar por uma sepultura exclusiva. Além de tudo isso, haveria o tributo devastador do sofrimento humano. Como um família, um clã, um povo, uma nação, um mundo lamentaria uma perda tão vasta? Nada jamais voltaria a ser como antes, Paul sabia. Não nos SEUA. Não no mundo inteiro. E muito menos para ele. Era assustador sofrer a ira de Deus.

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