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O Rei da Noite (Cód: 2608826)

Ribeiro,João Ubaldo

Objetiva

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Descrição

Em O Rei da Noite, o escritor extrai graça de fontes que domina com maestria: o universo hiperbóli-co da boemia, os contrastes entre passado e presente, tradição e novidade. Tendo como pano de fundo luga-res de forte ligação afetiva , como o já lendário boteco do Leblon e a também mitológica Itaparica, O Rei da Noite contém o supra-sumo do talento humorístico de um dos maiores escritores brasileiros, autor de obras-primas da literatura nacional como Viva o Povo Brasileiro e Sargento Getúlio.

Este é um livro sobre a amizade. Sobre a cumplicidade e a farra na mesa de bar, nas ruas, na noite. É um livro para chorar de rir, como se é capaz de fazer quem estiver ao lado de João Ubaldo, ouvindo suas histórias ou lendo seu texto tão erudito quanto divertido. O Rei da Noite também é um livro sobre angústias, sobre os viciados em boemia, sobre quem gosta de estar com os amigos até mais tarde e também se corrói com íntimas inquietações: parar ou não de fumar? Parar de beber? Fazer ginástica? João Ubaldo não foge dessas perguntas, de todos os medos, mas é capaz de nos aproximar desses dramas de forma lúdica, através de sua própria experiência, contando suas tentações diárias e noturnas, seu esforço, bem sucedido ou não, para cumprir as próprias promessas.

Por motivos de saúde, João Ubaldo trocou há muito a boemia por tardes de papo regadas a guaraná com os velhos amigos do bairro carioca do Leblon, onde mora. 'Houve um tempo em que eu só não bebia quando estava dormindo. Estava me matando, sem querer me matar', conta o escritor baiano, que garante aos ex-companheiros de copo e leitores saudosistas do personagem boêmio que sua qualidade de vida 'con-tinua péssima'. Em crônicas como 'Aventuras naturais', que faz rir até o mais xiita dos vegetarianos, reduz a pó obsessões do homem moderno como bicicletas ergométricas, suco de espinafre e restaurantes macrobi-óticos. Tudo sem perder o humor, claro. Muito menos a majestade.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573029291
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788573029291
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 200
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorRibeiro,João Ubaldo

Leia um trecho

O Rei da Noite — EU DISSE que nunca mais punha os pés na rua, nunca mais ia a festinhas, nunca mais entrava num bar, eu disse! — É, você disse. Você sempre diz isso. No dia seguinte você sempre diz isso. — Então? Então? Então você devia levar isso em conta. Quando eu disser “hoje vou sair”, você diz “não vai”, pronto. Basta isso, eu atendo, você sabe que eu atendo. — Você nem ouve, quanto mais atender. Você entrou em casa cantando “Rio Babilônia”, parou na porta, deu uns remelexos meio tipo Elvis Presley e gritou com o mesmo olhar com que às vezes fi ca na praia: “Mulher, vamos pra festa do Neville! Rio Babilôoooonia!” — É, eu me lembro. Você foi sarcástica, muito sarcástica. Não é preciso ser tão sarcástica comigo e meus amigos. — Eu, sarcástica? Eu só perguntei se você tinha certeza de que podia entrar mulher grávida. — E então? Só porque era a festa do meu amigo Neville tinha de ser uma esbórnia, não foi isso que você quis insinuar? — Absolutamente. Quem insinuou foi você, com aqueles seus... seus meneios aí na porta e com aquele olhar que não permitiriam na novela das oito. — Eu não fi z olhar nenhum! — Fez. E continuou a fazer praticamente a noite inteira. Mas acho que não tem importância, seus amigos já estão acostumados. Uma coisa de que ninguém pode lhe acusar é falta de coerência. Você faz invariavelmente as mesmas coisas. — Eu beijei Ivan Chagas Freitas outra vez? — Não, desta vez não, mas isto é um pormenor. E de mais a mais você chegou com ele, não acredito que o beijo se justifi casse. — Eu fui com ele? Claro, fui com ele. Lembro muito bem. Aliás, lembro muitíssimo bem, lembro de tudo. Chegamos juntos, o Ivan elegantíssimo, de smoking... — Ivan não estava de smoking. — Como não estava? Claro que estava, eu não sou maluco, vi perfeitamente. Eu até fi z uma brincadeira, falei: “Ivan, este smoking de teu pai caiu muito bem, muito bem.” — Isso foi a foto do Ivan na festa do Ibrahim. Você viu a foto do Ivan de smoking. — A foto? Bem, certo, mas o fato é que eu vi o Ivan de smoking, eu lembro de tudo perfeitamente. Nós entramos, abraçamos o Neville e aí batemos um papo com a Tônia Carrero, gostei muito dela. — É, este foi um problema. A Tônia Carrero não estava lá. — Como não estava? É claro que estava! — Não. Estava uma senhora lá que você fi cou chamando o tempo todo de “Tônia, mas veja você, Tônia, mas ora, Tônia”. Ela tentou avisar algumas vezes, mas você só dizia “querida Tônia, mas que mot d’esprit, que boutade, ha-ha-ha!” — Não era a Tônia? Mas era a cara! — Espero que a Tônia nunca saiba desta sua opinião. De qualquer forma, isso não teve importância, porque você elogiou muito a senhora, ela deve ter fi cado satisfeita. Aliás, você elogiou todo mundo. — Elogiei? Ah, elogiei? Bem, ótimo que eu elogiei, quer dizer que não tem vexame para lembrar. — Nada, vexame nenhum. É bem verdade que você fez alguns elogios agressivos, mas todo mundo já deve conhecer a sua exuberância. Quer dizer, não sei se o Renato Machado fi cou muito feliz, não tenho certeza. — O Renato Machado? O que é que eu fi z com o Renato Machado? Eu não elogiei? — Aos murros. Você fazia um elogio — “aí, Renatão!” — e dava um murrozinho afetuoso nele. Acho que deve ter dado uns seis ou sete; você estava muito entusiasmado com ele. “Que pronúncia,que pronúncia!”, dizia você. Até que ele se sentou e alegou nocaute e aí você parou. — Mas é interessante, eu tenho a recordação completa de que sentamos direitinho, junto com o Ivan, a Dora e o Paulo — Mais ou menos. O Paulo César e a Ana Maria já estavam lá, ficaram sentados defronte da gente. — Então? Lembro de tudo! — E você ficava piscando o olho e jogando beijinhos para ela. — Mentira! Na cara do Paulo César? Mentira! O Paulo César é meu amigo, eu jamais faria uma coisa dessas! Você quer solapar o meu relacionamento com os amigos! Mentira! Eu não faço essas coisas com ninguém, quanto mais com as mulheres de meus amigos! — Mas é só isso que você faz. Agora, elas não ligam, eles também não. Afinal, quem é que vai ligar para um amigo que fica piscando um olho como se estivesse tendo um espasmo muscular, jogando beijinhos bicudos e escondendo a cara atrás do balde de gelo? — Atrás do balde de gelo? — Pois é, tenho a impressão de que você achava que assim disfarçava. Juntou gente em torno da mesa, para ver você disfarçando. Você se curvava todo, chamava “Aniiinha!”, piscava o olho e mergulhava a cara atrás do balde ligeirinho. — Que horror! — Horror nada, foi tudo muito divertido, um sucesso. Tanto assim que você só parou quando chegou o Daniel Filho. — O Daniel? Não! Eu chorei outra vez? — Não, vocês dançaram. — Nós dançamos? — Dançaram e cantaram. Cantaram uma musiquinha em inglês que dizia “wake up, wake up!” e que vocês achavam engraçadíssima, embolavam de rir. Até que houve o incidente com o pessoal da casa, na hora em que você exigiu que evacuassem a pista para que o Daniel pudesse dar uma demonstração do passo Tom Mix. — O passo Tom Mix? — Sim, é um passo que ele dá sacando dois revólveres e rodopiando. É até interessante. Mas o pessoal não quis atender ao seu pedido, apesar de você gritar “jogo-lhe a Rede Globo em cima, canalha!”. De qualquer forma, você conseguiu que o Daniel fi zesse o passo no andar de cima e ainda imitasse Michael Jackson e Ney Matogrosso. A de Michael Jackson é até bastante boa, a do Ney... — Disso eu me lembro, fi quei ali conversando com a Márcia enquanto ele dançava. — Conversando não, fi cou dizendo “Marcinha, você sabe que eu imito Ney Matogrosso muito melhor do que esse cara aí com quem você vive saindo e sou melhor diretor de televisão que ele e tenho um telão maior do que ele e...” — Ele se aborreceu? — Claro que não, inclusive ele sabe que você não imita lhufas e não tem telão nenhum. — Nem sou diretor de tevê. — Ah, isso não sei. Não foi isso o que você falou à Danuza Leão. Você disse a ela que estava realizando um especial sobre ela de duas horas e depois gritou: “Quero arrojar-me a teus pés!” — E me arrojei? — Quase. Ivan segurou você e a Danuza deu uns passinhos rápidos para trás, não houve maiores problemas e já estávamos mesmo na saída. — Nunca mais eu saio, nunca mais boto os pés fora de casa, nunca mais entro num bar, nunca mais! — Sim, querido. Mas não sei por quê. Todo mundo acha você o rei da noite, querido.

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