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O Rio e seu Segredo (Cód: 2620593)

Xiao-mei Zhu

Objetiva

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Descrição

O Rio e seu Segredo conta a saga de Zhu Xiao-Mei, uma das poucas jovens que, em meio à Revolução Cultural na China, nunca desistiu de desenvolver seu talento. A história desta pianista representa um emocionante encontro entre o Leste e o Oeste, passado e presente, música e filosofia.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573029338
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573029338
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2009
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 256
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorXiao-mei Zhu

Leia um trecho

1 Hora grave Vejo muitos homens Silenciosamente chorando Dentro da noite (T’ANG CH’I, Hora grave) Ele está lá, dentro do quarto de meus pais. Ocupa todo o espaço; o quarto é muito pequeno. Os carregadores tiveram uma dificuldade enorme para fazê-lo passar pela porta, pararam várias vezes, suando em bicas. Intrigados, nossos vizinhos desfilaram uns após os outros pelo pátio para dar uma olhada pela janela, para ver o que se passava. Finalmente, ele foi instalado. Livre dos panos sujos que o envolviam, ele apareceu. Com medo, eu me refugio atrás de uma cadeira. Minha mãe se aproxima, dá uma volta em torno dele, olha-o, examina-o. Ela suspende o tampo, deixando aparecer um nome: Robinson. O marfim do teclado desprende uma luminosidade pálida que dissipa a penumbra do quarto. Minha mãe deixa correr a mão, não mais do que alguns segundos, sobre as pequenas teclas amarelas. Uma melodia sai do móvel, eleva-se dentro do cômodo. O objeto fala! Mas, mal eu esbocei um sorriso e minha mãe já retirou a mão e tornou a fechar o tampo. A voz misteriosa se calou. Minha mãe se vira para nós e suspira: — Como eu estou feliz! Eu não sei o que um piano é. Tenho pouco mais de 3 anos e nunca antes vi algo que se pareça com ele. Estou intrigada. Eu me pergunto de onde ele vem, esse objeto que fala quando se toca nele. É estranho, mas minha mãe jamais toca. Todas as manhãs ela o espana. Ela começa a limpeza da casa por ele. — Esta poeira! Em Xangai não tinha tanta poeira. Por que você me trouxe para cá? — ela acrescenta, virando-se para meu pai. Ela não perde uma ocasião de se queixar de Pequim: o tempo é ruim, a cidade é poluída e se come mal. Às vezes, ao me levantar de manhã, tenho a impressão de que ela chorou. Eu lhe pergunto o que está acontecendo. — Não é nada, Xiao-Mei, é a fumaça da lareira que me irrita os olhos — ela me responde. Eu a olho enfeitar o piano com flores de papel como se faz na China para o jitai, o altar dos ancestrais. Em nossa casa nós não temos jitai, mas temos o piano. Tenho a impressão de que aquele piano está ali para mim. Suspendo a tampa e bato nas teclas de marfim, ao acaso, pelo prazer de ouvir os sons que sobem pelo cômodo. Quando eu vou para um lado, a voz do piano se parece com a de um dragão. Quando eu vou para o outro lado, ela se parece com a dos passarinhos. Mas bem depressa me sinto impotente e paro. Isto não é música! Às vezes, quando as crianças vêm a nossa casa, eu mostro a elas como bater nas teclas, e a cacofonia nos distrai por um momento. Todos se distraem, salvo minha mãe. Um dia, ela fechou o tampo com um gesto firme. — Agora acabou. Não quero mais. Vocês o estão estragando! Saiam! E o piano retorna ao silêncio. Ninguém toca nele. Nem ela, nem eu, ninguém. Contudo, ele se tornou uma espécie de novo morador na nossa casa. Nossa casa... Dois cômodos para sete pessoas, 50 metros quadrados ao todo dentro de um si he yuan, um quadrado de casas baixas construídas em torno de um pequeno pátio central. Uma única bica d’água e um único banheiro para 11 famílias, roupas mal lavadas penduradas nas janelas do pátio, um assoalho negro sempre úmido e um teto roído por ratos, cujo barulho todas as noites me apavora. Contudo, nós não somos os mais infelizes. Os outros moradores do si he yuan têm ainda mais dificuldade para viver do que nós, como uma viúva, cujos dez filhos dormem numa única cama de casal. Nós moramos ali desde que meus pais decidiram vir para Pequim para se juntar a uma irmã de meu pai que nós chamamos de momo, isto é, “tia”, em dialeto de Xangai. Ela propôs aos meus pais trabalhar no pequeno comércio que o marido e ela possuem. Meus pais aceitaram porque não havia mais lugar para eles lá onde eles estavam, em Xangai. Os problemas tinham começado durante o inverno de 1949. Um inverno tão duro que, em Xangai, centenas de pessoas morreram de frio e de fome. Cada manhã despejava seu lote de corpos esqueléticos e gelados sobre as calçadas. A guerra civil entre o Partido Comunista e o Kuomintang terminara, mas tinha desorganizado completamente o país. As estruturas administrativas tinham desmoronado, os transportes freqüentemente estavam bloqueados ou tinham sido requisitados, as empresas tinham ido à falência ou operavam em marcha lenta. A fortuna de meus avós derretera como neve ao sol. Avós que apresentavam todos os vícios possíveis, segundo o regime que se instalava. O pai do meu pai era um empresário fascinado pelo Ocidente. Fabricante de móveis, fazendeiro, alfaiate, dono de restaurante, construtor de casas, diretor de um curso de dança, depois de uma sala de cinema... Exercera toda espécie de profissão, pelo simples gosto de criar, de correr riscos. E de dar a conhecer à China costumes vindos do Ocidente — organizar uma noitada dançante na China dos anos 1920: pode-se imaginar idéia mais descabida? De onde vinha esse fascínio? Mistério. Meu pai, que não tinha mais do que 13 anos quando meu avô morreu, jamais pôde me explicar. Do lado de minha mãe, meus avós, os Sheng, tinham feito fortuna com importação-exportação, e mesmo que meu avô não tivesse aprendido inglês na escola, seus negócios o levaram a falar esta língua correntemente. Eles eram impregnados dessa cultura estrangeira que viera se misturar à nossa. Graças a eles, minha mãe se familiarizara desde muito jovem com formas de arte européias — ela conhecia os mais belos quadros do Louvre como se de fato os tivesse visto. Com o apoio de meus avós Sheng, meus pais puderam se instalar, depois de seu casamento, em um apartamento de dois andares, em um prédio rico da antiga concessão francesa cujas janelas davam para uma bela avenida ladeada de plátanos, diante do parque Fuxing. Eles tinham móveis de jacarandá, vasos de porcelana, baús de canforeira cujo perfume impregnava os vestidos de minha mãe. Naquele tempo, apesar dos estragos causados pela guerra, Xangai se parecia ainda com uma pequena Paris refinada e agitada. Mas durante aquele inverno terrível, tudo ficou abalado. A clínica onde meu pai trabalhava perdeu seus pacientes, pelo menos os que eram capazes de pagar as consultas. Ela teve que fechar as portas. Sem os compromissos familiares, não há dúvida de que meu pai teria continuado a exercer sua profissão gratuitamente, pois era um sonhador e um idealista — ele ainda é. Isto lhe veio de seus anos de estudo, passados junto de um velho mestre chinês que ele pacientemente acompanhava em suas visitas aos doentes e suas pesquisas de plantas raras na montanha. Da tenra infância também. Como a mãe morrera pouco tempo depois de seu nascimento, as irmãs mais velhas se encarregaram de criá-lo. Qixien, o primeiro nome de meu pai, era uma criança estranha. Jamais sentia calor, nem frio, nem fome. Duvidava-se de sua inteligência de tanto que ele parecia incapaz de expressar suas sensações. Ele não sentia nada, simplesmente. Talvez tivesse se tornado ensimesmado com a morte da mãe, sem querer conhecer mais nada das desgraças que o cercavam. Meu avô, por outro lado, não pensava assim. Tamanha sabedoria, tão jovem! Os maiores filósofos levavam uma vida para conseguir aquele estado de desligamento, e eis que seu filho já o tinha alcançado. Destinava, pois, a meu pai uma atenção especial. Que o filho lhe devolvia à altura e lhe devolveria por toda a vida. Mais tarde ele me confiará que, nos piores momentos de sua existência, pensou no pai para ter forças para sobreviver. Meu pai, portanto, teria continuado a exercer seus talentos de médico de graça, mas não tinha liberdade para fazer o que queria. Tinha uma esposa e três filhas, minhas duas irmãs mais velhas, Xiaoru e Xiaoyin, e eu para alimentar. Sem poder mais exercer sua verdadeira profissão, teve que abandonar a medicina e aceitar os empregos que encontrava: contador, representante, tudo que desse para manter a família. Foi então que meus pais receberam a proposta de Momo para se juntar a eles em Pequim e trabalhar no seu pequeno comércio. Eles aceitaram e, no verão de 1950, nós partimos.

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