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O Ritural da Sombra (Cód: 2537412)

Giacometti,Eric; Ravenne,Jacques

Suma De Letras

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Descrição

Envolvido no misterioso universo da maçonaria francesa, 'O Ritual da Sombra' conta a história de uma investigação sobre dois assassinatos, comandada pelo comissário Antoine Marcas, mestre maçom, e sua parceira, Jane Zewinski.
Em Roma, uma arquivista foi morta segundo um ritual que lembra a morte do fundador da franco-maçonaria. Em Jerusalém, um arqueólogo, com uma pedra enigmática em mãos, é assassinado de modo semelhante.
Sessenta anos após a queda do III Reich, os arquivos dos franco-maçons, roubados pelo alemães, parecem ser o motivo do derramamento de sangue. E quem pode estar por trás desta trama é a sociedade Thule, adversária ancestral da maçonaria.
Um enredo sombrio sobre os mistérios deste grupo lendário, que esconde um segredo imemorial nas páginas amareladas de seus arquivos.
Obra de ficção escrita por Eric Giacometti, jornalista - não maçom - e Jacques Ravenne, maçom no Rito Francês, O ritual da sombra nos leva aos bastidores de uma sociedade considerada secreta e traz um espantoso esclarecimento sobre o III Reich.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Suma De Letras
Cód. Barras 9788560280070
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788560280070
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 400
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorGiacometti,Eric; Ravenne,Jacques

Leia um trecho

Berlim Bunker da Chancelaria do III Reich 25 de abril de 1945 A lâmina da navalha derrapou pela segunda vez sobre a pele áspera, e um filete de sangue escorreu pela face. Irritado, o homem de calça preta pegou a ponta umedecida de uma toalha e secou cuidadosamente o corte, tentando interromper o sangramento. Cortara-se não por descuido, mas porque o chão estava tremendo: os bombardeios tinham continuado mais intensamente ao amanhecer. O concreto do bunker, feito para durar mil anos, já começava a vacilar nas fundações. Olhou-se no espelho lascado, pendurado acima da pia, e mal se reconheceu, de tanto que os seis últimos meses de combate o marcaram. Festejaria o 25º aniversário dali a uma semana, contudo, o reflexo lhe devolvia o rosto duro de um homem dez anos mais velho; duas cicatrizes riscavam-lhe o alto da fronte, lembrança de um confronto com o Exército Vermelho na Pomerânia. O sangue parou de brotar. Satisfeito, o SS vestiu a camisa, o casaco preto, e esboçou um pequeno sorriso diante do retrato do Führer que, de acordo com o regulamento, destacava-se em todos os quartos do bunker, onde ele tivera a honra de passar a noite anterior. Enfiou o boné preto na cabeça, abotoou a gola enfeitada do lado direito com duas runas de prata em forma de S e se empinou, estufando o peito. Gostava daquele uniforme, aparato de poder e símbolo de preeminência sobre o resto da humanidade. Ainda se lembrava de suas licenças, quando passeava pelas ruas de braços com suas conquistas passageiras. Por onde andasse no império nazista, de Colônia a Paris, identificava, achando engraçado, o medo e o respeito nos olhos dos transeuntes. A submissão destilava-lhes dos olhos assim que ele aparecia. Até as crianças pequenas, que, contudo, não tinham idade para compreender o que seu uniforme representava, manifestavam um evidente mal-estar, afastando-se dele quando estava querendo ser cordial. Como se o negror da farda provocasse nelas um medo ancestral, primitivo, inscrito nos genes adormecidos, e brutalmente reativados. E ele gostava intensamente disso. Sem o nacional-socialismo e seu chefe bem-amado, ele teria sido apenas um anônimo como os outros, destinado a uma vida medíocre, às ordens de outros medíocres, numa sociedade sem ambição. Mas o destino tinha decidido de outro modo, e ele se viu impulsionado para o círculo de ferro da raça dos senhores da SS. Acontece que a sorte da Alemanha tinha mudado; os Aliados e as forças judaico-maçônicas triunfavam novamente. Ele sabia que dali a poucos dias não poderia mais usar orgulhosamente o uniforme. Berlim iria cair; era uma certeza desde junho último, quando os Aliados invadiram a Normandia. E, no entanto, apesar da derrota anunciada, ele tinha vivido o último ano numa alegria feroz, intensa; “um sonho heróico e brutal”, para parafrasear Heredia, um poeta francês caído no esquecimento, mas que ele amava. Um sonho para alguns, um pesadelo para outros. Agora, os bolchevistas rastejavam nos subúrbios da cidade em ruínas e não tardariam a submergir tudo, como uma horda de ratos. Eles não teriam clemência. Lógico, ele mesmo sempre teve como ponto de honra não fazer prisioneiros enquanto esteve na Frente Leste. “A piedade, o único orgulho dos fracos”, tinha o hábito de afirmar o Reichsführer SS Meinrich Himmler a seus subordinados. Esse mesmo homem tinha entregado a François a Cruz de Ferro por sua ação no front. Um novo tremor sacudiu as paredes de concreto, poeira cinza caiu do teto. Dessa vez a explosão deve ter acontecido ali perto, talvez mesmo por cima do bunker, sobre o que restava do jardim da Chancelaria. Ele não sentia medo. Estava pronto para morrer, defendendo até o fim Adolf Hitler, o chefe da grande Europa que desmoronava num dilúvio de aço e de sangue. Tudo o que o nacional-socialismo tinha construído desapareceria, varrido pelo ódio de seus inimigos. O Obersturmbannführer François Le Guermand lançou um último olhar no espelho lascado. Que caminho percorrera para chegar até ali! Ele, um nativo de Compiègne, iria derramar o sangue pela Alemanha, pelo país que cinco anos antes tinha invadido o seu. Como outros jovens de sua geração, imediatamente após a derrota, compreendera que a França caíra por causa dos judeus e dos franco-maçons. Aqueles corromperam sua terra, segundo os locutores da Rádio Paris. A Alemanha, vencedora generosa, oferecia ajuda para a reconstrução de uma nova Europa. Fervoroso partidário da colaboração, germanófilo de primeira hora, acabou considerando o marechal Pétain muito flexível e se engajou com entusiasmo, em 1942, na Legião dos Voluntários Franceses contra o bolchevismo. Contra a vontade da família que, embora a favor de Pétain, o tinha renegado, acusando-o até mesmo de traição. Imbecis. Recrutado para o uniforme da Wehrmacht, como milhares de franceses na época, recebera a divisa de capitão dois anos depois de campanha na frente Leste. Mas isso não tinha sido suficiente. Para ele, o ideal absoluto ainda era a SS. Em licença na Alemanha, olhava com inveja para os senhores do Reich, jurando integrar-se a eles, quando ficou sabendo que as unidades Waffen SS estavam incorporando voluntários estrangeiros. Em 1944, juntou-se à brigada SS Frankreich, depois à divisão Charlemagne, e prestou juramento de fidelidade a Adolf Hitler. Sem o menor arrependimento, tanto mais que tinha recebido a bênção de monsenhor Mayol de Lupé, capelão francês da SS. As palavras do prelado com cara de mercenário ficaram gravadas em sua memória: Você vai participar do combate contra o bolchevismo, contra o mal em estado puro. Logo se tornou um dos mais fanáticos oficiais da divisão, não hesitando em executar friamente uns vinte prisioneiros russos que tinham, por sua vez, abatido cinco de seus homens. Sua coragem e dureza chamaram a atenção do general da divisão Charlemagne, que era também encarregado de procurar elementos confiáveis nas fileiras de voluntários estrangeiros. Durante as raras refeições partilhadas com o general e outros oficiais, o jovem francês descobriu uma faceta oculta da ordem negra. Aqueles SS tinham rejeitado totalmente o cristianismo — uma religião para os fracos — e professavam um paganismo surpreendente, mistura de crenças oriundas das velhas religiões nórdicas e de doutrinas racistas. O oficial de ligação do general, um major proveniente de Munique, explicou-lhe um dia que, diferentemente dos SS estrangeiros, os de sangue germânico mais puro recebiam uma intensa formação histórica e “espiritual”. Fascinado, François Le Guermand ouvia ensinamentos estranhos e cruéis sobre o ardiloso deus Odin, o lendário Siegfried e, sobretudo, amítica Thulé, berço ancestral dos super-homens, verdadeiros senhores da raça humana. Ao longo de milênios, um velho combate opunha a raça humana ariana às populações degeneradas e bárbaras. Em outros tempos, teria rido dessas elucubrações secretadas por espíritos doutrinados, mas, à luz de velas, mergulhado no turbilhão do combate titânico contra as hordas de Stalin, aquelas narrativas mágicas instilavam nele um veneno místico poderoso. Como uma droga ardente que corria em seu sangue e impregnava progressivamente seu cérebro por muito tempo privado de razão naquela época em decomposição. Durante as discussões ele compreendeu o verdadeiro sentido de seu engajamento na SS e o objetivo último da batalha final entre a Alemanha e o resto do mundo. Encontrou o que comumente se chama de sentido para a vida. Investido pelo círculo do general, ele recebeu o verdadeiro batismo SS no solstício de inverno de 1944. Numa clareira iluminada por tochas, diante de um altar improvisado coberto com um pano preto, bordado com duas runas cor da lua, ele foi iniciado nos ritos da ordem negra sob os olhares sombrios dos soldados presentes que salmodiavam em voz baixa uma invocação germânica ancestral. Halgadom, Halgadom, Halgadom... Mais tarde, o major traduziu-lhe essa palavra de origem escandinava que queria dizer “catedral sagrada”, explicando que essa catedral, que não tinha nada a ver com a dos cristãos, deveria ser considerada um fim mítico. Rindo, acrescentou que era uma espécie de Jerusalém celeste dos arianos. Ao fim de uma hora, a noite engoliu os uniformes tenebrosos usados para a cerimônia, e François saiu como que transformado. Sua vida jamais seria a mesma; de que lhe importava morrer, já que a existência era apenas uma passagem rumo a outro mundo chamejante? Naquela noite, François Le Guermand uniu definitivamente sua sorte à daquela comunidade maldita e vilipendiada pela humanidade. O major alemão fez com que ele compreendesse que outros ensinamentos lhe seriam transmitidos e que ele alcançaria a aurora de uma nova vida, mesmo que a Alemanha perdesse a guerra. O avanço do Exército Vermelho se tornava a cada dia mais ameaçador, e a divisão se desagregava ao longo dos combates, diante dos ataques brutais do inimigo bolchevista. Numa fria e úmida manhã de fevereiro de 1945, no momento em que ele deveria assumir a chefia de um contra-ataque para recuperar uma aldeia miserável perto de Marienburg, na Prússia Oriental, François Le Guermand recebeu ordem de se apresentar imediatamente em Berlim, no QG do Führer. Sem explicações. Despediu-se dos sobreviventes de sua divisão já duramente testada em combates contínuos, mas só mais tarde ficou sabendo que seus companheiros, esgotados e mal-equipados, tinham sido dizimados, no dia mesmo de sua partida, pelos carros T34 do 2º Exército de choque russo que continuavam a empurrar as defesas alemãs para as margens do Báltico. Naquele dia de fevereiro, o Führer lhe salvara a vida. Durante a viagem de carro para Berlim, ele tinha cruzado com intermináveis colunas de refugiados alemães que fugiam dos russos. A propaganda na rádio do Dr. Goebbels clamava que os bárbaros soviéticos pilhavam as casas e violavam todas as mulheres que caíam em suas mãos.

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