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O Segredo do Anel - O Legado de Maria Madalena (Cód: 1466313)

Mcgowan,Kathleen

Rocco

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Descrição

A protagonista do romance é a jornalista e escritora Maureen Paschal. Com a intenção de escrever um livro que faça justiça a personalidades femininas difamadas por razões políticas ao longo dos séculos, ela corre o mundo em busca de documentos raros que contradigam a História oficial. Sua pesquisa começa em Jerusalém, onde a jornalista pretende localizar documentos que a ajudem a escrever o capítulo que dedicará a Maria Madalena. Perambulando pelas ruas da Cidade Santa, a pesquisadora se sente estranhamente atraída por um anel, exposto num antiquário.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Rocco
Cód. Barras 9788532520968
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8532520960
Profundidade 2.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2006
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 432
Peso 0.62 Kg
Largura 16.00 cm
AutorMcgowan,Kathleen

Leia um trecho

Jerusalém - Setembro de 1997 A antiga e movimentada Cidade Velha de Jerusalém fervilhava com a frenética atividade de uma tarde de sexta-feira. A história impregnava o ar seco, enquanto os fiéis se apressavam a caminho de suas casas de culto, em preparativos para os respectivos sabás. Os cristãos vagueavam pela Via Dolorosa, a Via Sacra, uma série de ruas sinuosas, calçadas com pedras, que fora o caminho para a crucificação. Fora por ali que um Jesus Cristo açoitado e sangrando, suportando no ombro uma pesada cruz, seguira para seu destino divino, no alto do Gólgota. Naquela tarde de outono, a escritora americana Maureen Paschal não parecia diferente dos outros peregrinos, que acorriam dos cantos mais distantes e variados do mundo. A brisa inebriante de setembro misturava o aroma de shwarma, o prato de galinha desossada crepitante, com os cheiros de óleos exóticos que exalavam dos mercados antigos. Maureen circulava pelo impacto sensorial que era Israel, com um guia de viagem de uma organização cristã, comprado pela Internet. O guia detalhava a Via Sacra, com mapas e instruções para encontrar as catorze estações do caminho de Cristo. – Quer um rosário, moça? É madeira do Monte das Oliveiras. – Moça, precisa de um guia? Nunca vai se perder. E mostrarei tudo que quiser. Como a maioria das ocidentais, ela era obrigada a se esquivar dos avanços indesejáveis dos mercadores das ruas de Jerusalém. Alguns eram insistentes em seus esforços para oferecer mercadorias e serviços. Outros apenas sentiam-se atraídos pela mulher pequena, de cabelos ruivos compridos e pele clara, contraste singular naquela parte do mundo. Maureen repelia seus perseguidores com um “Não, obrigada” polido, mas firme. Depois, ela desviava o olhar e se afastava. Seu primo Peter, especializado em estudos do Oriente Médio, preparara-a para a cultura da Cidade Velha. Maureen era meticulosa em seu trabalho e estudara a cultura de Jerusalém com todo o cuidado. Até agora, estava dando resultado. Maureen era capaz de desviar sua concentração o mínimo, enquanto se detinha na pesquisa, observando e anotando detalhes no caderninho de capa de couro. Ficara comovida até as lágrimas pela intensidade e beleza da Capela da Flagelação franciscana, erguida há oitocentos anos no lugar em que Jesus sofrera as vergastadas. Uma reação emocional profunda e inesperada, já que Maureen não fora a Jerusalém como peregrina, mas como observadora investigativa, uma escritora em busca do cenário histórico acurado para sua trama. Ao procurar uma compreensão maior dos acontecimentos da Sexta-feira da Paixão, Maureen abordara a pesquisa com a cabeça, não com o coração. Visitou o Convento das Irmãs de Sion, antes de passar para a vizinha Capela da Condenação, o lendário local em que Jesus recebera a cruz, depois da sentença de crucificação proferida por Pôncio Pilatos. Mais uma vez, o inesperado aperto na garganta foi acompanhado por um sufocante sentimento de angústia, enquanto percorria o prédio. Esculturas em baixo-relevo, em tamanho natural, ilustravam os eventos de uma manhã terrível, dois mil anos antes. Maureen ficou imóvel, paralisada, por uma cena vívida de humanidade atormentada: um discípulo que tentava proteger Maria, a Mãe de Jesus, poupando-a da visão do filho carregando a cruz. Lágrimas arderam no fundo dos seus olhos enquanto contemplava a imagem. Era a primeira vez na vida em que pensava naqueles personagens históricos como pessoas reais, seres humanos de carne e osso, sofrendo por uma fatalidade quase inconcebivelmente dolorosa. Como se sentisse um pouco tonta, Maureen estendeu a mão para as pedras frias da parede antiga, a fim de se firmar. Fez uma pausa para se concentrar, antes de retomar as anotações sobre as pinturas e esculturas. Continuou em seu caminho, mas as ruas da Cidade Velha eram um autêntico labirinto. Podiam ser enganadoras, até mesmo para quem tinha um mapa meticuloso. Os pontos de referência eram quase sempre antigos, desgastados pelo tempo, e podiam passar despercebidos, com a maior facilidade, por pessoas que não conheciam seu paradeiro. Maureen esboçou uma imprecação silenciosa ao compreender que se perdera de novo. Parou ao abrigo do vão de porta de uma loja, evitando o sol direto. A intensidade do calor, apesar da brisa que soprava, não combinava com a época do ano, o final do verão. Ela protegeu o guia da claridade forte, consultou-o e olhou ao redor, tentando se orientar. – A Oitava Estação da Cruz deve ser em algum lugar aqui por perto – murmurou. Maureen tinha um interesse específico pelo local, na medida em que seu trabalho concentrava-se na história relacionada com as mulheres. Numa nova consulta ao guia, ela leu a passagem dos evangelhos relacionada com a Oitava Estação: Muitas pessoas o seguiam, inclusive mulheres que lamentavam e choravam por ele. Jesus disse: Não chorem por mim, filhas de Jerusalém. Chorem por si mesmas e por suas crianças. Maureen foi surpreendida por uma batida firme na vitrine, por trás dela. Virou-se, esperando deparar com o olhar de um proprietário furioso por estar bloqueando a entrada da loja. O rosto que a fitava do outro lado, entretanto, exibia uma expressão radiante. Um palestino de meia-idade, vestido de maneira impecável, abriu a porta da loja de antiguidades, fazendo sinal para Maureen entrar. Quando ele falou, foi num inglês correto, temperado pelo sotaque: – Entre, por favor. Seja bem-vinda. Sou Mahmoud. Está perdida? Maureen acenou com o guia, embaraçada. – Estou procurando a Oitava Estação. O mapa mostra... Mahmoud descartou o livro, com uma risada. – A Oitava Estação. Jesus se encontra com as mulheres santas de Jerusalém. Fica aqui perto, logo depois da esquina. – Ele apontou. – O local é assinalado por uma cruz bem em cima do muro de pedra, mas você tem de olhar com muito cuidado. Mahmoud fitou Maureen atentamente por um momento, antes de acrescentar: – É como tudo em Jerusalém. Você tem de olhar com muita atenção para ver o que é. Maureen observou seus gestos, até ter certeza de que compreendia a orientação. Sorriu, agradeceu e virou-se para sair. Mas parou de repente, quando alguma coisa numa prateleira próxima atraiu sua atenção. A loja de Mahmoud era um dos estabelecimentos mais sofisticados de Jerusalém. Vendia antiguidades autenticadas, como lampiões do tempo de Cristo ou moedas com a efígie de Pôncio Pilatos. Um delicado tremeluzir de cores passando pela vitrine deixou-a fascinada. – São jóias feitas com fragmentos de vidros romanos – explicou Mahmoud, enquanto Maureen se aproximava de um mostruário com jóias de prata e ouro com mosaicos coloridos. – São deslumbrantes – murmurou Maureen. Ela pegou um pendant de prata. Prismas de cor projetaram-se pela sala, enquanto ela suspendia a jóia para a luz, iluminando sua imaginação de escritora. – Qual seria a história que este pedaço de vidro poderia contar? – Quem sabe o que foi outrora? – Mahmoud deu de ombros. – Um vidro de perfume? Um pote de especiarias? Um vaso para rosas ou lírios? – É espantoso pensar que há dois mil anos era um objeto do cotidiano na casa de alguém. Uma perspectiva fascinante. Maureen resolveu examinar mais atentamente a loja e as coisas que oferecia. Ficou impressionada com a qualidade dos itens e a beleza. – Isto tem mesmo dois mil anos? – Claro. E algumas das outras peças à venda são ainda mais antigas. Maureen balançou a cabeça. – Antiguidades como estas não deveriam pertencer a um museu? Mahmoud riu, um som exuberante e efusivo. – Minha cara, a cidade de Jerusalém inteira é um museu. Não se pode abrir um buraco em seu jardim sem encontrar alguma coisa muito antiga. A maior parte dos objetos valiosos vai para coleções importantes. Mas nem tudo. Maureen foi até um balcão de vidro, onde havia jóias antigas de cobre marchetado e oxidado. Sua atenção foi atraída por um anel com um disco do tamanho de uma moeda pequena. Mahmoud acompanhou seu olhar, tirou o anel do mostruário e o estendeu para ela. Um raio de sol, passando pela vitrine, incidiu sobre a peça e, iluminando sua base redonda, realçou um padrão de nove pontos em torno de um círculo central. – Uma escolha muito interessante – comentou Mahmoud. Sua atitude jovial mudara. Estava agora intenso e sério, observando Maureen atentamente, enquanto ela o interrogava a respeito do anel. – Quão antigo é este anel? – É difícil dizer. Meus peritos dizem que era bizantino, provavelmente do século VI ou VII, talvez mais antigo. Maureen examinou o padrão dos círculos. – Este padrão parece... familiar. Tenho a impressão de que já o vi antes. Sabe se simboliza alguma coisa? A intensidade de Mahmoud relaxou. – Não posso dizer com certeza o que um artesão pretendia criar há mil e quinhentos anos. Mas me garantiram que era o anel de um cosmólogo. – Um cosmólogo? – Alguém que compreende a relação entre a Terra e o cosmo. Como acima é abaixo. E devo dizer que me lembrou, na primeira vez em que o vi, dos planetas girando em torno do sol. Maureen contou os pontos em voz alta. – ... sete, oito, nove. Mas não podiam saber que havia nove planetas naquele tempo ou que o sol era o centro do sistema solar. Isto não é possível, não é mesmo? – Não podemos presumir que sabemos o que os antigos percebiam. – Mahmoud deu de ombros. – Experimente o anel. Maureen, notando subitamente a conversa de um vendedor, devolveu o anel. – Não, obrigada. É muito bonito, mas eu estava apenas curiosa. E prometi a mim mesma que não gastaria dinheiro hoje. – Não tem problema. – Mahmoud recusou-se a pegar o anel de volta, numa atitude firme. – Porque o anel não está à venda. – Não? – Não. Muitas pessoas já quiseram comprar esse anel. Eu me recuso a vendê-lo. Sinta-se à vontade para experimentar. Apenas por diversão. Talvez porque a jovialidade tivesse voltado ao tom de Mahmoud e ela se sentisse menos pressionada ou talvez fosse a atração pelo padrão antigo e inexplicado. Alguma coisa, no entanto, fez com que Maureen enfiasse o disco de cobre no dedo anular direito. Coube perfeitamente. Mahmoud balançou a cabeça, sério de novo, quase sussurrando para si mesmo: – Como se tivesse sido feito para você. Maureen ergueu o anel para a luz, olhando para a mão. – Não consigo desviar os olhos. – Isso acontece porque você deve ficar com o anel. Maureen fitou-o, desconfiada, sentindo a iminência de uma oferta de venda. Mahmoud tinha mais classe que os vendedores das ruas, mas, de qualquer forma, era um mercador. – Pensei que houvesse dito que não está à venda. Ela fez menção de tirar o anel, ao que Mahmoud protestou com veemência, erguendo as mãos. – Não. Por favor. – Está bem. É neste ponto que começamos a negociar, não é mesmo? Quanto? Mahmoud pareceu ofendido por um momento, antes de responder: – Não está entendendo. Esse anel me foi confiado até que encontrasse a mão certa. A mão para a qual foi feito. Descubro agora que é a sua mão. Não posso vendê-lo a você porque já é seu. Maureen olhou para o anel, depois para Mahmoud, perplexa: – Eu é que não entendo. Mahmoud ofereceu um sorriso solene. Encaminhou-se para a porta da frente da loja. – Não pode entender. Mas um dia vai compreender. Por enquanto, – Pode e ficará. Deve ficar. Se não o fizer, eu terei fracassado. E não vai querer esse peso na consciência, é claro.apenas fique com o anel. É um presente. – Eu não poderia... – Pode e ficará. Deve ficar. Se não o fizer, eu terei fracassado. E não vai querer esse peso na consciência, é claro. Maureen sacudiu a cabeça, cada vez mais aturdida, enquanto o seguia até a porta. Parou ali. – Não sei o que dizer ou como agradecer. – Não precisa. Mas tem de ir agora. Os mistérios de Jerusalém estão à sua espera. Mahmoud segurou a porta aberta. Maureen saiu e agradeceu de novo. – Adeus, Madona... – sussurrou Mahmoud, enquanto ela se afastava. Maureen parou no mesmo instante. Virou-se: – Desculpe, mas o que foi mesmo que disse? Mahmoud tornou a exibir um sorriso enigmático. – Eu disse adeus, minha cara. Ele acenou em despedida. Maureen retribuiu o gesto e tornou a se afastar, ao sol forte do Oriente Médio. Maureen voltou à Via Dolorosa, onde encontrou a Oitava Estação, exatamente como Mahmoud indicara. Mas estava inquieta e incapaz de se concentrar, sentia-se estranha depois do encontro com Mahmoud. Ao continuar em seu caminho, a sensação de vertigem que já experimentara antes voltou, desta vez mais forte, a ponto de desorientá-la. Era seu primeiro dia em Jerusalém e com certeza sofria do cansaço da viagem e da alteração dos fusos horários. O vôo em que chegara de Los Angeles na noite anterior fora longo e cansativo e ela quase não dormira. Fosse uma combinação de calor, exaustão e fome ou alguma coisa mais inexplicável, o que aconteceu em seguida estava completamente fora do território da experiência de Maureen. Ao encontrar um banco de pedra, ela se sentou para descansar um pouco. Balançou com outra onda de vertigem inesperada, enquanto um clarão ofuscante emanava do sol implacável, transportando os seus pensamentos. Foi lançada abruptamente no meio de uma multidão. O caos reinava ao seu redor. Havia muitos gritos e empurrões, uma intensa comoção por todos os lados. Maureen conservava o suficiente da mentalidade moderna para perceber que as pessoas enxameando ao seu redor vestiam roupas feitas em tear manual. Muitas estavam descalças, enquanto outras usavam uma versão tosca de sandália, como ela notou quando alguém pisou em seu pé. Quase todos eram homens, barbudos e sujos. O sol onipresente do início da tarde castigava-os, misturando suor com poeira nos rostos furiosos e aflitos ao seu redor. Ela estava na beira de uma rua estreita. A multidão à frente começava a se empurrar, com um vigor crescente. Uma brecha natural surgiu, com um pequeno grupo avançando lentamente pelo caminho. A multidão parecia seguir esse grupo. Quando a massa em movimento chegou mais perto, Maureen viu a mulher pela primeira vez. Uma ilha solitária e serena no meio do caos, era uma das poucas mulheres na multidão... mas não era isso que a tornava tão diferente. Era o seu comportamento, uma atitude imponente, que a distinguia como uma rainha, apesar da camada de poeira que cobria-lhe as mãos e os pés. Estava um pouco desgrenhada, os cabelos castanho-avermelhados lustrosos presos parcialmente por baixo de um véu escarlate, que cobria a metade do rosto. Maureen compreendeu, num impulso instintivo, que precisava alcançar essa mulher, precisava se ligar a ela, tocá-la, falar com ela. Mas a multidão agitada a impedia, e ela se deslocava nos movimentos em câmera lenta de um sonho. Enquanto continuava a avançar com dificuldade na direção da mulher, Maureen ficou impressionada com a beleza angustiada de seu rosto. Tinha feições delicadas e refinadas. Mas foram os olhos que continuaram a assediar Maureen muito depois que a visão acabou. Eram olhos enormes e brilhantes, com lágrimas não derramadas, em algum ponto no espectro de cores entre o âmbar e o verde, com uma luminosidade castanho-clara extraordinária que refletia uma infinita sabedoria e uma tristeza insuportável, numa mistura comovente. Os olhos da mulher, profundos e envolventes, encontraram-se com os de Maureen por um momento breve e interminável... e aqueles olhos surpreendentes transmitiram uma súplica de total e absoluto desespero. Você tem de me ajudar. Maureen sabia que a súplica lhe era dirigida. Ficou em transe, paralisada, enquanto a mulher a fitava. O momento foi rompido quando a mulher baixou os olhos para uma menina que a puxava pela mão, com urgência. A criança também fitou-a, com aqueles enormes olhos claros que herdara da mãe. Por trás dela havia um menino, mais velho e com olhos mais escuros que a menina, mas obviamente filho daquela mulher. Maureen compreendeu, naquele momento inexplicável, que era a única pessoa que podia ajudar a estranha majestosa e sofredora e seus filhos. Um fluxo de intensa confusão, acompanhado por alguma coisa muito parecida com pesar, sucedeu-se a essa compreensão. Depois, a multidão tornou a arremeter, engolfando Maureen num mar de suor e desespero. Maureen piscou várias vezes. Fechou os olhos com força, por alguns segundos. Sacudiu a cabeça vigorosamente, para clarear a visão, sem saber a princípio onde se encontrava. Um olhar para o jeans, a mochila de microfibra e o tênis Nike proporcionou-lhe a garantia de que se encontrava à beira do século XXI. Ao seu redor, a agitação da Cidade Velha também era intensa, mas as pessoas vestiam roupas contemporâneas e os sons agora eram diferentes. A rádio Jordão transmitia uma canção americana – seria “Losing My Religion”, do REM? – de uma loja no outro lado da rua. Um adolescente palestino tamborilava o ritmo no balcão. Sorriu para ela, sem perder a marcação. Maureen levantou-se e tentou se livrar da visão... se é que fora mesmo isso. Não tinha certeza do que fora nem podia se permitir pensar a respeito. Sua estada em Jerusalém era curta e tinha dois mil anos de cenários para visitar. Acionou a disciplina de jornalista e a experiência da vida inteira de controle de suas emoções. Tratou de arquivar a visão em assuntos a serem pesquisados, para análise posterior, e recomeçou a andar. Descobriu-se no meio de um enxame de turistas britânicos que contornaram a esquina, levados por um guia que usava o colarinho de sacerdote anglicano. Ele anunciou para seu grupo de peregrinos que se aproximavam do local mais sagrado da cristandade, a Basílica do Santo Sepulcro. Maureen sabia, por sua pesquisa, que as Estações da Cruz que restavam ficavam dentro daquele prédio reverenciado. A basílica ocupava vários quarteirões, inclusive o local da crucificação. A construção no século IV. Helena, a mãe do imperador romano Constantino, fora mais tarde canonizada por seus esforços. Maureen aproximou-se da vasta entrada devagar, com alguma hesitação. Ao parar no limiar, compreendeu que não entrava numa igreja de verdade havia muitos anos. Não gostou da perspectiva. Lembrou a si mesma, com a devida firmeza, que a pesquisa que a trouxera a Israel era acadêmica, não espiritual. Enquanto se mantivesse concentrada nesse aspecto da questão, não teria qualquer problema. Poderia passar por aquelas portas. Apesar de sua relutância, ela teve de admitir que havia alguma coisa naquele colossal santuário que inspirava reverência, um ambiente magnético. Enquanto passava pela entrada enorme, ela ouviu as palavras do sacerdote britânico: – Dentro destas paredes, vocês verão onde Nosso Senhor fez o supremo sacrifício. Onde ele foi despojado de sua túnica e pregado na cruz. Entrarão na tumba sagrada em que seu corpo foi sepultado. Meus irmãos e irmãs em Cristo, depois de entrarem aqui, suas vidas nunca mais serão as mesmas. O cheiro intenso e inconfundível do incenso chamado olíbano envolveu Maureen quando ela entrou. Peregrinos de todas as áreas da cristandade espalhavam-se pelos vastos espaços da basílica. Ela passou por um grupo de sacerdotes coptas empenhados numa discussão reverente, as vozes abafadas. Observou um clérigo ortodoxo grego acender uma vela numa das pequenas capelas. Um coro masculino cantava em dialeto oriental, um som exótico para ouvidos ocidentais, o hino se elevando de algum lugar secreto dentro da basílica. Maureen concentrava-se em absorver as imagens e sons daquele lugar sagrado, atordoada com a sobrecarga sensorial. Não notou a aproximação do homem pequeno, magro e forte, até que ele bateu em seu ombro, provocando um sobressalto. – Desculpe, moça. Desculpe, Srta. Mo-ree. Ele falava inglês. Ao contrário do enigmático Mahmoud, no entanto, seu sotaque era carregado. Sua habilidade com o idioma de Maureen era rudimentar, na melhor das hipóteses; por isso ela não entendeu a princípio que o homem a chamava pelo primeiro nome. Ele repetiu. – Mo-ree. Seu nome. É Mo-ree, não é? Maureen estava perplexa, tentando determinar se o estranho homenzinho a chamava mesmo pelo seu nome e, se chamava, como o conhecia. Estava em Jerusalém havia menos de vinte e quatro horas e ninguém na cidade sabia seu nome, exceto o recepcionista do King David Hotel. Mas aquele homem era impaciente e perguntou de novo: – Mo-ree. Você é Mo-ree. Escritora. Você escreve, não é? Mo-ree? Maureen acenou com a cabeça em confirmação, lentamente. – Isso mesmo. Meu nome é Maureen. Mas como... como você sabia? O homem ignorou a pergunta. Pegou-a pela mão e puxou-a através da igreja. – Não há tempo, não há tempo. Venha. Esperamos muito tempo por você. Venha, venha. Para um homem tão pequeno – era mais baixo até do que Maureen –, ele se movia com bastante rapidez. As pernas curtas impulsionaram-no pelo interior da basílica, passando pelo lugar em que os peregrinos esperavam para serem admitidos na tumba deCristo. Ele continuou a andar, até alcançar um pequeno altar no fundo da basílica, onde parou abruptamente. A área era dominada por uma escultura de bronze em tamanho natural de uma mulher com os braços estendidos para um homem, numa pose suplicante. – Capela de Maria Madalena... Madalena... Veio por causa dela, não é? Não é? Maureen tornou a acenar com a cabeça, cautelosa, olhando para a escultura. Uma placa informava: NESTE LUGAR, MARIA MADALENA FOI A PRIMEIRA A VER A ASCENSÃO DO SENHOR. Ela leu em voz alta a citação de outra placa, abaixo do bronze: Maureen teve pouco tempo para refletir sobre a pergunta, pois o estranho homenzinho puxava-a de novo, seguindo apressado, em seus passos improváveis, para outro canto escuro da basílica.– “Mulher, por que chora? A quem procura?” – Venha, venha. Contornaram uma esquina e pararam na frente de um quadro, um retrato grande e antigo de uma mulher. O tempo, o incenso e séculos de resíduos de velas oleosas haviam impresso seu tributo sobre a obra de arte. Para ver melhor, Maureen teve de chegar mais perto do quadro escuro, os olhos contraídos. O homenzinho explicou, numa voz subitamente muito séria: – Quadro muito antigo. Grego. Pode me entender? GREGO. Mais importante, da Senhora. Ela precisa que você conte sua história. É por isso que veio até aqui, Mo-ree. Esperamos há muito tempo por você. ELA esperou. Por você. Sim? Maureen olhou atentamente para o quadro, um retrato antigo de uma mulher usando um manto vermelho. Virou-se para o homenzinho, com a maior curiosidade sobre o lugar para onde ele queria levála. Mas ele não estava mais ali... desaparecera tão depressa quanto havia surgido. – Espere! O grito de Maureen ressoou pela câmara de eco da vasta basílica. Mas ela não obteve resposta. Tornou a concentrar sua atenção no quadro. Ao se inclinar em sua direção, verificou que a mulher usava um anel na mão direita, um disco de cobre redondo, com um padrão de nove círculos em torno de uma esfera central. Maureen levantou sua mão direita, a fim de comparar o anel que acabara de ganhar com o que aparecia no quadro. Os anéis eram idênticos.

Avaliações

Avaliação geral: 5

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Luci Regina Annibal recomendou este produto.
05/07/2016

Um dos mais lindos livros que já li. De leitura fácil, emociona e te transporta.

A historia e tão bem escrita que
parece real
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