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Descrição

Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo...
Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

Características

Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580574791
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580574791
Profundidade 1.80 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Rachel Agavino
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 368
Peso 0.49 Kg
Largura 16.00 cm
AutorMoriarty, Liane

Avaliações

Avaliação geral: 4.3

Você está revisando: O Segredo do Meu Marido

Stephanie recomendou este produto.
17/03/2015

Fantástico

Começo morno, mas depois começa a prender de uma forma incrível. Surpreendente.
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roberta recomendou este produto.
18/03/2015

adorei o livro

achei ótima leitura. do tipo q flui. são 3 histórias distintas, mas não tem como se perder. e depois elas se juntam. achei emocionante. final surpreendente.
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Luana Souza recomendou este produto.
20/04/2016

Muito bom

Comprei esse livro simplesmente lendo as avaliações do site, valeu muito apena. É aquele tipo de livro que quando você se dá conta esta com saudade dos personagens.
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Jane recomendou este produto.
02/02/2016

Ótimo

Adorei as histórias, leitura que prende até o fim e ainda nos faz refletir sobre nossas escolhas.
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Viviane recomendou este produto.
26/02/2016

Muito Bom!

No início vc conhece um pouco de cada personagem separadamente, até ter ligações entre elas, gostei muito do final, emocionante.
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Solange recomendou este produto.
09/03/2016

Gostei muito!!

Ultimamente o melhor livro que li....
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Leia um trecho

Um


Segunda-feira


Foi tudo por causa do Muro de Berlim.

Se não fosse o Muro de Berlim, Cecilia nunca teria encontrado a carta, e então não estaria sentada ali, à mesa da cozinha, tentando convencer a si mesma a não abri-la com um rasgo.

O envelope estava cinza por causa de uma fina camada de poeira. As palavras na frente haviam sido escritas com uma caneta esferográfica de um azul berrante, a caligrafia tão familiar quanto a dela própria. Ela virou o envelope. Estava lacrado com um pedaço de fita adesiva amarelada. Quando a carta tinha sido escrita? Parecia velha, como se tivesse sido anos antes, mas não havia como saber ao certo.

Ela não iria abri-la. Estava bastante claro que não deveria fazer isso. Ela era a pessoa mais determinada que conhecia, e já decidira que não abriria a carta, então não havia mais por que pensar no assunto.

Embora, honestamente, se ela a abrisse, que problema haveria nisso? Qualquer mulher abriria a carta na mesma hora. Listou todas as suas amiga se o que diriam se ligasse para elas naquele exato momento e perguntasse o que achavam.

Miriam Oppenheimer: Sim. Abra.

Erica Edgecliff: Você está brincando? Abra agora mesmo.

Laura Marks: Sim, você deveria abri-la e depois lê-la para mim.

Sarah Sacks...

Não tinha sentido perguntar a Sarah, pois ela era incapaz de tomar uma decisão. Se Cecilia perguntasse a Sarah se queria chá ou café, ela ficaria sentada por um minuto inteiro, a testa franzida enquanto penava pesando os prós e contras de cada bebida, antes de, por fim, dizer: “Café! Não, espere chá!” Uma decisão como aquela a faria ter um colapso.

Mahalia Ramachandran: Claro que não. Seria um completo desrespeito ao seu marido. Você não deve abri-la.

Mahalia às vezes podia ser um pouco confiante demais, com aqueles olhos castanhos enormes e éticos.

Cecilia deixou a carta na mesa da cozinha e foi ligar a chaleira.

Malditos Muro de Berlim, Guerra Fria e quem quer que estivesse lá em mil novecentos e quarenta e sei lá quanto ruminando sobre o que fazer com aqueles alemães ingratos; o cara que de repente estalou os dedos e disse: “Ok, já sei!

Vamos construir uma droga de um muro enorme e deixar os vagabundos do lado de dentro!”

Provavelmente não deve ter soado como um sargento-mor britânico.

Esther saberia de quem foi a ideia de construir o Muro de Berlim. Era provável que ela soubesse até a data de nascimento do sujeito. Deve ter sido um homem, claro. Só um homem poderia ter uma ideia tão cruel, tão essencialmente estúpida e de uma eficiência tão brutal.

Será que isso era sexista?

Ela encheu a chaleira, ligou-a e, com um papel-toalha, secou as gotinhas d’água na pia, para que ficasse brilhando.

Uma das mães da escola, que tinha três filhos com quase exatamente a mesma idade das três filhas de Cecilia, dissera que um de seus comentários fora “um tantinho sexista”, logo antes de elas começarem a reunião do Comitê de Festas na última semana. Cecilia não se lembrava do que dissera, mas tinha sido só uma brincadeira. De todo modo, as mulheres não estavam autorizadas a serem sexistas pelos próximos dois mil anos, mais ou menos, até igualarem o placar?

Talvez ela fosse sexista.

A chaleira apitou. Cecilia mergulhou um saquinho de chá Earl Grey e observou as espirais pretas se espalharem pela água como tinta. Havia coisas piores do que ser sexista. Por exemplo, você poderia ser o tipo de pessoa que encosta as pontas dos dedos indicador e polegar quando fala “um tantinho”.

Ela olhou para o chá e suspirou. Uma taça de vinho cairia bem naquele momento, mas ela havia parado de beber álcool para a Quaresma. Faltavam apenas seis dias. Tinha uma garrafa cara de Shiraz pronta para ser aberta no domingo de Páscoa, quando trinta e cinco adultos e vinte e três crianças viriam para o almoço, então ela precisaria do vinho. Embora, é claro, tivesse experiência com essas recepções. Era Cecilia que recebia as pessoas na Páscoa, no Dia das Mães, no Dia dos Pais e no Natal. John-Paul tinha cinco irmãos mais novos, todos casados e com filhos. O que constituía uma pequena multidão. O segredo era o planejamento. Um planejamento meticuloso.
Ela pegou o chá e o levou para a mesa. Por que mesmo tinha parado de tomar vinho para a Quaresma? Polly fora mais sensata. Tinha abandonado a geleia de morango. Cecilia nunca vira Polly demonstrar mais do que um pequeno interesse por geleia de morango, embora depois da promessa, é claro, sempre a pegasse na frente da geladeira, olhando com desejo para o pote. O poder da proibição.

— Esther! — gritou ela.

Esther estava no cômodo ao lado com as irmãs, assistindo a The Biggest Loserenquanto dividiam um pacote gigante de batatas chips sabor sal e vinagre, que tinha sobrado do churrasco em comemoração ao Dia da Austrália, meses antes. Cecilia não sabia por que suas três filhas magras adoravam ver pessoas acima do peso suarem, gritarem e morrerem de fome. Aquilo não parecia ensinar a elas hábitos alimentares saudáveis. Ela deveria ir lá e confiscar o pacote de batatas, só que as três tinham comido salmão e brócolis ao vapor no jantar sem reclamar, e ela não tinha forças para encarar uma discussão.

Ela ouviu alguém vociferar na televisão: “Sem sacrifício não há resultado!”
Não era uma afirmativa tão ruim para suas filhas escutarem. Cecilia sabia disso melhor do que ninguém! Ainda assim, não gostava das expressões de nojono jovem rosto das meninas. Ela tomava sempre muito cuidado para não fazer comentários negativos sobre sua forma física na frente das filhas, embora não pudesse dizer o mesmo de suas amigas. Outro dia mesmo Miriam Oppenheimer dissera alto o bastante para suas filhas impressionáveis ouvirem: “Meu Deus! Vejam só a minha barriga!”, e apertou a carne entre os dedos como se fosse algo desprezível. Ótimo, Miriam, como se nossas filhas já não recebessem um milhão de mensagens todos os dias dizendo a elas para odiarem seus corpos.

Na verdade, a barriga de Miriam estava mesmo ficando um pouco saliente.
— Esther! — gritou ela de novo.

— O que foi? — Esther berrou de volta, com uma voz paciente de quem se sente explorado que Cecilia desconfiou ser uma imitação inconsciente da sua própria.

— Quem teve a ideia de construir o Muro de Berlim?

— Bem, eles têm quase certeza de que foi Nikita Khrushchev! — respondeu Esther imediatamente, pronunciando o nome de som exótico com grande contentamento e com sua interpretação peculiar de sotaque russo. — Ele era, tipo, o primeiro-ministro da Rússia, só que o chamavam de premier. Mas pode ter sido...

As irmãs reagiram na mesma hora, com sua educação impecável de costume.

— Cala a boca, Esther!

— Esther! Não consigo ouvir a televisão!
— Obrigada, querida!

Cecilia deu um gole no chá e se imaginou voltando no tempo e botando o tal Khrushchev no devido lugar.

Não, Sr. Khrushchev, o senhor não pode ter um muro. Isso não vai provar que o comunismo funciona. Isso não vai dar certo. Agora, veja, não concordo que o capitalismo seja essa maravilha toda! Deixe-me mostrar ao senhor a última fatura do meu cartão de crédito. Mas o senhor realmente precisa pensar melhor.

E então, cinquenta anos depois, Cecilia não teria encontrado aquela carta que a fazia se sentir tão... Qual era a palavra?

Dispersa. Era isso.
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