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Obsidiana - Livro 1 (Cód: 9153513)

Armentrout, Jennifer L.

Editora Valentina Ltda

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Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Começar de novo é um saco.
Quando a gente se mudou para o interior, bem no início do último ano do colégio, eu já vinha me preparando para o sotaque caipira, o tédio, a internet lenta e um monte de chatices... Até dar de cara com o meu vizinho gato, alto de dar tontura e com intimidantes olhos verdes. Hummm... os prognósticos estavam melhorando.
Até que... ele abriu a boca.
Daemon é irritante. Arrogante. Dá vontade de matar. A gente não se dá bem. Não mesmo. Mas, quando um caminhão quase me transforma em panqueca, o garoto literalmente congela o tempo com um aceno de mão e aí, bom, algo inesperado acontece.
O alien gato (meu vizinho) me deixa com um rastro.
Você me ouviu bem. ALIEN! A verdade é que ele e a irmã têm uma galáxia de inimigos que querem roubar seus poderes. O rastro que deixou em mim brilha como lua cheia, e isso não é nada bom. O único jeito de sair viva dessa é ficar colada em Deamon, até a magia alienígena desaparecer.
Quer dizer, isso se eu não matar o cara primeiro.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Editora Valentina Ltda
Cód. Barras 9788565859790
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788565859790
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Camila Pohlman
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 320
Peso 0.45 Kg
Largura 16.00 cm
AutorArmentrout, Jennifer L.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: Obsidiana - Livro 1

Andreza recomendou este produto.
19/07/2016

SUPER RECOMENDO

Livro maravilhoso, história que te prende do início ao fim. Esperando impacientemente pela continuação!
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solange recomendou este produto.
27/04/2016

Muito bom...

Adorei a leitura ,ansiosa pela continuação ,fiquei sabendo de fontes seguras que logo sera lançada...

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Flávia recomendou este produto.
18/04/2016

5

Já esperando a continuação... ansiosa... uma leitura que prende a atenção, não larguei até ver o final!!!
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Elis recomendou este produto.
21/03/2016

ÓTIMO!

Adorei o livro, valeu muito a pena ter comprado! Mal posso esperar pelos próximos dessa coleção!
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Jaqueline recomendou este produto.
26/02/2016

Maravilhoso

O livro é maravilhoso a história é muito envolvente, é bem diferente dos livros atuais sobre romances sobrenaturais, porque o casal principal tem uma relação de amor e ódio, com cenas que nos fazem rir e suspirar. Não vejo a hora da editora Valentina lançar os demais livros da saga. Para quem gosta deste estilo de livro, vale MUITO a pena comprar!
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Otimo recomendou este produto.
19/02/2016

Preciso urgente da continuaçao alguem save quando vai sair

Otimo recomendo
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Amanda recomendou este produto.
07/02/2016

Maravilhoso

Preciso urgente da continuação !!!!!!!
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Dudah recomendou este produto.
24/01/2016

Não vejo a hora de ler a continuação, muito boom !!

Mil estrelas
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camila recomendou este produto.
22/01/2016

recomendo

Livro muito bom, edição boa.
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Elaine recomendou este produto.
14/01/2016

Ótimo

Maravilhoso.
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Rita de Cassia recomendou este produto.
25/12/2015

maravilhoso.

Não. Vejo a hoja de ler a continuação da saha lux.
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camila recomendou este produto.
02/12/2015

Perfeito

O livro é maravilhoso. A capa é linda e bem fiel a versão original em inglês.
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Leia um trecho

Olhei para a pilha de caixas no meu quarto novo e desejei que a internet já tivesse sido instalada. Não poder acessar meu blog literário desde a mudança era como ficar sem um braço ou uma perna. De acordo com a minha mãe, “Katy’s Krazy Obsession” era tudo na minha vida. Nem tanto, embora fosse mesmo muito importante. Ela jamais entendera minha paixão pelos livros. Suspirei. Já estávamos aqui havia dois dias e ainda tinha tanta coisa para desempacotar. Odiava ver aquelas caixas paradas ali. Ainda mais do que odiava estar aqui. Pelo menos, já conseguia não pular de susto a cada estalo que ouvia nessa casa perdida no meio de West “Deus me livre” Virginia, que parecia ter saído direto de um filme de terror. Tinha até uma torre — uma torre! Pra que isso me serviria? Ketterman não possui shoppings tampouco órgãos públicos, quer dizer, não era nem mesmo uma cidade de verdade. O lugar mais próximo era Petersburg, uma cidadezinha com dois ou três sinais de trânsito, perto de outras igualmente pequenas, que não deviam ter sequer um Starbucks. A gente não recebia cartas na nossa casa. Era preciso dirigir atéPetersburg para buscar nossa correspondência. Medieval. Como um tapa na cara, de repente caiu a ficha. A Flórida era passado — devorada pelos quilômetros que viajamos nessa loucura da mamãe de vir para cá e recomeçar. Não que eu sentisse saudades de Gainesville, do clima, da escola, nem mesmo do nosso apartamento. Encostada na parede, esfreguei a mão na testa. As saudades eram do papai. E a Flórida erao papai. Foi lá que ele nasceu, conheceu minha mãe e onde tudo foi perfeito… Até desmoronar. Senti meus olhos arderem, mas me recusei a chorar. Chorar não mudava em nada o passado, e papai detestaria saber que, três anos depois, eu ainda estava chorando. Mas tinha saudades da mamãe, também. Da mãe de antes de o papai morrer, aquela que se enroscava em mim no sofá para ler romances água com açúcar. Sentia como se tivesse sido em outra vida. Certamente acontecera bem longe dali. Desde que papai morreu, mamãe passou a trabalhar mais e mais. Antes, ela gostava de ficar em casa. Depois, parecia querer estar sempre o mais distante possível. Quando finalmente percebeu a inviabilidade dessa opção, decidiu que precisávamos nos mudar. Pelo menos, desde que chegamos aqui, embora ainda estivesse trabalhando como uma louca, ela parecia determinada a estar mais presente na minha vida. Decidi ignorar meu TOC e deixar as caixas delado por hoje, quando senti um cheiro familiar. Mamãe estava cozinhando. Isso não era nada bom. Desci correndo. Ela estava de pé em frente ao fogão, vestida com o uniforme de bolinhas. Só ela podia vestir bolinhas dos pés à cabeça e continuar bonita. Mamãe tinha cabelos louros superlisos e olhos brilhantes, cor de avelã. Com meus olhos acinzentados e cabelos castanhos, eu parecia completamente sem graça ao lado dela, mesmo quando ela estava de uniforme. E, por algum motivo, eu nasci mais… arredondada que ela. Quadris curvilíneos, lábios cheios e olhos enormes, que a mamãe amava, mas que me deixavam mais parecida com uma boneca Kewpie. Ela se virou e acenou para mim com a colher de pau, enquanto os ovos na frigideira espingavam gordura em todo o fogão. — Bom dia, doçura. Olhei aquela bagunça e me perguntei qual seria a melhor maneira de assumir esse fiasco culinário sem magoá-la. Mas ela estava tentando cumprir suas obrigações de mãe. Era um avanço. Progresso. — Voltou cedo. — Trabalhei praticamente dobrado de ontem à noite até hoje. E estou escalada para o turno da noite, de onze às nove, de quarta a sábado. Por isso, tenho três dias de folga. Estou pensando em pegar um trabalho de meio período numa dessas clínicas daqui ou talvez em Winchester. Ela raspou os ovos em cima de dois pratos e botou um deles, quase queimado, na minha frente. Delícia. Tarde demais para tentar salvar a comida, portanto fui até uma caixa em cima no balcão, na qual se lia “talheres e cia”. — Você sabe que não gosto de ficar sem ter o que fazer. Vou conferir essas clínicas logo. Sim, eu sabia. A maioria dos pais preferiria cortar um braço a deixar a filha adolescente sozinha em casa o tempo todo, mas não a minha mãe. Na visão dela, eu jamais dera motivos para desconfiar de mim. Não por falta de tentativas. Bom, ok, talvez fosse por isso. Eu era mesmo meio chata. No meu antigo grupo de amigos, na Flórida, eu não era a mais quieta, mas nunca matava aula, tirava sempre nota boa e era basicamente uma garota boazinha. Não porque tivesse medo de fazer qualquer coisa louca ou perigosa; simplesmente não queria causar ainda mais problemas para a minha mãe. Não naquela época… Peguei dois copos e enchi-os com o suco de laranja que ela devia ter comprado no caminho para casa. — Você quer que eu vá comprar comida hoje? A gente tá sem nada. Ela assentiu e respondeu, com a boca cheia de ovo: — Você pensa em tudo. Um pulinho no mercado não seria nada mal. — Pegou a bolsa de cima da mesa e tirou de lá um dinheiro. — Isto deve dar. Guardei as notas no bolso sem ver quanto era; ela sempre me dava mais que o necessário. — Obrigada — murmurei. Minha mãe se inclinou na minha direção com um brilho nos olhos. — Então, hoje de manhã vi uma coisa interessante. Só Deus sabe o que poderia ser. Sorri. — O quê? — Já reparou que na casa ao lado tem dois adolescentes mais ou menos da sua idade? O cão farejador que vivia dentro de mim levantou as orelhas, em alerta. — Jura? — Você ainda não foi lá fora, né? — Mamãe sorriu. — Achei que você fosse logo se embrenhar naquele canteiro medonho… — Pretendo mesmo fazer isso, mas a mudança não vai se arrumar sozinha — respondi, lançando um olhar debochado na direção dela. Eu amo minha mãe, mas, se deixasse por conta dela, as caixas iam ficar para sempre do jeito que estavam — Mas, então, de volta aos vizinhos? — Bom, tem uma garota que parece regular com você. E tem um garoto também. — Ela sorriu, enquanto se levantava. — Ele é gostoso. Um pedacinho de ovo ficou preso na minha garganta. Era nojento demais ouvir a mamãe falar assim de um cara da minha idade. — Gostoso? Mãe… Pelo amor de Deus! Ela se afastou da bancada, tirou o prato da mesa e foi na direção da pia. — Querida, eu posso ser velha, mas os meus olhos ainda funcionam direitinho. E eles estavam muito bem hoje mais cedo. Estremeci. Nojo em dobro. — Você vai virar uma dessas coroas que gostam de garotões? Ou é com uma crise de meia-idade que eu preciso me preocupar? Enxaguando o prato, ela me olhou por cima do ombro. — Katy, eu espero que você faça um esforço pra conhecer nossos vizinhos. Seria bom fazer amigos antes das aulas começarem. — Deu uma pausa e bocejou. — Eles podiam te mostrar a cidade, não acha? Eu me recusava a pensar no primeiro dia de aula, sendo a garota nova e tal. Joguei na lixeira o resto de ovo. — Pode ser. Mas não vou bater na porta deles e implorar pra serem meus amigos. — Não seria implorar. Se você puser um daqueles vestidos bonitinhos de verão que usava na Flórida, em vez disso aí… — Puxou a bainha da minha camiseta. — Seria paquerar. Olhei para baixo. A camiseta dizia: “Meu Blog É Melhor Que O Seu Vlog.” Não tinha nada de errado com ela. — Que tal eu ir só de calcinha? Ela botou a mão no queixo, pensativa. — Isso realmente causaria uma bela impressão. — Mãe!!! — Ri. — Você tinha que gritar comigo e dizer que nem pensar! — Filhota, eu sei que você não faria uma estupidez dessas. Mas sério, faz um esforço. Não tinha muita certeza de como se “faz um esforço”. Ela bocejou de novo. — Bom, querida, vou botar o sono em dia. — Beleza, vou pro mercado. — Talvez comprasse adubo para nossas plantas. O canteiro estava mesmo pavoroso. — Katy? — Mamãe parou na porta, com a testa franzida. — Oi? Uma sombra no rosto dela escurecia um pouco seus olhos. — Eu sei que a mudança está sendo difícil pra você, logo no último ano da escola, mas foi a melhor coisa que a gente podia fazer. Ficar lá, naquele apartamento, sem ele… Está na hora da gente viver. O seu pai ia gostar disso. O aperto na garganta que pensei ter deixado na Flórida voltou com força total. — Eu sei, mãe. Tá tudo bem. — Mesmo? — Ela dobrou os dedos e fechou as mãos. A luz do sol que entrava pela janela refletiu na aliança de ouro. Assenti rapidamente para deixá-la segura. — Mesmo, juro. E vou lá nos vizinhos. Quem sabe eles não me dizem onde fica o mercado? Como você disse, vou fazer um esforço. — Ótimo! Se precisar de qualquer coisa, me liga. — Os olhos dela lacrimejaram com mais um longo bocejo. — Te amo, filhota. Comecei a responder “eu também”, mas ela já tinha desaparecido escada acima antes que as palavras pudessem sair da minha boca. Ao menos minha mãe estava tentando, e eu faria o mesmo. Não ia ficar me escondendo no quarto o dia inteiro com o notebook no colo, como ela temia. Mas me misturar com desconhecidos da minha idade não era muito a minha praia. Preferia mil vezes ler um livro e acompanhar os comentários do blog. Mordi de leve o lábio. Podia ouvir a voz do meu pai falando a frase favorita dele para me encorajar: “Vamos lá, Kittycat, não seja uma espectadora.” Endireitei os ombros. Papai nunca tinha deixado de aproveitar a vida… Afinal, perguntar onde ficava o mercado mais próximo era uma desculpa inocente o bastante para me apresentar. Se a mamãe estivesse certa e eles fossem mesmo da minha idade, talvez acabasse nem sendo um mico muito grande. Era meio bobo, mas eu ia lá de qualquer jeito. Atravessei correndo o gramado e a entrada da garagem antes que amarelasse. Subi os degraus da varanda, afastei a tela e bati à porta. Dei um passo atrás e alisei os vincos da camiseta. Tô legal. Tô mandando bem. Não tem nada de esquisito em perguntar o caminho. Ouvi passos pesados vindo do outro lado e a porta se abriu, me botando de frente a um peito largo, musculoso e bronzeado. Um peito nu. Baixei o olhar e meio que perdi o fôlego. O jeans caía um pouco abaixo da cintura e revelava uma linha fina de pelos em volta do umbigo, que desaparecia dentro da calça. Abdômen tanquinho. Perfeito. Totalmente apalpável. Não do tipo que eu esperaria encontrar num garoto de 17 anos, que é o quanto imaginava que ele tivesse, mas longe de mim eclamar. Longe de mim falar, também. Fiquei só encarando, mesmo sem querer. Subindo o olhar de novo, reparei nos cílios espessos e escuros que escondiam os olhos dele. Precisava saber de que cor eram. — Posso te ajudar? — perguntaram aqueles lábios grossos, totalmente beijáveis, mas com uma expressão de aborrecimento. A voz dele era grave e firme. Do tipo acostumada a mandar e ser obedecida. Ele levantou os cílios, revelando olhos tão verdes e brilhantes que não podiam ser de verdade. A cor de esmeralda era intensa e contrastava com sua pele bronzeada. — Oi? Você é muda? — Ele falou mais uma vez, se apoiando com uma das mãos no batente da porta. Respirei fundo e dei um passo para trás, sentindo o rosto queimar de vergonha. O garoto levantou um braço e afastou uma mecha de cabelos da testa. Olhou por cima do meu ombro e depois para mim novamente. — Dou-lhe uma… Quando finalmente recuperei a voz, eu queria morrer. — Ta-tava pensando se você saberia me explicar onde fica o mercado mais perto. Meu nome é Katy. Acabei de me mudar pra casa ao lado. — Apontei para lá, falando que nem uma idiota. — Tipo, há dois dias… — Tô ligado. Aaaah, tá. — Bom, eu tava precisando que alguém me indicasse o caminho mais rápido até o mercado e talvez um lugar que venda plantas. — Plantas? Por alguma razão, não soou como se ele estivesse me fazendo uma pergunta, mas eu me apressei em responder de qualquer jeito. — Pois é, o canteiro em frente da casa… Ele não disse nada, só levantou uma sobrancelha com desdém. — Sei. A vergonha estava aos poucos se dissipando e sendo substituída por um crescente sentimento de raiva. — Então, eu preciso comprar plantas… — Pro canteiro. Já entendi. — Encostou o quadril no portal e cruzou os braços. Algo brilhou nos olhos verdes dele. Não era raiva, era … alguma outra coisa. Respirei fundo. Se esse cara me desse mais um fora… Minha voz assumiu o mesmo tom que a minha mãe usava quando eu era mais nova e queria brincar com objetos cortantes. — Eu gostaria de encontrar uma loja onde pudesse comprar comida e plantas. — Você sabe que esta cidade só tem um semáforo, né? — Ele levantou as duas sobrancelhas até quase a linha do cabelo, como se não acreditasse que eu pudesse ser tão burra. Foi quando me dei conta do que vi cintilando nos seus olhos. Ele estava rindo de mim, cheio de desdém. Por um instante, tudo o que consegui fazer foi olhar para ele. Era provavelmente o cara mais gato que eu já tinha visto em carne e osso, mas era também um completo babaca. Vai entender. — Sabe, tudo que eu queria era uma informação. Tá na cara que te peguei em um mau momento. Ele levantou um canto dos lábios. — Qualquer hora é uma hora ruim pra vir atender uma pirralha na minha porta. — Pirralha? — repeti, arregalando os olhos. Ele arqueou de novo uma das sobrancelhas escuras, debochando de mim. Eu estava começando a odiar essas sobrancelhas. — Não sou uma pirralha, tenho 17 anos. — Jura? — Piscou. — Você parece ter 12. Não. Talvez 13. Minha irmã tem uma boneca que me lembra você. Olhos grandes e vazios. Meio retardada. Eu parecia com uma boneca? Uma boneca retardada? Senti brotar um calor no peito que foi subindo pela garganta. — Que coisa. Uau. Desculpa ter incomodado. Não vou voltar aqui nunca mais. Pode acreditar. — Dei as costas e tratei de ir embora, antes que sucumbisse ao crescente desejo de enfiar a mão na cara dele. Ou de chorar. — Ei! — chamou. Parei no último degrau da varanda, mas me recusei a virar e deixar que ele notasse minha irritação. — Que foi? — Vá reto até o final da rua e então vire à direita, sentido norte, não sul. Vai te levar pra Petersburg. — Bufou, irritado, como se estivesse me fazendo um favor e tanto. — O Food land fica bem no meio da cidade. Não tem como errar. Quer dizer, talvez você consiga. Se eu não me engano, tem uma loja de material de construção ao lado. Eles devem ter equipamentos de jardinagem. — Valeu — resmunguei e acrescentei, bufando: — Babaca. Ele riu, um som alto e gutural. — Isso não é comportamento de mocinha, Kittycat. Virei num pulo. — Nunca mais me chame assim! — Melhor que chamar alguém de babaca, não? — Ele empurrou a porta. — Foi uma visita muito interessante. Vou me lembrar dela por muito tempo. Ok. Já deu. — Sabe do que mais? Você tá certo. Não tem nada a ver eu te chamar de babaca. Porque babaca é uma palavra leve demais pra você. — Mostrei o dedo do meio para ele, sem deixar de sorrir docemente. — Você é um escroto. — Um escroto? A elegância em pessoa. — Ele riu de novo e baixou a cabeça. Várias mechas de cabelo caíram sobre seu rosto, quase escondendo aqueles intensos olhos verdes. — Muito civilizado, gatinha. Tenho certeza de que você tem muitos nomes e gestos interessantes pra mim, pena que não tô nem aí. Eu tinha mesmo muito mais a dizer e fazer, mas reuni o que me restava de dignidade, dei as costas e marchei de volta para a minha casa, sem dar a ele o prazer de ver como estava irritada. Eu costumava evitar todo tipo de confronto, mas esse cara conseguiu ligar meu interruptor de barraqueira como ninguém. Quando cheguei ao carro, escancarei a porta com raiva. — A gente se vê por aí, gatinha! — gritou, antes de bater a porta de casa, rindo. Meus olhos ardiam com lágrimas de raiva e constrangimento. Meti a chave na ignição e engatei a ré. “Faz um esforço”, foi o que a mamãe dissera. Isso é o que acontece quando você faz um esforço.
Obsidiana - Livro 1 (Cód: 9153513) Obsidiana - Livro 1 (Cód: 9153513)
R$ 20,90
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