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Os Deixados Para Trás - Capa Rosa (Cód: 4074961)

Perrotta, Tom

Intrinseca

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Descrição

O que aconteceria se, de repente, sem nenhuma explicação, pessoas simplesmente desaparecessem, sumissem no ar? É o que os perplexos moradores de Mapleton, que perderam muitos vizinhos, amigos e companheiros no evento conhecido como Partida Repentina, precisam descobrir.
Desde o ocorrido nada mais está do mesmo jeito — nem casamentos, nem amizades, nem mesmo o relacionamento entre pais e filhos. O prefeito da cidade, Kevin Garvey, quer acelerar o processo de cura, trazer um sentimento de esperanças renovadas e propósito para sua comunidade traumatizada. Ainda que sua família tenha sido desfeita com o desastre: sua esposa o deixou para se juntar a um culto cujos membros fazem voto de silêncio; seu filho, Tom, abandonou a faculdade para seguir um profeta duvidoso chamado Santo Wayne; e sua filha adolescente, Jill, não é mais a dócil estudante nota dez que costumava ser. Em meio a tudo isso, Kevin ainda se vê envolvido com Nora Durst, uma mulher que perdeu toda a sua família no 14 de Outubro e continua chocada com a tragédia, apesar de se esforçar para seguir adiante e recomeçar a vida.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580572148
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580572148
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Rubens Figueiredo
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 320
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorPerrotta, Tom

Leia um trecho

Parte Um - Aniversário de três anos Dia dos heróis Era um belo dia para um desfile, ensolarado e com um calor suave, o céu era um retrato do paraíso, como os desenhos que se veem nas aulas de catecismo das escolas dominicais. Pouco tempo antes, as pessoas teriam sentido a necessidade de fazer alguma piadinha nervosa ao ver um tempo assim — Ei, diriam, talvez esse tal de aquecimento global não seja um negócio tão ruim quanto dizem!—, mas agora ninguém mais se importava com o buraco na camada de ozônio nem com o páthos de um mundo sem ursos polares. Lembrando essa outra época, parecia até engraçado, toda aquela energia desperdiçada em aflições por causa de algo tão remoto e incerto, uma catástrofe ecológica que podia ou não acontecer, em algum ponto de um futuro muito distante, bem depois de você e seus filhos e os filhos de seus filhos terem esgotado seu tempo de vida na Terra e terem ido para onde quer que se vá quando tudo termina. Apesar da angústia que havia tomado conta de Kevin Garvey durante toda a manhã, o prefeito se viu dominado por um repentino estado de nostalgia enquanto caminhava pelo Washington Boulevard rumo ao estacionamento do colégio, onde as pessoas que iam desfilar tinham sido orientadas a se reunir. Faltava meia hora para o desfile, os carros alegóricos estavam em fila e prontos para entrar em movimento, a banda se preparava para a batalha, salpicando no ar um dissonante introito de balidos, buzinas e acanhados rufos de tambores. Kevin nascera e fora criado em Mapleton e não conseguia deixar de pensar nos desfiles de 4 de Julho na época em que tudo ainda fazia sentido. Metade da cidade ficava perfilada às margens da rua Principal enquanto a outra metade — jogadores da liga mirim de beisebol, escoteiros de ambos os sexos, veteranos de guerras no exterior amparados por mulheres da Liga de Senhoras Filantrópicas — caminhava a passos largos no meio da rua, acenando para os espectadores, como se estivessem surpresos de vê-los ali, como se aquilo fosse uma espécie de coincidência doida, e não um feriado nacional. Na memória de Kevin, ao menos, tudo aquilo parecia incrivelmente estrondoso, agitado e inocente — caminhões do corpo de bombeiros, tubas, passistas irlandeses, malabaristas de bastões coloridos em trajes enfeitados com lantejoulas, num ano houve até um esquadrão da fraternidade dos Shrine, cada um com seu fez na cabeça, correndo com seus hilariantes carrinhos nanicos. Depois do desfile, havia par-tidas de softballe piqueniques, uma sequência de rituais reconfortantes que culminavam no grande espetáculo de fogos de artifício em cima do lago Fielding, centenas de rostos enlevados voltados para o céu, exclamando e gritando diante dos sibilantes cata-ventos e das explosões de estrelas que desabrochavam lentamente e iluminavam a escuridão, lembrando a todos quem eram, qual era seu lugar e por que tudo estava bem. O evento de hoje — precisamente, o primeiro Dia Anual de Reflexão em Memória dos Heróis que Partiram — não ia ser nada parecido com aquilo. Kevin pôde sentir o estado de ânimo sombrio assim que chegou ao colégio: uma invisível névoa de mágoa bolorenta e de perplexidade crônica adensava o ar, fazia as pessoas falarem em tom mais suave e de maneira mais hesitante do que fariam normalmente numa grande reunião ao ar livre. Por outro lado, Kevin ficou ao mesmo tempo surpreso e agradecido pelo comparecimento, em vista da recepção fria que a ideia do desfile havia causado quando fora proposta inicialmente. Alguns críticos acharam que era a hora errada (“Cedo demais!”, insistiam em dizer), ao passo que outros sugeriam que uma comemoração secular do 14 de Outubro era equivocada e talvez até uma blasfêmia. Tais objeções se apagaram com o cor-rer do tempo, talvez porque os organizadores tivessem feito um bom trabalho convencendo os céticos, ou porque as pessoas em geral gostassem de desfiles, independentemente da ocasião. De todo modo, tantos habitantes de Mapleton se apresentaram como voluntários para desfilar que Kevin se perguntava se ainda sobraria alguém para aplaudir o desfile, enquanto eles percorriam seu trajeto pela rua Principal até o Greenway Park. Kevin hesitou por um momento por trás da linha formada pela barricada da polícia, reunindo suas forças para aquilo que, ele sabia, seria um dia longo e difícil. Para toda parte, via pessoas desalentadas e sinais evidentes de sofrimento. Acenou para Martha Reeder, a senhora antes tão falante que atendia no guichê da venda de selos da agência de correios; ela sorriu com tristeza, virando-se para permitir que o prefeito visse melhor o cartaz que ela segurava. Continha uma fotografia ampliada de sua neta de três anos, uma criança de ar sério, cabelos cacheados e Os deixados para trás 19 óculos meio tortos. ashley, dizia o cartaz, meu anjinho. De pé, atrás dela, estava Stan Washburn — policial aposentado e ex-técnico de Kevin no time da Pop Warner —, um sujeito atarracado, sem pescoço, cuja camiseta, esticada por cima da imponente barriga de cerveja, fazia um convite a quem quisesse: Pergunte-me sobre meu irmão. Kevin sentiu uma forte e repentina vontade de fugir, correr para casa e passar a tarde levantando halteres ou varrendo as folhas do jardim — qual-quer coisa solitária e mecânica serviria —, mas aquilo passou depressa, como um soluço, ou uma fantasia sexual vergonhosa. Com um suspiro suave e bem-comportado, ele se meteu na multidão, aper-tando mãos e chamando as pessoas por seus nomes, fazendo sua melhor repre-sentação de um político de cidade pequena. Ex-astro de futebol americano ju-venil de Mapleton e destacado homem de negócios local — ele tinha herdado e expandido a cadeia de lojas de bebida da família, lojas do tamanho de super-mercados, triplicando a receita durante os quinze anos de sua administração —, Kevin era uma figura popular e de grande visibilidade na cidade toda, mas a ideia de concorrer ao cargo de prefeito nunca havia passado por sua cabeça. Então, no ano anterior, sem mais nem menos, recebeu um abaixo-assinado de dois mil cidadãos, muitos dos quais ele conhecia bastante bem: “Nós, abaixo--assinados, estamos ansiosos por uma liderança nestes tempos sombrios. O se-nhor nos ajudaria a tomar de volta nossa cidade?” Tocado por aquele apelo e sentindo-se também um pouco perdido — alguns meses antes, tinha vendido toda sua empresa por uma pequena fortuna e ainda não havia imaginado o que ia fazer da vida —, Kevin aceitou a indicação para concorrer ao cargo de pre-feito por uma entidade política recém-formada, batizada com o nome de Parti-do da Esperança. Kevin ganhou a eleição por uma maioria esmagadora, destronando Rick Malvern, o candidato à reeleição que fora prefeito três vezes, mas que havia perdido a confiança dos eleitores depois que tentou incendiar a própria casa num ato que ele chamou de “purificação ritual”. Não deu certo — o corpo de bombeiros tratou de apagar o incêndio, apesar das objeções virulentas do proprietário — e naquela ocasião Rick morava numa tenda armada no jardim de sua casa, enquanto restos chamuscados de sua mansão vitoriana de cinco quartos se avolumavam ao fundo. Certos dias, quando passava correndo de manhã cedo, Kevin topava com seu ex-rival de eleições na hora em que estava saindo da ten-da — numa dessas vezes, estava sem camisa e só de cueca samba-canção — e os dois homens trocavam um cumprimento meio sem graça, na rua silenciosa a não ser por isso, um Oi, ou um Alô, ou um E aí?, só para mostrar que não havia ressentimento entre eles.

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