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Os Impostores (Cód: 4894277)

Pavone, Chris

Arqueiro

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Descrição

Kate Moore é uma mãe que trabalha fora e luta para equilibrar as despesas e o orçamento, criar os filhos, manter viva a chama do casamento... e guardar um segredo cada vez mais difícil de suportar. Por isso, quando seu marido, Dexter, recebe uma proposta de emprego em Luxemburgo, ela agarra a chance de deixar para trás sua vida dupla e recomeçar do zero longe de Washington.



Em outro país, Kate se reinventa, enquanto Dexter trabalha sem parar num emprego que ela nunca entendeu, para um cliente que ela não pode saber quem é. Em pouco tempo, a confortável vida europeia com que sonhava se revela uma rotina cansativa em que o marido vai ficando cada vez mais distante e evasivo e ela, solitária e entediada.



Chega então outro casal americano, que faz amizade com Dexter e Kate. Mas ela logo desconfia que os novos amigos não sejam exatamente quem dizem ser – e fica apavorada diante da possibilidade de estar sendo perseguida por fantasmas do passado.



Assim, Kate começa a investigá-los e acaba descobrindo camadas e mais camadas de mentiras que a cercam e, por trás disso tudo, um golpe extremamente bem elaborado que ameaça sua família, seu casamento e até sua vida.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580411638
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580411638
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 336
Peso 0.39 Kg
Largura 16.00 cm
AutorPavone, Chris

Leia um trecho

Parte I

1
Dois anos antes, Washington – Luxemburgo?
– É.
– Luxemburgo?
– Isso mesmo.
Katherine não sabia como reagir. Então optou pela resposta-padrão, fuga via ignorância.
– Onde fica Luxemburgo?
Na mesma hora se arrependeu da falsa pergunta.
– Na Europa Ocidental.
– Quero dizer, é na Alemanha?
Ela desviou os olhos de Dexter, com vergonha do buraco que estava cavando para si mesma.
– Ou na Suíça?
Dexter a fitou com um olhar inexpressivo, claramente tentando – com afinco – não dizer a coisa errada.
– É um país independente – respondeu.
– Um grão-ducado – acrescentou o que era irrelevante.
– Um grão-ducado.
Ele assentiu.
– Você está de brincadeira – falou ela.
– É o único grão-ducado do mundo. Kate não disse nada.
– Faz fronteira com a França, a Bélgica e a Alemanha – prosseguiu Dexter, sem ser solicitado.
– Esses países o cercam.
– Não – retrucou Katherine, balançando a cabeça.
– Esse país não existe. Você está falando, sei lá, da Alsácia. Ou da Lorena. Está falando da Alsácia -Lorena.
– Esses lugares ficam na França. Luxemburgo é, hum, uma nação à parte.
– E o que faz dela um grão-ducado?
– Ela é governada por um grão-duque.
Katherine redirecionou a atenção para a cebola meio picada na tábua de cortar sobre o tampo que ameaçava soltar-se de vez do armário empenado. Seria uma separação causada por alguma força primitiva – a água, a gravidade ou ambas – e, com isso, a cozinha transporia o limite do aceitavelmente furreca para o inaceitavelmente esculhambado (além de anti-higiênico e francamente perigoso), obrigando-os a encarar a reforma completa que lhes custaria 40 mil dólares que eles não tinham, mesmo que cortassem dela todos os caprichos desnecessários e todas as escolhas meramente estéticas.
Dexter havia colocado grampos tipo C nos cantos da bancada, um conserto provisório para impedir que o tampo de madeira escorregasse de cima do armário. Isso já fazia dois meses. Desde então, os grampos mal colocados tinham feito Katherine espatifar uma taça de vinho e, uma semana depois, bater com a mão num deles quando fatiava uma manga, fazendo a faca resvalar e afundar silenciosamente na carne de sua mão esquerda, dando um banho de sangue na manga e na tábua. Ela ficara parada diante da pia, comprimindo o ferimento com um pano, enquanto o sangue pingava no tapetinho esmolambado e se espalhava pelas fibras de algodão, formando o mesmo desenho daquele dia no Waldorf, quando ela devia ter desviado os olhos, mas não desviou.
– E o que vem a ser um grão-duque? – perguntou, enxugando de um dos olhos as lágrimas de cebola.
– É o cara que governa um grão-ducado.
– Você está inventando essas coisas.
– Não, não estou.
Dexter exibia um sorrisinho muito discreto, como se pudesse mesmo estar zombando da cara dela. Mas não: o sorriso era discreto demais para isso. Aquele era o sorriso de Dexter fingindo zombar da cara de alguém, quando realmente falava sério. Uma imitação de sorriso falso.
– Está bem – disse ela. – Eu mordo a isca: por que nós nos mudaríamos para Luxemburgo?
– Para ganhar muito dinheiro e viajar o tempo todo pela Europa.
Pronto, ali estava o sorriso completo, sem restrições.
– Como nós sempre sonhamos – emendou ele.
Era a expressão franca do homem que não guardava segredos nem admitia a possibilidade de que outros guardassem. Era o que Katherine mais valorizava no marido, acima de qualquer outra coisa.
– Você vai ganhar muito dinheiro? Em Luxemburgo?
– Vou.
– Como?
– Andam com escassez de homens lindos por lá. Aí vão me pagar uma montanha de dinheiro por eu ser incrivelmente bonito e estonteantemente sensual.
Fazia uma década que aquela era a piada deles. Dexter não tinha uma beleza digna de nota nem era particularmente sexy. Era um exemplar clássico do grandalhão desengonçado fanático por computadores. Não era feio, na verdade: tinha feições comuns, uma mistura corriqueira de cabelo louro, queixo pontudo, maçãs do rosto salientes e olhos castanho-claros. Com a ajuda de um corte de cabelo decente, algum treino em relações públicas e, talvez, um pouco de psicoterapia, poderia se tornar muito atraente. Mas a imagem que ele projetava era de seriedade e inteligência, não de sensualidade ou preocupação com a aparência.
Fora isso que atraíra Katherine, de início: um homem completamente não irônico, não malicioso, não entediado, não indiferente, não erudito. Dexter era franco, fácil de decifrar, confiável e agradável. Os homens do mundo profissional dela eram manipuladores, vaidosos, implacáveis e egoístas. Dexter era o antídoto de Katherine. Um homem estável, despretensioso, de honestidade infalível e aparência comum.
Fazia muito tempo que ele se conformara com o visual genérico e a falta de sofisticação. Assim, enfatizava seu jeito de nerd da maneira típica: óculos de acrílico, roupas sem graça, desalinhadas e aparentemente pegas ao acaso, cabelo de quem acabou de levantar da cama. E fazia piadas sobre sua aparência.
– Vou ficar parado em locais públicos – continuou. – De vez em quando, se me cansar, pode ser que eu me sente. E aí é só ficar lá, sabe como é, sendo lindo – completou, dando uma risadinha da própria piada. – Luxemburgo é a capital mundial dos bancos privados.
– E daí?
– Acabei de receber uma oferta lucrativa de um desses bancos privados.
– Lucrativa, quanto?
– Trezentos mil euros por ano. Quase meio milhão de dólares, ao câmbio de hoje. Mais despesas de moradia. Mais bônus. O total pode acabar subindo para uns 750 mil dólares.
Era muito dinheiro, com certeza. Mais do que Kate havia imaginado que algum dia Dexter viesse a ganhar. Apesar de ter estado às voltas com a internet praticamente desde o começo dela, ele nunca tivera o ímpeto nem a visão necessários para enriquecer. Na maior parte do tempo, fora um espectador, enquanto seus amigos e colegas levantavam capital e corriam riscos, iam à falência ou lançavam ações na bolsa, e acabavam andando de jatinho particular para lá e para cá. Mas não Dexter.
– E, depois – continuou ele –, quem sabe? Além disso– falou, erguendo as mãos para anunciar o golpe de misericórdia –, nem vou precisar trabalhar tanto assim.
Os dois tinham sido ambiciosos, em outros tempos. Mas, depois de dez anos juntos, cinco deles com filhos, apenas Dexter alimentava alguma ambição. E a maior parte tinha a ver com trabalhar menos.
Ou assim pensava Kate. Agora, aparentemente, ele também aspirava a ficar rico. Na Europa.
– Como é que você pode saber? – perguntou ela.
– Conheço o tamanho da operação, a complexidade dela, os tipos de transações. As necessidades de segurança de lá não são tão grandes quanto essas com que lido agora. E eles são europeus. Todo mundo sabe que os europeus não trabalham tanto assim.
Dexter nunca chegara a ficar rico, mas tinha uma remuneração decente. E o salário de Katherine crescera gradativamente ao longo de sua carreira. Juntos, os dois tinham ganhado 250 mil dólares no ano anterior. Mas, com a hipoteca, os intermináveis consertos da velha casinha na vizinhança “emergente” da supostamente revitalizada Columbia Heights, mais a escola particular – as escolas públicas em geral do centro do Distrito de Columbia não eram consideradas tão boas – e os dois carros, eles nunca tinham dinheiro. O que tinham era uma vida confortável que lhes custava demais. E a cozinha estava caindo aos pedaços.
– Quer dizer que vamos ficar cheios da grana e poder viajar para todo lado e você estará comigo e com as crianças? Ou vai ficar fora o tempo todo?
Nos dois meses anteriores, Dexter tinha feito um número anormal de viagens. Ele vinha perdendo muito da vida em família. Por isso, no momento, aquele era um assunto delicado. Ele acabara de passar alguns dias na Espanha, em uma viagem de última hora que havia exigido que Katherine cancelasse compromissos sociais, que já eram poucos e espaçados e não deveriam ser cancelados do nada. Ela não tinha uma vida social intensa nem uma legião de amigos. Mas isso era melhor do que nada.
Em certa época, as viagens de trabalho dela é que tinham sido um problema sério. Mas, logo depois de Jake nascer, ela havia cortado quase por completo as viagens e feito uma redução drástica nas horas de trabalho. Mesmo nesse novo regime, ainda era raro conseguir chegar em casa antes das sete. O tempo para valer com os filhos era nos fins de semana, imprensado entre idas ao mercado, limpeza da casa, aulas de ginástica olímpica das crianças e todo o resto.
– Não muito – respondeu ele, vagamente.
Katherine percebeu seu jeito evasivo.

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