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Os Sertões - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649437)

Cunha, Euclides da

Saraiva De Bolso

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Descrição

Em estilo épico, Euclides da Cunha criou uma das obras¬-primas da literatura brasileira, descrevendo as batalhas entre os homens liderados pelo beato Antônio Conselheiro e as tropas do governo. Euclides, testemunha ocular da chamada Campanha de Canudos, narra a luta, observa a terra e analisa o homem num belo relato que destaca a determinação do sertanejo e busca compreender o fenômeno da liderança exercida por Conselheiro sobre milhares de pessoas.

Introdução: M. Cavalcanti Proença

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925966
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925966
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
País de Origem Brasil
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorCunha, Euclides da

Leia um trecho

Introdução Um livro como Os sertões, cuja fama transbordou os limites nacionais, dispensa o prefaciador de um julgamento que, no caso, seria pleonástico. Apenas, portanto, alguns dados que venham orientar o leitor desta coleção. O livro foi escrito em S. José do Rio Pardo, São Paulo, quando o engenheiro Euclides da Cunha construía a ponte sobre o rio que dá nome à cidade. Serviam-lhe de roteiro as reportagens que, como correspondente especial de O Estado de São Paulo, escrevera no dia a dia da Guerra de Canudos. Publicado em 1902, pode ser dito que explodiu no meio literário. Araripe Júnior fez-lhe calorosa crítica, desdobrada em dois artigos no Jornal do Commercio, dando ao seu autor o “primeiro lugar entre os prosadores da nova geração”. Acentuava a “elevação histórico-filosófica do livro” e o “talento épico-dramático” de Euclides, “um gênio trágico como muito dificilmente se nos deparará em outro psicologista nacional”. Nessa crítica estão resumidas as virtudes que existem em Os sertões, obra a que o tempo só tem acrescido a atualidade e a grandeza. De fato, a “elevação histórico-filosófica” dizia respeito à denúncia pela primeira vez feita, e com extraordinário vigor, da existência desses dois Brasis, o do litoral civilizado e o do sertão ainda em plena fase colonial, dois mundos separados não pela natureza, mas por séculos de evolução histórica e social. Ninguém antes de Euclides apontara o “contraste entre o nosso modo de viver e o daqueles rudes patrícios, mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa. Porque não no-los separa um mar, separam--no-los três séculos”. Armado de cultura técnico-científica, o engenheiro trazia para a literatura o vocabulário preciso de seu ofício ou de sua ciência. Por isso, aparecem “parábola sibilante de balas”, “flora característica, arbustos flexuosos, entressachados de bromélias rubras”. Muito fácil continuar com as referências à arte militar, à fitogeografia, à astronomia, mas será mais ilustrativo mostrar como a natureza se humaniza na percepção do escritor de sensibilidade agudíssima. Os mandacarus viram gente, “despidos e tristes, como espectros de árvores”; como se os ceréus espinhosos tivessem amigos e falassem, ele os vê irrompendo “solitários”, “rígidos e silentes”; o umbuzeiro “é a árvore sagrada do sertão. Sócia fi el das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros”. Parênteses, para mostrar ao leitor um traço característico de estilo euclidiano: o ritmo. “Longos dias amargos dos vaqueiros” é um decassílabo perfeito, com cesura na sexta sílaba; versos como este são incontáveis em Os sertões, abrindo ou encerrando períodos. Daí a impressão de poema épico que nos transmitem certos trechos, fenômenos de que voltaremos a falar. Voltaremos, por agora, a Araripe Júnior, que ressalta em Euclides da Cunha o “talento épico-dramático”, “o gênio trágico”. O próprio escritor, em chave de ouro de um soneto, definia-se “misto de celta, de tapuia e grego”. Da combinação desse gênio trágico e do amor a leituras clássicas, vem o traço marcante de tragédia helênica, dirigindo a composição de Os sertões. Como na tragédia, é o destino que, desde logo, assinala o que se vai perder. Postam-se um diante do outro, os irmãos: o “mestiço neurastênico do litoral” e o sertanejo, que é, “antes de tudo, um forte”. A sociedade sertaneja, que é “o cerne da nacionalidade” será destruída pelas tropas que representam o Brasil litorâneo, perplexo e na maior incompreensão dos problemas com que se defronta. E a luta começa: os sertanejos são vencedores nos primeiros combates e, como na tragédia, acreditam que vão abater o inimigo; antegozam o triunfo e trocadilham com ironia, chamando à força expedicionária, “fraqueza do governo”. Os leitores, que fazem de plateia, sabem que o destino do sertão já foi traçado, o Factum já lhe estabeleceu a perda. Se buscarmos similitudes, reconheceremos que a primeira parte, em que o escritor descreve a terra, é a armação do palco onde será representada a trágica peleja entre os irmãos que se desconhecem e que o destino colocou no papel de antagonistas. Aquele que combate em primeiro lugar, o primeiro ator, na designação de Plutarco, o protagonista é o sertanejo, descrito como um cavaleiro andante e a tal ponto com ele identificado, que, várias vezes, a véstia de couro é descrita como armadura de paladino medieval; “vaqueiros rudes e fortes, trocando, como heróis decaídos, a bela armadura de couro, pelo uniforme reles de brim americano”. E adiante: “Esta armadura, porém, de um vermelho-pardo, como se fosse de bronze flexível, não tem cintilações, não rebrilha ferida pelo sol. É fosca e poenta. Envolve ao combatente de uma batalha sem vitórias.” O antagonista, que representa o adversário, é o brasileiro do litoral, inimigo do seu irmão sertanejo a quem não consegue entender, nem compreender. E eis que a segunda parte de Os sertões retrata o homem brasileiro, como quem define caracteres e apresenta o elenco. Assim é que vemos configurado o sertanejo em Antônio Conselheiro, este o particular que explica o geral, o ponto de agregação em que convergem as características da sociedade sertaneja. E ainda são trazidos a primeiro plano, para serem vistos do público, os deuteragonistas, isto é, os atores secundários quanto ao papel, mas essenciais ao enredo. São aqueles chefes jagunços, Volta-Grande, Pajeú, Pedrão, Tranca-Pés, Boca-Torta, Chico-Ema, João Abade, designados por alcunhas qualificantes, ao lado de apelidos que indicam origem: Quinquim do Coiqui, Fabrício de Cocobocó. Na mesma linha são exibidos no proscênio os coronéis Moreira César e Tamarindo, o general Machado Bittencourt, muitos militares, Chagas Teles, Siqueira de Meneses, vários outros. Já falando das cadeias de montanhas, ele próprio as define como um “desmedido anfiteatro”; anfiteatro que, mais tarde, chamará de “monstruoso”. Palco e artistas construído e apresentados, pode começar a tragédia. E vem a terceira parte, que vai acionar atores, movimentar os cenários onde a luta se desenrola. Então, havemos de ver o coro, que intervém a todo momento, coletividades humanas grupadas, em movimento ou estáticas; até animais participam; ou apenas longínquas. É o coro grego, em que o autor assume a função de corifeu. Basta que assinalemos algumas passagens, para que o leitor identifique outras, numerosas, no decorrer do livro. Lá vai o povo fanático. “Lentamente, caminhando para Canudos, extensa procissão derivava pelas serras. Os crentes substituíam os batalhadores e volviam para o arraial, carregando aos ombros, em toscos pálios de jiraus de paus roliços, amarrados com cipó, os cadáveres dos mártires da fé.” Lá vai a tropa avançando: “Foi um lance admirável. A princípio avançou corretíssima. Uma linha luminosa de centenares de metros se esticou fulgurando. Ondulou à base dos cerros. Abarcou-os e começou a subir.” Lá vai a boiada “vagarosamente, à cadência daquele canto triste e preguiçoso”. E refere os animais de mais acentuada presença: “E sobe a voz do vaqueiro aboiando, ‘toar merencório’, ecoando saudoso nos descampados mudos.” Só falta se apor em estrofes e antístrofes, para que voltemos à Grécia. Que este canto coral aparece com viva frequência. No entardecer, quando a “multidão derivou, lenta, pela encosta clivosa, entoando benditos”; do lado dos soldados, “as fanfarras dos corpos vibraram harmonicamente, até cair a noite”. E depois entram em contraponto. O povo do Conselheiro cantava e “os canhões bramiam, despertos por aquelas vozes tranquilas. Cruzavam-se sobre o campanário humilde as trajetórias das granadas. Estouravam-lhe por cima os schrapnells. Mas, lento e lento, intervaladas de meio minuto, as vozes suavíssimas se espalhavam...” Aqui damos por bem apontada a semelhança ou, mais estritamente, a disciplina aos cânones da tragédia, evidente neste livro de uma extraordinária riqueza de pensamento e expressão. Mas ainda queremos falar da fi gura do sertanejo que, descrita com mestria e vibrátil emoção artística, fraterniza com os sertanejos dos romancistas, aproxima-se do Arnaldo de José de Alencar, na proeza do boi marruá, nos lances de equitação, nos contrastes com o gaúcho dos pampas do Rio Grande. Tal é a força de beleza, que raros são os brasileiros, mesmo sem cultura literária, que não conhecem de cor algumas frases do trecho famoso: “O sertanejo é antes de tudo um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral”, etc. etc. De estilo pomposo e oratório, amando os vocábulos enormes, amigo dos proparoxítonos, a prosa de Os sertões encontra réplica nos versos decassílabos de Augusto dos Anjos. Decassilábico se poderia dizer o ritmo da prosa deste livro, porque o decassílabo é o metro das epopeias, o verso heroico, o das emoções poderosas. Foi o Barão do Rio Branco, se não estou em engano, quem, falando sobre o estilo de Euclides da Cunha, fez a frase, hoje muito repetida: “Este moço escreve com cipó.” Vale a frase nas suas conotações e na sua metáfora, pois que sugere a floresta sombria e majestosa, onde as lianas são numerosas e, simbolicamente, trazem à imaginação o entrançado, enrediço, retorcido dos cipós que se agarram às árvores e caminham tortuosamente, angustiadamente, em busca de luz solar, no topo, lá em cima. Revesso, difícil, é o estilo de Euclides, mas sonoro e grandiloquente, tão ele próprio, Euclides, que, do que seria defeito em outros, faz ele a sua grandeza. É, por isso, inimitável. M. Cavalcanti Proença Nota preliminar Escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante, este livro, que a princípio se resumia à história da Campanha de Canudos, perdeu toda a atualidade, remorada a sua publicação em virtude de causas que temos por escusado apontar. Demos-lhe, por isto, outra feição, tornando apenas variante de assunto geral o tema, a princípio dominante, que o sugeriu. Intentamos esboçar, palidamente embora, ante o olhar de futuros historiadores, os traços atuais mais expressivos das sub-raças sertanejas do Brasil. E fazemo-lo porque a sua instabilidade de complexos de fatores múltiplos e diversamente combinados, aliada às vicissitudes históricas e deplorável situação mental em que jazem, as tornam talvez efêmeras, destinadas a próximo desaparecimento ante as exigências crescentes da civilização e a concorrência material intensiva das correntes migratórias que começam a invadir profundamente a nossa terra. O jagunço destemeroso, o tabaréu ingênuo e o caipira simplório, serão em breve tipos relegados às tradições evanescentes, ou extintas. Primeiros efeitos de variados cruzamentos, destinavam--se talvez à formação dos princípios imediatos de uma grande raça. Faltou-lhes, porém, uma situação de parada ou equilíbrio, que lhes não permite a velocidade adquirida pela marcha dos povos neste século. Retardatários hoje, amanhã se extinguirão de todo. A civilização avançará nos sertões impelida por essa implacável “força motriz da História” que Gumplowicz, maior do que Hobbes, lobrigou, num lance genial, no esmagamento inevitável das raças fracas pelas raças fortes. A campanha de Canudos tem por isto a significação inegável de um primeiro assalto, em luta talvez longa. Nem enfraquece o asserto o termo-la realizado nós, filhos do mesmo solo, porque, etnologicamente indefinidos, sem tradições nacionais uniformes, vivendo parasitariamente à beira do Atlântico dos princípios civilizadores elaborados na Europa, e armados pela indústria alemã — tivemos na ação um papel singular de mercenários inconscientes. Além disto, mal unidos àqueles extraordinários patrícios pelo solo em parte desconhecido, deles de todo nos separa uma coordenada histórica — o tempo. Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo. E tanto quanto o permitir a firmeza do nosso espírito, façamos jus ao admirável conceito de Taine sobre o narrador sincero que encara a história como ela o merece: "-faussetés, contre les auteurs qui n’alterent ni une date, niune généalogie, mais dénaturent les sentiments et les moeurs, qui gardent le dessin des événements et en changent la couleur, qui copient les faits et défi gurent l’âme: il veut sentir en barbare, parmi les barbares, et parmi les anciens, en ancien." São Paulo — 1901 Euclides da Cunha

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