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Perdas e Danos - Uma Filha Adorada. Um Pai Diante de Uma Escolha Devastadora (Cód: 8620342)

Chamberlain, Diane

Arqueiro

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Descrição

Travis Brown é um rapaz diferente da maioria dos jovens de sua idade. Aos 23 anos, já conheceu – e perdeu – seu grande amor, já precisou lutar pela guarda da filha na justiça e agora trabalha incansavelmente para sustentá-la. Sua rotina não é fácil, mas ele consegue levar uma vida digna.
De repente, tudo começa a dar errado: ele perde o emprego, sua casa pega fogo e sua mãe morre. Sem ter a quem recorrer, precisa ir morar com a filha em um acampamento para trailers. Lá, conhece Savannah, uma jovem linda e sexy que realmente parece querer ajudá-lo.
É ela quem lhe fala sobre a vaga em uma obra em Raleigh, uma cidade próxima. Travis não quer se mudar, mas não tem alternativa: seus últimos dólares estão acabando e ele não vê a menor perspectiva de conseguir mais dinheiro.
No entanto, ao chegar a Raleigh e conhecer Roy, seu suposto empregador, ele descobre que o trabalho na verdade é um roubo. Roy garante que será a única vez e que a quantia que Travis receberá será suficiente para tirá-lo do sufoco por um bom tempo.
Agora, de frente para a maior encruzilhada de sua vida, Travis precisa decidir que caminho seguir para continuar sendo um pai exemplar.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580413106
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580413106
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Simone Lemberg Reisner
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 256
Peso 0.27 Kg
Largura 16.00 cm
AutorChamberlain, Diane

Leia um trecho

1 Travis Raleigh, Carolina do Norte Outubro de 2011 Eram nove e quarenta quando acordei no banco de trás da van. Nove e quarenta! E se Erin já tivesse saído da cafeteria quando chegássemos? E se ela não estivesse lá? Aquela possibilidade não me saía da cabeça enquanto eu apressava Bella. Ela havia sonhado com sua ovelhinha de pelúcia e queria me contar a história toda, mas, conforme eu a vestia com as roupas mais limpas que conseguira arrumar, tudo o que me vinha à cabeça era: E se ela não estiver lá? No dia anterior, ao telefone, Roy me assegurara de que eu estava fazendo a escolha certa. – Você pode ficar rico com isso, cara – garantiu ele. Pensei no relógio de ouro que ele estava usando. No Mustang vermelho que ele dirigia. – Não tenho nenhum desejo de ficar rico – respondi. – Só quero ganhar o suficiente para sustentar a Bella e a mim até conseguir um emprego de verdade. Eu me sentia um puxa-saco só de falar com ele ao telefone. O cara era um verdadeiro idiota. – Você pensa assim agora – sentenciou ele –, mas espere só até ter o gostinho do dinheiro fácil. – Olha – respondi –, só me diz onde a gente vai se encontrar e quando. – Nós o procuraremos amanhã por volta das onze da noite – explicou ele. – Você ainda mora no mesmo lugar? Perto da Target? – Moro. – Só não se esqueça de colocar gasolina suficiente para a gente atravessar a fronteira com a Virginia e depois voltar – alertou, desligando logo em seguida. Então agora eu tinha o dia inteiro para surtar com a decisão que tinha tomado, e, se tudo saísse de acordo com os meus planos, Bella não estaria comigo. Esse pensamento me fez sentir um aperto no peito. Eu não estava certo de que seria capaz de fazer isso. Mas Erin era uma boa mulher. Disso eu tinha certeza. Além do mais, Bella a conhecia e gostava dela. O único problema é que ela poderia ser boa demais. Aquele tipo de pessoa que chamaria a polícia para me prender. Eu precisava confiar que ela não faria uma coisa dessa. Minhas mãos tremiam enquanto eu escrevia um bilhete no verso de um recibo de gasolina e o enfiava sorrateiramente no bolso da calça de Bella para evitar que ela me perguntasse o que era aquilo ou tentasse tirar o papel de lá. Lembrei-me do tremor nas mãos de minha mãe. “Um tremor leve”, segundo o médico diagnosticara, afirmando que era inofensivo e quase imperceptível. Mas o meu não era tão delicado. Eu mal conseguia ajudar Bella a calçar as meias. – Estou com fome, papai – disse ela, colocando os sapatos. Abri uma caixinha de Tic-Tacs e joguei duas pastilhas na mão dela. – Já vamos tomar café da manhã – respondi, enquanto ela enfiava as balinhas na boca. Imaginei Erin encontrando o bilhete. Ela o encontraria, certo? E se não encontrasse? Pensei em tudo o que poderia dar errado e meu coração se apertou. Uma coisa de cada vez, disse a mim mesmo. Primeiro, eu precisava chegar à JumpStart antes que Erin saísse, caso contrário todo o plano estaria perdido. – Quero ir ao banheiro – disse Bella. – Eu sei, meu amor. Eu também. Penteei seus cabelos escuros, que eu deveria ter tentado lavar no banheiro da Target na noite anterior, como já fizera uma vez naquela semana. No entanto, na noite passada, nada poderia estar mais distante dos meus pensamentos do que lavar os cabelos de minha filha. Eles também precisavam de um corte, mas é claro que a ideia de trazer uma tesoura não me ocorreu quando saí de Carolina Beach. A franja dela estava tão comprida que quase dava para colocar atrás das orelhas, o que tentei fazer, mas, assim que ela saltou da van, os fios caíram de novo sobre o rosto. Coitada. Parecia uma órfã para quem ninguém ligava. Pedi a Deus que não se tornasse uma naquela mesma noite. Peguei a mão de Bella a caminho da cafeteria. – Você está me machucando, papai – resmungou ela, e percebi que eu estava apertando com muita força. Como eu poderia fazer isso com a minha menininha? Não tinha nem como prepará-la para o que ia acontecer. Bella, me desculpe. Torci para que ela fosse pequena demais para se lembrar disso no futuro. Torci para que nunca pensasse que aquele tinha sido o dia em que seu pai a abandonara. Flores-do-campo enchiam a pequena faixa de gramado ao lado da cafeteria e eu tive uma ideia repentina. Não passavam de ervas inúteis, mas serviriam. – Olhe só, Bella. – Apontei na direção das florezinhas. – Vamos levar algumas para a Srta. Erin. Pisamos na grama e começamos a colhê-las. Torci para que a bexiga de Bella aguentasse mais um minuto. As flores eram a única maneira que me viera à cabeça de agradecer a Erin pelo pedido que eu iria lhe fazer. Ela estava sentada na mesma cadeira de couro marrom de sempre, lendo algo em seu iPad e afastando dos olhos uma mecha de cabelos castanho-claros. Senti uma gigantesca onda de alívio, junto com uma gigantesca onda de decepção. Se ela não estivesse lá, eu não teria como fazer o que tinha me proposto naquela noite, e isso seria bom. Mas ela estava lá e sorriu como se já nos esperasse. – Ela está ali! Bella gritou tão alto que as duas moças sentadas à mesa do canto olharam para nós. Elas tinham mais ou menos a minha idade: 22, 23 anos. Uma delas sorriu para mim, ficou corada de vergonha e desviou o olhar. Eu mal olhei para ela. Só enxergava a outra mulher, de 30 e poucos anos, sentada na cadeira de couro. Senti vontade de abraçá-la. – Oi – cumprimentei, como se fosse um dia qualquer. – Tudo bem? – Tudo. – Ela esticou a mão e fez um carinho no braço de Bella. – Bom dia, querida. Tudo bem? – Nós comemos Tic-Tacs no café da manhã – revelou minha garotinha. – Bem, vamos comer alguma coisa um pouquinho melhor aqui – falei, constrangido. – Tic-Tacs? – perguntou Erin. – Estavam gostosos? Bella assentiu com a cabeça e a franja caiu sobre seus olhos. – Precisamos usar o banheiro, não é, Bell? – falei. Em seguida, olhei para Erin. – Você pode esperar um minutinho? – Ah, não vou a lugar algum – retrucou ela. – São para você. – Estendi as flores na direção dela e desejei tê-las amarrado com alguma coisa, mas com o quê? – Foi Bella que as colheu. – Que lindas! – Ela pegou as flores da minha mão, cheirou-as e colocou-as sobre a mesa de centro. – Obrigada, Bella. Vi um livro infantil sobre a mesa, ao lado das flores. – Parece que a Srta. Erin tem um livro novo para ler para você – comentei, esperando que fosse verdade. Um livro manteria minha filha ocupada enquanto eu... Eu nem conseguia pensar no assunto. – Quero fazer xixi, papai – lembrou-me ela. – Certo. – Peguei-a pela mão. – Voltaremos em um segundo – falei a Erin. No banheiro, apressei-me em escovar os dentes dela, levá-la à privada e lavar seu rosto. Minhas mãos tremiam como se eu sofresse de delirium tremens, e tive de deixar Bella escovar os dentes praticamente sozinha. Mal consegui escovar os meus. Nem me dei ao trabalho de fazer a barba. Quando voltamos, Erin havia colocado o livro no braço da cadeira. – Acho que você vai adorar este aqui, Bella – disse ela. Erin estendeu os braços para minha filhinha de 4 anos, que subiu em seu colo como se a conhecesse a vida inteira. Obrigado, meu Deus, pensei. O que eu iria fazer naquela noite era muito errado, mas saber que Erin fora colocada em meu caminho naquela semana me fazia pensar que talvez devesse mesmo acontecer. – Vou pegar meu café e o nosso bolinho – falei. – Quer alguma coisa, Erin? – perguntei, como se pudesse mesmo comprar algo que ela pedisse. – Não, obrigada. Pedi um suco de laranja para Bella. Eu sabia – e soubera desde o primeiro dia – que ela gostava de estar perto de Bella, não de mim. Isso era ótimo. Na verdade, perfeito. – Certo – respondi. – Obrigado. Pedi meu café, um bolinho e um copo d’água para Bella. Quando fui pegar a água de cima do balcão, derramei tudo devido ao tremor das mãos. – Desculpe! Puxei uma montanha de guardanapos de papel e comecei a secar o balcão. – Não se preocupe – disse Nando, o cara que me servia ali todas as manhãs. Ele chamou uma funcionária para limpar a bagunça enquanto buscava outro copo d’água. Nando colocou o copo, o café e o bolinho sobre uma bandeja de papelão que eu levantei cuidadosamente e levei até a mesa. Erin e Bella estavam absortas na história. Bella fazia perguntas e apontava para figuras no livro. Tinha apoiado a cabeça nos ombros de Erin e parecia meio sonolenta. O tal sonho durara a noite inteira, segundo ela me contara, e tínhamos acabado acordando tarde. Ela parecia tão destruída por fora quanto eu me sentia por dentro. Eu usaria uma parte do dinheiro que ganhasse naquela noite para levá-la a uma clínica para fazer alguns exames. Além de tudo, nos últimos dias a alimentação dela não fora exatamente saudável. Eu estava prestes a partir o bolinho ao meio para dividir com Bella, mas decidi lhe dar inteiro. De qualquer maneira, senti que não conseguiria comer nada. Sentei-me no sofá, imaginando como coordenar o tempo. Eu não poderia esperar muito. Não tinha ideia de quando Erin sairia da cafeteria. Bebi um gole do café e tive a sensação de estar ingerindo ácido quando o líquido desceu pela minha garganta. Você é um péssimo pai, pensei. Erin chegou ao final de um capítulo e disse que fariam um pequeno intervalo para Bella comer o bolinho. – Venha sentar-se aqui para comer, para não sujar a Srta. Erin – falei para Bella. – Ora, ela está bem aqui – retrucou Erin. – Só coloque a água em cima da mesa. Obedeci, embora desejasse Bella ao meu lado naquele mesmo instante. Sim, estava satisfeito por vê-la feliz no colo de Erin e tudo o mais, mas queria abraçá-la. No entanto, eu a havia assustado, apertando sua mão com muita força quando atravessamos o estacionamento. Era melhor assim. Agora, precisava pensar em como sair com elegância. Eu não havia planejado muito bem essa parte. Talvez dissesse que precisava ir ao banheiro outra vez, mas elas me veriam se eu saísse do toalete e fosse embora. – Então, você volta ao trabalho daqui a dois dias? – perguntei a Erin. Eu precisava ter certeza de que ela não retornaria à farmácia antes disso. Torci para que eu tivesse calculado certo. – Nem me lembre. Ela esfregou as costas de Bella. Minha filha tinha mirtilo preso nos dentes e fiquei aliviado por ter me lembrado de colocar a escova dela na bolsinha cor-de-rosa. – Alguma vez você já se sentiu... hã... tentada por ficar perto de tantas drogas o tempo todo? – indaguei. Por que diabo eu fiz uma pergunta dessas? Não sei. Nervos. Meus nervos estavam em frangalhos. Erin me olhou como se eu fosse um sujeito repugnante. – Nem um pouco. E, por favor, não me diga que você ficariatentado. Tentei sorrir. – É claro que não. Não gosto dessas coisas. – Por que entrei em um assunto desses? Fiquei com medo que ela percebesse quão trêmulo eu estava e achasse que eu usava alguma droga. De repente, me veio à cabeça a solução para os minutos seguintes. – Tenho outra entrevista hoje – falei. – Que bom! Você achou alguma coisa nos anúncios on-line? – Não, um amigo me indicou. – Bati os dedos suados sobre as coxas. – Espero que esse dê certo. – Ah, eu também, Travis. Imagino que seja na área de construção. É para uma empresa? Ou é residencial? Ou... – Tenho os dados na van – respondi, ficando de pé. – Você pode olhar a Bella por um segundo para eu ir buscar? Quero lhe dar o endereço para ver se você me ensina o caminho até lá. – Claro! – exclamou ela. De repente, não consegui me mover. Eu queria levar Bella de volta ao banheiro e abraçá-la com muita força, mas tinha de me livrar daquela incumbência. Fazer o que fora combinado. Abaixei-me, dei um beijo na cabeça da minha filha e me afastei bem depressa. Para fora, do outro lado do estacionamento, para dentro da van. Depressa, depressa, depressa, antes que eu pudesse mudar de ideia. Virei a chave na ignição. Não podia deixar a van ali, onde Erin e Bella poderiam ver quando saíssem da cafeteria. Dirigi até o outro lado do estacionamento, quase batendo nos carros parados, pisando fundo no acelerador, o resto do mundo um borrão à minha frente e uma única palavra na cabeça. Bella. Bella. Bella. 2 Travis Seis semanas antes Carolina Beach, Carolina do Norte Sabe quando às vezes a felicidade parece explodir em cima de você, como se fosse um raio, surpreendendo-o tanto que você começa a rir bem alto? Era as-sim que eu me sentia enquanto trabalhava na moldagem do armário de cozinha daquela casa de frente para o mar. Eu já estava na área de construção havia quatro anos e sempre pensara naquele emprego como algo que detestava, mas que precisava fazer para colocar comida na mesa para mim, Bella e minha mãe. Porém, naqueles dias, empregos no ramo da construção não eram fáceis de con-seguir, ainda mais em Carolina Beach, que não passava exatamente por uma fase próspera em termos de casas de alto padrão, embora o mar continuasse com o mesmo azul e a areia com o mesmo branco do restante da costa. Além disso, aquela cidade sempre seria o meu lar. O contramestre do meu último emprego havia me observado trabalhando na construção do prolongamento de um deque durante alguns dias e deve ter visto algo de bom em mim, pois me pediu para fazer um trabalho sob medida dentro da casa. Ele me ensinou coisas, como detalhes sobre a moldagem. Me treinou. Eu não sabia que estava aprendendo técnicas que, naquele fim de agosto, me fariam rir alto, quando percebesse que estava gostando do trabalho. Fiquei feliz por estar sozinho na cozinha e não ter de explicar minha reação a nenhum dos rapazes. Eu estava na escada, trabalhando na moldagem, quando ouvi sirenes a distância. Muitas, porém bem longe, ecoando tão alto que o barulho se sobrepunha ao das ondas do mar, mas não prestei muita atenção. Depois de algum tempo, elas se tornaram parte do ruído constante do oceano e continuei meu trabalho. Estava descendo a escada quando ouvi alguém correndo pelos degraus que levavam à sala de estar. – Travis! – gritou Jeb, um de meus colegas de trabalho, ao entrar correndo na cozinha. Seu rosto estava vermelho e ele se curvou para a frente para recuperar o fôlego. – É a sua casa, cara! Está pegando fogo! Deixei cair o martelo e corri pelas escadas. – Elas estão bem? – perguntei, sem parar de correr. – Não sei, cara. Só ouvi e corri para te con...Nem ouvi o resto do que ele disse: quase escorreguei escada abaixo e só não caí porque segurei no corrimão. Minha cabeça estava a mil. Teria sido o quadro de distribuição de eletricidade da sala, que já estava todo ferrado? Ou uma daquelas velas aromáticas que minha mãe gostava de acender para tirar o cheiro de mofo da casa velha? Ou podiam ter sido os malditos cigarros dela, apesar de ela ser cuidadosa. Ela não era do tipo que adormecia enquanto fumava, ainda mais com Bella na casa. Bella. Que merda! Tomara que elas estejam bem. Corri para a minha van e, assim que a virei em direção à minha casa, vi a fumaça no céu. Era de um tom cinza-pálido, da cor de um incêndio que já acabara, e não preta, como se vê quando o fogo ainda arde, e isso me deu esperança. O cinza subia pelo céu e ficava preso em uma corrente de ar que planava na direção do continente. Percorri os quase 5 quilômetros até minha casa em exatamente três minutos. Havia dois carros de bombeiros, duas viaturas de polícia e uma ambulância em frente aos restos carbonizados da pequena casa onde eu vivera durante os últimos oito anos e que nunca mais seria o meu lar. Naquele momento, não me importei. Pulei para fora da van e saí correndo na direção da ambulância. Ridley Strub, um policial que eu conhecia desde criança, quando frequentamos a mesma escola, apareceu não sei de onde e me agarrou pelo braço. – Eles levaram sua mãe para o hospital – explicou. – Bella está na ambulância. Ela vai ficar bem. – Me solte! Desvencilhei-me da mão dele e corri para a porta aberta da ambulância, então pulei para dentro sem esperar ser convidado. – Papai! O grito de Bella foi abafado por uma máscara de oxigênio, mas foi forte o suficiente para eu saber que ela estava bem. Sentei-me na beirada da maca e a puxei para meus braços. – Você está bem, querida. – Minha garganta estava tão apertada que querida saiu como um sussurro. Vi a paramédica, uma moça de uns 20 anos. – Ela está bem, não está? – perguntei. – Está ótima – respondeu ela. – Só precisa de um pouquinho de oxigênio como precaução, mas... – Podemos tirar a máscara? – indaguei. Eu queria ver o rosto dela. Verificar se alguma coisa não estava bem. Queria ter certeza de que o único mal que ela sofrera havia sido o medo. Percebi que Bella segurava sua ovelhinha de pelúcia com toda a força debaixo do braço e, no piso da ambulância, vi sua bolsinha cor-de-rosa. Os dois objetos que ela sempre tinha por perto. – Quero tirar isto, papai! Bella segurou na beira da máscara de plástico, no ponto onde o objeto pressionava a bochecha. Soluçou, como sempre fazia quando chorava. A paramédica inclinou-se e tirou a máscara do rosto da menina. – Vamos manter o monitor de oxigênio no dedinho dela para ver como ela se sai – falou. Passei as mãos pelos cabelos castanhos da minha filha. Dava para sentir o cheiro da fumaça nela. – Você está bem – afirmei. – Perfeita. Ela soluçou novamente. – Vovó caiu no meio da sala. Estava saindo fumaça pela janela. – Ora, isso deve ter sido muito assustador – respondi. Minha mãe tinha caído? Lembrei-me de Ridley dizendo que ela estava no hospital. Olhei de novo para a moça. Ela estava verificando algum monitor instalado acima da maca. – Minha mãe. Ela está bem? – perguntei. A paramédica olhou em direção às portas abertas e não pude deixar de perceber o alívio em seu rosto quando ela viu Ridley subindo na ambulância. Ele colocou uma das mãos no meu ombro. – Preciso falar com você um instante, Trav. – O que houve? Não tirei os olhos de Bella, que estava agarrada à minha mão como se nunca mais fosse soltá-la. – Venha aqui fora comigo – pediu ele. Mamãe. Eu não queria sair dali com ele. Não queria ouvir o que ele tinha a dizer. – Pode ir – falou a paramédica. – Eu fico aqui com Bella. – Papai! – Minha filha agarrou minha mão com mais força quando percebeu que eu estava me levantando. – Fique aqui! Ela começou a lutar para sair da maca, mas eu a segurei pelos ombros e olhei em seus olhos acinzentados. – Você precisa ficar aqui. Eu volto rapidinho – garanti. Eu sabia que ela ficaria. Bella sempre fazia o que eu mandava. Bem, quase sempre. – Quantos minutos? – quis saber ela. – No máximo cinco – prometi, olhando para o meu relógio. Eu jamais havia deixado de cumprir uma promessa feita a ela. Meu pai jamais deixara de cumprir uma promessa feita a mim e eu lembro como era bom saber que podia confiar nele em qualquer situação. Inclinei-me para abraçá-la e dei-lhe um beijo no alto da cabeça. O cheiro de fumaça quase queimou meus pulmões. Do lado de fora da ambulância, Ridley me levou a um canto do terreno ao lado, longe dos carros de bombeiro e de todos os que pararam para ver a tragédia alheia. – É sobre a sua mãe – começou ele. – O vizinho disse que ela estava do lado de fora pendurando as roupas no varal quando o fogo começou e se espalhou como... se espalhou muito depressa. Ela entrou correndo para tirar Bella e então... ou sufocou com a fumaça ou teve um ataque do coração. De qualquer maneira, ela caiu e... – Ela está bem? Eu queria que ele fosse direto ao ponto. Ridley balançou a cabeça negativamente. – Eu sinto muito, Trav. Ela não resistiu. – Não resistiu? As palavras não estavam fazendo muito sentido para mim. – Ela morreu a caminho do hospital. Ridley levantou a mão para colocá-la sobre meu braço, mas desistiu. Era como se ele apenas a tivesse aproximado de mim para o caso de minhas pernas começarem a perder as forças. – Não entendi – retruquei. – Bella está bem. Como ela pode estar bem e minha mãe ter morrido? Minha voz começou a subir de tom e as pessoas se viraram para me olhar. – Sua mãe a salvou. Eles acham que ela caiu e que Bella foi esperta o suficiente para sair da casa, mas sua mãe estava... – Merda! Eu me afastei dele. Olhei para o relógio. Quatro minutos. Voltei para a ambulância e entrei. – Papai! – exclamou Bella. – Quero ir para casa. Mordi o interior da boca para conseguir não chorar. – Uma coisa de cada vez, Bell – falei. – Primeiro precisamos ter certeza de que seus pulmões estão bem. E depois? E depois? Para onde iríamos? Bastava uma olhada na casa para saber que tudo o que possuíamos fora perdido. Fechei os olhos, imaginando minha mãe correndo para dentro da casa, atravessando a fumaça e as chamas para encontrar Bella. Graças a Deus por isso, mas Deus fizera um trabalho pela metade dessa vez. Torci para que ela estivesse inconsciente quando caiu, para que nem tenha percebido que estava morrendo. Por favor, meu Deus, por favor. – Quero ir para casa! – choramingou Bella outra vez, a voz soando alta no minúsculo espaço da ambulância. Eu a segurei pelos ombros e olhei no fundo de seus olhos. – Nossa casa foi queimada pelo fogo, filha – expliquei. – Não podemos voltar. Mas nós vamos para outra casa. Temos muitos amigos, não é mesmo? Nossos amigos vão nos ajudar. – Tyler? – perguntou ela. Era o garoto de 5 anos que morava algumas casas à frente da nossa. A inocência dela partiu meu coração. – Todos os nossos amigos – respondi, na esperança de não estar mentindo. Nós iríamos precisar de todos. Percebi no rosto dela algo que jamais vira. Como aquilo acontecera? Ela faria 4 anos dali a duas semanas e, de uma hora para a outra, parecia ter deixado de ser criança e se tornado uma adulta em miniatura. Em sua fisionomia, vi a menina em que ela se transformara. Vi Robin. Eu sempre notara traços da mãe nela – as ruguinhas ao lado dos olhos quando ela ria. Os lábios ligeiramente virados para cima, deixando-a com uma aparência sempre feliz. As bochechas rosadas. Mas agora, de repente, havia mais do que apenas traços, e fiquei abalado. Puxei-a contra o meu peito, repleto de amor pela mãe que perdera naquela tarde e pela menininha que eu abraçaria para sempre – e talvez, lá no fundo, onde minha raiva não podia atingir, pela adolescente que, tanto tempo antes, me excluíra de sua vida.

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