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Plano Mestre de Evangelismo (Cód: 198331)

Coleman,Robert

Mundo Cristão

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Descrição

O tempo passa, mas certos princípios e conceitos não só permanecem, mas continuam relevantes, não importa a época. 'Plano Mestre de Evangelismo' é um exemplo. Lançado no Brasil no fim da década de 1960, logo se tornou um sucesso, o que o levou a sucessivas reimpressões. Foi uma das primeiras obras no Brasil a oferecer uma visão prática e sistemática sobre o processo de evangelismo e discipulado - e isso quando o termo ainda não estava tão em evidência quanto hoje em dia. No entanto, ainda que o conteúdo continuasse atual, a tradução e o tratamento gráfico da primeira edição já não acompanhavam as novas tendências.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Mundo Cristão
Cód. Barras 9788573254143
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8573254149
Profundidade 0.70 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 2
Ano da edição 2006
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 122
Peso 0.15 Kg
Largura 14.00 cm
AutorColeman,Robert

Leia um trecho

Introdução Paul Stromberg Rees Na "Crítica das teses de Feuerbach" de A ideologia alemã (Hucitec), Karl Marx escreveu: "Os filósofos só conseguiram interpretar o mundo de modo diferente; a questão, porém, é transformá-lo". Embora sejam diversos quanto a suas afirmações fundamentais, o Evangelho cristão e o comunismo concordam neste ponto. Mas a afinidade não vai muito além. A Igreja se distingue por proclamar a transformação do mundo a partir da mudança operada na vida dos seres humanos. A reflexão permite que as pessoas produzam novas filosofias, mas só os regenerados em Cristo pos-suem a chave para a construção de uma sociedade efetivamente renovada. Esta convicção, fundamentada na afirmação bíblica de que "Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo" (2Co 5:19), faz do evangelismo muito mais do que uma teoria ou um lema. Ela coloca o assunto em foco e o evidencia como uma necessidade. Neste ponto, entretanto, surge uma questão: como fazer do evangelismo - o processo de ampliação do círculo da fé que inclui cada vez mais pessoas transformadas pela confiança no fato de que Jesus é o Salvador - uma prática permanente, en-volvente e atraente? Plano mestre de evangelismo Sob o título Plano mestre de evangelismo, Robert E. Coleman, professor de evangelismo do Seminário Teológico de Asbury, apresenta uma série de princípios e elabora um esquema cujo estudo cuidadoso permite resgatar o conceito original de evan-gelismo: uma atividade essencial e contínua, baseada no testemunho da congregação dos fiéis, e que não pode ser classificada como especial ou ocasional. Não há nada nas próximas páginas que minimize a obra realizada pelo Espírito Santo através do esforço colossal, conjunto e pontual de grandes especialistas em evangelismo, tais como Dwight L. Moody, Billy Sunday ou Billy Graham. Por outro lado, o conteúdo deste livro faz dele um guia eficaz na formação de novos discípulos através de pequenos grupos. Além disso, o Plano mestre de evangelismo estimula o testemunho da igreja local diante da sociedade que a cerca, tudo isso com o objetivo de demonstrar a relação entre o Evangelho que somos incumbidos de proclamar e a vida que este mesmo Evangelho nos capacita a viver. O trabalho de Robert Coleman, concentrado ao máximo no modelo demonstrado pelo Senhor Jesus e seus discípulos, é pródigo em fundamentação bíblica. O estilo do autor dispensa ornamentos ou rodeios. É objetivo, direto. Ele reflete a sinceridade e a transparência de alguém que se concentrou por muito tempo no estudo do tema que se propõe a abordar. Justamente na manhã que elaborei este texto, ouvi um locutor de rádio afirmar que, na maioria das situações que as pessoas confrontam, elas fazem um entre dois movimentos possíveis: partem das palavras para as ações ou das ações para as palavras. É a mesma coisa que dizer: quando deixamos de tomar a iniciativa de transformar a teoria e os ideais em práxis, as ações concretas e palpáveis se perdem no meio de um palavreado inócuo. Creio que esta obra tão importante pode nos livrar deste perigo. Re-comendá-la, portanto, é um grande prazer para mim. Prefácio O Mestre e o plano Eu sou o caminho. João 14:6 O problema dos métodos evangelísticos Objetividade e relevância: estas são as questões cruciais em nosso trabalho. Estão diretamente relacionadas, e o grau de compatibilidade entre elas servirá como base para determinar a importância e o sentido daquilo que fazemos. O fato de estarmos envolvidos em várias atividades ou sermos muito qualificados não significa necessariamente que podemos considerar o objetivo alcançado. Há duas perguntas que sempre devemos fazer a nós mesmos: está valendo a pena? É assim mesmo que se faz? É preciso voltar continuamente a essas questões quando se trata da atividade evangelística da igreja local. Até que ponto nossos esforços para manter as coisas funcionando bem estão contribuindo de fato para o cumprimento da Grande Comissão de Cristo? Há alguma iniciativa em expansão que reúna homens comprometidos com o Reino, alcançando o mundo com o Evangelho, e que seja fruto de nosso ministério? Não há como negar o fato de que estamos envolvidos em muito trabalho na igreja. Tentamos transformar vários projetos evangelísticos em programas práticos, um após o outro - mas será que estamos atingindo nossos objetivos? Plano mestre de evangelismo Primeiro a função, depois o formato A esta altura da discussão, nossas preocupações se concentram na necessidade de elaborar uma estratégia inteligente de ações contínuas que contemplem o objetivo mais amplo do trabalho de evangelização. É preciso que saibamos de que modo um determinado curso de ação se encaixa no plano geral de Deus para nossa vida. Só este senso de missão pode mobilizar nossas almas, e isto vale para qualquer método ou técnica empregado na propagação do Evangelho do Reino. Assim como um prédio é construído de acordo com o uso planejado para ele, tudo que fazemos também deve ter um propósito. Caso contrário, nossas ações podem se perder em meio a confusão e falta de finalidade. Um estudo sobre princípios É isso que justifica o estudo proposto neste livro. Trata-se de um esforço para identificar os mesmos princípios que determina- vam as ações do Mestre, na esperança de que nosso trabalho siga o mesmo padrão de excelência e eficácia. Assim sendo, você não verá neste livro uma tentativa de interpretação dos métodos de Jesus, tanto no que se refere à evangelização pessoal quanto à pregação do Evangelho para grandes públicos.1 Na verdade, este é um estudo dos princípios implícitos no ministério do Filho de Deus, e que determinaram os métodos que ele utilizou. Plano mestre de evangelismo pode ser considerado, portanto, um estudo sobre a estratégia evangelística de Cristo e como ela orientou sua vida enquanto ele viveu na Terra.A necessidade de pesquisas mais profundas É surpreendente constatar que pouca coisa tem sido publicada sobre este aspecto da questão, embora muitos livros que falam de métodos evangelísticos a mencionem. O mesmo se pode Prefácio dizer dos estudos sobre os métodos de ensino de Jesus,2 assim como textos em geral que focalizam a vida e a obra de Cristo.3 Provavelmente, os mais cuidadosos estudos já produzidos até hoje sobre o plano evangelístico geral do Mestre sejam aqueles que se referem ao treinamento dos discípulos, entre os quais se destaca O treinamento dos Doze, de Alexander B. Bruce.4 Publicada pela primeira vez em 1871 e revisada em 1899, esta narrativa sobre o crescimento dos discípulos na presença do Mestre ain- da é a mais rica em revelações a respeito do tema.Outra obra, Pastor pastorum, de Henry Latham, escrita em 1890, dedica uma atenção particular ao modo segundo o qual Jesus treinava as pessoas, ainda que a análise seja menos abrangente.5 Desde o tempo desses estudos pioneiros surgiram vários outros livros mais simples, que ajudam e estimulam a discussão sobre o assunto.6 Nem todas essas obras compartilham o mesmo ponto de vista teológico evangélico, mas é interessante notar como praticamente concordam na avaliação que fazem a respeito do principal fator de motivação na obra de Jesus entre os discípulos. Isso também acontece com muitas obras práticas sobre as várias fases da vida e do ministério da Igreja publicadas de uns tempos para cá, principalmente os livros voltados para o movimento cada vez maior de grupos pequenos e testemunhos leigos nas comunidades locais. Ainda que saibamos que esses autores não escreveram a partir do ponto de vista de uma estratégia evangelística, devemos reconhecer que contribuíram de forma significativa na identificação dos princípios fundamentais presentes no ministério e na missão de nosso Senhor. Entretanto, a essência da estratégia básica de Jesus raramente recebe a devida atenção. Ainda que sejamos agradecidos pelo trabalho daqueles que analisaram este assunto e valorizemos suas descobertas, ainda sentimos a necessidade de mais investigações e esclarecimentos, e isto é especialmente verdadeiro no estudo das próprias fontes que as originaram. Plano mestre de evangelismo Nosso plano de estudo É importante consultar o Novo Testamento - e os evangelhos, em particular - para discernir de fato o plano de Jesus. Eles são, em última análise, os únicos relatos que temos de testemunhas oculares do Mestre em ação (Lc 1:2,3; Jo 20:30; 21:24; 1Jo 1:1). Para ser mais específico, os evangelhos foram escritos principalmente para nos mostrar que Cristo é o Filho de Deus e que, pela fé, temos vida em seu nome (Jo 20:31). Mas nem sempre percebemos que a revelação da vida em Cristo inclui sua maneira de viver, a mesma que ele nos orientou a seguir. Devemos lembrar que as testemunhas responsáveis pela redação dos livros não apenas viram a verdade - foram transformadas por ela. Por esta razão, ao contar a história da vida de Jesus, aquelas pessoas faziam questão de destacar os aspectos que mais as influenciaram (e a outras pessoas) na decisão de deixar tudo que tinham para seguir o Mestre. É claro que nem tudo foi registrado. Como acontece em outras narrativas históricas, os autores dos evangelhos desenham um pai- nel geral baseado em alguns personagens e acontecimentos, destacando determinados pontos importantes no desenvolvimento da trama. Mas podemos ter certeza de que a intenção dos escritores é a de nos ensinar como seguir o exemplo de Cristo a partir desses eventos cuidadosamente selecionados e registrados em absoluta integridade, sob a inspiração do Espírito Santo. É por isso que os relatos sobre Jesus nas Escrituras Sagradas constituem nosso melhor, único e inequívoco manual de evangelismo. Assim sendo, este plano de estudo foi elaborado com o objetivo de traçar os passos de Cristo segundo a narrativa dos evangelhos, sem interferência ou interpolação de qualquer outro material indevido ou impróprio. Com esta filosofia de trabalho em mente, os relatos divinamente inspirados da vida e da obra de Jesus foram examinados muitas vezes, e sob vários ângulos, na tentativa de discernir a motivação do Mestre no cumprimento de sua missão. Suas estratégias foram analisadas do ponto de vista de seu ministério como um todo, na esperança de que, desta maneira, fosse Prefácio possível identificar o propósito maior contido em seus métodos de alcançar vidas. A tarefa não foi nada fácil, e sou o primeiro a reconhecer que ainda há muito que se aprender. É impossível restringir a grandeza ilimitada do Senhor da glória a qualquer tentativa de interpretação humana de sua perfeição, e quanto mais olhamos para Deus, mais nos certificamos desta realidade. Cristo, um modelo perfeito Mesmo reconhecendo a limitação deste estudo, devo dizer que nada é mais gratificante. Por mais restrita que possa ser nossa capacidade de percepção, sabemos que temos um Professor perfeito em Jesus. Ele nunca cometeu um erro. Apesar de ter compartilhado nossa natureza humana e ser tentado de todas as formas, nunca foi dominado pelas limitações da carne, que aceitou por amor a nós. Mesmo optando por não colocar em prática sua onisciência divina, Jesus tinha tudo muito claro em sua mente. Sempre soube o que era certo, e como Varão perfeito, viveu como o próprio Deus entre os seres humanos. Objetivo bem definido Os dias nos quais Jesus viveu num corpo carnal nada mais eram que o desdobramento histórico do plano de Deus desde o princípio de todas as coisas. A intenção do Senhor sempre foi essa: separar do mundo um povo que fosse só seu e construir uma Igreja fundamentada no Espírito Santo, a qual jamais morreria. Ele sinalizou o dia da vinda de seu Reino, em glória e poder. Este mundo era sua Criação, mas não sua morada eterna. As mansões divinas estavam nos céus, e um lugar estava sendo preparado para seu povo na eternidade. Ninguém foi excluído do propósito do Senhor, por sua graça. Seu amor era universal. Não se engane com isso: Jesus era "o Salvador do Mundo" (Jo 4:42). Deus queria que todos os seres humanos fossem salvos e conduzidos ao conhecimento da verdade. Plano mestre de evangelismo Com esta finalidade, Cristo deu a própria vida, oferecendo salvação de todo pecado a todas as pessoas. Ao fazer isto por um, o fez por todos. Ao contrário da superficialidade de nossos conceitos, para Jesus nunca houve uma distinção entre missões nacionais e transculturais. Ele sempre considerou tudo como evangelização mundial. Seu plano era de vitória A vida de Jesus foi orientada por seu objetivo. Tudo que fez e afirmou fazia parte de um plano preestabelecido, e era revestido de relevância porque contribuía para o propósito supremo de sua vida: redimir o mundo para Deus. Esta era a motivação que orien- tava suas ações e dirigia seus passos. Guarde isso em sua mente: o Mestre não deixou sua visão nem se desviou do objetivo um momento sequer. Por isso é tão importante analisar as articulações de que Jesus se valeu para alcançar sua meta. O Mestre revelou a estratégia de Deus para conquistar o mundo. Ele tinha confiança no futuro exatamente porque vivia de acordo com aquele plano no pre-sente. Nada foi casual em sua vida. Nenhuma energia foi em- pregada em vão, nenhuma palavra foi jogada fora. Ele estava trabalhando para Deus (Lc 2:49). Jesus viveu, morreu e ressuscitou de acordo com uma agenda previamente elaborada. Como um general que traça um plano de batalha, o Filho de Deus planejou sua vitória. Ele não podia apenas arriscar. Pesando cada alternativa e avaliando cada variante da experiência humana, Cristo concebeu um plano que não tinha como dar errado.Uma análise cuidadosa e relevante Estudar o Plano mestre de evangelismo é uma experiência que produz muitas revelações. Aqueles que se propõem a refletir com seriedade a respeito do assunto chegarão a algumas conclusões muito profundas, talvez até chocantes, embora a compreensão Prefácio provavelmente seja gradual e difícil. Na verdade, a princípio, pode até parecer que Jesus não tinha um plano. Outro tipo de abordagem pode levar à descoberta de alguma técnica específica, mas perder o padrão que fundamenta a estratégia geral. Esta, aliás, é uma de suas peculiaridades: ela é tão despretensiosa e sutil que passa despercebida pelos líderes mais desatentos. Mas quando o discípulo de Cristo finalmente compreende o método utilizado pelo Mestre, fica maravilhado com sua simplicidade e se pergunta como não conseguiu percebê-lo antes. Refletindo a respeito do plano de Jesus, vê-se que a filosofia na qual se baseia é tão diferente do que se vê nas igrejas de hoje em dia que suas implicações chegam a ser revolucionárias. Nas próximas páginas, tentamos esclarecer oito princípios norteadores do Plano mestre de evangelismo. Contudo, é importante dizer que a seqüência de apresentação não significa que cada passo deva ser compreendido como uma etapa, como se o último só pudesse ser iniciado depois de cumprido todos os anteriores. Na verdade, todos os capítulos estão interligados, e em certo sentido, todos começam com o primeiro passo. A intenção, ao elaborar este esboço, é a de estruturar o método de Jesus e destacar a lógica progressiva de seu plano de evangelização. É importante observar que, à medida que o ministério de Jesus Cristo progride, cada passo se torna mais marcante e a seqüência, mais fácil de distinguir. Notas 1Há inúmeros livros que tratam das diversas fases da mensagem evangelística e da metodologia de Jesus. Entre os títulos que podem oferecer contribuições bastante úteis estão: How Jesus dealt with man [Como Jesus lidava com as pessoas], de Raymond Calkins (Nashville: Abingdon-Cokesbury Press, 1942); As he passed by [Conforme ele passava], de Allan Knight Chalmers (Nova York: The Abingdon Press, 1939); Meeting the Master [Encontro com o Mestre], de Ozora Davis (Nova York: Association Press, 1917); The personal evangelism of Jesus [O evangelismo pessoal de Jesus], de F.V. McFatridge (Grand Rapids: Zondervan, 1939); The great physician [O grande mé- dico], de G. Campbell Morgan (Nova York: Fleming H. Revell, 1937); How Jesus Plano mestre de evangelismo won men [Como Jesus ganhava almas], de L.R. Scarborough (Nova York: George H. Doran, 1926); Christ's way of winning souls [A maneira pela qual Jesus ganhava almas], de John Calhoun Sligh (Nashville: Publishing House of the M.E. Church, South, 1909); The magnetism of Christ [O magnetismo de Cristo], de John Smith (Londres: Hodder and Stoughton, 1904); The evangelism of Jesus [O evangelismo de Jesus], de Mack Stokes (Nashville: Methodist Evangelistic Materials, 1960); The evangelism of Jesus [O evangelismo de Jesus], de Earnest Clyde Wareing (Nova York: The Abingdon Press, 1918); Basic New Testament evangelism [Evangelismo básico do Novo Testamento], de Faris D. Whitesell (Grand Rapids: Zondervan, 1949). Além desses trabalhos, que tratam especificamente dos métodos evangelísticos de Jesus, há muitos outros que concentram atenção particular sobre um ou dois capítulos, como Modern evangelism [Evangelismo moderno], de R.W. Cooper (Nova York: Fleming H. Revell, 1929, cap. 2); Taking men alive [Resgatando vidas], de Charles G. Trumbull (Nova York: Fleming H. Revell, 1927, cap. 9); Galilean fisherman [O pescador Galileu], de S.A. Whitmer (Berne, Indiana: Life and Hope, 1940, cap. 10). No entanto, toda obra que trata da vida e dos ensinamentos de Cristo oferece, em maior ou menor grau, referências a seus métodos evangelísticos, e muitos desses trabalhos mais amplos trazem uma discussão mais completa de casos específicos. 2 Alguns dos livros e textos mais importantes são: The pedagogy of Jesus [A pedagogia de Jesus], de Walter Albeon Squires (Filadélfia: Westminster, 1927, p. 67-168); The Christ of the classroom [O Cristo da sala de aula], de Norman E. Richardson (Nova York: Macmillan, 1931, p. 121-82); Jesus the Teacher [Jesus, o Professor], de J.M. Price (Nashville: Convention Press, 1954, p. 31-60). 3 Por exemplo, informações úteis relativas à estratégia de Jesus podem ser encontradas em obras bastante conhecidas, como The life of our Lord [A vida de nosso Senhor], de Samuel J. Andrews (Grand Rapids: Zondervan, 1954, p. 121,2); The life of the Lord Jesus [A vida do Senhor Jesus], de J.P. Lange (Grand Rapids: Zondervan, 1958, v. 1, p. 393-410; v. 2, p.182-97); The life and times of Jesus the Messiah [A vida e a época de Jesus, o Messias], de Alfred Edersheim (Nova York: E.R. Herrick, 1886, v. 1, p. 472-7); The days of his flesh [Os dias da encarnação], de David Smith (Londres: Hodder e Stoughton, 1905, p. 157-67). Epochs in the life of Jesus [Períodos da vida de Jesus], de A.T. Robertson (Broadman Press, 1974). 4 Arte Editorial, 2004. 5 Henry Latham. Pastor pastorum. Cambridge: Deighton Bell, 1910. 6 É preciso pensar duas vezes antes de elaborar uma lista dessas obras, já que o grau de importância de cada uma à discussão do tema é muito variável, além de seu conteúdo estar sujeito a interpretações. No entanto, os títulos selecionados e mencionados a seguir, que chamaram minha atenção, merecem destaque: Traits of the Twelve [As peculiaridades dos Doze], de Edwin A. Schell (Cincinatti: Jennings and Graham, 1911); With the Twelve [Na companhia dos Doze], de Carl A. Glover (Nashville: Cokesbury Press, 1939); Christ's way with people [Como Cristo lidava com as pessoas], de F. Noel Palmer (Londres: Marshall, Morgan e Scott, 1943); The Twelve together [Os Doze reunidos], de T. Ralph Morton (Glasgow: The Iona Community, 1956). Há também passagens selecionadas em outros livros, com capítulos dedicados a este tema, como em Jesus' way with people [Como Jesus lidava com as pessoas], de Alexander C. Purdy (Nova York: The Womans Press, 1926, p. 101-15); The New Testment order for Church and missionary [A orientação do Novo Testamento para a Igreja e os missionários], de Alexander Rattray Hay (Audubon). New Testament Missionary Union, 1947, p. 36-43. 1 Recrutamento E escolheu doze deles. Lucas 6:13 O método de Jesus se baseava em pessoas Tudo começou quando Jesus chamou alguns homens e os convidou a segui-lo. Este ato era suficiente para revelar o rumo que sua estratégia evangelística tomaria. Ele não se preocupava com projetos especiais para alcançar grandes platéias, mas com pessoas a quem as multidões deveriam seguir. É interessante destacar que Jesus começou a reunir aqueles homens antes de organizar campanhas evangelísticas ou mesmo de pregar em público. As pessoas eram a base de seu método de ganhar o mundo para Deus. O objetivo inicial do plano de Jesus era o de arregimentar pessoas que fossem capazes de testemunhar a respeito de sua vida e manter sua obra em andamento depois que retornasse ao Pai. João e André foram os primeiros convocados, logo depois que Jesus deixou o cenário do grande avivamento promovido por João Batista em Betânia, do outro lado do rio Jordão (Jo 1:35-40). André retribuiu levando seu irmão, Pedro (Jo 1:41,42). No dia seguinte, Jesus encontrou Filipe no caminho para a Galiléia, e Filipe, por sua vez, encontrou Natanael (Jo 1:43-51). Não há nenhuma evidência de que a seleção desses discípulos tenha sido precipitada. Eles foram designados, só isso. Tiago, irmão de João, Plano mestre de evangelismo não é mencionado como integrante do grupo até os quatro pescadores serem convocados novamente, muitos meses depois, no mar da Galiléia (Mc 1:19; Mt 4:21). Logo depois, ao passar pela cidade de Cafarnaum, o Mestre propõe a Mateus segui-lo (Mc 2:13,14; Mt 9:9; Lc 5:27,28). As peculiaridades envolven- do a chamada dos demais discípulos não foram registradas nos evangelhos, mas acredita-se que todas ocorreram no primeiro ano do ministério de nosso Senhor.1Como era de se esperar, os primeiros esforços no sentido de ganhar almas tiveram pouco ou nenhum efeito imediato na vida religiosa da época de Jesus, mas isso não era o mais importante. O tempo passou, e aqueles poucos pioneiros convertidos estavam destinados a se tornar os líderes da Igreja do Senhor que levariam o Evangelho por todo o mundo. Do ponto de vista do propósito supremo de Deus, suas vidas tiveram um significado que durará por toda a eternidade. É só isso que importa.Gente ansiosa para aprender O aspecto mais revelador sobre aqueles homens é que, a princípio, nenhum deles impressionava. Ninguém ocupava posição de destaque na sinagoga, e nenhum deles pertencia ao corpo sacerdotal levita. A maioria era formada por trabalhadores comuns, e provavelmente não tinha qualquer qualificação além do conhecimento básico necessário para o exercício de sua profissão. Talvez alguns pertencessem a famílias abastadas, como os filhos de Zebedeu, mas nenhum deles poderia ser considerado rico. Não tinham formação acadêmica nas artes e filosofias daquele tempo. Assim como o Mestre, a educação formal que receberam consistia apenas no que se aprendia nas escolas das sinagogas. Muitos cresceram na área mais pobre em torno da Galiléia. Aparentemente, o único dos Doze criado numa região mais privilegiada da Judéia era Judas Iscariotes. Recrutamento Portanto, sob qualquer critério de sofisticação cultural da- quela época ou atual, os apóstolos poderiam ser considerados como um agrupamento tosco de almas. É difícil compreender co- mo Jesus poderia usar gente assim. Eram pessoas impulsivas, temperamentais, que se melindravam com facilidade e vítimas de todo tipo de preconceito no contexto em que viviam. Para resumir, aqueles homens selecionados pelo Senhor para ser seus assistentes representavam o perfil médio da sociedade daqueles dias.2 Não era o tipo de gente de quem se pudesse esperar ganhar o mundo para Cristo.Mesmo assim, Jesus viu naqueles homens simples o potencial de liderança para o Reino. De fato, eram pessoas "comuns e sem instrução", de acordo com o padrão do mundo (At 4:13), mas tinham capacidade de aprender. Embora costumassem errar em seus julgamentos e fossem lentos para compreender as questões espirituais, eram homens honestos, prontos para admitir suas fraquezas. Seu comportamento poderia ser grosseiro e suas habilidades, limitadas, mas à exceção do traidor, todos tinham um grande coração.Talvez o fato mais significativo sobre os apóstolos era seu grande anseio por Deus e pelas coisas divinas. A superficialidade da vida religiosa à volta deles não deturpou a esperança que tinham pela vinda do Messias (Jo 1:41,45,49; 6:69). Estavam fartos da hipocrisia dos aristocratas legalistas. Alguns já haviam se unido ao movimento de avivamento promovido por João Batista (Jo 1:35). Aqueles homens procuravam por alguém que os guiasse no caminho da salvação. Gente assim, disposta a se deixar moldar pelas mãos do Mestre, poderia ganhar uma nova imagem. Jesus pode usar qualquer um que deseja ser usado. Foco bem definido Ao destacar este fato, porém, não temos a intenção de ignorar a verdade prática de como Jesus fez aquilo. Aqui está a sabedoria de Plano mestre de evangelismo seu método, e quando observamos este detalhe, voltamos ao princípio fundamental do foco do Mestre sobre aqueles que pretendia usar. Não dá para transformar o mundo se as pessoas que nele vivem não forem transformadas; e as pessoas não mudam, a não ser que Jesus molde suas vidas. A necessidade, ao que parece, não era apenas a de recrutar uns poucos leigos, mas manter o grupo sufi- cientemente pequeno para que pudesse ser bem trabalhado. Por isso, conforme o grupo de seguidores cresceu ao redor de Jesus, por volta da metade de seu segundo ano de ministério, tornou-se necessário reduzir a companhia mais seleta a um número mais fácil de administrar. Assim, Jesus "chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou apóstolos" (Lc 6:13-17; v. Mc 3:13-19). Independentemente do significado simbólico que algumas pessoas atribuem ao número doze,3 é evidente que Jesus queria que aqueles homens tivessem privilégios e responsabilidades singulares na obra do Reino de Deus.Isto não quer dizer que, com a decisão de ter doze apóstolos, Jesus estava excluindo outras pessoas de seu círculo de segui- dores. Como sabemos, havia muito mais discípulos, e alguns deles se tornaram obreiros muito eficazes da Igreja. Os Setenta (Lc 10:1); Marcos e Lucas, que revelaram o Evangelho; e Tiago, irmão do Senhor (1Co 15:7; Gl 2:9,12; v. Jo 2:12; 7:2-10), são exemplos notáveis disto. Contudo, devemos reconhecer que os Doze começaram a se destacar, em termos de prioridade, em relação aos demais.A mesma regra poderia ser aplicada em sentido inverso: dentro do seleto grupo apostólico, Pedro, Tiago e João pareciam desfrutar de um relacionamento ainda mais especial com o Mestre do que os outros nove. Só aquele pequeno grupo privilegiado foi convidado a entrar no quarto onde a filha de Jairo estava deitada (Mc 5:37; Lc 8:51); só eles três acompanharam o Mestre e viram sua glória no monte da Transfiguração (Mc 9:2; Mt 17:1; Lc 9:28); e em meio às sombras tenebrosas projetadas pelas oliveiras do Recrutamento jardim do Getsêmani, sob a lua cheia da madrugada da Páscoa, aqueles membros do círculo mais íntimo de Jesus o acompanhavam de perto, enquanto ele orava (Mc 14:33; Mt 26:37). A prefe-rência que dedicava àquele trio era tão evidente que, se não fosse pela mais pura atitude de renúncia e desprendimento, encarnada na pessoa de Cristo, poderia ter provocado sentimentos ressentidos nos demais apóstolos. O fato de não haver registro de reclamações dos discípulos sobre a proeminência dos três - ainda que houvessem se queixado de outras coisas - é prova de que a demonstração de algum tipo de preferência não precisa ser necessariamente uma ofensa, desde que isto aconteça dentro de um contexto adequado e por razões justas.4 A aplicação do princípio O modo espontâneo de Jesus dedicar sua vida àqueles que desejava treinar era impressionante. Também serve para ilustrar um princípio fundamental do ensino: o de que, em igualdade de condições, quanto mais concentrado e compacto for o grupo a ser orientado, maior o potencial para uma instrução eficaz.5 Jesus dedicou parte considerável de seu tempo na Terra àqueles poucos discípulos. Ele empenhou todo seu ministério neles. O mundo poderia até demonstrar indiferença quanto ao Mestre, mas ainda assim sua estratégia seria vitoriosa. Por isso é que Jesus não ficou muito preocupado quando seus seguidores, no momento mais crucial, deixaram de ser leais a ele, ao confrontarem o verdadeiro significado do Reino (Jo 6:66). Mas ele não podia suportar a idéia de que seus discípulos mais chegados se desviassem do propósito maior. Era preciso que eles entendessem a verdade e por ela fossem santificados (Jo 17:17), caso contrário todo o restante iria por água abaixo. Foi assim que ele orou não "pelo mundo", mas pelos poucos que Deus dera a ele, "pois são teus" (Jo 17:6,9).6 Tudo dependia da fidelidade Plano mestre de evangelismo daquele pequeno grupo: o mundo creria em Jesus "por meio da mensagem deles" (Jo 17:20). Valorização das massas No entanto, seria um erro presumir, com base no que foi dito até agora, que Jesus dava menor importância às massas. Com certeza, este não era o caso. Jesus fez tudo que qualquer pessoa poderia ter feito, e ainda mais, para alcançar as multidões. A primeira coisa que fez quando iniciou seu ministério, numa atitude de muita ousadia, foi se identificar com o grande movimento de avi- vamento popular de sua época, por meio do batismo realizado por João Batista (Mc 1:9-11; Mt 3:13-17; Lc 3:21,22). Mais tarde, Jesus fez uma pausa em seu ministério para louvar o trabalho do grande profeta (Mt 11:7-15; Lc 7:24-28), e orava o tempo todo pelas multidões que o seguiam em seu ministério de operação de milagres. Ele as ensinava. Providenciou alimento quando viu que o povo tinha fome. Curou os doentes e expulsou os demônios que os oprimiam. Abençoou as criancinhas. De vez em quando, era capaz de passar o dia inteiro cuidando das necessidades das pessoas, mesmo tendo que chegar "ao ponto de eles não terem tempo para comer" (Mc 6:31). De todas as formas possíveis, Jesus manifestou uma grande preocupação com as massas. Eram aquelas as pessoas que veio salvar. Ele as amava, chorou com elas e, no fim, morreu para salvá-las de seu pecado. Ninguém pode dizer que Jesus se negou a evangelizar o povo. Multidões despertadas Na verdade, a habilidade que Jesus possuía de cativar as mul- tidões criou um problema sério em seu ministério. Ele foi tão bem-sucedido na expressão de sua compaixão e de seu poder que as pessoas, a certa altura, "pretendiam proclamá-lo rei à força" (Jo 6:15). Um dos seguidores de João Batista, ao prestar Recrutamento relatório a seu mestre, afirma que "todos" estavam clamando pela atenção de Jesus (Jo 3:26). Até os fariseus admitiam entre si que "o mundo todo" estava seguindo o Cristo (Jo 12:19). Para os chefes dos sacerdotes, tão amargo quanto o reconhecimento da popularidade de Jesus foi ter que concordar com o fato (Jo 11:47,48). Sob qualquer ponto de vista, o registro do Evangelho com cer- teza não indica que Jesus tenha desprezado seguidores entre as grandes massas, apesar da falta de lealdade que eles demonstravam. E foi assim até o fim de seu ministério. De fato, foi o medo dessa popularidade de Jesus que induziu seus acusadores a pensar numa oportunidade de capturá-lo quando não houvesse muita gente por perto (Mc 12:12; Mt 21:26; Lc 20:19). Se Jesus tivesse incentivado este sentimento popular entre as massas que o seguiam, teria todos os reinos deste mundo a seus pés com facilidade. Bastaria a ele satisfazer as necessidades e as curiosidades temporais das pessoas com seu poder sobrenatural. Foi assim a tentação que Satanás apresentou no deserto, quando Cristo foi desafiado a transformar pedras em pães e atirar-se do pináculo do templo para que Deus o socorresse (Mt 4:1-7; Lc 4:1-4,9-13). Sem dúvida, aqueles feitos espetaculares levariam as multidões a aplaudi-lo. Satanás não estava oferecendo nada a Jesus quando prometeu todos os reinos deste mundo se o Mestre apenas o adorasse (Mt 4:8-10). O maior enganador dos seres humanos sabia muito bem que Jesus teria tudo isso caso deixasse sua atenção se desviar das coisas que realmente importavam no Reino eterno.7Mas Jesus não estava ali para se exibir diante de uma platéia. Pelo contrário: por várias vezes, ele fez o possível para evitar que o apoio popular superficial das multidões - resultado da manifestação de seu poder extraordinário - o influenciasse (por exemplo: Jo 2:23-3:3; 6:26,27). Com freqüência, ele pedia àqueles que recebiam algum tipo de cura para não revelar o que tinha acontecido. A idéia era a de evitar demonstrações públicas de Plano mestre de evangelismo poder diante das pessoas que se reuniam à sua volta com muita facilidade.8 Da mesma maneira, com os discípulos que viram sua transfiguração no monte, "Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos" (Mc 9:9; Mt 17:9). Em outras ocasiões, quando recebia os aplausos da multidão, o Mestre se retirava com seus discípulos e ia para algum lugar no qual pudesse dar prosseguimento a seu ministério.9 Às vezes, esta prática adotada por Jesus aborrecia seus seguidores - pelo menos, aqueles que não compreendiam a estratégia do Senhor. Até mesmo seus irmãos e irmãs, que ainda não criam nele, tentavam convencê-lo a abandonar esta forma de agir e realizar um grande espetáculo público diante do mundo, no qual ele seria o astro. Contudo, o Mestre recusou-se a acatar o conselho daquelas pessoas (Jo 7:2-9). Dificuldade para entender Diante desta postura, não chega a ser surpresa o fato de tão poucas pessoas terem sido convertidas de fato durante o ministério de Cristo - pelo menos, aquelas que davam sinais claros de conversão. É claro que muitas multidões creram em Jesus, no sentido em que seu ministério divino foi acolhido por elas,10 mas, em termos comparativos, pouca gente parece ter alcançado o significado do Evangelho. Talvez o número total de seguidores leais de Cristo no fim de seu ministério na Terra fosse pouco maior do que uns 500 irmãos aos quais Jesus apareceu depois da ressurreição (1Co 15:6), e não mais do que 120 permaneceram em Jerusalém para receber o batismo do Espírito Santo (At 1:15). Embora este número não seja tão reduzido - considerando que seu ministério ativo se estendeu por um período de apenas três anos -, ainda assim, se fosse medida a eficácia de sua obra pelo total de convertidos, Jesus dificilmente seria considerado um dos maiores evangelistas da Igreja. Recrutamento A estratégia Por quê? Qual seria o motivo de Jesus concentrar sua vida num número relativamente tão reduzido de pessoas? Ele não veio para salvar o mundo? Ainda mais depois de ter sido anunciado com tanto entusiasmo nos discursos de João Batista às multidões, o Mestre poderia formar, com facilidade, um grupo de milhares de seguidores, se assim desejasse. Então, por que ele não capitalizou as oportunidades que teve de montar um poderoso exérci- to de fiéis para tomar o mundo de assalto? Com certeza, o Filho de Deus poderia ter adotado um programa mais atraente de recrutamento de seguidores em larga escala. Não é um pouco decepcionante saber que alguém com todos os poderes do universo em suas mãos preferiu viver e morrer para salvar o mundo, e mesmo assim, no fim de seu ministério terreno, tinha apenas alguns discípulos meio toscos como resultado de seus esforços? O foco da resposta a esta pergunta está no propósito verdadeiro do plano de Jesus para a evangelização. Jesus não estava tentando impressionar a multidão, mas prenunciar um Reino. Isto significa que precisava de pessoas capazes de liderar grandes grupos. Em que contribuiria para seu objetivo supremo de despertar o povo a segui-lo se aquelas pessoas não tivessem su- pervisão ou instrução a respeito do Caminho, posteriormente? Isso foi demonstrado em inúmeras ocasiões nas quais a mul-tidão tornou-se vítima fácil de falsos deuses, quando deixada aos próprios cuidados. As massas eram como rebanhos de ovelhas desamparadas, perambulando sem destino e sem um pastor (Mc 6:34; Mt 9:36; 14:14). Ansiavam por seguir qualquer um que aparecesse com uma promessa de bem-estar e prosperidade, fosse um amigo ou um inimigo. Esta era a tragédia da época: Jesus era capaz de incitar as aspirações mais sublimes do povo, mas eram rapidamente frustradas quando aparecia alguma autoridade religiosa mal-intencionada para controlar as massas. Mesmo sendo poucos, em números relativos,11 os líderes espirituais Plano mestre de evangelismo cegos de Israel (Jo 8:44; 9:39-41; 12:40; v. Mt 23:1-39) dominavam tudo que dizia respeito ao povo. Por esta razão, a não ser que os convertidos a Jesus tivessem homens de Deus competentes para liderá-los e protegê-los na verdade, logo se perderiam em confusão e desespero, e o último estado seria ainda pior do que o primeiro. Assim sendo, antes que o mundo pudesse ser ajudado de uma vez por todas, algumas pessoas surgiriam para guiar as multidões nas coisas de Deus. Jesus era um realista. Ele compreendeu totalmente a volubilidade da natureza humana deturpada, assim como as forças satânicas deste mundo reunidas para combater a Humanidade. Foi com base neste conhecimento que ele elaborou seu plano evan- gelístico para suprir a necessidade dos pecadores. As multidões de almas em conflito e desnorteadas estavam potencialmente prontas para segui-lo, mas Cristo sozinho não poderia dar a elas a atenção pessoal da qual precisavam. Sua única alternativa era dispor de homens imbuídos do próprio Evangelho que cumpri- riam esta tarefa. Por esta razão, ele concentrou seus esforços na preparação daqueles que dariam início a seu método de liderança. Embora Jesus tivesse feito o que podia para ajudar o povo, precisava dedicar sua atenção prioritariamente a algumas pes- soas, mais do que às massas, com o objetivo de garantir que elas tivessem oportunidade de conhecer o caminho da salvação. Este era o aspecto mais genial de sua estratégia.A aplicação do princípio nos dias de hojePor mais estranho que possa parecer, este princípio não é muito bem compreendido hoje em dia. Muitos esforços evangelísticos começam com as multidões para depois alcançar as pessoas individualmente, segundo a suposição de que a Igreja está qualificada para conservar as coisas boas que faz. O resultado é uma ênfase extraordinária em números de convertidos, candidatos a Recrutamento batismo e aumento na lista de membros da congregação, enquanto pouco ou nenhum interesse genuíno é demonstrado pelo apro- fundamento e pela afirmação dessas almas no amor e no poder de Deus - isso sem falar na preservação e na continuidade da obra do Senhor. A esta altura, se o padrão estabelecido por Jesus significa alguma coisa de fato, ele ensina que a primeira obrigação de um pastor, assim como a primeira preocupação de um evangelista, é assegurar-se desde o início de que há um fundamento sobre o qual pode ser erguido um ministério evangelístico eficaz e contínuo para alcançar as multidões. Isto exigirá uma concentração ainda maior de tempo e talentos sobre um número reduzido de pessoas na igreja, sem negligenciar a paixão pelo mundo que precisa de salvação. Significará o surgimento de uma liderança treinada "para a obra do ministério" junto com o pastor (Ef 4:12). Um punhado de pessoas capazes de dedicar-se desta maneira é suficiente para mobilizar o mundo por Deus.12 A vitória nunca é alcançada pelas multidões.É possível que alguém argumente que a aplicação deste princípio pelo obreiro cristão revela um certo favoritismo por determinado grupo dentro da igreja. No entanto, mesmo que isto aconteça, ainda é esta a maneira segundo a qual Jesus concentrou seus esforços, e se algum tipo de liderança permanente precisa ser formado, é fundamental colocar este princípio em ação. Onde há um amor genuíno por toda a igreja e uma preocupação autêntica pelas necessidades das pessoas, estas objeções podem, pelo menos, ser conciliadas com a missão que devemos cumprir. De qualquer forma, o objetivo supremo deve estar bem claro na mente do obreiro, e não pode haver um traço sequer de parcialidade ou egoísmo nos relacionamentos que ele mantém com todas as pessoas. Tudo que se faz com os grupos pequenos tem por finalidade a salvação das multidões. Plano mestre de evangelismo Uma demonstração contemporânea Este princípio de seleção e concentração de esforços está enraizado no universo, e traz resultados palpáveis, não importa quem seja a pessoa que o coloca em prática, crendo ou não a igreja em sua eficácia. Com certeza, não é à toa que os comunistas, sempre alertas aos métodos que funcionam de fato, adotaram em larga escala o mesmo método de Jesus para expansão de sua ideo- logia. Valendo-se dele para atingir seus objetivos, conseguiram multiplicar-se, deixando de ser um punhado de zelotes para se transformar numa vasta rede que chegou a dominar quase metade da população do planeta. Eles provaram, na história recente, o que Jesus demonstrou de modo tão claro em sua época: que as multidões podem ser conquistadas com facilidade se tiverem bons líderes para seguir. Será que, em certo sentido, a expansão que a filosofia comunista alcançou há algumas décadas poderia ser encarada como um julgamento da Igreja? Até que ponto a debilidade de nosso compromisso com o evangelismo, assim como a maneira superficial com que lidamos com a questão, podem ter sido colocados na berlinda? É hora de agir Está na hora de a Igreja confrontar a situação de modo realista. Os dias de superficialidade já se foram. O programa evangelístico da Igreja naufragou em praticamente todas as frentes. O pior de tudo é que o grande impulso missionário da expansão do Evangelho através de novas fronteiras perdeu sua força. Em muitos países, a Igreja enfraquecida mal consegue acompanhar a explosão populacional. Enquanto isso, as forças satânicas deste mundo estão se tornando ainda mais implacáveis e ousadas em seus ataques. Quando paramos para pensar sobre isso, percebemos a ironia. Numa era em que há recursos disponíveis para a disseminação rápida do Evangelho por parte da Igreja como nunca se viu Recrutamento antes, na prática estamos alcançando menos resultados em nosso objetivo de ganhar o mundo para Deus do que antes da invenção do automóvel. Ao avaliar a condição trágica do mundo de hoje, não podemos agir de modo afobado na tentativa de reverter a tendência de uma hora para a outra. Talvez este tenha sido nosso problema. Com a preocupação de conter a maré, implantamos um programa evangelístico de impacto atrás do outro para alcançar as multidões com a palavra de Deus. No entanto, por conta de nossa frustração, falhamos por não compreender que o problema verdadeiro não está no povo - no que ele crê, como é governado, se é bem alimentado ou não. Todas essas coisas, consideradas tão vitais, são, em última análise, manipuladas por outras pes- soas. Por esta razão, antes de resolver a questão da exploração das massas, precisamos chegar àqueles que as conduzem. É claro que isto torna uma prioridade a missão de ganhar e treinar essas pessoas para que assumam posições de responsabilidade na liderança. Mas se não podemos começar por cima, então é melhor dar a largada onde estamos, treinando alguns dos mais simplórios para que se tornem grandes. E cabe lembrar, também, que ninguém precisa do prestígio do mundo para ser útil no Reino de Deus. Qualquer pessoa que deseja seguir a Cristo com fervor pode se tornar uma influência poderosa sobre o mundo - desde que, naturalmente, passe ela mesma pelo treinamento adequado. É neste ponto que devemos começar, do mesmo modo que Jesus. Será um trabalho lento, chato, doloroso. É provável que, a princípio, ninguém sequer note nosso esforço. Contudo, o resultado final será glorioso, mesmo que não vivamos o suficiente para testemunhá-lo. Vista por este ângulo, esta decisão revela-se muito importante para o ministério. É preciso resolver em que âmbito devemos fazer diferença: no reconhecimento momentâneo proporcionado pelo aplauso das multidões ou na reprodução da vida Plano mestre de evangelismo de Cristo a partir da obra de alguns poucos escolhidos que cumprirão sua tarefa depois de nós. A questão é: para qual geração estamos vivendo? No entanto, devemos prosseguir. Agora precisamos analisar como Jesus treinou seus homens para realizar sua obra. O padrão geral é parte do mesmo método, e não podemos separar uma etapa da outra sem comprometer sua eficácia. Notas 1 Uma das qualificações dos apóstolos, mencionada em Atos 1:21, era que tivesse acompanhado o Mestre, "desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas". Embora esta passagem não revele que ponto da obra batismal de João devemos considerar como marco inicial (com certeza, não desde o princípio, nem a partir do próprio batismo do Senhor), ela sugere uma associação prévia de todos os apóstolos com Jesus, talvez na época em que João Batista foi aprisionado. Veja Samuel J. Andrews, op. cit., p. 268; v. Alfred Edersheim, op. cit., v. 1, p. 521. 2 Muitos autores tentaram traçar um perfil dos doze apóstolos. Entre os que se propuseram a esta tarefa, além dos já citados em notas anteriores, os seguintes títulos forneceram textos de leitura bastante acessível: The representative men of the New Testament [Os homens mais representativos do Novo Testamento], de George Matheson (Nova York: Eaton and Mains, 1905); The Twelve [Os Doze], de Edward Augustus George (Nova York: Fleming H. Revell, 1916); The men whom Jesus made [Os homens que Jesus formou], de W. Mackintosh Mackay (Nova York: George H. Doran, 1924); The Máster and the Twelve [O Mestre e os Doze], de J.W.G. Ward (Nova York: George H. Doran, 1924); The Twelve, de Charles R. Brown (Nova York: Harper, 1926); The glorious company [A companhia gloriosa], de Francis Witherspoon (Nova York: Harcourt, Brace and Co., 1928); The twelve Christ chose [Os doze que Cristo escolheu], de Asbury Smith (Nova York: Harper, 1958); The Master's men [Os homens do Mestre], de William Barclay (Nashville: Abingdon, 1991); Great personalities of the New Testament [Grandes personalidades do Novo Testamento], de William Sanford LaSor (Westwood, N.J: Fleming H. Revell, 1961). 3 Várias opiniões foram formadas sobre o motivo de apenas doze terem sido designados "apóstolos", já que Jesus poderia ter selecionado mais ou realizado sua obra com menos gente, mas a teoria mais plausível provavelmente seja aquela segundo a qual o número sugere uma relação espiritual entre a companhia apostólica e o Reino Messiânico de Deus. Edwin Schell afirma: "Doze é o número do Israel espiritual. Seja por meio da observação dos doze patriarcas, nas doze tribos ou nos doze fundamentos dos doze portões da Jerusalém celestial, este número simboliza, em todas as vezes que aparece, a presença de Deus na família humana - a interpenetração do mundo pela divino" (Edwin Schell. op. cit., p. 32. É bem possível que os apóstolos tenham visto neste número um sentido mais literal, e Recrutamento tenham começado a cultivar esperanças ilusórias de ver a restauração de Israel, num sentido político. Não há dúvida de que tinham noção dos papéis que exerce- riam entre os Doze, e tiveram a preocupação de encontrar uma pessoa para ocupar a vaga que fora aberta a partir da morte de Judas (At 1:15-26; v. Mt 19:28). Uma coisa, porém, é certa: o número serviu para reforçar no coração dos escolhidos sua importância na obra futura do Reino. 4 Henry Latham sugere que o recrutamento daqueles três apóstolos serviu para convencer todo o grupo sobre a necessidade de "abnegação total". Segundo sua análise, era mesmo intencional mostrar aos apóstolos que "Cristo atribuía incumbências a quem quisesse; que o simples fato de fazer parte da obra de Deus já é uma honra; e que ninguém deve se sentir desencorajado por ver outras pessoas recebendo um tipo de trabalho aparentemente mais importante que os demais". Henry Latham. op. cit., p. 325. 5 O princípio da concentração exemplificado no ministério de Jesus não chegava a ser uma novidade. Sempre fez parte da estratégia de Deus, desde o princípio. O Antigo Testamento registra como Deus selecionou Israel, uma nação relativamente pequena, para através dela colocar em ação seu propósito redentor para toda a humanidade. Mesmo entre os israelitas, a liderança normalmente se concentrava no âmbito familiar, em especial no ramo davídico da tribo de Judá. 6 A oração sacerdotal de Cristo no capítulo 17 de João é bastante significativa em relação à conexão que faz com seus apóstolos. Dos 26 versículos da oração, 14 estão diretamente relacionados aos doze discípulos (Jo 17:6-19).7 A intenção aqui não é a de sugerir que a tentação envolvia apenas a questão da posse dos reinos do mundo, mas apenas a de enfatizar que o apelo da tentação era sobre a estratégia de Jesus - a de evangelizar o mundo -, assim como sobre o propósito espiritual de sua missão. Outra interpretação deste episódio da tentação no deserto, do ponto de vista do método evangelístico, e de certa forma parecida, é dada no livro Where in the world? [Onde no mundo?], de Colin W. William (Nova York: Nat'l Council of Churches of Christ, p. 24-7). 8 Alguns exemplos: o caso do leproso curado (Mc 1:44,45; Mt 8:4; Lc 5:14-16); as pessoas libertadas de espíritos imundos no mar da Galiléia (Mc 3:11,12); Jairo, depois de ver a filha ressuscitar (Mc 5:42,43; Lc 8:55,56); os dois cegos que recuperaram a visão (Mt 9:30); e o cego de Betsaida (Mc 8:25,26). 9 Alguns exemplos podem ser encontrados em Jo 1:29-43; 6:14,15; Mc 4:35,36; 6:1,45,46; 7:24-8:30; Mt 8:18,23; 14:22-23; 15:21,39; 16:4; Lc 5:16; 8:22; e muitos outros. 10 Há exemplos disso em Jo 2:23-25; 6:30-60; 7:31-44; 11:45-46; 12:11,17-19; Lc 14:25-35; 19:36-38; Mt 21:8-11,14-17; Mc 11:8-11. 11 Os fariseus e os saduceus eram os principais líderes de Israel, além dos exércitos de ocupação romanos, e toda a vida religiosa, social, educacional e (num grau mais limitado) política dos aproximadamente 2 milhões de habitantes da Palestina era moldada a partir de sua interferência. Mesmo assim, o número de pessoas que pertenciam ao ramo farisaico - composto, em sua maioria, por rabinos e leigos prósperos -, segundo estimativas do historiador Flavius Josephus (Ant., xvii, 2, 4), não passava de 6 mil. Enquanto isso, o número total de saduceus, grupo formado principalmente de chefes de sacerdotes e famílias que controlavam o Sinédrio de Plano mestre de evangelismo Jerusalém, provavelmente chegava a algumas centenas. Veja Anthony C. Deane. The world Christ knew [O mundo que Jesus conheceu] (Londres: Guild Books, 1944, p. 57,60; Alfred Edersheim. op. cit., p. 311. Quando se considera que este grupo de menos de sete mil pessoas, tão reduzido e cheio de privilégios, representava cerca de um terço de 1% da população de Israel e guiava o destino espiritual de uma nação, não é difícil entender por que Jesus falou tanto sobre eles quando ensinava a seus discípulos a necessidade estratégica de melhores lideranças para o povo. 12 Esta idéia surge de forma clara na tradução de Efésios 4:11,12: "E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado". Outras versões apresentam o mesmo sentido básico. As três partes do versículo 12 se fazem dependentes umas das outras de forma sucessiva, com a última assumindo a condição de clímax da idéia geral. De acordo com esta interpretação, Cristo concedeu um dom especial a alguns oficiais da igreja com o propósito de aperfeiçoar os santos para que cada um seja capaz de cumprir sua tarefa no grande objetivo de construir o Corpo de Cristo. O ministério da Igreja é visto como uma obra que envolve todos os membros do corpo (compare 1Co 12:18 com 2Co9:8). Lutero chama atenção a este mesmo aspecto em seu comentário sobre o livro de Efésios, assim como Weiss, Méier, DeWitte e Salmond. Para uma boa compreensão deste versículo a partir desse ponto de vista, veja o volume sobre Efésios em The expositor's Greek Testament [O Testamento Grego do expositor bíblico] (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, p. 330,1). Outras visões sobre o assunto são apresentadas com propriedade por Abbott em "Ephesians and Colossians" ["Efésios e Colossenses"] em International critical commentary [Comentário crítico internacional] (Edinborough: T.T. Clark, 1897, p. 119,20); e por Lange em "Galatians-Colossians" ["Gálatas-Colossenses"] em Commentary on the Holy Scriptures [Comentário sobre as Escrituras Sagradas] (Grand Rapids: Zondervan, p. 150,1). Um tratamento prático desta idéia geral pode ser encontrado no livro A ministering church [Uma igreja que ministra], de Gaines S. Dobbins (Nashville: Broadman, 1960, cap. 2, "A church needs many ministers" ["Uma igreja precisa de muitos ministros"], p. 15-29); e por um ângulo ainda diferente em The normal christian church life [A vida normal de uma igreja cristã], de Watchman Nee (Washington: International Students, 1962).

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