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Poder S. A. (Cód: 2594043)

Ribeiro,Beto

Nobel

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Poder S. A.

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Descrição

Baseado em fatos, o livro traz à tona as conversas de corredores das diferentes empresas que habitam o importante prédio situado no bairro do Itaim, na cidade de São Paulo, o SP Centrale Downtown Financial Center.
Seus 20 andares são testemunhas das personagens mais estranhas do universo corporativo que vivem em eterna tensão e competição pelo melhor cargo, salário e bônus anual. No total, dez empresas de ramos complementares trazem histórias hilárias e, o mais triste, verdadeiras. 'Poder S.A.' abre o backstage das diferentes Companhias, Ltda.s e S.A.s, em que se é possível perceber a sordidez e a política de boa vizinhança mentirosa imposta na seara empresarial.
Escrito por um ex-executivo do mundo dos negócios, que passou por grandes empresas da Publicidade, Varejo, Internet e Construção Civil, o livro é uma versão mais corporativa do Diabo Veste Prada, cujo texto vem com o mesmo humor ácido do seriado The Office, em que funcionário e patrão trocam as máscaras de vítima e torturador dependendo do seu interesse. Poder S.A. faz empregado e empregador refletirem sobre os caminhos traçados e escolhidos por cada um.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Nobel
Cód. Barras 9788527904605
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788527904605
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 160
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorRibeiro,Beto

Leia um trecho

Edifício SP Centrale Downtown Financial Center Térreo Na literatura, “João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém”. Já no mundo corporativo, a quadrilha é um pouco mais ácida e triste: “O diretor comercial detestava o diretor de marketing, que tinha antipatia pelo coordenador de RH, que não suportava o gerente financeiro, que tinha asco de seu trainee, que tinha medo do presidente, que não se importava com ninguém, apenas com seu bolso”. E isso é só um pedaço da linha ódio-medo-horror entre os seis mil funcionários das diferentes empresas que trabalham no número 6.666 da av. Brigadeiro Faria Lima, no bairro do Itaim, em São Paulo. O prédio, um dos mais bonitos da avenida, fica num terreno de seis mil metros quadrados e é rodeado por quatro jardins com 12 palmeiras e seis fontes cada um, que dão certo charme à velha arquitetura de vidro e concreto que invadiu a cidade. Como sempre no Brasil, o nome escolhido para batizar o edifício conseguiu misturar vários idiomas sem qualquer lógica. SP Centrale Downtown Financial Center é o nome dessa torre de 25 andares. Numa tradução rápida, significa “Centro Financeiro do Centro de São Paulo”. O curioso é que o bairro onde está o SP Centrale fica a cerca de nove quilômetros do centro; e não é um prédio exclusivo para empresas ligadasao mundo bancário. Aliás, ali há apenas um banco de investimentos...Ou seja... A pergunta que fica é: por que diabos esse nome foi o escolhido? Mistérios do mundo dos negócios... Por dia, as oito catracas do SP Centrale recebem, cada uma, cerca de doze mil e trezentas passadas de crachás de funcionários e visitantes, que sempre se impressionam com a riqueza do hall de entrada. Pedras vindas da Espanha, Portugal e Grécia compõem o piso; as portas são de vidros venezianos; os elevadores foram projetados por um importante designer americano; e o balcão da recepção é de mármore vindo diretamente da Itália. A sensação era que Michelangelo apareceria a qualquer momento para conduzir a construção do SP Centrale. Mas ela ficou mesmo a cargo dos talentos da engenharia nacional. Como você pode ver, nem tudo é assim tão glamoroso neste edifício. Há quase cinqüenta seguranças trabalhando em turnos de seis horas, que totalizam duzentos homens com ternos pretos fazendo o que a polícia na cidade não consegue: afastar ladrões e seqüestradores das proximidades do SP Centrale. Aliás, o sistema de segurança é de última geração, com câmeras em todos os cantos do prédio ligadas diretamente com a central de segurança da 24Horas Security (olha o inglês aí de novo), conectada on-line com as principais delegacias paulistanas. A cada dois meses, vinte homens sobem em andaimes para lavar, em apenas três dias, as mais de mil janelas do SP Centrale. E, claro que, assim que as últimas janelas do térreo estão secando, começam as chuvas de verão fora de hora. “Odeio esse aquecimento global!”, esperneia Vanessa Reis entre um trovão e outro. Ela é a gerente-geral do prédio — sim, em condomínios como o SP Centrale não há zeladores, mas gerentes — que organiza o entra-e-sai diário de faxineiros, pintores, encanadores, entre outros prestadores de serviço. De quinze em quinze dias chega um novo carregamento de produtos de limpeza, de deixar qualquer hotel com inveja. Só em folhas de papel pra enxugar as mãos são dois milhões. (“Bastam duas para deixar as mãos secas”, lembram os avisos nos banheiros. Mas todo mundo puxa, no mínimo, cinco até formar um bolo de papel bem grande nas mãos). Além das inúmeras caixas de sabão, sabonete líquido, sacos de lixo, detergente, vassouras e tudo mais o que você imaginar numa área de serviço. Isso sem contar no maior charme do prédio: perfume de ambiente L’Occitane. O aroma de verbena dura, em média, cinco minutos no ar. E o SP Centrale não fica um segundo sequer sem seu cheiro característico. Faça as contas você mesmo e se assuste com o resultado de quanto é gasto em perfume no edifício: um vidro dura uma hora, numa média de oito horas por dia, sete dias por semana... Nenhuma mulher, jamais, em uma vida, conseguirá consumir todo o perfume que o SP Centrale gasta em um dia. Ainda bem, os narizes de todos agradecem. O edifício tem um total de 25 andares — vinte para cima e cinco para baixo. Os subsolos do SP Centrale são capazes de abrigar mais de três mil veículos, o que acaba causando trânsito na pequena rua que dá acesso à rampa de entrada e saída dos carros. O dia inteiro é um entra e sai de Pajeros, Mercedes, Audis e Alfa Romeos, sem contar os incontáveis Gols, Pálios e Fox, entre os mais simples. A vizinhança, que está no bairro há quase quarenta anos, detesta o barulho e a fumaça que entram sem pedir licença nos pequenos sobrados. Dona Marie Antoniette, uma austríaca que chegou ao país em 1922, odeia o SP Centrale. Ela sempre tenta jogar pedra nos carros e já colocou o nome do prédio em sete bocas de sapos. O que a octogenária mais queria era que o Brasil se tornasse um país muito importante para o Bin Laden mandar um avião direto ao SP Centrale. “Só um já resolve!”, pragueja todo dia de manhã quando começa o barulho dos carros dos “moradores” do edifício.

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