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Poemas e Ensaios - Col. Clássicos Globo (Cód: 2663147)

Poe, Edgar Allan

Globo Editora

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Descrição

Poemas e ensaios, de Edgar Allan Poe, é um livro maior do que seu número de páginas indica. Além de reunir os principais poemas e ensaios de um dos principais nomes da modernidade, inclui um posfácio de Charles Baudelaire e conta com as consagradas traduções de Oscar Mendes e Milton Amado.

A modernidade começa no Renascimento. Mas tem um recomeço no início do século XX, com o modernismo (ou melhor, com os modernismos). O modernismo, por usa vez, começa, de fato, na segunda metade do século XIX. E não tem apenas um começo, mas vários. O impressionismo. O romance realista. Na poesia, Rimbaud. Ou, talvez, Baudelaire. Ou, quem sabe, Mallarmé. Ou, ainda, Poe.

Na verdade, Mallarmé (com suas inovações formais) é mais moderno que Baudelaire, que (com sua urbanidade) é mais moderno que Rimbaud. Mas num certo sentido muito preciso, o modernismo, ou a modernidade contemporânea, em poesia, começa com Poe (mas não só: ele é o inventor do conto policial, um dos gêneros modernos por excelência).

Uma das marcas principais da modernidade poética é que, com o fim das formas fixas, a poeticidade de um texto deixa de ser definida a priori. Ninguém duvidaria de que um soneto é um poema. Mas o que dizer das digressões em longas frases não-metrificadas de um Withman? A arte moderna não pode mais ser simplesmente frequentada. Ela pede uma bula.

O fenômeno é, portanto, universal. Na prosa, Joyce fornece ao Ulysses uma tabela em que sintetiza os capítulos, aponta seus estilos e faz uma relação com passagens da Odisseia. Eliot acrescenta notas a The waste land. Pound faz metalinguagem de vários modos nos Cantos, com passagens que parafraseiam ou traduzem outras passagens. E Poe escreve, de modo inaugural e magistral, A filosofia da composição, a fim de detalhar a forma como construiu seu poema mais justamente famoso, O corvo (ambos naturalmente neste volume).

Pois a modernidade de Poe não se limita ao uso da metalinguagem. Ela implica - e se intensifica - na própria matéria do poema. Assim, o poema mais 'romântico' da história é, na verdade, o menos romântico da literatura. Pois fruto, não da alma sensível do poeta, mas do controle das variáveis do poema. Sua construção começa pela escolha da letra ô, por ser a mais grave, não pela gravidade da dor do personagem. E foi num jogo construtivo de círculos concêntricos a partir do ô que Poe chegaria às demais variáveis do poema, formais, semânticas e narrativas. O corvo, por exemplo, foi primeiro pensado como um papagaio, pois Poe precisava de um ser falante, a fim de concretizar para o personagem a gravidade sonora do ô (que levou à gravidade ominosa da palavra-estribilho nevermore ), sem poder, porém, introduzir outra pessoa, para sustentar a programada solidão extrema da cena.

Na síntese de Baudelaire no 'Posfácio', 'Poe se apresenta sob três aspectos: crítico, poeta e romancista' (os dois primeiros plenamente representados no volume, que conta também, entre outros, com os ensaios 'O princípio poético' e 'Análise racional do verso'). Ao ser poeta e crítico, na verdade, um poeta-crítico, faz uma poesia crítica, i. é, analiticamente concebida. Se isto não extingue a 'inspiração' poética, que jamais existiu, elimina os mitos sobre o trabalho criativo (que existiu sempre) e o sistematiza. Crítica (que tem a mesma raiz de crise), análise, construção, transparência. Numa palavra, modernidade.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Globo Editora
Cód. Barras 9788525047083
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788525047083
Profundidade 0.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2009
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 350
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorPoe, Edgar Allan

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