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Poesia Reunida (Cód: 182220)

Junqueira,Ivan

Girafa

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Descrição

A poesia de Ivan Junqueira aparece neste livro reunida não de forma integral, mas sim como coletânea que resgata muito do que ficou de fora de edições anteriores, além de poemas inéditos de sua produção recente. É o próprio autor quem garante, para alegria dos amantes da poesia, que sua produção permanece incompleta, visto que ele pretende continuar a criar seus poemas e produzi-los até que seja possível. Não bastassem a excelência poética e a ótima notícia do autor, 'Poesia Reunida' ainda contempla o leitor com uma importante Fortuna crítica sobre Junqueira, com mais de trinta textos assinados por Tite de Lemos, Antonio Carlos Secchin, Wilson Martins, Dinah Silveira de Queiroz, entre outros importantes nomes da literatura e da crítica nacionais. O livro se completa com uma ampla e útil bibliografia do autor, revelando-se assim uma obra de referência para todos aqueles que buscam no poeta, ensaísta, crítico e tradutor os caminhos para a vivência daquilo que ele considera a mais difícil, complexa e misteriosa manifestação do espírito humano: a poesia.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Girafa
Cód. Barras 9788589876698
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8589876691
Acabamento Flexível
Ano da edição 2005
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 368
Peso 0.44 Kg
Largura 15.00 cm
AutorJunqueira,Ivan

Leia um trecho

Ao leitor Apesar de seu título, Poesia reunida - ou justamente em decorrência dele -, não se deve entender esta coletânea poética como o conjunto integral do que escreveu o autor desde meados da década de 1950 até 1994, já que toda a sua produção inicial, ou seja, a que antecede o ano de 1956, permanece inédita. E inédita permanecerá por vontade expressa do poeta, que então apenas se aprumava para sua estréia, até certo ponto tardia, em 1964. Se ainda guardo esses poucos escritos, faço-o por estrita curiosidade, e não por vago intuito de constituir um baú. Já disse, aliás, que sou um poeta sem baú. Ademais, muita coisa se expurgou desde aquela data até 1994, ano em que lancei meu último volume de versos, A sagração dos ossos. Mas algo afinal foi aqui resgatado com relação àquilo que ficou de fora em 1980, quando, ao publicar A rainha arcaica, coletânea em que reuni dois livros - ambos éditos - e o texto inédito do ciclo poemático que lhe dá título, rejeitei, com certo excesso de consciência crítica, boa parte de Os mortos e de toda uma produção rarefeita, segundo penso imprestável, que bem ou mal emergira do limbo ao longo da década de 1970 e da qual somente se aproveitaram os poucos poemas que compõem Opus descontínuo. Julgo assim que, embora tal conceito possa sugerir uma questão de lana caprina, cabe mais ao presente acervo o título que lhe dou, Poesia reunida, que não constitui, necessariamente, a expressão cabal de uma poesia completa. Esta, salvo engano, estaria incompleta, pois suponho que continuarei a escrever poesia até quando o permitirem minhas forças. O que publiquei como poeta foi sempre pouco. Faltaram-me fôlego e talento para mais. E fi-lo sempre com cautela e lentidão, o que contribuiu para manter-me a salvo do que, ao menos para mim, não tangenciasse a mínima qualidade que exijo de meus textos. O que agora se publica - e ainda assim é pouco - dá bem uma idéia do poeta que fui e continuarei a ser: um avaro que não admite conceder de si o que de si não for digno e concebido com ostinato rigor. Como o disse, aliás, em 1964, ao ser entrevistado pela já extinta revista Leitura: "Desejo tornar cada vez mais lúcido, puro e intransigente o que nasceu com Os mortos". - Ivan Junqueira Poesia reunida OS MORTOS 1956-1964 À memória de Aníbal Machado Et c'est l'heure, ô Poète, de décliner ton nom, ta naissance et ta race... St.-J. Perse, Exil OS MORTOS Estais acima de nós, acima deste jantar Carlos Drummond de Andrade,"A mesa" I Os mortos sentam-se à mesa, mas sem tocar na comida; ora fartos, já não comem senão côdeas de infinito. Quedam-se esquivos, longínquos, como a escutar o estribilho do silêncio que desliza sobre a medula do frio. Não desvendo, embora lisas, suas frontes, onde a brisa tece uma tênue grinalda de flores que não se explicam. Nos beirais a lua afia seu florete de marfim. (Sob as plumas da neblina, os mortos estão sorrindo: um sorriso que, tão tíbio, não deixa sequer vestígio de seu traço quebradiço na concha azul do vazio.) Quem serão estes assíduos mortos que não se extinguem? De onde vêm? Por que retinem sob o pó de meu olvido? Que se revelem, definam os motivos de sua vinda. Ou então que me decifrem seu desígnio: pergaminho. Sei de mortos que partiram quase vivos, entre lírios; outros sei que, sibilinos, furtaram-se às despedidas. Lembro alguns, talvez meninos, que se foram por equívoco; e outros mais, algo esquecidos que de si mesmos se iam. Mas estes, a que família de mortos pertenceriam? A que clã, se não os sinto visíveis, tampouco extintos? Ou quem sabe não seriam mortos de morte, mas sim de vida: imagens em ruínas na memória adormecidas. Mas eles, em seu ladino concílio, disfarçam, fingem não me ouvir. E seu enigma (névoa) no ar oscila e brinca. II Ó mortos que, sem convite, à minha mesa finita sentastes só para urdir tal intriga metafísica! Quem vos pediu me despísseis vosso segredo mais íntimo? E, ao despi-lo, não me abrísseis seu núcleo de morte e vida... E por que tanto sigilo em vosso verbo melífluo, se a morte em si já é signo transfigurado de vida, se apenas um morto em mim é o que basta de agonia para que o tempo o redima e logo inverta sua sina? Assim, estes mortos (vivos) não estão aqui nem ali: pertencem todos à minha carne, agora feita espírito. E mesmo que se retirem (e eis que o fazem, de mansinho) algo deles, pelas frinchas da noite cúmplice, fica. E me invade, vago líquido, tingindo fibra por fibra o ser que em meu ser persiste contra o outro, que o mastiga. III Sobre a mesa, sono e cinza, dissolvem-se as iguarias - viandas, aspargos, vinhos - que ofereci às visitas. Visitas porém omissas, não cuidaram de comida, aos da mesa preferindo requintes talvez mais finos. À cabeceira, sozinho, a coisa alguma presido senão a mim mesmo: abismo que em si próprio se enraíza. Quanto aos convivas - repito -, de algum modo ainda me habitam; não fosse assim, como ouvi-los, agora, em meus labirintos? Sim, ei-los meus inquilinos, os mortos, tão coisa viva que a morte já não os cinge: deixa-os fluir, linfa, comigo. Poema Nascido Entre As Cinzas Não, não chamemos ninguém. Tampouco façamos barulho. Essa algazarra, esse zunzum de nada valerão agora: o que há pouco era vertigem em pó se desmanchou. Fiquemos, pois, imóveis. E observemos ali, na penumbra, onde meigamente um todo se dissipa, as dádivas esquecidas pelo tempo. São poucas: um fragmento cloroformizado de aurora, um trecho agonizante de magia, um afago de suor evaporado. Guardemos as dádivas e, no abismo que desabrocha - rosa da madrugada - em nossa carne deserta, sepultemos a espessa, subterrânea nostalgia deste pálido carnaval feito de ver.

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