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Por que Estou Assim ? - Os Momentos Difíceis da Adolescência (Cód: 1799232)

Weinberg, Cybelle

Sá Editora

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Por que Estou Assim ? - Os Momentos Difíceis da Adolescência

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Descrição

O livro trata os temas da adolescência de maneira leve, porém verdadeira. Em forma de bate-papo, Cybelle usa situações do cotidiano para mostrar como alguns problemas são normais na adolescência. Os pais que lêem se identificam com as situações que ocorrem em suas casas, deixando de ser vistos como super heróis e os seus filhos se comportando de maneira totalmente nova.
Tendo por base a psicanálise, a autora explica ao jovem que aquilo que acontece com ele na adolescência é fruto de uma história que não começou ali, mas antes mesmo dele nascer, com o desejo dos seus pais. E que ele é o fruto dessa história. Sem cair no determinismo, Cybelle mostra que a questão é o que ele vai fazer com esta história que recebeu.
O que mais preocupa o adolescente, segundo a autora, é a questão da normalidade. Eles se questionam muito se são normais, se é normal ter fantasias sexuais, se é normal não gostar mais da companhia dos pais e preferir os amigos, se é normal se apaixonar por pessoas mais velhas ou do mesmo sexo. São dramas subjetivos, próprios desta fase, em que as emoções estão exacerbadas. A idéia do livro é mostrar aos jovens que esse drama acontece a todos. A solução é crescer, amadurecer, envelhecer. Adolescência não é doença, por isso não tem remédio.
Das situações difíceis em que o adolescente se envolve, duas merecem atenção especial da autora: o uso de drogas e os transtornos alimentares. Cybelle mostra ao jovem, sem fazer terrorismo, que ele pode morrer, sim, se abusar da droga e se exagerar na mania de fazer dietas. Por se sentir onipotente, o adolescente acha que nada vai acontecer a ele, que pode usar drogas e parar quando quiser e controlar um quadro de anorexia ou bulimia nervosas. O que eles infelizmente não sabem é que isso não é verdade, que precisam de ajuda profissional para sair destas situações de risco e que infelizmente algumas vezes, mesmo com essa ajuda, o fim pode ser trágico.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Sá Editora
Cód. Barras 9788588193291
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8588193291
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 128
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorWeinberg, Cybelle

Leia um trecho

APRESENTAÇÃO Mas acabou por realizar uma obra que ajuda também os pais, as, digamos, “vítimas” dos adolescentes. Vemos que, pela falta de informação, somos, na verdade, vítimas e nós próprios. Sem entendê-las, frases do tipo “você não sabe nada”, “lá vem falar de novo de seu tempo de jovem”, são encaradas, muitas vezes, como ofensas pessoais. Na sonoplastia da incompreensão, ouvimos dos pais frases do “tipo”: “ele/ela vai me enlouquecer”, “não respeita ninguém”, “pensa que já pode fazer tudo”. O livro ajuda os adolescentes a entender aquela sensação de incômodo, de deslocamento, de insegurança, parte do processo de crescimento, que Cybelle não aprendeu só nos livros — mas no “embate” nas escolas ou consultório terapêutico. O entendimento desse processo auxilia os pais a perceber que agressividade é mais do que agressividade – mas também insegurança, dificuldade de lidar com novos limites, novos riscos. O que Cybelle faz é expor os mecanismos de evolução, facilitando que as crises, conflitos, problemas, aborrecências, sejam apenas fenômenos passageiros e construtivos, e não uma trajetória de dores e ressentimentos levadas para a vida adulta. Gilberto Dimenstein Outro dia, conversando com um a amiga sobre adolescência, ela me contou uma história que aconteceu com ela, quando tinha 15 anos. Certa vez o professor do colégio onde ela estudava levou a classe toda para um passeio num lugar onde havia um jardim imenso. Nesse jardim, feito de um tipo de arbusto com folhagem bastante densa, havia um labirinto. O professor pediu que os alunos entrassem ali e procurassem a saída. No começo, conta ela, era muito divertido. Uns conseguiam sair logo, outros não, e os que ficavam ouviam as vozes dos que já estavam fora. Só que foi diminuindo o número dos que ficavam, e ela estava entre esses. Não é preciso dizer que o desespero foi crescendo e que a sensação que se apoderou dela foi a de que nunca mais iria conseguir sair de lá. Por fim ela conseguiu. Então, depois que todos estavam fora, o professor levou-os para um lugar mais alto, de onde poderiam ver o labirinto todo. E ela conta como foi engraçado ver como era ridiculamente fácil sair de lá. Só que, claro, quando ela estava lá, não achava isso. Achava mesmo era que jamais encontraria a saída, e, pior, que os que haviam conseguido sair iriam morrer de rir da cara dela. Isso não se parece um pouco com o que acontece com a gente na adolescência? A sensação é igual. Uns saem numa boa, sem grandes dificuldades, e outros penam à beça. Mas não é exatamente sobre os que saem numa boa que nós vamos conversar. Mesmo porque seria melhor dizer “mais ou menos” numa boa. Será que eles saem numa boa ou ficam quietinhos sobre os seus medos e angústias? Não sei não. Mas se conseguiram, sorte deles! Agora, sobre os que sofrem, e sobre aqueles que sofrem muito, a conversa vai longe... Porque às vezes é necessário a ajuda de alguém que mostre a saída. Ou que esteja ao nosso lado nesse caminho obscuro. Esse alguém pode ser o pai, a mãe, um amigo mais velho... O problema é que muitas vezes pai, mãe, o amigo ou a amiga, não conseguem ajudar. Porque se esqueceram do seu percurso, ou, se esse percurso foi doloroso, fazem de tudo para não revivê-lo. Ou até mesmo porque, se mostrarem a saída, não adiantará nada, porque cada um tem que achar a sua. Além disso, cada um tem o seu labirinto, que é sempre diferente. Nesse caso, um profissional pode ajudar. Seus pais estão metidos no mesmo labirinto que você, mas o profissional não. Ele está capacitado para ver esse seu caminho de fora. Eu sei que existe muito preconceito e conheço gente que vai ao consultório do psicólogo escondida, para ninguém dizer que ele é louco. Mas procurar um psicólogo não é estar louco, não. Porque louco não procura psicólogo... É, aliás, bastante saudável admitir as dificuldades e pedir ajuda. No meu trabalho, como psicopedagoga e psicanalista, conheci muitos meninos e meninas superlegais que estavam perdidíssimos, que não só não achavam a saída, como acreditavam piamente que não havia saída! Pois bem, encontraram-na, e lhes digo uma coisa: quando achamos a nossa saída, ninguém nos segura, mesmo que estejamos na contramão! Infelizmente, existem aqueles que não conseguem sair. São os “adolescentes”de 40, 50 anos que continuam procurando uma saída, alguns angustiados, outros já descrentes da sua existência. Neste livro, gostaria de dar uma mãozinha para aqueles que querem sair. De que forma? Contando um pouco da minha experiência em clínica e em escolas, do que ouvi dos adolescentes, doque tenho conversado com eles ao longo desses anos. Sou psicanalista, e, como você já deve saber, a Psicanálise é um trabalho que se faz para descobrir os porquês dos nossos atos. A Psicanálise foi criada por um médico vienense, Sigmund Freud (1856-1939), o primeiro a afirmar que temos um inconsciente, e que ele é responsável por aquilo que somos, que pensamos e fazemos. Então, em lugar de ficar só gemendo e chorando e gritando com todo mundo “Por que será que eu sou assim?”, vamos pensar juntos sobre o que está acontecendo com você. Você não nasceu assim, nasceu? Angustiado, medroso, se achando feio e incompetente? Claro que não. Provavelmente seus pais até dizem que você não era asssim, que era confiante, seguro e feliz. E que você não é feio ou feia coisa nenhuma. Mas dá para acreditar? Claro que não, afinal você tem certeza de que eles só falam isso para você se acalmar... Bem, mas você tem lembranças, fotos, histórias, e com um pouquinho de esforço irá concordar que não nasceu assim. Então, já temos algo para pensar : você ficou assim! Mas temos ainda outra questão : precisa ser sempre assim? Acho que não. Se achasse, pararia já de trabalhar. E nem pensaria em escrever este livro. Porque se você acreditar que sofrer é coisa do destino, é melhor pegar um banquinho, sentar no seu labirinto e ficar dando tchauzinho para os que, mesmo quebrando a cara, vão em busca da saída. Vamos começar nosso bate papo pensando sobre o que significa ser adolescente. Que período é esse, a adolescência? Quando começa? Quando acaba? Sempre existiu? Todos passam por ela? É difícil para todo mundo? Começando pela primeira questão, podemos dizer que é um período de mudanças, de desenvolvimento e de adaptação. Quanto às outras perguntas, a coisa se complica um pouco. Mesmo porque, para entender a adolescência, é preciso diferenciá-la da puberdade, que acontece antes. A puberdade tem uma duração definida, ainda que se possa entrar ou sair dela em idades diferentes. Por isso se fala em duração. É um período de mudanças biológicas, que ocorrem mais ou menos entre os 9 e 11 anos. Adolescência é o período que começa lá pelos 10 anos e termina quando a gente se casa. Marcelo, 14 anos CAPÍTULO I ADOLESCÊNCIA – O QUE É ISSO? Essas mudanças variam muito de pessoa para pessoa. Por isso você pode ler ou ouvir falar que começam aos 10 anos, ou aos 8. E que terminam aos 12, ou aos 13. Não existe uma regra para isso, porque essas mudanças significam que o corpo infantil está se preparando para ser um corpo de homem ou de mulher, e cada corpo é diferente e tem o seu próprio ritmo. Essa idade, justo essa idade, me deixa super-irritada. Se sai alguma briga em casa entre eu e meus irmãos, eles começam a dizer que é fase, que é a puberdade. Isso me deixa irada. Regina, 13 anos Na puberdade, os hormônios trabalham loucamente para que você, rapaz, possa ejacular e você, garota, possa menstruar. E fazem uma verdadeira revolução. Aliás, a palavra hormônio vem do grego e significa excitar, estimular. Então já dá para entender porque meninos e meninas nessa idade parecem estar o tempo todo sentados num formigueiro. Não conseguem parar de rir ( ou de chorar...), falam ao telefone mil vezes por dia, cutucam o irmão menor, chutam o cachorro, comem como uns esfomeados... Ficar sentado na classe então é uma tortura, escutar a explicação do professor ou da professora exige um esforço sobrenatural. E dá para ser de outra maneira? A sexualidade está, literalmente, explodindo. E tudo excita, tudo é motivo de deslumbramento e vergonha. E são cochichos e mais cochichos, segredos, medos e descobertas. Descoberta do próprio corpo e do corpo do outro. E das coisas que o livro de Biologia e as aulas de Educação Sexual não falam: que a proximidade do corpo do outro excita muito, que as brincadeiras de mão despertam coisas esquisitas. E que dão um medo danado, principalmente se o amigo ou amiga for do mesmo sexo que o seu. Esse aí então é um segredão que não dá para contar para ninguém! Afinal, o que vão pensar de você? Outra coisa que os livros não falam é do medo que os outros percebam o que está acontecendo. Porexemplo: menino tem ereção direto! Até a perna da mesa excita. E o pênis fica duro nas horas mais impróprias. Acontece no meio da aula, na sala de casa, no banheiro do clube. E aí, é gozação na certa se, por exemplo, der azar e o professor ou a professora chamar lá na lousa — tem que ir com o caderno na frente, pra disfarçar! E meninas também tentam disfarçar o que está acontecendo com elas. Amarram a blusa na cintura para esconder o bumbum e o quadril, vestem roupa larga ou abraçam os cadernos, para que ninguém veja os seios que estão crescendo. Se ficam menstruadas, então, quem irá convencê-las de que todo o mundo não está sabendo? Aliás, você já percebeu que a maioria dos adultos se refere à primeira ejaculação e à primeira menstruação como se fossem a mesma coisa? É sempre assim: Agora que você já produz esperma, ou agora que você já menstrua, já pode ser pai — ou mãe, e isso daqui para a frente deve ser motivo de grande orgulho. Mas será que a primeira menstruação da menina é assim tão legal quanto a primeira ejaculação do menino? Existe um livro chamado Casamento e Acalento, escrito por um médico psiquiatra, o Dr. Haim Grünspun, junto com a mulher dele, a Dra. Feiga Grünspun. Nesse livro, eles falam sobre essa diferença. Que seria bom que se prestasse atenção para isso — as primeiras menstruações, ainda que sejam motivo de orgulho, podem vir acompanhadas de cólicas, inchaço, dor no corpo. E duram 3 dias ou mais. E a menina acha que todos estão sentindo o cheiro da menstruação dela e se sente desconfortável com aquela sensação de fralda molhada, mesmo com os absorventes de última geração. E a menina sabe que deve ser muito mais gostoso ejacular do que menstruar. Mesmo que a menstruação seja motivo de orgulho e lhe dê a possibilidade de ter filhos. O que, aliás, também é motivo de medo, porque fica todo mundo falando — Olha, cuidado, agora você já pode ficar grávida, hein! E se não lhe explicam como, é mais um fantasma na cabeça dela. De orgasmo, que é bom, ninguém lhe fala. O que é menstruação? Não sei. A professora explicou na escola, mas eu não me lembro. Minha mãe falou que é um sangue sujo que sai da gente. Só isso. Katia, 10 anos E a adolescência? A adolescência, como não se refere apenas a mudanças no corpo, mas também a mudanças no jeito de sentir, de pensar, de se comportar, é mais difícil de ser entendida. Por exemplo — um menino ou menina que se veja obrigado a trabalhar desde muito cedo e tenha como responsabilidade ajudar no orçamento da casa ou mesmo prover o sustento de familiares que dependem dele não viverá sua adolescência da mesma forma que outro que nunca precisou se preocupar com a sua sobrevivência. No mínimo, eles terão preocupações diferentes, não acha? Enquanto o primeiro tem, digamos, sua adolescência encurtada por necessidades econômicas, outros podem ter a sua esticada por causas econômicas, o que é bem diferente. A sociedade em que vivemos exige, cada vez mais, que você esteja preparado para enfrentar uma competição muito grande no mercado de trabalho. Isso significa que se tem que estar muito preparado, fazendo cursos atrás de cursos : línguas, informática, faculdade, especialização, pós-graduação e não sei o que mais. E isso leva tempo. E dinheiro. Bom, e quem patrocina tudo isso? Sua família, se você tiver sorte. O problema é que até acabar todos esses cursos e poder ganhar dinheiro suficiente para se manter ou manter uma família, já se está lá perto dos 30 anos... E muitos se aproveitam disso e viram adolescentes profissionais — nunca estão prontos para cuidar de si mesmos. Você sabia que a adolescência, em algumas comunidades, nem existe? Ou que em outras épocas, como na Idade Média, não havia nem uma palavra sequer para definir esse período da vida? Existiam crianças, adultos e velhos. Nada de adolescentes. Pois é, crise de identidade, crise disso e crise daquilo é coisa da nossa sociedade. Entre grupos primitivos,por exemplo, as crianças que chegam à puberdade são submetidas a certas cerimônias chamadas de rituais de passagem, e depois disso podem participar do mundo adulto, com todas as suas responsabilidades, direitos e deveres. Esses rituais, em geral, são diferentes para meninos e meninas. Por exemplo, entre as tribos da Nova Guiné, existe um grupo chamado tchambuli. O menino tchambuli, mais ou menos entre os seus oito e doze anos, dependendo mais da vontade do pai do que propriamente da sua idade, é, literalmente, “retalhado”. Fica preso a uma pedra, contorcendo-se, enquanto um tio materno mais alguém da tribo que se “especializou”em fazer incisões na pele, recortam desenhos em suas costas. Pode uivar o quanto quiser. Seus gritos serão ignorados, enquanto o cerimonial se desenrola à sua volta : presentes são trocados, mulheres da família recebem novas saias, novos cestos, tudo com muita ostentação. Depois de feitas as incisões, ele é pintado com óleo e um pó corante extraído de uma planta chamada açafrão. Em seguida, ele deve ficar recluso por um longo período na casa dos homens. De quatro em quatro dias é lavado e novamente pintado. Passado o período de reclusão, é considerado um iniciado, ou seja, alguém que já faz parte do mundo adulto. Outros grupos exigem provas de coragem e capacidade para suportar a dor. Os índios da tribo Sateré-Mawé da Amazônia se tornam homens enfiando a mão numa luva cheia de formigas. Com 12 anos e a mão inchada, esses índios já podem se considerar adultos. Entre os banks da Melanésia o iniciado, durante 100 dias, passa por todo tipo de humilhações: jogam sua comida no fogo, rasgam suas roupas, obrigam-no a tarefas difíceis de serem cumpridas. Esses rituais, no entanto, não são um mero espetáculo de sadismo. Os garotos, apesar do sofrimento e do medo, se orgulham de ter vencido as provas. Aqueles que não conseguem continuam sendo tratados como crianças até conseguirem. E a tribo sabe que aquele menino que deu provas de ser um homem e que exibe suas cicatrizes também é capaz de proteger e defender a comunidade. Mais ou menos como acontece com os meninos de hoje, mesmo não vivendo em tribos. Se pensarmos bem, também não é exigido de você que não banque o bebezinho da mamãe, que mostre que já é uma mulher que sabe fazer muitas coisas sozinha, ou prove que é um homem mostrando firmeza, cara de bravo, chamando pra briga aquele cara que olhou esquisito e você não gostou? Pois é, é a mesma coisa, mesmo porque se o cara topa a briga ou a turma dele vem tirar satisfação, a vontade é de sair correndo. Mas tem que ficar e enfrentar. Mesmo que por dentro você se sinta como o garoto com a mão no formigueiro. E você que detesta cigarro e álcool nunca se viu obrigado a fumar e beber na festa, para não parecer criancinha? Meninos e meninas já me contaram que, na frente dos outros, fumaram e beberam, e depois em casa vomitaram até as tripas. Um até me disse que, como odiava cerveja, teve a idéia de “treina”em casa, antes de sair com os amigos. Comprou várias latas de cerveja, de marcas diferentes, para descobrir qual era a menos insuportável. Não deu outra. Passou mal, a mãe descobriu e não o deixou sair. Vai ver, era isso mesmo o que, no fundo, ele queria! Mas, ainda que geralmente os ritos de passagem sejam acompanhados de dor e provas de coragem, isso não é regra geral. Ainda na Nova Guiné, existeum outro povo, chamado arapesh, que promove seus ritos de passagem de forma bem mais suave. Entre eles, as festas de iniciação ocorrem de seis em seis anos, e todos os meninos com idade apropriada participam dela. Enquanto a grande festa é preparada, às vezes com anos de antecedência, os candidatos à iniciação devem observar a certos tabus alimentares. Na ocasião da festa, os segredos da tribo lhes são revelados. Entre essas revelações, a melhor é a de que o tamberan, uma espécie de espírito que faz muito barulho e que assusta as crianças, não existe, e que os sons atribuídos a ele eram feitos pelos adultos. Seria, mais ou menos, como lhe contar que Papai Noel não existe. Quanto às meninas, a iniciação está ligada à primeira menstruação. O que varia é a forma como ela é tratada. Quase sempre ela é levada para algum lugar afastado da tribo, que pode ser uma casa ou local no bosque, e entregue aos cuidados e preparativos das mulheres mais velhas. Dependendo do costume, são banhadas, pintadas ou enfeitadas, e depois apresentadas ao grupo ou levadas aos futuros maridos. Entre os tupinambás, quando uma menina menstrua pela primeira vez, toda a tribo festeja com danças, bebidas e brincadeiras. Só ela é obrigada a jejuar por 3 dias. Seus cabelos são cortados e lhe fazem incisões nas costas, deixando cicatrizes profundas. Enrolam fios de algodão em seus braços e na sua cintura e esses fios só serão tirados no dia em que ela deixar de ser virgem. Mas será que nós também não temos os nossos rituais de passagem? A Igreja Católica, por exemplo, mantém o costume da Primeira Comunhão, que o jovem faz depois de um curso de iniciação, chamado Catecismo. A tradição judaica celebra o Bar Mitzvah para meninos que chegam aos 13 anos e o Bat Mitzvah para as meninas de 12 — nessas ocasiões, o jovem é chamado pela primeira vez para ler um trecho da Torá, o livro sagrado. São celebrações, tanto a católica como a judaica, que marcam o fim da infância. Mesmo quando não se segue nenhuma tradição religiosa, inventa-se algum ritual de passagem — um baile de debutantes, a carta de motorista, a chave de casa, a aprovação no vestibular. É a prova de que não se é mais criança! Não deveria ser suficiente ter um corpão de 1,80m e barba na cara, ou seios grandes e quadris largos, para provar que não se é mais um menininho ou uma menininha? Pois é, não basta. Porque você não vive nem na Europa medieval nem na Nova Guiné. Você vive numa sociedade em que tanto o homem como a mulher continuam sendo legalmente crianças, ainda muito tempo depois de terem se tornado biologicamente adultos. Só muito tempo depois da puberdade podem votar, ter carta de motorista, casar. Há pouco tempo os jornais de São Paulo noticiaram que um menina de 13 anos deu à luz um bebê e que o pai, de 14 anos, só pôde tirar o filho da maternidade com a autorização do seu pai. Porque, legalmente, ainda eram crianças. Se vivessem em outra época, as coisas correriam de outra forma. Mas, nos dias de hoje, é difícil imaginar um menino de 14 e uma menina de 13 constituindo uma família. Ainda que possam ter filhos. Isso é contraditório, mas é apenas uma das contradições que você vive. As contradições e ambivalências estão por toda parte. A sociedade e os pais, muitas vezes, exigem de você um comportamento maduro. Mas nem sempre lhe dão oportunidade de amadurecer. Cobram responsabilidade, mas não confiam em você. Querem que você escolha, aos 16 anos, a profissão que vai seguir, mas eles próprios, aos 40 ou 50 anos, estão loucos para se aposentar, porque odeiam a profissão que escolheram. Queria ter uma poção mágica que me fizesse amadurecer num piscar de olhos. Mas, como não tenho, só posso amadurecer através de minhas falhas e cabeçadas. João, 16 anos Não é à toa, portanto, que angústia, desorientação, insegurança façam parte do seu dia-a-dia. A pressão é grande, e vem de todos os lados. Ser maduro, ser responsável, saber o que quer, fazer sexo seguro... Dá mesmo vontade de fazer como a Bela Adormecida: deitar e dormir uns 100 anos, e quando acordar já ter tudo pronto — até casamento e palácio para morar. Mas a adolescência, mesmo sendo difícil, não dura 100 anos. Ainda que alguns gostassem que durasse! E se você refletir um pouco sobre as mudanças todas que estão acontecendo na nossa sociedade — mudanças de valores, mudanças na família, na escola, no mercado de trabalho — talvez você possa ter algumas respostas para aquela pergunta que é o seu maior tormento: por que sou assim?

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