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Problemas À Vista (Cód: 8175784)

Gibson, Rachel

Pandorga

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Descrição

A carreira de atriz de Chelsea Ross foi um fracasso total. O mais próximo que ela conseguiu chegar do estrelato foi sua performance brilhante como “Garota bonita morta #1”. Porém, deixar Hollywood para se tornar a assistente pessoal de um famoso jogador de hóquei pode ter sido a mudança mais idiota de sua carreira.

Os dias de glória da estrela contundida Mark Bressler chegaram ao fim. O ex-atleta bad boy poderia pelo menos tratar bem o mulherão — em tamanho miniatura — de cabelos cor-de-rosa que o Seattle Chinooks contratou para ser a sua assistente. Se Chelsea não precisasse do dinheiro, estaria fugindo do maior imbecil do mundo, tão rápido quanto suas pernas conseguissem levá-la.

Chelsea consegue lidar com a atitude malcriada de Mark e seu mau humor. O problema é aquele corpo e bíceps maravilhosos! E quando o bad boy começa a avançar o sinal com ela, Chelsea sabe que é hora de colocá-lo de lado, na zona de punição… Se ao menos ela conseguisse resistir ao tipo de problemas que ele tem em mente!

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Pandorga
Cód. Barras 9788561784898
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788561784898
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 320
Peso 0.39 Kg
Largura 16.00 cm
AutorGibson, Rachel

Leia um trecho

— Eu preferia que você não fizesse isso. — Isso o quê? — Ficar em volta de mim, me tratando como se eu estivesse desamparado. Ela estava tão perto que somente um centímetro de ar separava sua blusa de renda do peito musculoso. Ele a encarou enquanto sua mão envolvia a dela. — Eu não sou uma criança. — Eu sei. A mão dele apertou a dela, enquanto os olhos baixaram até a altura dos lábios. — Eu sou um homem. Sim. Sim, ele era. Um homem seminu, com músculos grandes e suados, e olhos ardentes. De repente, ela sentiu que ficava quente e tonta. Provavelmente como consequência de toda testosterona que inalava. Capítulo Um Só porque um homem tinha a sorte de estar vivo, não significava que era feliz. — Na noite passada, seu time de hóquei venceu a Copa Stanley sem você. Como se sente em relação a isso? Mark Bressler, ex-astro da NHL e causador de encrencas por toda parte, olhou, através da bancada de microfones e da muralha de câmeras, para mais ou menos uma dúzia de repórteres que preenchia a sala de imprensa dentro da Key Arena. Ele tinha jogado pelo Seattle por mais de oito anos e fora o capitão nos últimos seis. Trabalhou durante a maior parte de sua vida para poder segurar a taça Stanley sobre a cabeça e sentir a prata fria nas mãos. Viveu e respirou hóquei desde que amarrou seu primeiro par de patins. Deixou seu sangue no gelo e quebrou mais ossos do que podia se lembrar. Jogar hóquei profissional era tudo que sabia fazer, tudo que ele era. Mas na noite passada seu time ganhara sem ele. Assistira de sua própria sala de estar, enquanto aqueles malditos filhos da mãe patinavam ao redor da taça dele. Como diabos todo mundo achava que ele se sentiu? — Claro que gostaria de ter estado lá com os rapazes, mas estou feliz por eles. Cem por cento feliz. — Depois de seu acidente, seis meses atrás, o homem que está sentado ao seu lado foi contratado para substituí-lo — uma repórter afirmou, referindo-se ao jogador de hóquei veterano, Ty Savage, que substituiu Mark como capitão dos Chinnoks. — Na época, foi uma decisão controversa. Quais foram seus pensamentos quando soube que Savage ficaria no seu lugar? Não era segredo que ele e Savage não gostavam um do outro. Na última vez em que estivera assim tão perto daquele homem, Mark o enfrentara durante toda a temporada. Chamara Savage de prima-dona superestimada e babaca. Savage o chamara de aspirante a mulherzinha de segunda categoria. Mas isso era só mais um dia comum de trabalho. — Eu estava em coma quando Savage foi contratado. Não acho que estivesse “pensando” em nada. Pelo menos não que eu me lembre. — E quais são seus pensamentos agora? Que esse tal de Savage é uma prima-dona superestimada e babaca. — Que os dirigentes montaram um time vencedor. Os rapazes trabalharam duro e fizeram o que tinham que fazer a fim de trazer a taça para Seattle. Chegamos às eliminatórias e estávamos em cinquenta e oito a vinte e quatro. Não preciso nem dizer que são números impressionantes — ele fez uma pausa e cuidadosamente pensou em sua próxima frase. — É evidente que os Chinooks foram afortunados por Savage estar disponível e aberto a propostas — mas não diria que estava agradecido ou que o time tivera sorte. A prima-dona superestimada e babaca ao seu lado riu, e Mark quase começou a gostar do cara. Quase. Os repórteres voltaram sua atenção para Ty. Enquanto perguntavam a Savage o súbito anúncio de sua aposentadoria, feito na noite anterior, e seus planos para o futuro, Mark baixou os olhos para a mão, que estava sobre a mesa à frente. Ele removera a tala para a conferência de imprensa, mas seu dedo do meio direito estava duro, como se houvesse hastes e pinos de aço inoxidável fundindo-o em um foda-se permanente. Muito apropriado. Os repórteres fizeram perguntas aos outros Chinooks, sentados à grande mesa da imprensa, antes de se voltarem novamente a Mark. — Bressler, você está planejando um retorno? — um repórter perguntou. Mark olhou para cima e sorriu, como se a pergunta não cutucasse sua ferida mais profunda. Ele olhou para o rosto do homem e lembrou a si mesmo que Jim era um cara legal — para um repórter — e sempre justo. Por essa razão, Mark não levantou a mão direita para mostrar todo seu desdém. — Os médicos me proibiram. Mas ele não precisara de médicos para confirmarem o que soube no exato momento em que abriu seus olhos na UTI. O acidente que quebrara metade dos ossos em seu corpo destruíra também sua vida. Um retorno estava fora de cogitação. Mesmo que tivesse 28 anos em vez de 38. O diretor-geral, Darby Hogue, deu um passo à frente. — Sempre haverá uma vaga para Mark nos Chinooks. Fazendo o quê? Ele mal conseguia manusear o Zamboni1. Não que isso importasse. Se Mark não podia jogar hóquei, ele não queria nem chegar perto do gelo. 1 Máquina utilizada para polir o gelo, deixando-o em boas condições para a prática do hóquei. As perguntas voltaram-se para o jogo da noite passada, e ele se acomodou na cadeira. Fechou a mão boa ao redor do cabo da bengala, que descansava sobre sua coxa, e esfregou a alça lisa de nogueira com seu polegar. Em um dia bom, Mark odiava conferências de imprensa. Aquele não era um dia bom, mas ele estava ali, no centro da Key Arena, porque não queria parecer um mau perdedor. Como um idiota, não suportava ver seu time conquistando o mais cobiçado prêmio do hóquei sem ele. Além disso, a dona do time, Faith Duffy, telefonou-lhe naquela manhã e pedira que comparecesse. Era difícil dizer não para a mulher que ainda pagava suas contas. Durante a meia hora seguinte, Mark respondeu às perguntas e ainda conseguiu rir de algumas piadas sem graça. Esperou até que o último repórter saísse da sala antes de fechar a mão ao redor da bengala e colocar-se de pé. Savage moveu a cadeira, saindo de seu caminho, e Mark murmurou um agradecimento. Tentou até soar sincero, enquanto colocava pé ante pé, caminhando até o outro lado da sala. Usou seu ritmo metódico habitual e foi até a porta, antes que sentisse a primeira pontada no quadril direito. Não tinha tomado nenhum remédio naquela manhã. Não queria nada que pudesse entorpecer seus sentidos, e, como resultado, não havia nada em seu organismo que pudesse aliviar a dor. Seus colegas de time deram tapinhas em suas costas e lhe disseram que era ótimo vê-lo. Pareciam sinceros. Mas ele não se importava. Tinha de sair dali antes que cambaleasse. Ou pior, antes que caísse com o traseiro no chão. — É bom ver você — o atacante Daniel Holstrom o parou no corredor. Começou a sentir cãibra na coxa, e um princípio de suor escorreu-lhe da testa — Você também. Tinha passado os últimos seis anos na linha de frente com Daniel. Foi ele quem treinou Daniel em sua temporada de estreia. A última coisa que queria era desabar na frente do “Monstro” ou de qualquer outro. — Alguns de nós estão indo para o Floyd’s. Venha conosco. — Em uma outra hora. — Provavelmente vamos sair esta noite. Eu ligo para você. É claro que eles sairiam. Ganharam a copa na noite anterior. — Eu tenho planos — mentiu. — Mas encontro você em breve. Daniel parou. — Vou cobrar isso — deixou bem claro. Mark assentiu e respirou fundo. Deus, ele só queria chegar ao carro antes que seu corpo falhasse. Quando estava quase acreditando que Deus tinha realmente ouvido suas preces, uma mulher baixinha e de cabelos escuros o alcançou na saída. — Sr. Bressler — ela iniciou, começando a andar ao seu lado. — Sou Bo, do departamento de relações públicas. Provavelmente seus sentidos estavam entorpecidos pela dor, mas ele sabia quem ela era. Os caras do time a chamavam de mini Pitbull, por ser pequena, e tinham uma boa razão para isso. — Gostaria de falar com você. Tem alguns minutos? — Não — ele continuou andando. Pé ante pé. Estendeu a mão machucada na direção da porta. Bo a empurrou e abriu-a, e, por isso, ele sentiu vontade de beijá-la. Mas apenas murmurou um obrigado. — O recursos humanos está enviando uma nova enfermeira para sua casa. Ela vai chegar hoje. O que uma enfermeira tinha a ver com relações públicas? — Acho que vai gostar dessa — Bo continuou, enquanto o seguia. Uma brisa de junho refrescou o suor na testa de Mark, mas o ar fresco não foi capaz de aliviar as fisgadas em sua cabeça nem as dores de seu corpo. Um Lincoln preto esperava-o no meio-fio, então, diminuiu o ritmo dos passos. — Eu a recomendei pessoalmente. O motorista saltou e abriu a porta traseira do carro. Mark se acomodou lá dentro e trincou a mandíbula por causa da dor na perna. — Eu gostaria que você, ao menos, lhe desse uma chance — Bo elevou o tom de voz enquanto o motorista fechava a porta e voltava para a frente do carro. Mark tateou os bolsos da calça e tirou de lá um frasco de analgésicos. Ele o destampou, jogou seis deles na boca e os mastigou. Assim como uma dose de Jose Cuervo, comprimidos de Vicodin, puros, tinham um gosto peculiar. Bo gritou mais alguma coisa enquanto o carro se afastava do meio-fio e pegava a direção da 520. Ele não sabia por que o recursos humanos continuava enviando enfermeiras para sua casa. Sabia que tinha algo a ver com o programa de pós--tratamento da empresa, mas Mark não precisava de ninguém para tomar conta dele. Odiava depender de alguém. Diabos, ele odiava ter de depender do serviço de motorista que o rebocava de um lugar ao outro! Encostou sua cabeça e respirou profundamente. Demitira as três primeiras enfermeiras logo que elas chegaram. Mandara que caíssem fora de sua casa e batera a porta atrás delas. Depois disso, as organizações Chinooks lhe informaram que as enfermeiras trabalhavam para eles. Eram eles que pagavam seus salários, assim como todas as despesas médicas que o seguro não cobria. Que, por sinal, eram enormes. Em suma, ele não podia despedir ninguém. Mas é claro que isso não queria dizer que não podia dar uma forcinha para que elas se demitissem. As duas últimas enviadas pela companhia duraram menos de uma hora. Ele podia apostar que conseguiria tirar essa nova de sua casa na metade desse tempo. Seus olhos se fecharam, e ele cochilou nos vinte minutos até Medina. No sonho, imagens surgiram em sua mente. Imagens dele jogando hóquei, do ar frio atingindo suas bochechas e chicoteando as extremidades de sua camisa. Podia sentir o cheiro do gelo. Sentir o gosto da adrenalina na língua. Era novamente o homem que costumava ser antes do acidente. Completo. O movimento lento do Lincoln, aproximando-se da pista de saída, o acordou, e, como sempre, sentia dor e desapontamento. Abriu os olhos e viu, através da janela, as ruas arborizadas que cheiravam a dinheiro e pretensão. Estava quase em casa. Estava quase voltando para sua casa vazia e para a rua vazia que ele não reconhecia e odiava. Equipes de paisagistas cortavam e moldavam os gramados imaculados no pequeno subúrbio de Seattle. Algumas das pessoas mais ricas do mundo viviam em Medina, mas ter somente riqueza não abria portas ou garantia uma entrada naquela comunidade tão exclusiva. Para o desgosto de sua ex-esposa. Christine queria desesperadamente pertencer ao exclusivo grupo de mulheres que almoçavam no country clube, vestindo seus terninhos St. John e Chanel. Mulheres mais velhas, com cabelos perfeitos, e jovens esposas dos milionários da Microsoft, que se revelaram e se deleitaram com seu esnobismo. Não importava quanto dinheiro Chrissy doava para suas causas, elas nunca permitiam a ela que esquecesse ter nascido em uma classe de trabalhadores no Kent. Isso até poderia ter sido relevado se seu marido tivesse feito fortuna com negócios ou finanças, mas Mark era um atleta. E não era um atleta de um esporte aceitável como polo aquático. Ele jogava hóquei. Mark poderia ser até um traficante de drogas, com o tanto que as pessoas em Medina se importavam. Pessoalmente, ele nunca se importou com o que as pessoas pensavam dele. E ainda não se importava, mas isso deixava Chrissy louca. Ela ficou tão consumida pelo dinheiro, tão certa de que ele poderia lhe comprar qualquer coisa que, quando não pôde ter a única coisa que queria desesperadamente, decidiu culpá-lo. Claro que ele tinha feito muitas coisas erradas durante o casamento, coisas que poderia ter feito melhor, mas não levaria a culpa por não os convidarem para os coquetéis da vizinhança ou por terem sido esnobados no country clube. No seu quinto aniversário de casamento, ele chegou em casa, depois de cinco dias na estrada, e descobriu que sua esposa partira. Levara todas as suas coisas, mas fizera questão de deixar o álbum de casamento esperando por ele sobre a bancada de granito no meio da cozinha. Ela o deixara aberto em uma foto dos dois, na qual Chrissy sorria, parecendo feliz em seu belíssimo vestido Vera Wang. Ele, em seu smoking Armani. Uma faca de açougueiro, presa em sua cabeça na foto, meio que arruinou a imagem de felicidade conjugal. Ao menos para ele. Era um romântico... Até hoje ainda não entendera o que a deixara tão nervosa. Ele nem sequer passava tempo suficiente em casa para realmente irritá-la. Foi ela quem o abandonou, porque nem ele nem seu dinheiro foram suficientes. Ela queria mais, e encontrou na rua de baixo, na companhia de um "papaizinho" com o dobro da sua idade. A tinta da papelada do divórcio mal secara quando ela se mudou para uma rua a poucas quadras dali, onde morava atualmente, de frente para o lago, não muito longe de Bill Gates. Mas, mesmo vivendo em um endereço mais caro e tendo um marido mais aceitável, Mark não acreditava que as garotas do country clube a tratassem muito melhor do que antes. Mais educadamente, sim. Com mais simpatia, não. Não que Chrissy se importasse muito com isso. Contanto que a cumprimentassem com beijinhos na bochecha e elogiassem seu estilista, ela estaria feliz. O divórcio foi concluído há um ano, e Mark acrescentou “dar o fora de Medina” na sua lista de coisas a fazer, assim que ganhasse a Copa Stanley. Mark não era um multitarefa. Gostava de fazer uma coisa de cada vez e da forma correta. Encontrar uma casa nova ainda era a tarefa número dois da lista, mas, nos últimos dias, caminhar três metros sem sentir dor tornara-se a tarefa principal. O Lincoln virou na calçada circular e parou atrás de um CR-V amassado, com placa da Califórnia. Devia ser da enfermeira, Mark presumiu. Ele fechou a mão ao redor da bengala e olhou através da janela para a mulher sentada nos degraus da frente. Ela usava óculos escuros enormes e uma jaqueta laranja brilhante. O motorista deu a volta até a porta do passageiro e a abriu. — Posso ajudá-lo, Sr. Bressler? — Estou bem. — Ele se levantou do carro. Sentiu cãibras no quadril e os músculos queimaram. — Obrigado. — Ele deu uma gorjeta para o motorista e voltou sua atenção para a calçada de tijolos que levava à sua varanda e às portas duplas de mogno. Seu progresso era lento e instável; o Vicodin finalmente começava a fazer efeito para aliviar a dor. A garota vestindo a jaqueta laranja levantou-se e observou enquanto ele se aproximava, por detrás dos óculos escuros. Por debaixo da jaqueta laranja, ela usava um vestido de todas as cores imagináveis; mas o pesadelo das cores não terminava nas roupas. A raiz do cabelo era loira, com um tom artificial de rosa avermelhado por baixo. Ela parecia ter 20 ou 30 e poucos anos, e era mais jovem que as outras que trabalharam ali. Era mais bonita também, apesar do cabelo. O alto de sua cabeça mal atingia os ombros de Mark, e era bem magrinha. — Olá, Sr. Bressler — disse, enquanto ele se aproximava. Ela estendeu a mão. — Sou Chelsea Ross. Serei sua nova enfermeira. A aparência da jaqueta da mulher não melhorava com uma inspeção feita mais de perto. Era de couro e parecia que ela mesma a costurara. Ele ignorou a mão estendida e vasculhou o bolso à procura das chaves. — Eu não preciso de uma enfermeira. — Fiquei sabendo que o senhor é encrenqueiro. — Ela colocou os óculos no alto da cabeça e riu. — Você não vai me causar problemas, vai? Ele posicionou a chave na fechadura e olhou, por cima do ombro, para os brilhantes olhos azuis da moça. Não entendia muita coisa de moda feminina, mas sabia que ninguém deveria usar tantas cores fortes juntas. Era como olhar para o sol por muito tempo, e ele teve medo de isso causar um ponto cego em sua vista. — Só estou tentando poupar seu tempo. — Eu agradeço. — Ela o seguiu até a casa e fechou a porta. — Na verdade, meu trabalho só começa oficialmente amanhã. Eu só quis vir até aqui hoje para me apresentar. Você sabe, para dizer um alô. Ele jogou as chaves sobre a mesa de entrada. Elas derraparam na parte de cima e pararam ao lado de um vaso de cristal que não tinha um relacionamento com flores reais há anos. — Ótimo. Agora você já pode ir — ele disse e continuou caminhando pelo chão de mármore, passou pela escada espiral, indo em direção à cozinha. Começava a se sentir enjoado por causa da medicação para dor que tomara com o estômago vazio. — É uma bela casa. Já trabalhei em uns lugares muito legais, por isso sei do que estou falando. — Ela o seguiu, como se não tivesse pressa em dar o fora dali. — O hóquei foi bom para você. — Ele pagou minhas contas. — Você mora aqui sozinho? — Eu tinha um cachorro. — E uma esposa. — O que aconteceu? — Morreu — ele respondeu e teve a estranha impressão de que a conhecia de algum lugar, mas tinha também plena certeza de que se lembraria daquele cabelo. Apesar do cabelo estranho, ele duvidava muito que já tivesse transado com ela. Não fazia seu tipo. — Você já almoçou? Ele se moveu pelo chão de mármore até a geladeira de aço inoxidável. Abriu-a e tirou de lá uma garrafa d’água. — Não. — Ser sucinto e altivo nunca foi do seu feitio. — Eu já a conheço? — Você assiste a The Bold and the Beautiful? — O quê? Ela riu. — Se estiver com fome, posso preparar um sanduíche. — Não. — Embora eu só vá começar oficialmente amanhã, posso preparar uma sopa. — Eu disse não. — Ele levou a água até os lábios e olhou para ela por sobre o fundo do plástico transparente. A raiz do cabelo realmente tinha um tom estranho. Não era exatamente vermelho, nem exatamente rosa, e ele começou a imaginar se ela seria capaz de pintar o tapete para combinar com as cortinas. Alguns anos atrás, uma fã dos Chinooks pintou seus pelos pubianos de azul e verde para mostrar seu apoio. Mark nunca chegou a conhecer a mulher pessoalmente, mas viu suas fotos. — Bem, você acabou de recusar uma oferta única. Eu nunca cozinho para meus patrões. Isso estabelece um mau precedente, e, para ser completamente honesta, sou péssima na cozinha — ela disse com um grande sorriso, que poderia parecer uma gracinha, se não fosse tão irritante. Deus, ele odiava pessoas alegres. Já era a hora de irritá-la e fazer com que fosse embora. — Você não fala como uma russa. — Não sou russa. Ele baixou a garrafa, da mesma forma como baixou seu olhar para a jaqueta de couro laranja. — Então por que está vestida como uma imigrante? Ela olhou para seu vestido e apontou. — Isso aqui é um Pucci. Mark tinha certeza de que ela não falara “pussy2 ”, mas também tinha certeza de que ouvira algo parecido. — Vou acabar ficando cego só de olhar para você. Ela olhou para cima, e os cantos de seus olhos azuis se estreitaram. Ele não conseguia dizer se estava pronta para sorrir ou gritar. 2 Pussy significa vagina em inglês. — Isso não foi legal. — Eu não sou legal. — Nem politicamente correto. — Isso não tira meu sono. Ele tomou outro gole. Estava cansado, com fome e queria se sentar antes que caísse. Quem sabe tiraria um cochilo assistindo a algum programa policial na TV. Na verdade, ele sentia falta de ver Judge Joe Brown3 . Apontou, portanto, para a frente da casa. — A porta fica naquela direção. Não deixe que ela acerte sua bunda enquanto estiver saindo. Ela riu novamente como se fosse um pouco burra. — Gosto de você. Acho que vamos nos dar muito bem. Ela era mais do que um pouco burra. — Você, por acaso, é... — Ele balançou a cabeça, como se procurasse pela palavra certa. — Qual é o termo politicamente correto para “retardada”? — Acho que a expressão que está procurando é “mentalmente incapaz”. E, não. Não sou mentalmente incapaz. Ele usou a garrafa para apontar para sua jaqueta. — Tem certeza? — Razoavelmente. — Ela deu de ombros e se afastou do balcão. — Embora uma vez, na faculdade, eu tenha caído enquanto bebia direto de um barril, de cabeça para baixo. Me fez apagar na mesma hora. Posso ter perdido alguns neurônios naquela noite. — Sem dúvida. Ela colocou a mão dentro do bolso daquela jaqueta horrível e puxou de lá um molho de chaves, presas em um chaveiro de coração. 3 Reality show de tribunal. — Chegarei aqui amanhã às nove. — Estarei dormindo. — Ah, sem problemas — ela disse, toda alegre. — Vou tocar a campainha até você acordar. — Tenho uma espingarda carregada com chumbo grosso — ele mentiu. Sua risada a acompanhou por toda a sala. — Estou ansiosa para vê-lo novamente, Sr. Bressler. Se ela não era “mentalmente incapaz”, era mais doida do que merda de esquilo. Ou pior, era uma daquelas mulheres permanentemente alegres. Que baita idiota! Chelsea encolheu os ombros dentro de sua jaqueta de couro e abriu a porta de seu Honda CR-V. Uma gota de suor deslizou entre seus seios e molhou o arame do sutiã quando jogou a jaqueta no banco traseiro e entrou no carro. Ela fechou a porta e vasculhou sua bolsa, que estava sobre o banco do passageiro. Pegou o celular, discou os sete números e foi direcionada até a caixa postal. — Muito obrigada, Bo — ela falou ao telefone, enquanto enfiava a chave na ignição. — Quando você disse que esse cara podia ser difícil, deveria ter dito que era um cabeça-dura. — Ela colocou o telefone entre o ouvido e o ombro, deu a partida no carro com uma mão e, com a outra, abriu o vidro da janela. — Um aviso prévio não faria mal a ninguém. Ele me chamou de retardada e insultou meu Pucci! Fechou o telefone e jogou-o no banco do passageiro. Economizara por dois meses para comprar aquele vestido Pucci. O que ele sabia de moda, afinal? Era um jogador de hóquei. Ela colocou o carro na rua e começou a dirigi-lo, passando pelas casas dos ricos e esnobes. Uma brisa forte soprou através da janela, e Chelsea afastou o vestido do peito, deixando o ar fresco secar-lhe a pele. Provavelmente teria uma alergia nos seios, e seria culpa de Mark Bressler. Não, ele não a fizera usar uma jaqueta de couro em um dia quente de junho, mas ela achava que era culpa dele, de qualquer forma. Ele era um atleta. E isso era motivo suficiente. Deus, ela odiava pessoas como Mark Bressler. Pessoas rudes que pensavam ser melhores do que todos os outros. Nos últimos dez anos, estivera cercada por pessoas como ele. Ela marcava seus compromissos, passeava com seus cachorros e planejava seus eventos. Fora a assistente pessoal de estrelas de cinema e magnatas. Celebridades de classes A a D, até que finalmente chegou ao seu limite. O “limite” chegou na semana anterior, na casa de hóspedes de um ator classe B que, subitamente, conseguiu o papel principal em uma série da HBO. Ela trabalhou para ele durante cinco meses, vivendo em sua casa de hóspedes, certificando-se de que estivesse pronto para seus compromissos e transmitindo seus recados. Tudo estava indo muito bem, até a noite em que ele foi à casa de hóspedes, pediu que ela ficasse de joelhos e lhe fizesse sexo oral ou procurasse outro emprego. Dez anos de raiva e impotência reprimida fizeram com que fechasse sua mão em punho. Dez anos de empregos de merda e desapontamentos, trabalhando como louca. Dez anos observando outras pessoas pretensiosas, sem talento, desagradáveis, mas bem-sucedidas, enquanto esperava sua grande chance. Dez anos de propostas sexuais desprezíveis e empregos ingratos fizeram com que seu braço balançasse para trás, e ela acabou lhe dando um soco no olho. Então, colocou suas coisas no CR-V e ligou para sua agente de segunda categoria para avisar que chegara ao limite. Mudou-se, portanto, para um lugar a 300 km de Hollywood, longe dos egos e da arrogância, para acabar sendo contratada por um dos maiores babacas do planeta. Embora, tecnicamente, ela acreditasse que Mark Bressler não era seu patrão. Os Chinooks de Seattle pagavam seu salário — e um bônus bem gordo. — Três meses — ela murmurou. Se aguentasse por três meses, a organização dos Chinooks lhe daria um bônus de dez mil dólares. Depois de conhecer o Sr. Bressler, ela entendeu o que significava esse extra. Um suborno. Ela podia fazer isso. Era uma atriz. Aguentara muito mais por muito menos. Guiou para a Avenida 520 e foi em direção a Bellevue, para o condomínio de sua irmã. Ela pediria mais que dez mil. Não que quisesse o dinheiro por qualquer motivo nobre como ajudar os doentes ou para doações para uma igreja local ou um banco de alimentos. Não agradaria à família finalmente conquistando aquele diploma em enfermagem, desenho ou design gráfico. Não daria entrada em uma casa ou em um carro novo. Não faria nenhuma dessas coisas que pudesse garantir seu futuro ou aprimorar sua mente. Ao final de três meses, usaria aqueles dez mil para aprimorar a si mesma. Até alguns dias atrás, não possuía um plano de ação. Agora tinha, e tudo já estava resolvido. Sabia o que fazer e como fazer, e nada nem ninguém ficaria em seu caminho. Nem mesmo os riscos envolvendo sua saúde ou a desaprovação da família iriam afastá-la de seu objetivo. Muito menos um jogador de hóquei irritadiço, enorme e arrogante, com expressões cruéis, parecendo carregar um imenso peso nos ombros, que eram igualmente imensos.

Avaliações

Avaliação geral: 5

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marcos henrique recomendou este produto.
05/02/2015

pereito

o livro é lindo só o final que achei fraco
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Eva Figueira Parada recomendou este produto.
30/12/2014

Maravilhoso!!!

Li todos os livros da Rachel Gibson amei todos te prendi do começo ao fim amei. !!!!
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