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Quando Você Voltar (Cód: 4892817)

Hannah,Kristin

Arqueiro

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Descrição

Em seu novo livro, Kristin Hannah constrói uma história apaixonante de cumplicidade, heroísmo e, acima de tudo, esperança.



Como tantos casais, Michael e Jolene não resistiram às pressões do dia a dia e agora estão vendo seu relacionamento de doze anos desmoronar. Alheio à vida familiar, Michael está sempre mergulhado no trabalho, não dá atenção às duas filhas e não faz a mínima questão de apoiar a carreira militar da esposa.

Então Jolene é convocada para a guerra. Ela sabe que tem um dever a cumprir e, mesmo angustiada por se afastar de casa, deixa para o marido a missão de cuidar das meninas e segue para o Iraque.

Essa experiência mudará para sempre a vida de toda a família, de uma forma que ninguém poderia prever.



No front, Jolene depara com a dura realidade e precisa, mais do que nunca, recorrer à sua força e inteligência para se tornar uma heroína em meio ao caos. Em suas mensagens para casa, ela retrata um mundo cor-de-rosa, minimizando os horrores que vivencia com o objetivo de proteger todos do sofrimento.



Mas toda guerra tem um preço, e ela acaba se vendo protagonista de uma tragédia. Agora Michael precisa encarar seus medos mais profundos e travar uma batalha em nome da família.

Características

Peso 0.41 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
I.S.B.N. 9788580411584
Altura 23.00 cm
Largura 16.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 352
Idioma Português
Acabamento Brochura
Tradutor Alfaro, Carolina
Cód. Barras 9788580411584
Número da edição 1
Ano da edição 2013
País de Origem Brasil
AutorHannah,Kristin

Leia um trecho

Parte Um

Ao longe

“Algumas coisas se aprendem melhor na calmaria;
outras, na tempestade.”

– Willa Cather

Prólogo

1982 Para ela, algumas famílias eram como parques bem-cuidados, com lindos canteiros de narcisos e árvores majestosas que oferecem abrigo do sol de verão. Outras – e isso ela sabia em primeira mão – eram campos de batalha, escuros e sangrentos, cobertos de fragmentos de bombas e partes de corpos.
Jolene Larsen podia ter apenas 17 anos, mas já conhecia a guerra. Ela crescera em meio a um casamento que estava desmoronando.
O pior era o Dia dos Namorados. O humor em casa sempre era instável, mas nesse dia, quando a televisão mostrava anúncios de flores, chocolates e cartões vermelhos em forma de coração, o amor se tornava uma arma nas mãos descuidadas de seus pais. Começava com bebida, claro. Sempre. Copos cheios de bourbon, enchidos repetidas vezes. Esse era o início. Depois vinham os gritos, o choro e objetos arremessados. Durante anos, Jolene perguntou à mãe por que elas simplesmente não deixavam o pai e escapavam dali durante a noite. A resposta era sempre a mesma: Não consigo. Eu o amo. Às vezes ela chorava ao dizer essas terríveis palavras, às vezes sua amargura era palpável, mas no fim das contas seu tom de voz não importava, e, sim, a trágica verdade de um amor que não era retribuído.
No andar de baixo alguém gritou.
Deve ser minha mãe.
Depois veio um golpe, algo grande atirado contra a parede. Uma porta foi batida.
Deve ser meu pai.
Ele saiu de casa furioso – como sempre. Iria voltar no dia seguinte ou depois, quando ficasse sem dinheiro e se esgueiraria para dentro da cozinha, sóbrio e arrependido, cheirando a álcool e cigarro. A mãe se apressaria até ele, soluçando, e o abraçaria. Ai, Ralph... Você me deixou apavorada... Me desculpe, me dê mais uma chance, por favor, você sabe que eu o amo muito...
Jolene atravessou o quarto de teto inclinado, abaixando-se para não bater a cabeça em uma das vigas de madeira rústica. Só havia uma luz ali, de uma lâmpada que pendia como o último dente na boca de um velho, frouxa e instável.
Ela abriu a porta e escutou.
Tinha acabado?
Desceu devagar a escada estreita, ouvindo as tábuas rangerem sob seu peso. Encontrou a mãe na sala, sentada no sofá com os ombros caídos, um cigarro Camel aceso na boca. As cinzas choviam sobre seu colo. Os resquícios da briga estavam espalhados pelo chão: garrafas, cinzeiros e cacos de vidro.
Até poucos anos atrás, Jolene tentara fazer a mãe se sentir melhor, mas muitas noites como aquela a haviam endurecido. Agora, tudo aquilo a deixava impaciente, o drama do casamento de seus pais a aborrecia. Nada mudava nunca, e era Jolene que precisava limpar a bagunça. Ela foi pisando por entre os cacos de vidro e se ajoelhou ao lado da mãe.
– Deixe isto comigo – disse com voz cansada, pegando o cigarro e apagando-o no cinzeiro no chão, ao seu lado.
A mãe levantou o olhar triste, o rosto molhado de lágrimas.
– Como eu vou viver sem ele? Como em resposta, a porta dos fundos se abriu. O ar frio da noite invadiu a sala, carregando o aroma de chuva e pinheiros.
– Ele voltou!
A mãe empurrou Jolene para o lado e correu para a cozinha.
– Eu te amo, meu amor, me desculpe – a filha a ouviu dizer.
Jolene se endireitou aos poucos e se voltou. Seus pais estavam entrelaçados em um daqueles abraços de filme, do tipo que se reserva para amantes que se reencontram após uma guerra. A mãe se agarrava a ele desesperadamente, segurando sua camisa xadrez de lã.
O pai, bêbado, oscilava como se só a esposa o mantivesse de pé, o que era impossível. Ele era enorme, alto e largo, com mãos do tamanho de travessas. Ela era frágil e pálida. Era dele que Jolene herdara a altura.
– Você não pode me deixar. – Mal dava para ouvir suas súplicas entre soluços. O pai desviou o olhar. Por um instante, Jolene viu dor em seus olhos – dor e, pior, vergonha, fracasso e arrependimento.
– Preciso beber alguma coisa – falou ele, a voz rouca devido a anos fumando cigarros sem filtro.
Segurou a mão da esposa e a arrastou pela cozinha. Um pouco perdida, mas com um sorriso bobo no rosto, a mãe foi cambaleando atrás, sem notar que estava descalça.
Foi só quando ele abriu a porta dos fundos que Jolene entendeu.
– Não! – gritou, levantando-se e correndo atrás deles.
Lá fora, a noite de fevereiro estava fria e escura. A chuva martelava o telhado e jorrava pela beira das calhas. O caminhão de lenha do pai, a única coisa com a qual ele realmente se importava, parecia um imenso inseto preto fora da casa. Jolene correu até a varanda de madeira, tropeçou em uma motosserra, mas conseguiu se manter de pé.
A mãe parou diante da porta aberta do carona e olhou para a filha. A chuva grudou seus cabelos no rosto encovado e borrou o rímel. Ela ergueu uma mão, pálida e trêmula, e acenou.
– Saia da chuva, Karen – berrou o pai, e a esposa obedeceu no mesmo instante. Em um segundo, as duas portas se fecharam. O caminhão deu ré, embicou para a rua e se foi.
E Jolene ficou sozinha de novo.
Quatro meses, pensou desanimada. Só mais quatro meses e ela terminaria o ensino médio e poderia sair de casa.
Casa. O que quer que isso signifique.
Mas o que ela faria? Para onde iria? Não tinha condições de pagar a faculdade e seus pais sempre encontravam e “pegavam emprestado” o dinheiro que ganhava trabalhando. Ela não possuía nem o suficiente para um mês de aluguel.
Não sabia ao certo quanto tempo ficara ali parada, pensando, se preocupando, vendo a chuva transformar a entrada de carros em um lamaçal. Em certo momento, tomou consciência de um lampejo de cor estranho no meio da noite.
Vermelho. Cor de sangue, fogo e perda.
Quando a viatura parou na frente da casa, ela não se surpreendeu. O que a surpreendeu foram seus sentimentos ao ouvir que os pais tinham morrido.
O que a surpreendeu foi a intensidade com que chorou.