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Rio Antigo - Confissões de um Assassino da Belle Époque (Cód: 2645425)

Jelihovschi,Anatole

Rocco

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Descrição

Nos idos do Brasil Imperial da segunda metade do século XIX, Afonso é um jovem arredio, fechado, marcado por um grande trauma: o assassinato da mãe pelo pai, que se matou logo em seguida ao homicídio. Adotado por um casal de tios, muda-se para a Fazenda Ferreirinha, próxima a Vassouras, onde tem sua infância e juventude marcada pelas atitudes truculentas do primo mais velho, João Bento, pela paixonite da prima Felícia, e pela desumana divisão entre casa-grande e senzala. Mas há algo de estranho com Afonso, e ele sabe disso: é frio, calculista, manipulador e não partilha das emoções e dos valores comuns às pessoas a sua volta. Pior: tem prazer com a crueldade e se alimenta da dor que vem do sofrimento alheio. Fossem os estudos sobre psicologia mais avançados na época, ele seria classificado como um legítimo sociopata, cujos crimes vão abalar a então capital federal do início do século XX. É este o mote de Rio Antigo – Confissões de um assassino da Belle Époque, surpreendente romance de Anatole Jelihovschi.

Rio Antigo é um thriller psicológico cujo narrador é o próprio criminoso. É pelo olhar de Afonso que se apresenta o panorama de uma cultura e de uma sociedade em que seus crimes acabam, muitas vezes, por serem pequenos diante de tantas demonstrações de monstruosidades cotidianas. Na virada do século, o Rio de Janeiro é uma cidade em convulsão: os cortiços tomam as vielas do Centro, tornando o lugar insalubre com a proliferação de doenças e perigoso com marginais, capoeiras e malandros prontos para atacar os mais desavisados. A miséria transforma a vida dispensável e agride-se e mata-se por meras moedas. É neste caldo que Afonso consolida seu gosto pelo assassinato, cultivado muitos anos antes, entre os senhores e escravos da Fazenda Ferreirinha.

O autor mostra nesta obra a construção de um serial killer. Na fazenda, Afonso tornou-se conhecido pelo gosto com que matava bois, galinhas e porcos: ele prolongava ao máximo o sofrimento dos animais para, então, tirar-lhes a vida. Mas estas mortes nada tinham de excitante já que os bichos tinham pouca ou nenhuma noção de que seriam abatidos. E era o desespero diante da morte eminente que mais agradava a Afonso. Observando os escravos e suas crenças que incluíam sacrifícios, ele aprendeu a ver a morte como um ritual. E sua trilha de corpos começa na própria família que o adotara. A começar por seu primo João Bento, ele mesmo uma pessoa desprezível, que estuprava e agredia escravos como se praticasse um esporte. Ao mexer com Enfrenta Onça, um escravo, por provocação de Afonso, decretou sua morte de forma horrível: foi assassinado com mordidas no pescoço pelo homem enlouquecido, uma prática que Afonso adotaria anos depois com algumas de suas vítimas.

O desprezo pela vida e sua associação com o “coisa-ruim”, cuja presença sente em sonhos e visões, fazem de Afonso uma pessoa isolada emocionalmente das pessoas mas, ainda assim, socialmente carismática. Os anos que passou morando em Paris, capital que influía na vida cultural da pretensamente elegante e muito arrogante sociedade carioca, deu a ele passe livre para circular entre homens de negócios e intelectuais da época. Nos debates que se seguiam em cafés da Rua do Ouvidor e na Confeitaria Colombo só se falava da decadência da cidade e de como as reformas do prefeito Pereira Passos viriam a mudar este panorama, com o fim dos cortiços e a abertura de grandes e arejadas avenidas ao estilo da capital francesa. Afonso, um ser das trevas, cuja trilha de morte inclui justamente esses lugares sombrios e moribundos, onde a vida de um homem vale menos que a de um rato, não vibra com a possibilidade de o Rio se tornar uma nova Cidade Luz. Como ele fará para se manter impune em sua busca pelo prazer do sofrimento com as drásticas mudanças que a cidade passará é o que Anatole Jelihovschi mostrará ao leitor em Rio Antigo – Confissões de um assassino da Belle Époque.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Rocco
I.S.B.N. 9788532516053
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 512
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788532516053
Número da edição 1
Ano da edição 2009
MÊS MAIO
País de Origem Brasil
AutorJelihovschi,Anatole