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Romeu e Julieta - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649456)

Shakespeare, William

Saraiva De Bolso

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Descrição

Julieta, a bela Capuleto, se apaixona por Romeu sem saber que o rapaz é um Montéquio. Apesar dos problemas que certamente teriam de enfrentar, pois suas famílias eram inimigas, os jovens escolhem viver a intensidade do sentimento que nutrem um pelo outro, decidindo se casar em segredo. As disputas das duas famílias, contudo, não deixam espaço para que o amor impossível do jovem casal possa florescer.

Tradução e introdução: Barbara Heliodora

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925225
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925225
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
País de Origem Brasil
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorShakespeare, William

Leia um trecho

Introdução Prova confiável de uma peça elisabetana na época de sua primeira montagem é a publicação de uma edição “pirateada”, sem autorização dos donos do texto. O conceito de copyright tal como o conhecemos não existia e, ainda hoje, discute-se se os direitos de publicação fi cavam com quem registrava seu pedido no Stationers’ Register, ou com quem imprimia primeiro. Como tampouco eram definidos os direitos de montagem, as companhias, que compravam o texto do autor, via de regra, não os queriam ver impressos, para que outras, menores, se apropriassem deles para excursionar pelo interior. Romeu e Julieta teve uma primeira edição péssima (um dos notórios bad quartos) em 1597, com texto reconstituído de memória por um ou dois atores que haviam trabalhado, ao que parece, em uma montagem bastante cortada. Como frequentemente acontecia em tais casos, uma segunda edição, autorizada, aparece para provar que o que a companhia montava não era aquele monstrengo antes dado a público. Em 1599, portanto, aparece o Q2,* que além de correto contém mais setecentos versos do que o Q1, baseado provavelmente no manuscrito de Shakespeare. Os especialistas identificam a probabilidade da origem por hábitos do poeta, como o de escrever, na rubrica, “Entra Will Kempe”, o ator que faria o papel, em lugar de escrever “Entra Pedro”, que é o criado da Ama. Apesar de pirateado e apesar dos erros, o Q1 tem grande importância por trazer considerável contribuição à questão da data da peça. Diz a página de rosto: “A tragédia de excelentes conceitos Romeu e Julieta, como tem sido muitas vezes (e com grande aplauso) montada publicamente pelos ‘Criados do Muito Honorável Lorde Hunsdon’.” Acontece que os dois lordes Hunsdon, pai e fi lho, primos da rainha, ocuparam o cargo de Lorde Chamberlain, nome pelo qual é geralmente conhecida a companhia de Shakespeare, e que foi só entre julho de 1596 e março de 1597 — ou seja, entre a morte do primeiro e a no meação do segundo — que o grupo foi conhecido apenas como “Os Homens do Lorde Hunsdon”. Há uma forte corrente, no entanto, que acredita que Romeu e Julieta seja de 1595, data do início de seu período lírico, sendo as duas possibilidades bem próximas. O gênio de Shakespeare se revela de modo particularmente claro no uso que ele faz de sua fonte virtualmente única, o poema que o medíocre poeta Arthur Brooke afirma ter sido primeiramente escrito em italiano por Bandello, The Tragic History of Romeu and Juliet. As sementes da trama de Romeu e Julieta são remotas: no século III, em uma historieta grega, pela primeira vez uma mulher recorre à poção que simula a morte para escapar a um segundo casamento com o marido vivo, mas o tema se torna realmente popular na Renascença; em 1476, em Il Novellino, de Masuccio, o veneno já é ministrado por um frade. Mas é na Historia novellamente ritrovata di due nobiliamanti, de Luigi da Porto, publicada em 1530, que a história se apresenta com considerável semelhança à de Shakespeare: os amantes são nobres, a cena é em Verona, as famílias são Montecchi e Cappulletti. A diferença é que Julieta se apaixona primeiro e é bastante oferecida; mas o desenvolvimento é semelhante. Adrien Sevin faz uma adaptação francesa em 1542, Luigi Groto publica uma peça em 1578. Mas a linha que resulta em Brooke e Shakespeare é a da história de Romeu e Julieta em Leo Novelle del Bandello (1554), cuja intenção era a de “advertir os jovens que eles devem governar seus desejos e não cair em paixões furiosas”, traduzida para o francês por Boaistuau; a história vai adquirindo riqueza cada vez maior de detalhes, mas a versão que nos interessa é a de Brooke. O longo poema inglês (3.020 versos), publicado em 1562, alcançou enorme popularidade (como o prova ter tido em pouco tempo mais duas edições, em 1582 e 1587), e ofereceu a Shakespeare não só toda a trama de sua tragédia, como fartíssimas informações sobre a Itália, Verona, hábitos sociais e mil outros detalhes úteis para a criação da peça. As diferenças são a de visão autoral e de objetivos. O texto de Brooke é precedido, em sua primeira edição, por um “Address to the Reader” que expressa os sentimentos e as intenções do poeta ao elaborar o seu Romeo and Juliet. Depois de um complexo início onde discorre sobre a obrigação que tem o homem de louvar a Deus por tudo o que criou, ele fala mais especifi camente de sua história e diz: “O glorioso triunfo do homem que se contém quanto aos prazeres da luxúria da carne, encoraja os homens a evitar as afeições loucas, os fi nais vergonhosos e desgraçados daqueles que escravizaram sua liberdade aos desejos sórdidos, e ensina o homem a abster-se de cair de cabeça na perdição da desonestidade. Com o mesmo efeito, por vias diversas, o exemplo do homem bom chama os homens a serem bons, e a maldade do homem mau adverte os homens a não serem maus. Para tal bom fi m servem todos os maus começos. E para tal fi m (bom leitor) é escrita esta matéria trágica, para descrever para ti um casal de amantes infelizes, que foi escravizado pelo desejo desonesto, desrespeitando a autoridade e o conselho de pais e amigos, constituindo seus principais conselheiros alcoviteiras bêbadas e frades supersticiosos (os instrumentos próprios da falta de castidade), que experimentam todas as aventuras do perigo para atingir sua desejada luxúria, usando a confissão auricular (chave para toda prostituição e traição) para propiciar seus objetivos, e desrespeitando o honrado nome do casamento legal para acobertar a vergonha dos encontros roubados, finalmente, por todos os meios da vida desonesta, apressando a mais infeliz das mortes. ” Como Shakespeare, antes do início da ação Brooke inclui um soneto de apresentação (petrarquiano de forma, não um catorzain como o de Shakespeare) que apenas descreve a ação em detalhe, afirmando inclusive que o jovem casal ficou casado e se encontrando escondido por nada menos que três meses antes do episódio da morte de Teobaldo e do exílio de Romeu. A transformação que Shakespeare opera ao compor sua tragédia é tão mais notável por não implicar qualquer maior alteração para a trama — a Ama fica mais cômica, o personagem de Mercúcio é criação sua, mas a história é rigorosamente a mesma. A diferença está no ponto de vista autoral, na postura de Shakespeare em relação aos seus protagonistas. Em lugar da moralizante condenação da juventude por não obedecer a seus pais e por ouvir alcoviteiras e frades, a ênfase da tragédia shakespeariana vai para o conflito entre as duas famílias, que perturba a ordem da comunidade, como fica bem claro desde o soneto introdutório: as duas casas põem “guerra civil em mão sangrenta” e o par de amantes “com sua morte enterra a luta de antes”. Os amantes nascem “como má estrela”, porém a ação mostra muito claramente que essa má estrela é o ódio entre Capuletos e Montéquios, e “A triste história desse amor marcado e de seus pais o ódio permanente, só com a morte dos filhos terminado” fala bem alto ao poeta que, ao longo de toda a sua carreira, dedicou sua mais profunda preocupação ao bem-estar da comunidade, produto da paz e do bom governo. Romeu e Julieta, a par de contar uma história de amor, é transformada também em magistral sermão contra os males da guerra civil. O contraste entre a mediocridade de Brooke e a genialidade de Shakespeare fica evidente no uso que cada um dos dois faz exatamente da mesma trama; em lugar do míope moralismo do primeiro, o Romeu e Julieta do segundo transforma tudo em doloroso conflito entre o ódio e o amor, e os dois jovens amantes morrem não por desobedecerem a seus pais, mas por serem vítimas da sangrenta luta entre suas duas famílias, de um ódio cuja origem jamais é identificada. Nada tão magistral quanto a redução do tempo da ação a quatro dias, durante os quais a intensidade da emoção e a brevidade do tempo impedem que haja algum esclarecimento salvador. De certo modo, o amor é tão injustificado quanto o ódio, isto é, ele acontece em um instante, sem que nem Julieta nem Romeu o planejassem ou sequer esperassem: Romeu só vai à festa dos Capuletos na esperança de ver Rosalina, enquanto Julieta, quando a mãe lhe pergunta o que acha da possibilidade de um casamento, responde tranquilamente: É honra com que nunca ousei pensar. e sua ingenuidade a respeito do amor é tão grande que, insistindo a senhora Capuleto sobre o assunto, diz sobre a possibilidade de amar Páris. Porém mais longe eu nunca hei de ir. Que o voo que a senhora consentir. O amor, como sempre em Shakespeare, entra pelos olhos, e é claro que uma vez apaixonada não ocorre mais a Julieta indagar até que ponto deverá ir esse amor, ou se sua mãe dará permissão para ele. O amor amadurece em um instante a menina Julieta e, desde o primeiro momento, nem ela nem Romeu têm qualquer dúvida a respeito do seu amor, muito embora ambos tenham consciência do perigo que representa para eles o ódio familiar — consciência esta que sem dúvida serve para torná-los ainda mais precipitados em sua emoção. Romeu e Julieta é a única tragédia lírica de Shakespeare, mas não podemos deixar de notar, por isso, a presença de vários elementos reveladores da influência de Sêneca como o pressentimento de Romeu antes de entrar na festa: A minha mente teme Algo que, ainda preso nas estrelas, Vai começar um dia malfadado Com a festa dessa noite, e ver vencido O termo desta vida miserável Com a pena vil da morte inesperada. ou como as mortes violentas de Mercúcio e Teobaldo, o clima assustador do monumento dos Capuletos, ou o peso do acaso e da fatalidade. Quanto ao acaso, no entanto, é preciso lembrar como o atraso do frade com a carta, por causa da peste, seria plausível para a plateia elisabetana, já que a peste continuava endêmica e fazia ainda pouco (entre 1592 e 1594) mantivera os teatros de Londres fechados por quase dois anos. Essa violência, no entanto, é banhada no lirismo do diálogo, e o clima especial da obra, do fulgurante amor entre os dois jovens, transparece na imensa quantidade de imagens de luz, luz contrastada com o escuro que não é amor. O rosto de Julieta vai ensinar as tochas a brilhar; se seus olhos brilhassem no lugar de estrelas, os pássaros cantariam como ao dia; Romeu é a luz para ela, e quando morrer ele deve ser retalhado em estrelas. O amor e a juventude são luz; a tristeza e a dor são sombrias, são o sol que se põe ou que não quer nascer. Há a imagem do brilho do sol, das estrelas, de luar, velas, tochas, da rapidez da luz do raio; há a imagem da escuridão que chega, de nuvens, sombra, noite. Mas é tudo muito complexo, porque os grandes momentos de felicidade (o encontro, a cena do balcão, a despedida) vêm na noite — e, naturalmente, a iluminam, enquanto os conflitos, mortes e o banimento dão-se de dia. O sol claro parece ser a luz do ódio, não do amor. Já disse um crítico que Romeu e Julieta pertence a um período no qual Shakespeare ainda “não deixava nada sem ser dito” e, realmente, as tragédias da maturidade são mais elípticas em sua linguagem; Shakespeare aqui ainda usa muita rima, o que o leva a elaborar um soneto para marcar o primeiro diálogo dos jovens. E é memorável o que o poeta faz para mostrar o quanto Romeu muda ao conhecer Julieta: há todo um exagero de ornato em suas falas quando ele se tem como apaixonado por Rosalina e, na verdade, ele quase que só fala de si mesmo; mas a partir do baile seu discurso se altera, Romeu se concentra em Julieta e fica bem mais objetivo; compreensivelmente, na cena do banimento ele tem uma recaída de descontrole verbal, mas no final, novamente é dela que ele fala. Afora os dois protagonistas, muito bem-desenhados, Romeu e Julieta tem ainda outras fi guras marcantes: como irretocável preparação para a poção cataléptica que Julieta irá tomar, Frei Lourenço é apresentado como competente herbalista, profundo conhecedor dos segredos da natureza, bem como perspicaz e compreensivo observador de comportamentos humanos; a Ama é não só a criada antiga na casa que já abusa de sua intimidade, mas também exibe, desde o início, um despudor, uma tendência para o grosseiro, que explicam sua insensibilidade moral em relação ao proposto segundo casamento de Julieta. Menos detalhado, mas significativo, é Teobaldo, que deixa bem claro o fato de em cada geração aparecer ao menos um indivíduo cujo temperamento conduz à preservação do ódio entre as casas. E, naturalmente, Mercúcio: como Romeu e Julieta, ele representa alegria, juventude, amor e vida, e como os dois amantes, é sacrificado pelo ódio que maltrata a cidade; ele é brincalhão, ágil de corpo e pensamento, mostra-nos a alegre vida que Verona poderia ter sem a luta sangrenta e gratuita entre Montéquios e Capuletos. Páris, que não pertence a nenhum dos dois partidos, é discreto, mas os velhos chefes das duas famílias e suas mulheres, mesmo cansados da luta, acabavam envolvidos por ela. A contínua preocupação de Shakespeare com o bom governo faz com que a íntegra fi gura de Éscalus, o Príncipe, seja desde o início radicalmente contra o conflito, e ainda se lamente, no final, por não ter sido ainda mais enérgico. Romeu e Julieta não é nem a melhor nem a mais consagrada das obras de Shakespeare, porém poucos contestarão que seja — e merecidamente — a mais amada. Barbara Heliodora Dramatis personae Éscalus, Príncipe de Verona. Mercúcio, jovem fi dalgo, parente do príncipe e amigo de Romeu. Páris, jovem fi dalgo parente do príncipe. Pajem de Páris Montéquio, chefe de família veronesa em luta contra os Capuletos. Senhora Montéquio Romeu, fi lho de Montéquio. Benvólio, sobrinho de Montéquio e amigo de Romeu e Mercúcio. Abraão, criado de Montéquio. Baltasar, criado de Romeu. Capuleto, chefe de família veronesa em luta com os Montéquios. Senhora Capuleto Julieta, fi lha de Capuleto. Teobaldo, sobrinho da senhora Capuleto. Primo de Capuleto, um senhor idoso. Ama, criada dos Capuletos, ama de leite de Julieta. Pedro, criado dos Capuletos a serviço da Ama. Sansão ? Gregório ? da casa dos Capuletos, Antônio ? Cuca ? Criados ? Frei Lourenço ? da Ordem dos Franciscanos. Frei João ? Um Boticário, de Mântua. Três Músicos (Simão Viola, Hugo Rabeca, João do Grito). Integrantes da guarda, cidadãos de Verona, mascarados, pajens, portadores de tochas, criadagem. Coro. Prólogo (Entra o Coro.) Coro Duas casas, iguais em seu valor, Em Verona, que a nossa cena ostenta, Brigam de novo, com velho rancor, Pondo guerra civil em mão sangrenta. Dos fatais ventres desses inimigos Nasce, com má estrela, um par de amantes, Cuja derrota em trágicos perigos Com sua morte enterra a luta de antes. A triste história desse amor marcado E de seus pais o ódio permanente, Só com a morte dos fi lhos terminado, Duas horas em cena está presente. Se tiverem paciência para ouvir-nos, Havemos de lutar pra corrigir-nos. (Sai.) Ato I Cena I (Entram Sansão e Gregório, com espadas e escudos, da casa dos Capuletos.) Sansão Gregório, desaforo não se engole. Gregório Senão teremos fama de gulosos. Sansão Mas saiba que, com raiva, eu puxo a espada. Gregório Depois a corda puxa o seu pescoço. Sansão Bato na hora, sendo provocado. Gregório Mas pra ser provocado leva horas. Sansão Por qualquer cão Montéquio eu salto logo. Gregório Saltar é desviar; o valente é fi rme portanto, se você desviar, está fugindo. Sansão Meu salto, para um cão desses, é pra fi rmar. Fico com as costas protegidas em frente a qualquer moço ou moça dos Montéquios. Gregório O que mostra que és safado e fraco, pois é o mais fraco que fi ca de costas para a suas moças para a parede. Sansão Isso é verdade, e é por isso que as mulheres, a parte fraca, acabam empurradas para a parede; então eu tiro a parede dos Montéquios, mas empurro suas moças para a parede. Gregório A briga é entre os nossos amos, e nós, que somos seus homens. Sansão Tanto faz. Vou bancar o tirano: depois de brigar com os homens, vou ser civil com as donzelas, cortando as suas cabeças. Gregório As cabeças das donzelas? Sansão Cabeças ou cabaços; dê o sentido que quiser. Gregório Elas terão de dar o sentido que sentirem. Sansão A mim elas vão sentir enquanto eu me aguentar ereto; e todos me conhecem como um bom pedaço de carne. Gregório Que não é peixe, todos sabem; se fosse, era comida de abstinência. Mas pode puxar a sua arma — lá vem o pessoal dos Montéquios. (Entram dois criados, Abraão e Baltasar.) Sansão Minha arma já está de fora. Brigue que eu lhe cubro as costas. Gregório Como? Dá as costas e foge? Sansão Ora, não tenha medo. Gregório Nossa! Eu, com medo de você? Sansão Vamos fi car com a lei. Eles que comecem. Gregório Vou amarrar a cara quando passarem, e eles que entendam como quiserem. Sansão Ou como ousarem. Eu vou morder o dedão para eles, e será a maior vergonha se eles aturarem. Abraão Senhor, está mordendo o polegar para nós? Sansão Estou mordendo o meu polegar, sim, senhor. Abraão Mas está mordendo para nós? Sansão A lei fi ca do nosso lado se eu disser que sim? Gregório Não. Sansão Não, senhor; não mordo meu polegar para o senhor, mas mordo o meu polegar. Gregório Está procurando briga, senhor? Abraão Briga, senhor? Não, senhor. Sansão Quando estiver, estou à sua disposição. Sirvo homem tão bom quanto o que serve. Abraão Mas não melhor. Sansão Bem, senhor... (Entra Benvólio.) Gregório Diga “melhor”; aí vem um parente do meu amo. Sansão Sim, senhor; melhor. Abraão Mentiroso. Sansão Saquem, se são homens. Gregório, lembre- -se daquele golpe atravessado. (Lutam.) Benvólio Parem, tolos, e guardem as espadas, pois nem sabem o que fazem. (Entra Teobaldo.) Teobaldo De espada em punho pr’essas coelhinhas? Aqui, Benvólio; e encare a sua morte. Benvólio Eu só busco a paz; guarde essa espada, Ou use-a pra apartar esses rapazes. Teobaldo Falas de paz, armado? Odeio o termo, Como a ti, ao inferno e aos Montéquios. Tome, covarde. (Eles lutam.) (Entram três ou quatro cidadãos, com paus ou facões.) Cidadãos Com cacetes, ou com facões, ataquem! Abaixo Capuletos e Montéquios! (Entram o velho Capuleto, com manto longo, e a senhora Capuleto.) Capuleto O que foi? Deem-me aqui a minha espada! Sra. Capuleto Uma muleta! Mas pra que espada? (Entram o velho Montéquio e a senhora Montéquio.) Capuleto A minha espada, que lá vem Montéquio Brandindo a lâmina pra me insultar. Montéquio Capuleto vilão! Deixem-me ir! Sra. Montéquio Mais nem um passo em busca de inimigos. (Entra o Príncipe Éscalus com o seu séquito.) Príncipe Maus cidadãos, inimigos da paz, Que profanais com aço o sangue irmão! Não me ouvireis? Sois homens ou sois feras, Já que apagais o fogo deste ódio Com o jato que vai rubro de vós mesmos? Sob pena de tortura ora arrancai Das mãos sangrentas vossas armas vis, E ouvi o vosso príncipe indignado. Três lutas fratricidas, por palavras Ditas por vós, Montéquio e Capuleto, Três vezes perturbaram nossas ruas, Fazendo os anciãos desta Verona Pegar nas velhas mãos podres de paz As velhas armas contra esse ódio podre. Se uma vez mais as ruas agitardes, As vossas vidas pagarão a paz. Por hoje, que se afastem daqui todos! Vós, Capuleto, podeis vir comigo; E vós, Montéquio, vireis hoje à tarde Até o tribunal de julgamento Pra receber a solução do caso. Que partam todos, pois a pena é morte! (Saem todos menos Montéquio, a senhora Montéquio e Benvólio.) Montéquio Quem reabriu a nossa luta antiga? Fale, sobrinho; viu desde o começo? Benvólio Vários criados de seus inimigos E dos seus já brigavam quando entrei. Eu tentava apartá-los quando, então, O fogoso Teobaldo, já armado, Sacudiu a espada e me insultou, Cortando o ar acima da cabeça, Que, ileso, contentou-se em sibilar. Em meio a nossos golpes e paradas Foi chegando mais gente e assim, mais briga, Até que o príncipe veio apartar. Sra. Montéquio Onde está Romeu? Já o viu hoje? Benvólio Já bem antes que o Sol, minha senhora, Olhasse na janela do oriente, Estando inquieto, eu saí para andar, E ali no bosque, sob os sicômoros Que crescem à direita da cidade, Assim tão cedo eu encontrei seu filho. Quis chegar-me, porém ele fugiu, Indo esconder-se bem em meio às árvores. Julgando pelos meus os seus afetos, Sempre buscados onde não se encontram, Sentindo-me demais até sozinho, Busquei meus sentimentos, não os dele. E evitei, com alegria, quem fugia. Montéquio Tem sido visto ali muitas manhãs, Acrescendo ao orvalho suas lágrimas, Nublando as nuvens com suspiros fundos; Porém tão logo o sol, com alegria, Afasta do oriente mais distante O reposteiro do leito de Aurora, Meu triste filho esconde-se da luz E bem sozinho tranca-se em seu quarto, Fecha as janelas afastando o dia, Criando noite falsa para si. O seu humor só pode piorar, Se um bom conselho não o faz mudar.

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