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Wierzchowski, Leticia

Intrinseca

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Descrição

Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva, expondo-os, todas as noites, às ameaças dos rochedos traiçoeiros. Sob sua luz vacilante, Cecília, matriarca da família Godoy, reconstitui as cicatrizes do passado com linhas e agulhas. Em dolorosa solidão, ela tece uma interminável tapeçaria em que entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.
Muitas gerações da família de origem espanhola zelaram pelo farol naquela ilhota perdida no sul. Apesar da oposição de Doña, sua mãe, Ivan se apaixona por Cecília. Os dois se casam e têm seis filhos - Lucas, Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, e o temporão Tiberius -, que povoam a ilha com suas personalidades marcantes e talentos misteriosos. Apaixonada pelos livros, a jovem Flora descobre que possui o dom para a literatura e começa a escrever um romance. Tão poderosas são suas palavras que certas cenas deixam o papel e transbordam para a realidade. O manuscrito chega às mãos do inglês Julius Templeman, professor de Cambridge e especialista em literatura latino-americana. Tomado pelo frescor e pela vitalidade da criação da jovem, ele decide deixar a Europa e ir até La Duiva para conhecer pessoalmente a autora. Sua chegada provoca mudanças profundas e irreversíveis nos moradores da ilha e no próprio Julius. Ele desperta desejos, desencadeia paixões e torna-se o vértice de um inusitado triângulo amoroso, cujas consequências levam os filhos de Cecília a se espalharem pelo mundo em busca de outros verões. Com uma linguagem poética, Leticia Wierzchowski dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando sua própria tapeçaria delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580573817
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580573817
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 240
Peso 0.28 Kg
Largura 16.00 cm
AutorWierzchowski, Leticia

Leia um trecho

Parte Um

O farol andava louco desde que Ivan morrera. Outrora emitia a sua luz a cada dois segundos, essa era a sua identidade. Um lampejo certeiro e brevíssimo a cada dois segundos e então os marinheiros sabiam exatamente em que ponto da costa se encontravam, os barcos manobravam para longe das traiçoeiras rochas do litoral próximo a Oedivetnom e seguiam viagem até o seu destino final. Mas isso fora antes. Cecília achava que o farol sentia falta de Ivan; sentia-o como uma pessoa, sentia-o com a mesma agudeza que ela quando a noite caía e vagava pela casa, trilhando os velhos e amplos cômodos vazios, sem que nem mesmo um único eco do passado pudesse vencer a barreira do tempo, atravessando o espaço para lhe fazer alguma companhia. O farol pusera-se triste, meio demente de saudades. Afundava barcos por capricho, enlouquecendo nas noites de tormenta, assim como Cecília quase enlouquecia na sua cama, ouvindo os gemidos do vento e a reclamação contínua das ondas lá na praia como se fossem os seus filhos chorando quando eram crianças (e isso fazia muito tempo). A dor do farol era também a dor de Cecília. Ela sentia falta de Ivan como se lhe faltasse um braço ou a palavra certa para completar uma frase, deixava cair as coisas de repente ou calava-se no meio de um raciocínio. Então era possível dizer que Cecília entendia o farol. Que ela aceitava que o farol, a despeito de ser coisa, tivesse as suas particularidades e até um gênio, e com ele uma saudade – a saudade de Ivan. Porque aquele velho e robusto farol tinha sido como um filho para Ivan. O farol era uma espécie de âncora para a família Godoy: eles tinham atravessado o mundo num navio – tinham atravessado o mundo várias vezes em vários navios –, mas fixaram-se ali naquela praia pequena e rochosa, numa curva do continente, e ali procriaram e labutaram durante décadas, tendo construído a casa que ganhara o mesmo nome da ilha, La Duiva, muito antes que Ivan viesse a dar nesta vida. Quando ele nasceu, quando abriu os olhos para o mundo, os olhos virgens e a alma ainda sem entendimento nem capacidade de juízo, a primeira coisa que viu – isso dizia Ivan – foi o majestoso farol. Ivan amara mais o farol do que amara Tiberius, amara-o mais do que amara Julieta, e Ivan nunca se decepcionara com o farol como se havia decepcionado com Orfeu ou com Lucas. Apesar de compreender o sofrimento do farol, Cecília achava que era necessário dar-lhe um basta. Havia coisas demais em jogo, e um farol, mesmo ferido de morte, ou cumpre o seu destino de farol ou se apaga. De fato, tal loucura tinha que acabar. Cecília não queria mais despertar com restos de um naufrágio coalhando a brancura da areia, com os gritos dos marinheiros, no escuro da noite, salvando sua preciosa carga com aquela coragem cega que ela conhecia tão bem, típica dos homens do mar. Não... Os anos de naufrágios e salvamentos, de madrugadas insones, de vozes confabulando planos à beira do fogão a lenha, de homens molhados, exaustos e famintos vagando pela sua cozinha, bem, tudo isso tinha se acabado. Tudo isso tinha se acabado junto com o próprio Ivan, e o pouco que Cecília lograra sustentar, enquanto Tiberius ainda estava ao seu lado, até esse pouco hoje era demais, era absolutamente demais para ela. Então, um dia Cecília despertou decidida. O sol brilhava lá fora no jardim, evocando todos os tons de verde e de azul e de vermelho. Jasmins do céu e rosas e as flores na laranjeira, tudo estava vivo e parecia luzir. Impulsionada por toda aquela luz, Cecília sentou-se à mesa e, com bloco e caneta, escreveu à Capitania dos Portos, devolvendo-lhes a administração do problemático farol que estivera aos cuidados da família por gerações. Teve que escrever a carta duas vezes, porque as lágrimas molharam o papel até que ele se tornasse ininteligível, mas ela resistiu à dor daquela amputação, pois já comprovara que um farol enlouquecido era carga demais. Ela não trazia no sangue aquela sina – filha que era de um quase desconhecido que se deitara com a mãe. Ademais, estava sozinha ali: tinha posto no mundo três filhos homens, e todos os três tinham partido por um motivo ou outro. O farol precisava de alguém à sua altura, um homem forte e jovem que pudesse domar-lhe o selvagem coração de luz, o ventre de concreto, as vísceras brancas e vermelhas. Cecília seguiria vivendo na casa no alto do penhasco, a casa que fora erguida pelo bisavô de Ivan, e, lá do alto, esperaria a sua última madrugada, avançando pelos anos de solidão que se estendiam à sua frente ancorada nas suas agulhas, tricotando em vermelhos e azuis, em amarelo-ouro e verde-floresta toda a história de uma gente que tinha nascido das suas próprias entranhas. Era esse o seu plano, e nem o farol haveria de demovê-la disso. Se o farol teimasse, se apagasse a sua luz no meio de uma tormenta, se cambiasse os seus clarões, jogando às rochas os barcos inocentes, então haveria de novo um homem para cuidar das coisas, para juntar os pedaços, amarrar e encaminhar a carga salva, acionar a autoridade marítima competente e informar se havia mortos, quantos feridos, quem precisava de socorro, acionar o seguro e chamar os funcionários em Oedivetnom para listar os estragos e assinar os formulários pendentes. Quanto a Cecília, cuidaria das suas lãs e das suas recordações. Também não descartava que, um dia, Tiberius voltasse. Ainda havia alguma coisa pulsando entre eles. De qualquer modo, enquanto ela não desse o último ponto, haveria tempo de estar com o filho. Trezentos e sessenta e cinco degraus para cobrir com o seu tapete de tricô, da porta até o topo, lá no alto, e quando chegasse lá em cima com as suas agulhas, seu tempo estaria findo. Era um plano quase literário, pensava, digno de Flora.É claro que o novo administrador teria que conceder na sua entrada, ajudando-a a estender o longuíssimo tapete das suas memórias até o luminoso coração do farol. Mas Cecília tencionava ficar amiga do novo administrador – não tinha se esquecido de pedir ao capitão do porto que lhe mandasse um bom homem, um bom vizinho. Um faroleiro de bom coração era só isso que Cecília pedia. Um faroleiro que aceitasse o seu tapete tecido ao longo dos meses, dos anos. E então, quando o último dos degraus ganhasse a última carreira... bastaria apenas um instante. Um descuido do faroleiro e ela se jogaria no mar. Lá do alto, como um pássaro. Um último sopro do vento salgado no seu rosto... Seria uma boa morte, Cecília achava que sim.

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