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Senhora - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649496)

Alencar, José de

Saraiva De Bolso

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Senhora - Col. Saraiva de Bolso

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Descrição

“Senhora” tem como protagonista Aurélia Camargo, uma moça bela, inteligente e de muita personalidade que vive uma desilusão amorosa ao ser trocada por uma moça mais rica. Ao receber uma herança, Aurélia decide lutar para recuperar seu amado e acaba conseguindo casar-se com ele. No fim, redimidos, ela do orgulho, ele pela humilhação, o verdadeiro amor vence. No romance, percebemos a condenação do casamento por conveniência e a retratação do Rio de Janeiro do Segundo Império, dando especial atenção ao modo de vida da burguesia e às relações humanas na sociedade da época.

Biografia, introdução e notas: M. Cavalcanti Proença

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520927045
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520927045
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 296
GRAU Ensino Médio
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorAlencar, José de

Leia um trecho

Introdução Senhora (Perfil de Mulher) teve sua primeira edição em 1875, e foi publicada em dois volumes pela editora B.L. Garnier. À guisa de assinatura, duas iniciais — G.M. — que já haviam aparecido em Diva (1864) e Lucíola (1862). Foi a única edição em vida do autor, e infelizmente inçada de erros de imprensa que as erratas, acrescentadas a cada volume, não conseguem sanar totalmente. O título do livro tem uma particularidade gráfica: vem acentuada a vogal tônica — Senhóra — acentuação intencional, pois que a protagonista do romance distingue os vocábulos conforme sejam abertas ou fechadas as vogais tônicas. Por outro lado, existe, também, a pronúncia “senhôra”, hoje caindo em desuso. Como mensagem, o romance apresenta a condenação ao casamento de conveniência e aponta os males e perigos da educação artificial da época, desenvolvida em função das atividades da vida social, do ambiente falso dos salões; e — não seria Alencar — afirma a superioridade da vida rural e do homem do campo sobre o ambiente e o habitante das cidades. Aurélia, a heroína, é um tipo de mulher cerebral, lutando contra o cordial que, afinal, vence. Para o romancista, bem sabemos, a mulher é toda coração, assim como para Barbosa (referência ao homônimo, de A carne, de Júlio Ribeiro) ela é toda mãe. Alencar põe mais alta a essência da feminilidade: “(...) o coração, e, ainda mais, o da mulher, que é toda ela, representa o caos do mundo moral. Ninguém sabe que maravilhas ou que monstros vão surgir desses limbos”. Adiante, desenvolve e interpreta o que Mário de Andrade resumiria em “amar, verbo intransitivo”: Aurélia amava mais seu amor do que seu amante. E, porque estas notas vão tomando um rumo parentético, expliquemos: o “caos” de que fala o escritor é o próprio Gênesis, o mundo latente, antes de se organizar; “amante” é, por assim dizer, nomenclatura romântica, correspondendo a “amado”, “namorado”, sem a conotação carnal. Explicação que achamos necessária, em defesa da reputação de Aurélia, senhora de irrepreensível comportamento. Linda moça, diz o romancista, e de muita personalidade. Até certo ponto, quixotesca, pois, “quando a riqueza veio surpreendê-la, a ela que não tinha mais com quem a partilhar, viu que era uma arma. Deus lha enviava para dar combate a essa sociedade corrompida, e vingar os sentimentos nobres, escarnecidos pela turba dos agiotas”. O “amante”, Seixas, é de índole poética e fidalga; não tem a firmeza inflexível de Aurélia, e, por isso, o ambiente influencia o seu modo de viver, leva-o a perder-se por leviandade. Pertencia à classe em que, “à força de viverem em um mundo de convenção, esses homens de sociedade tornam-se artificiais”. A vida elegante “estragara o caráter de Seixas” e “sua honestidade havia tomado essa têmpera flexível da cera que se amolda às fantasias da vaidade e aos reclamos da ambição”. O romancista o redime, fazendo-o reencontrar a natureza, mergulhar o espírito no universo das coisas e dos seres simples, para o que é necessário “ou nascer nas idades primitivas, ou desprezar a sociedade e mergulhar na solidão”. Recuperado Seixas, pela humilhação, é a vez de Aurélia redimir-se do orgulho, pelo amor que se submete, e tudo submete. O mais será, de passagem, a crítica ao patriarcalismo familiar, com o fazendeiro que impede o filho natural de casar-se com moça pobre. Não poderemos, entretanto, saltar sobre os traços autobiográficos, aparecendo aqui e ali, na figura de Seixas. Não será, nem estamos afirmando isso, a superposição do autor à personagem, mas uma fantasia em que o “faz de conta” o colocasse nessa situação, casado, por exemplo, com a moça que foi modelo de Diva. Como procederia ele se assim acontecesse? Finalmente, lembremos o retrato de Fernando, que o imobiliza no tempo e mantém aceso o amor de Aurélia. É o tema de O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, que, entretanto, só apareceria em 1890. Traços biográficos do autor serão aquele “gosto da juventude em traduzir Byron”; a expressão meio irônica, “escrevinhador de folhetins”; e a profissão de oficial de secretaria, compondo a personalidade de Seixas. Outro estará no pai de Aurélia, filho natural, com os desajustes a que leva tal circunstância. A técnica da composição, muito bem-tramada, prende o interesse do leitor ao enredo que se desenrola em graus diversos de intensidade; a primeira parte, que se termina com o casamento de Seixas e Aurélia, atinge tal dramaticidade que poderia perturbar o final do romance se o talento do escritor não o levasse a adotar, na segunda, um tom diferente, quase todo em surdina, contrastando com os pedais violentos da primeira. Em termos de crítica cinematográfica, diríamos que a segunda parte do romance é em flashback, desenvolvendo-se em retrospecção. A partir de “Posse” e “Resgate”, a narrativa se desenvolve em movimento cicloidal, ora um, ora outro, no topo ou na base. No estudo das personagens, grande parte dos cacoetes românticos desaparece; e a Seixas não falta mesmo certa dose de racionalização psicanalítica, justificando o seu pendor para caça-dotes. O autor não se ausenta do livro; a todo momento, o seu desencanto e o seu ceticismo aparecem, sob disfarce de ironia que vai até o sarcasmo. Diferença que o separa de Machado de Assis, em quem o desprezo pelo homem, escravo dos instintos, inerme nas mãos do destino, nunca vai além da ironia. Em Alencar, essa ironia, contida a princípio, acaba aquecida pela revolta e ressentimento, explode em sarcasmo. Apresentando Seixas como escritor dos “mais elegantes”, comenta: “Não diremos festejado, como agora é moda, porque nesta nossa terra os cortejos e aplausos rastejam a mediocridade feliz”. De d. Firmina diz que lamentava a sorte de Abreu, “revestindo-se dessa moral severa que em geral se cultiva para uso alheio e não para o próprio gasto”. Lemos tem suas filosofias e acha que “os ricos alugam os seus capitais; os pobres alugam-se a si, enquanto não se vendem de uma vez, salvo o direito do estelionato”; adiante, diz: “Não tínhamos mais objeção de qualquer espécie, nem essas patranhas de honra e dignidade, com que andam por aí uns certos sujeitos a embaçar os outros”. De passagem, o romancista alfineta Pedro II, analisando a tirania feminina “que, à semelhança de certas realezas, compraz-se com as minúcias”. A linguagem está a caminho da estabilização formal, e os arroubos e lances oratórios já são raros. Os termos da linguagem oral são mais frequentes que em outros livros, ao lado dos regionalismos. Aí estão “talho”, como ferimento (“cautério aplicado ao talho”); “traste”, em lugar de móvel (“e de que serve a mim esse traste, a sua honra?”). E, como ainda é tempo de censuras ao idioma e estilo alencarianos, um convidado, na festa em casa de Seixas, censura Diva de estilo “incorreto, cheio de galicismos e crivado de erros de gramática”. Se o leitor se ativer a um exame mais atento, verá que Diva, Lucíola e Senhora são irmãs. Que as três heroínas são mulheres que viveram no Rio de Janeiro do tempo e que mostram a evolução da sociedade imperial, marcada por uma alienação que a europeizava, na época, tal como, hoje em dia, americaniza a nossa. Do ponto de vista estético, Senhora revela uma nova direção na literatura de José de Alencar, e que não se completou porque ele morreria dois anos depois. Ubirajara, O sertanejo e Senhora, o primeiro de 1874, o derradeiro de 1875, são os últimos romances publicados em vida do autor. Coincidentemente, três modalidades que ele cultivou: a indianista, a rural-regional e a urbana. M. Cavalcanti Proença Ao leitor Este livro, como os dois que o precederam, não são da própria lavra do escritor, a quem geralmente os atribuem. A história é verdadeira; e a narração vem de pessoa que recebeu diretamente, e em circunstâncias que ignoro, a confidência dos principais atores deste drama curioso. O suposto autor não passa rigorosamente de editor. É certo que tomando a si o encargo de corrigir a forma e dar-lhe um lavor literário, de algum modo apropria-se não a obra mas o livro. Em todo o caso, encontram-se muitas vezes nestas páginas exuberâncias de linguagem e afoutezas de imaginação, a que já não se lança a pena sóbria e refletida do escritor sem ilusões e sem entusiasmos. Tive tentações de apagar alguns desses quadros mais plásticos ou pelo menos de sombrear as tintas vivas e cintilantes. Mas devia eu sacrificar a alguns cabelos grisalhos esses caprichos artísticos de estilo, que talvez sejam para os finos cultores da estética, o mais delicado matiz do livro? E será unicamente fantasia de colorista e adorno de forma o relevo daquelas cenas, ou antes de tudo serve de contraste ao fino quilate de um caráter? Há efetivamente um heroísmo de virtude na altivez dessa mulher, que resiste a todas as seduções, aos impulsos da própria paixão, como ao arrebatamento dos sentidos. PRIMEIRA PARTE O PREÇO Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor? Tinha ela 18 anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos de que usam vesti-la os noveleiros. Aurélia era órfã; e tinha em sua companhia uma velha parenta, viúva, d. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava na sociedade. Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina. Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse. Constava também que Aurélia tinha um tutor; mas essa entidade desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila, não devia exercer maior influência em sua vontade do que a velha parenta. A convicção geral era que o futuro da moça dependia exclusivamente de suas inclinações ou de seu capricho; e por isso todas as adorações se iam prostrar aos próprios pés do ídolo. Assaltada por uma turba de pretendentes que a disputavam como o prêmio da vitória, Aurélia, com sagacidade admirável em sua idade, avaliou da situação difícil em que se achava, e dos perigos que a ameaçavam. Daí provinha talvez a expressão cheia de desdém e um certo ar provocador, que erriçavam a sua beleza aliás tão correta e cinzelada para a meiga e serena expansão d’alma. Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, ainda nos momentos de cisma e distração, dessa tinta de sarcasmo, ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma profunda decepção. Como acreditar que a natureza houvesse traçado as linhas tão puras e límpidas daquele perfil para quebrar-lhes a harmonia com o riso de uma pungente ironia? Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar chispas de escárnio. Para que a perfeição estatuária do talhe de sílfide, se em vez de arfar ao suave influxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo? Na sala, cercada da adoradores, no meio das esplêndidas reverberações de sua beleza, Aurélia bem longe de inebriar-se da adoração produzida por sua formosura, e do culto que lhe rendiam, ao contrário parecia unicamente possuída de indignação por essa turba vil e abjeta. Não era um triunfo que ela julgasse digno de si, a torpe humilhação dessa gente ante sua riqueza. Era um desafio, que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá-lo sob a planta, como a um réptil venenoso. E o mundo é assim feito; que foi o fulgor satânico da beleza dessa mulher, a sua maior sedução. Na acerba veemência da alma revolta, pressentiam-se abismos de paixão; e entrevia-se que procelas de volúpia havia de ter o amor da virgem bacante. Se o sinistro vislumbre se apagasse de súbito, deixando a formosa estátua na penumbra suave da candura e inocência, o anjo casto e puro que havia naquela, como há em todas as moças, talvez passasse despercebida pelo turbilhão. As revoltas mais impetuosas de Aurélia eram justamente contra a riqueza que lhe servia de trono, e sem a qual nunca por certo, apesar de suas prendas, receberia como rainha desdenhosa a vassalagem que lhe rendiam. Por isso mesmo considerava ela o ouro um vil metal que rebaixava os homens; e no íntimo sentia-se profundamente humilhada pensando que para toda essa gente que a cercava, ela, a sua pessoa, não merecia uma só das bajulações que tributavam a cada um de seus mil contos de réis. Nunca da pena de algum Chatterton1 desconhecido saíram mais cruciantes apóstrofes contra o dinheiro, do que vibrava muitas vezes o lábio perfumado dessa feiticeira menina, no seio de sua opulência. Um traço basta para desenhá-la sob esta face. Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza, Aurélia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o mesmo estalão. Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em linguagem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial. Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que fazia-se íntima com ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu-lhe um gracejo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara recentemente da Europa: — É um moço muito distinto — respondeu Aurélia sorrindo —, vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse. Riam-se todos destes ditos de Aurélia e os lançavam à conta de gracinhas de moça espirituosa; porém a maior parte das senhoras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não cansavam de criticar desses modos desenvoltos, impróprios de meninas bem-educadas. Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela não fazia mistério, do preço de sua cotação no rol da moça; e longe de se agastarem com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas vezes resultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial. Dava-se isto quando qualquer dos apaixonados tinha a felicidade de fazer alguma cousa a contento da moça e satisfazer-lhe as fantasias; porque nesse caso ela elevava-lhe a cotação, assim como abaixava a daquele que a contrariava ou incorria em seu desagrado. Muito devia a cobiça embrutecer esses homens, ou cegá-los a paixão, para não verem o frio escárnio com que Aurélia os ludibriava nestes brincos ridículos, que eles tomavam por garridices de menina, e não eram senão ímpetos de uma irritação íntima e talvez mórbida0. A verdade é que todos porfiavam, às vezes colhidos por desânimo passageiro, mas logo restaurados por uma esperança obstinada, nenhum se resolvia a abandonar o campo; e muito menos o Alfredo Moreira que parecia figurar na cabeça do rol. Não acompanharei Aurélia em sua efêmera passagem pelos salões da Corte, onde viu, jungido a seu carro de triunfo, tudo que a nossa sociedade tinha de mais elevado e brilhante. Proponho-me unicamente a referir o drama íntimo e estranho que decidiu do destino dessa mulher singular.

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