Frete Grátis
  • Google Plus

Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3 (Cód: 6700489)

Quinn, Julia; Quinn, Julia

Arqueiro

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 39,90 R$ 26,90 (-33%)
Cartão Saraiva R$ 25,56 (-5%) em até 1x no cartão

Crédito:
Boleto:
Cartão Saraiva:
Quer comprar em uma loja física? Veja a disponibilidade deste produto
?

Entregas internacionais: Consulte prazos e valores de entrega para regiões fora do Brasil na página do Carrinho.

ou receba na loja com frete grátis

X
Formas de envio Custo Entrega estimada

* Válido para compras efetuadas em dias úteis até às 15:00, horário de Brasília, com cartão de crédito e aprovadas na primeira tentativa.

X Consulte as lojas participantes

Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois. Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580412383
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580412383
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 304
Peso 0.36 Kg
Largura 16.00 cm
AutorQuinn, Julia; Quinn, Julia

Leia um trecho

– Sophie! Sophieeeeeeeeeeeeeee! No que dizia respeito a guinchos, aquele seria suficiente para espatifar vidraças. Ou pelo menos um tímpano. – Estou indo, Rosamund! Estou indo! Sophie levantou as barras de sua saia de lã crua e correu escada acima, escorregando no quarto degrau e mal conseguindo se segurar no corrimão antes de cair sentada. Ela deveria ter se lembrado de que a escadaria estaria escorregadia, já que havia ajudado a arrumadeira do andar de baixo a encerá-la naquela manhã. Ao parar diante da porta do quarto de Rosamund, ainda tentando recuperar o fôlego, Sophie disse: – Pois não? – Meu chá está frio. O que Sophie queria responder era “Estava quente quando eu o trouxe para você há uma hora, sua grosseirona preguiçosa”, mas o que falou foi: – Trarei outro bule. Rosamund bufou. – É melhor mesmo. Sophie esticou os lábios no que só uma pessoa quase cega poderia chamar de sorriso e recolheu o serviço de chá. – Deixo os biscoitos? – perguntou. Rosamund balançou a bela cabeça. – Quero biscoitos frescos. Com os ombros um pouco arqueados pelo peso da bandeja, Sophie saiu do quarto, tomando cuidado para não começar a resmungar antes de chegar ao corredor. Rosamund estava sempre pedindo chá, sem se preocupar em tomá- -lo até ter passado uma hora. Nesse momento, é claro, o chá já tinha esfriado, e então ela pedia outro bule. Isso significava que Sophie não parava de subir e descer as escadas. Às vezes, parecia que era tudo o que ela fazia da vida. Para cima e para baixo, para cima e para baixo. E tinha, é claro, os remendos para fazer, as roupas para passar, os cabelos a pentear, os sapatos para polir, as peças para costurar, as camas para arrumar... – Sophie! Quando ela se virou, viu Posy indo em sua direção. – Sophie, eu queria saber se você acha que esta cor fica bem em mim. Sophie avaliou a fantasia de sereia de Posy. O corte não a favorecia muito – ela nunca perdera toda a sua gordurinha de infância –, mas a cor destacava muito bem a sua pele. – É um tom muito bonito de verde – respondeu ela com toda sinceridade. – Deixa as suas bochechas bem rosadas. – Ah, ótimo. Que bom que você gostou. Você leva jeito para escolher minhas roupas. – Posy sorriu e estendeu o braço para pegar um biscoito açucarado da bandeja. – Mamãe está me perturbando a semana inteira com esse baile de máscaras, e sei que não vai parar enquanto eu não estiver com a melhor aparência possível. Ou – a menina contorceu o rosto numa careta – até ela achar que eu estou com a melhor aparência possível. Ela está determinada a fazer com que uma de nós fisgue um dos últimos irmãos Bridgertons, sabia? – Eu sei. – E, para piorar as coisas, aquela tal Whistledown anda escrevendo sobre eles de novo. E isso – Posy terminou de mastigar o biscoito e fez uma pausa para engolir – só aumenta o apetite de mamãe. – A coluna de hoje estava boa? – perguntou Sophie, apoiando a bandeja no quadril. – Ainda não consegui ler. – Ah, o de sempre – disse Posy com um aceno de mão. – Na verdade, ela às vezes pode ser bastante maçante, sabe? Sophie tentou sorrir, mas não conseguiu. Não havia nada que ela gostaria mais do que viver um dia da rotina maçante de Posy. Bem, talvez não fosse querer Araminta como mãe, mas não se importaria de ter um cotidiano de festas, jantares e saraus. – Vamos ver – considerou Posy. – Havia uma resenha do recente baile de Lady Worth, um pouco sobre o visconde de Guelph, que parece estar bastante impressionado com uma moça escocesa, e um texto mais longo sobre o próximo baile de máscaras dos Bridgertons. Sophie suspirou. Vinha lendo sobre o próximo baile de máscaras havia semanas, e embora não passasse de uma camareira (e às vezes arrumadeira também, sempre que Araminta decidia que seu trabalho não estava pesado o suficiente), não conseguia evitar o desejo de ir ao baile. – Eu, por exemplo, vou adorar se aquele visconde de Guelph ficar noivo – observou Posy, pegando outro biscoito. – Será um solteiro a menos sobre o qual mamãe vai ficar falando sem parar como um marido potencial. Não que eu tenha qualquer esperança de atrair a atenção dele, de qualquer maneira. – Ela deu uma mordida ruidosa no biscoito. – Espero que Lady Whistledown esteja certa a seu respeito. – É provável que sim – retrucou Sophie. Ela lia as crônicas de Lady Whistledown desde sua primeira edição, em 1813, e a colunista estava quase sempre correta quando se tratava de questões do mercado de casamentos. Não que Sophie algum dia fosse ter a chance de ver com os próprios olhos o mercado de casamentos, é claro. Mas quem lia a coluna de Lady Whistledown com frequência suficiente quase podia se sentir parte da sociedade de Londres sem de fato ter ido a qualquer um dos bailes. Na realidade, acompanhar seus textos era um dos passatempos verdadeiramente divertidos de Sophie. Ela já lera todos os romances da biblioteca, e como nem Araminta, nem Rosamund ou Posy gostavam muito de ler, Sophie não podia esperar que um livro novo entrasse naquela casa. Mas o Whistledown era muito divertido. Ninguém conhecia a identidade real da colunista. Quando o jornal estreara, dois anos antes, as especulações começaram a se difundir. Mesmo agora, sempre que a autora publicava alguma fofoca particularmente interessante, as pessoas começavam a falar e a fazer apostas de novo, imaginando quem, afinal, era capaz de informar com tamanha velocidade e precisão. E, para Sophie, o Whistledown era um vislumbre irresistível do mundo que poderia ter sido dela se seus pais tivessem chegado a legalizar sua união. Ela teria sido a filha, não a bastarda, de um conde. Seu sobrenome seria Gunningworth em vez de Beckett. Apenas uma vez, ela gostaria de ser a dama a entrar numa carruagem para ir a um baile. Em vez disso, ela era quem vestia outras jovens para as noites na cidade – apertando o corpete de Posy, arrumando os cabelos de Rosamund ou limpando um par de sapatos de Araminta. Mas Sophie não podia – ou pelo menos não devia – reclamar. Sim, ela era criada de Araminta e suas filhas, mas pelo menos tinha uma casa. Que era mais do que a maioria das meninas em sua posição tinha. Quando seu pai morrera, não deixara nada para ela. Bem, nada além de um teto sobre sua cabeça. Seu testamento garantira que ela não poderia ser mandada embora antes de completar 20 anos. Não havia qualquer possibilidade de Araminta abrir mão de quatro mil libras por ano expulsando Sophie. Mas aquelas quatro mil libras eram de sua madrasta, não dela, e Sophie não vira um centavo dessa quantia. Não tinha mais as roupas de qualidade que costumava vestir – elas tinham sido substituídas pela lã crua dos criados. E ela comia o mesmo que as demais empregadas – qualquer coisa que Araminta, Rosamund e Posy deixassem sobrar. O aniversário de 20 anos de Sophie, no entanto, fora quase um ano antes, e ali estava ela, ainda morando na Casa Penwood, ainda servindo Araminta de todas as maneiras possíveis. Por algum motivo desconhecido – provavelmente por não querer treinar (ou pagar) uma nova empregada –, Araminta permitira que Sophie permanecesse em sua casa. E a menina havia ficado. Enquanto a madrasta era um demônio que ela conhecia, o resto do mundo era um demônio desconhecido. E Sophie não fazia ideia de qual seria pior. – Essa bandeja não está pesada? Sophie piscou para sair do mundo dos sonhos e se concentrou em Posy, que pegava o último biscoito da bandeja. Droga. Ela queria guardá-lo para si. – Está – murmurou. – Bastante. Eu realmente deveria levá-la para a cozinha. Posy sorriu. – Não vou mais atrapalhá-la, mas depois que terminar você poderia passar meu vestido cor-de-rosa? Vou colocá-lo hoje à noite. Ah, imagino que os sapatos que combinam com ele também precisem ser aprontados. Ficaram um pouco sujos da última vez que os usei, e você sabe como mamãe é em relação a calçados. Não importa que não dê para vê-los embaixo do vestido. Ela conseguirá perceber a menor partícula de sujeira no instante em que eu levantar a barra para subir uma escada. Sophie assentiu, acrescentando mentalmente os pedidos de Posy à lista diária de tarefas. – Então nos vemos mais tarde! Mordendo o último biscoito, Posy se virou e desapareceu para dentro do quarto. E Sophie desceu para a cozinha. Alguns dias depois, Sophie estava de joelhos, segurando alfinetes entre os dentes enquanto fazia modificações de última hora na fantasia de Araminta para o baile de máscaras. O vestido de rainha Elizabeth havia, é claro, sido entregue perfeito pela costureira, mas Araminta insistia que estava meio centímetro largo demais na cintura. – Assim está bom? – perguntou Sophie, falando entre dentes para os alfinetes não caírem. – Apertado demais. Sophie ajustou alguns alfinetes. – E agora? – Folgado demais. Sophie tirou um alfinete e o enfiou exatamente no mesmo lugar. – Pronto. E agora? Araminta se virou para um lado e outro e então enfim declarou: – Assim está bom. Sophie sorriu ao se levantar para ajudar a madrasta a tirar o vestido. – Preciso dele pronto em uma hora para não me atrasr para o baile – decretou Araminta. – É claro – murmurou Sophie. Achava mais fácil apenas dizer “é claro” regularmente em conversas com a mulher. – Esse baile é muito importante – observou Araminta. – Rosamund precisa fazer um bom casamento este ano. O novo conde... – Ela estremeceu de desgosto. Ainda considerava o atual dono do título um intruso, sem se importar com o fato de ele ser o parente homem vivo mais próximo de seu falecido marido. – Bem, ele me disse que este é o último ano que poderemos usar a Casa Penwood. Que sujeito audacioso! Eu sou a condessa viúva, afinal, e Rosamund e Posy são as filhas do conde. Enteadas, Sophie corrigiu em pensamento. – Nós temos todo o direito de usar a propriedade para a temporada. Não faço ideia do que ele planeja fazer com a casa. – Talvez queira participar da temporada para procurar uma esposa – sugeriu Sophie. – Tenho certeza de que ele deve querer um herdeiro. Araminta fez uma careta. – Se Rosamund não se casar com alguém de posses, não sei o que vamos fazer. É muito difícil encontrar uma boa casa para alugar. E muito caro, também. Sophie se absteve de comentar que pelo menos Araminta não precisava pagar por uma camareira. Na verdade, até a menina fazer 20 anos, ela recebia quatro mil libras por ano apenas para ter uma camareira. A mulher estalou os dedos. – Não se esqueça de empoar os cabelos de Rosamund. A filha mais velha iria ao baile vestida de Maria Antonieta. Sophie perguntara se ela planejava pôr um colar de sangue falso no pescoço, mas a jovem não achara graça. Araminta vestiu o penhoar e amarrou a faixa com movimentos rápidos e precisos. – E Posy – continuou, franzindo o nariz. – Bem, tenho certeza de que ela precisará da sua ajuda de alguma maneira. – Eu sempre gosto de ajudar Posy – retrucou Sophie. Araminta estreitou os olhos enquanto tentava decidir se a enteada estava sendo insolente. – Apenas ajude – disse ela, afinal, enfatizando cada sílaba. Então saiu a caminho da sala de banho. Sophie agradeceu em silêncio quando a porta se fechou atrás dela. – Ah, aí está você, Sophie – disse Rosamund ao irromper no quarto. – Preciso de você agora. – É uma pena, mas antes preciso... – Eu disse agora! – gritou a outra. Sophie endireitou os ombros e lançou um olhar duro para a garota. – Sua mãe quer que eu apronte o vestido dela. – Apenas arranque os alfinetes e diga que o ajustou. Ela nunca vai notar a diferença. Sophie estava pensando a mesma coisa, e suspirou. Se seguisse a sugestão de Rosamund, no dia seguinte ela a deduraria, e então a madrasta iria reclamar por uma semana. Agora ela definitivamente teria de fazer o ajuste. – Do que você precisa, Rosamund? – Tem um rasgo na barra da minha fantasia. Não faço ideia de como isso aconteceu. – Talvez quando você a experimentou... – Não seja impertinente! Sophie se calou. Era muito mais difícil receber ordens de Rosamund do que de Araminta, provavelmente por elas terem sido iguais um dia, dividindo a mesma sala de aula e a mesma tutora. – Quero que você o conserte agora – exigiu Rosamund empinando o nariz de modo afetado. Sophie suspirou. – Traga a fantasia para mim. Eu a consertarei assim que terminar de ajustar o vestido da sua mãe. Prometo que você a terá de volta com bastante antecedência. – Eu me nego a chegar atrasada a esse baile – avisou Rosamund. – Se isso acontecer, vou querer sua cabeça numa bandeja. – Você não vai se atrasar – prometeu Sophie. Rosamund bufou com arrogância e passou apressada pela porta para buscar a fantasia. – Uuuuf! Sophie ergueu o olhar e viu Rosamund dando um encontrão em Posy, que entrava correndo no cômodo. – Olhe por onde anda, Posy! – gritou a mais velha. – Você também poderia olhar por onde anda – observou a caçula. – Eu estava olhando. É impossível sair do seu caminho, sua desastrada. O rosto de Posy ficou completamente vermelho e ela deu um passo para o lado. – Precisa de alguma coisa, Posy? – perguntou Sophie assim que Rosamund desapareceu. A menina assentiu. – Você poderia reservar um tempinho para arrumar meus cabelos hoje? Encontrei umas fitas verdes que lembram algas marinhas. Sophie deu um longo suspiro. As fitas verde-escuras não iriam se destacar muito nos cabelos escuros de Posy, mas ela não teve coragem de falar isso. – Vou tentar, Posy, mas preciso consertar o vestido de Rosamund e ajustar o da sua mãe. – Ah. A jovem ficou abatida, o que quase partiu o coração de Sophie. Posy era a única pessoa a ser pelo menos um pouco gentil com ela naquela casa, à exceção dos criados. – Não se preocupe – tranquilizou ela. – Vou deixar seus cabelos lindos, não importa quanto tempo tenhamos. – Ah, obrigada, Sophie! Eu... – Você ainda não começou a ajustar meu vestido? – trovejou Araminta quando voltou da sala de banho. Sophie engoliu em seco. – Eu estava falando com Rosamund e Posy. Rosamund rasgou a barra do vestido e... – Comece a trabalhar logo! – Vou começar. Imediatamente. – Sophie se atirou no sofá e virou o vestido do avesso para poder ajustar a cintura. – Mais rápido do que imediatamente. Mais rápido do que as asas de um beija-flor. Mais rápido do que... – O que você está falando? – perguntou Araminta. – Nada. – Bem, pois pare de tagarelar. O som da sua voz é muito irritante. Sophie rangeu os dentes. – Mamãe – chamou Posy. – Sophie vai arrumar meus cabelos hoje como... – É claro que ela vai arrumar os seus cabelos. Pare de perder tempo e vá agora mesmo fazer compressas nos olhos para que eles não pareçam tão inchados. Posy fez uma expressão triste. – Meus olhos estão inchados? Sophie balançou a cabeça para a remota chance de Posy decidir olhar para ela. – Seus olhos estão sempre inchados – retrucou Araminta. – Você não acha, Rosamund? Tanto Posy quanto Sophie se viraram na direção da porta. Rosamund acabara de entrar no cômodo, levando seu vestido de Maria Antonieta. – Acho – concordou ela. – Mas tenho certeza de que uma compressa vai ajudar. – Você está linda hoje – disse Araminta a Rosamund. – E ainda nem começou a se arrumar. O dourado do seu vestido combina perfeitamente com os seus cabelos. Sophie lançou um olhar solidário para a morena Posy, que nunca recebia esse tipo de elogio da mãe. – Você vai fisgar um daqueles irmãos Bridgertons – continuou Araminta. – Tenho certeza disso. Rosamund baixou o olhar com uma modéstia afetada. Era uma expressão que ela havia aperfeiçoado, e Sophie tinha que admitir que lhe caía muito bem. Mas também quase tudo caía como uma luva em Rosamund. Os cabelos dourados e os olhos azuis eram a última moda naquele ano, e, graças ao generoso dote estabelecido para ela pelo finado conde, muitos acreditavam que faria um excelente casamento antes do final da temporada. Sophie olhou de novo para Posy, que encarava a mãe com uma expressão triste e melancólica. – Você está muito bonita também, Posy – elogiou Sophie em um impulso. Os olhos da menina se iluminaram. – Você acha? – Claro que acho. E seu vestido é muito original. Tenho certeza de que não haverá mais nenhuma sereia. – Como você poderia saber disso, Sophie? – indagou Rosamund, dando uma risada. – Você nunca foi a nenhum evento da alta sociedade. – Estou certa de que você vai se divertir, Posy – enfatizou Sophie, ignorando a ladainha de Rosamund. – Tenho inveja de você. Gostaria de também poder ir. O suspiro e o desejo de Sophie foram recebidos com absoluto silêncio... seguido pela gargalhada rouca de Araminta e Rosamund. Até mesmo Posy deu uma risadinha. – Ah, que ótimo – retrucou Araminta, mal conseguindo recuperar o fôlego. – A pequena Sophie no baile dos Bridgertons. Eles não aceitam bastardas nos eventos da sociedade, sabia? – Eu não falei que esperava ir – disse Sophie, na defensiva. – Só comentei que gostaria de poder ir. – Bem, você não deveria sequer se dar esse trabalho – acrescentou Rosamund. – Se desejar coisas que não pode nem ao menos esperar realizar, acabará sempre decepcionada. Mas Sophie não deu atenção ao que Rosamund dizia, porque, naquele momento, algo muito estranho aconteceu. Quando estava se virando para a mais velha das duas irmãs, ela viu a Sra. Gibbons parada na porta. A governanta viera da casa de campo de Penwood Park assim que a governanta da propriedade de Londres falecera. Quando o olhar de Sophie cruzou com o dela, a mulher deu uma piscadela. Uma piscadela! Sophie não achava que algum dia tinha visto a Sra. Gibbons dar uma piscadela. – Sophie! Sophie! Você está me ouvindo? Sophie virou-se com o olhar distraído para Araminta. – Desculpe – respondeu. – O que você estava dizendo? – Eu estava dizendo – continuou a mulher com uma voz desagradável – que é melhor você começar a trabalhar no meu vestido neste instante. Se nos atrasarmos para o baile, você responderá por isso amanhã. – Sim, é claro – retrucou Sophie rapidamente. Enfiou a agulha no tecido e começou a costurar, mas ainda estava pensando na Sra. Gibbons. Uma piscadela? Por que ela lhe daria uma piscadela? Três horas depois, Sophie estava parada na entrada da Casa Penwood, observando primeiro Araminta, em seguida Rosamund e logo após Posy segurarem a mão do lacaio e subirem na carruagem. Sophie acenou para a mais nova, que retribuiu o cumprimento, e então ficou vendo o veículo seguir pela rua e desaparecer na esquina. A Casa Bridgerton, onde o baile de máscaras ia ser realizado, ficava a apenas seis quarteirões, mas Araminta teria insistido na carruagem mesmo que morasse ao lado da propriedade. Afinal de contas, era importante fazer uma entrada triunfal. Com um suspiro, Sophie se virou e voltou para dentro de casa. Pelo menos, na empolgação do momento, Araminta se esquecera de lhe deixar uma lista de tarefas para serem realizadas em sua ausência. Uma noite livre era um verdadeiro luxo. Talvez ela relesse algum romance. Ou talvez conseguisse achar a edição do dia do Whistledown. Tinha a impressão de ter visto Rosamund levá-la para o quarto no começo daquela tarde. Mas, no instante em que passou pela porta de entrada da Casa Penwood, a Sra. Gibbons se materializou do nada e agarrou seu braço. – Não há tempo a perder! – disse a governanta. Sophie olhou para ela como se a mulher tivesse ficado louca. – Como? A Sra. Gibbons puxou-a pelo cotovelo. – Venha comigo. Sophie se deixou ser arrastada por três andares acima até seu quarto, uma pequena alcova enfiada embaixo das calhas do telhado. A Sra. Gibbons estava agindo de forma bastante estranha, mas Sophie a obedeceu e a seguiu. A governanta sempre a tratara com uma bondade excepcional, até mesmo quando ficara claro que Araminta não aprovava isso. – Você precisa tirar a roupa – falou a Sra. Gibbons ao girar a maçaneta. – O quê? – Nós precisamos correr. – Sra. Gibbons, a senhora... Ao ver a cena montada em seu quarto, Sophie ficou boquiaberta e as palavras se perderam antes que ela concluísse a frase. Uma banheira de água fumegante estava bem no meio do cômodo e as três arrumadeiras andavam de um lado para outro. Uma delas enchia a banheira com uma jarra d’água, outra mexia na fechadura de um baú de aparência misteriosa e a terceira segurava uma toalha e dizia: – Rápido! Rápido! Sophie olhou perplexa para elas. – O que está acontecendo? A Sra. Gibbons se virou para ela e explicou, radiante: – Você, Srta. Sophia Maria Beckett, vai ao baile de máscaras! Uma hora depois, Sophie estava transformada. O baú continha vestidos que haviam pertencido à finada mãe do conde. Todos eram de cerca de 50 anos atrás, mas isso não importava. A festa era um baile de máscaras, logo, ninguém esperaria que os trajes fossem os mais modernos. No fundo da arca, encontraram uma linda criação prateada cheia de brilhos, com um corpete justo e incrustado de pérolas e saias largas que tinham sido muito populares no século anterior. Sophie se sentiu uma princesa só de tocar nela. Cheirava um pouco a mofo, por causa dos anos passados ali dentro, então uma das criadas o levou rapidamente para fora a fim de borrifar um pouco de água de rosas sobre o tecido e deixá-lo arejar. As criadas a banharam e perfumaram, pentearam-lhe os cabelos, e uma das arrumadeiras inclusive aplicou um toque de ruge em seus lábios. – Não conte à Srta. Rosamund – sussurrou ela. – Eu peguei da coleção em seu quarto. – Aaaaah, veja – disse a Sra. Gibbons. – Encontrei luvas combinando. Sophie ergueu o olhar e viu a governanta segurando um par de luvas até os cotovelos. – Olhe – comentou ela, pegando uma das luvas da mão da Sra. Gibbons e a examinando. – O brasão de Penwood. E tem um monograma bem na bainha. A Sra. Gibbons virou a que estava segurando. – SLG. Sarah Louisa Gunningworth. Sua avó. Sophie encarou-a, surpresa. A Sra. Gibbons nunca havia se referido ao conde como pai dela. Ninguém em Penwood Park jamais admitira em voz alta os laços de sangue de Sophie com a família Gunningworth. – Bem, ela era sua avó – declarou a governanta. – Já fizemos muito rodeio em torno desse assunto. É um crime a forma como Rosamund e Posy são tratadas como filhas da casa, enquanto você, a verdadeira parente de sangue do conde, precisa limpar e servir como uma criada! As três arrumadeiras assentiram com a cabeça, concordando. – Apenas uma vez – prosseguiu a Sra. Gibbons –, apenas por uma noite, você será a bela do baile. Com um sorriso, ela virou Sophie devagar até que a jovem ficasse de frente para o espelho. Ela prendeu a respiração. – Essa sou eu? A Sra. Gibbons assentiu, com os olhos brilhantes. – Você está linda, querida – murmurou ela. Sophie levou as mãos lentamente aos cabelos. – Não estrague o penteado! – gritou uma das criadas. – Não vou estragar o penteado – prometeu Sophie, com o sorrido estremecendo um pouco enquanto tentava conter as lágrimas. Uma das mulheres havia borrifado um toque de pó brilhante em seus cabelos, de modo que ela cintilava como uma princesa de conto de fadas. Seus cachos louro-escuros estavam presos num coque frouxo no alto da cabeça, com uma mecha grossa caindo pelo pescoço. E os olhos, em geral verde-musgo, brilhavam como esmeraldas. Embora Sophie suspeitasse que isso pudesse ter mais a ver com as lágrimas represadas do que com qualquer outra coisa. – Aqui está sua máscara – falou a Sra. Gibbons. Era uma meia máscara, com fitas para serem amarradas atrás da cabeça, evitando que Sophie precisasse usar as mãos para segurá-la. – Agora só precisamos de sapatos. A jovem olhou com tristeza para seus robustos e feios sapatos de trabalho, jogados em um canto. – Infelizmente, não tenho nada adequado para algo tão refinado. A arrumadeira que havia pintado os lábios de Sophie mostrou-lhe um par de sapatos brancos. – Do armário de Rosamund – explicou. Sophie calçou um e, com a mesma rapidez, o tirou. – É grande demais – falou, olhando para a Sra. Gibbons. – Nunca conseguirei caminhar com eles. A governanta se virou para a criada. – Pegue um par do armário de Posy. – Os dela são ainda maiores – afirmou Sophie. – Eu sei. Já tirei muitas manchas deles. A Sra. Gibbons deu um longo suspiro. – Então não temos alternativa. Precisaremos atacar a coleção de Araminta. Sophie estremeceu. A ideia de ir a qualquer lugar usando os sapatos de Araminta era assustadora. Mas era isso ou ir descalça, e ela não achava que isso seria aceitável num sofisticado baile de máscaras londrino. Alguns minutos depois, a criada voltou com um par de sapatos de cetim branco, costurados com linha prateada e adornados com delicadas rosetas confeccionadas em uma imitação de diamante. Sophie ainda estava apreensiva em relação a usá-los, mas decidiu experimentá- los assim mesmo. Serviram perfeitamente. – E combinam com a roupa também – comentou uma das criadas, apontando para a costura prateada. – Parece que foram feitos para o vestido. – Não temos tempo para ficar admirando sapatos – atalhou a Sra. Gibbons de repente. – Agora, ouça estas instruções com muita atenção. O cocheiro já deixou a condessa e as filhas e vai levar você à Casa Bridgerton. Mas ele precisará estar esperando do lado de fora para quando elas quiserem voltar. Isso significa que você terá que sair à meia-noite, nem um segundo mais tarde. Entendeu? Sophie assentiu e olhou para o relógio na parede. Passava um pouco das nove, o que lhe daria mais de duas horas no baile. – Obrigada – sussurrou ela. – Muito obrigada. A Sra. Gibbons secou os olhos com um lenço. – Divirta-se muito, querida. É toda a gratidão de que preciso. Sophie fitou o relógio mais uma vez. Duas horas. Duas horas que ela teria que fazer durar uma vida inteira.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3

Gabriela Seidel recomendou este produto.
02/12/2016

Apaixonante

Muito linda a história de amor deles. A coleção inteira é perfeita, fica difícil descobrir qual dos filhos tem a história mais linda. Leitura fácil, envolvente e que prende a gente de um jeito que quando você percebe já está acabando o livro. Muito bom mesmo.
Esse comentário foi útil para você? Sim (0) / Não (0)
Danielle Pontes recomendou este produto.
09/06/2016

Perfeito

Amei esse livro, como todos os que já li da autora. Vale a pena ler toda a coleção. O Benedict e Sophie formam um casal apaixonante.
Esse comentário foi útil para você? Sim (2) / Não (0)
Eliane recomendou este produto.
27/01/2016

Lindoooo

Muito parecido com a história da cinderela, só que claro muito melhor.
Esse comentário foi útil para você? Sim (0) / Não (0)
Marcia recomendou este produto.
26/07/2015

Maravilhoso

Como todos os livros da série, uma história empolgante, você começa a ler e não quer parar kkkkkk
Esse comentário foi útil para você? Sim (1) / Não (0)
marcia cristina recomendou este produto.
13/05/2015

BRIDGERTONS 1 2 3 4 5

GOSTEI MUITO DOS 5 LIVROS , DIGO DAS CINCO HISTÓRIAS, CONTUDO ME SINTO DECEPCIONADA AO NÃO DA CONTINUIDADE A LEITURA DOS OUTROS IRMÃOS, DEVIDO A AUSÊNCIA DE LIVROS TRADUZIDOS PARA O PORTUGUÊS.
Esse comentário foi útil para você? Sim (0) / Não (0)
Flavinha recomendou este produto.
04/07/2014

Maravilhoso

Amei do começo ao fim , super recomendo
Esse comentário foi útil para você? Sim (2) / Não (1)
Adriana recomendou este produto.
04/07/2014

Maravilhoso!!!

Essa continuação da Julia Quinn deixa a gente cada vez mais apaixonada por esses irmãos. Não vejo a hora de ler o 4º livro.
Esse comentário foi útil para você? Sim (2) / Não (1)
marini2014 recomendou este produto.
04/04/2014

encantador

todos ate agora eu amei.não vejo a hora de ler a coleção completa,que lindo um conto de fadas igual da cinderela,mais lindo do que isso,não tenho o que reclamar,merecido para ficar nacoleções de uma biblioteca em casa,pois esta já faz parte da minha.............lindo sem palvras
Esse comentário foi útil para você? Sim (4) / Não (1)
SolBarcellos recomendou este produto.
04/02/2014

PERFEITO!

Estou, a cada livro, mas apaixonada por Os Bridgertons!
Essa versão é ainda mais deliciosa e encantador do que a Cinderela original!
Completamente apaixonante.
Esse comentário foi útil para você? Sim (10) / Não (1)
Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3 (Cód: 6700489) Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3 (Cód: 6700489)
R$ 26,90
Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3 (Cód: 6700489) Um Perfeito Cavalheiro – Vol.3 (Cód: 6700489)
R$ 26,90