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Uma Real Leitora (Cód: 2606743)

Bennett,Alan

Record

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Descrição

Divertido e subversivo, Uma real leitora oferece o argumento perfeito para a leitura, escrito por um de seus grandes adeptos, Alan Bennett. É notório que a rainha inglesa nutre uma paixão desmedida pelos cães da raça welsh corgi. De comportamento gregário, adoram correr em bando pelas aléias de Buckingham. Um dia, a alegria exagerada de alguns deles chama a atenção da rainha. Ao chegar à varanda do palácio, Sua Alteza presencia os cachorros latindo para um furgão estacionado. Curiosa, não hesita em vencer os pequenos degraus e descobre a biblioteca itinerante. É o início de uma grande paixão pela leitura, que terá como guia Norman, um controvertido empregado do palácio. De uma hora para outra, Sua Alteza torna-se assídua freqüentadora da biblioteca. Henry James, Charles Dickens e Marcel Proust são seus novos companheiros. Uma real leitora é um delicioso romance sobre a paixão de ler, e sobre como, mesmo nas mais superiores esferas de poder, os livros nunca podem ser desprezados.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501084644
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788501084644
Profundidade 1.00 cm
Tradutor José Rubens Siqueira
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 112
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorBennett,Alan

Leia um trecho

EM WINDSOR, era a noite do banquete oficial, e quando o presidente da França assumiu seu posto ao lado de Sua Majestade, a família real enfileirou-se atrás e o cortejo seguiu lentamente, atravessando a câmara Waterloo. - Agora que tenho o senhor só para mim - disse a rainha, sorrindo para a direita e para a esquerda enquanto deslizavam pela multidão cintilante -, estou querendo muito saber sobre o escritor Jean Genet. - Ah - disse o presidente. - Oui. A "Marseillaise" e o hino nacional britânico abriram uma pausa nos procedimentos, mas quando ocuparam seus lugares, Sua Majestade virou-se para o presidente e retomou o assunto. - Homossexual e presidiário, ele era mesmo assim tão mau quanto pintam? Ou, mais exatamente - e ela pegou a colher de sopa -, era tão bom? Desinformado sobre o assunto do dramaturgo e romancista careca, o presidente procurou desesperadamente sua ministra da Cultura. Mas ela estava ocupada, ouvindo o arcebispo de Canterbury. - Jean Genet - repetiu a rainha, querendo ajudar. - Vous le connaissez? - Bien sûr - respondeu o presidente. - Il m'intéresse - disse a rainha. - Vraiment? - O presidente baixou a colher. Ia ser uma noite longa. ERA TUDO CULPA dos cachorros. Eles eram esnobes e, normalmente, depois que iam para o jardim, subiam os degraus da frente, onde o vigia em geral abria a porta para eles. Hoje, porém, por alguma razão saíram às carreiras pelo terraço, latindo feito loucos, e desceram de novo a escada, contornaram a lateral do prédio, onde ela podia ouvi-los latindo para alguma coisa em um dos pátios. Era a biblioteca itinerante da cidade de Westminster, um grande furgão no estilo dos usados em mudanças, estacionado perto das latas de lixo diante de uma das portas da cozinha. Era uma parte do palácio que ela não olhava sempre, e com certeza jamais tinha visto a biblioteca ali antes, assim como os cachorros também, pelo que se podia entender, daí a barulheira, de forma que, tendo fracassado em sua tentativa de acalmá-los, ela subiu os degrauzinhos do furgão para se desculpar. O motorista estava sentado de costas para ela, colando uma etiqueta num livro. Um rapaz magrinho, de cabelo vermelho e macacão branco agachado no corredor, lendo, era aparentemente o único freqüentador. Nenhum dos dois notou a recém-chegada, de forma que ela tossiu e disse: - Desculpem por todo esse barulho - o que fez o motorista se levantar tão de repente que bateu a cabeça na seção de Referência e o rapaz do corredor se pôr de pé e derrubar a prateleira de Fotografia & Moda. Ela pôs a cabeça para fora da porta. - Fiquem quietos já, seus bobos - o que, conforme havia sido a intenção daquela atitude, deu tempo ao motorista/bibliotecário para se compor e ao rapaz para pegar os livros. - Nunca vimos o senhor por aqui antes, Mr... - Hutchings, majestade. Toda quarta-feira, majestade. - É mesmo? Eu não sabia. Você vem de longe? - De Westminster, majestade. - E você é...? - Norman, majestade. Seakins. - E onde você trabalha? - Na cozinha, majestade. - Ah. Tem muito tempo para ler? - Não muito, majestade. - Eu também não. Se bem que, como estamos aqui, acho que podíamos pegar um livro emprestado. Mr. Hutchings sorriu, solícito. - Recomenda alguma coisa? - Do que Vossa Majestade gosta? A rainha hesitou, porque, para dizer a verdade, não tinha certeza. Nunca tivera muito interesse em leitura. Lia, é claro, como todo mundo lia, mas gostar de livros era uma coisa que deixava para os outros. Era um hobby e a natureza de seu trabalho não permitia hobbies. Caminhar, plantar rosas, xadrez, escalada, decoração de bolos, aeromodelismo. Não. Hobbies implicavam preferências e preferências eram coisas a ser evitadas; preferências excluíam pessoas. Não se podia ter preferências. Seu trabalho era interessar-se, não desinteressar-se. E, além disso, ler não era ativo. Ela era ativa. Então, olhou o furgão forrado de livros e deixou passar um tempo. - Podemos pegar um livro emprestado? Não é preciso um registro? - Sem problema - respondeu Mr. Hutchings. - Somos pensionistas do governo - disse a rainha, sem ter bem certeza se isso faria qualquer diferença. - Vossa Majestade pode pegar emprestado até seis livros. - Seis? Nossa! Enquanto isso, o rapaz ruivo havia feito sua escolha e entregado o livro para o bibliotecário carimbar. Ainda prolongando o tempo, a rainha pegou o livro dele. - O que escolheu, Mr. Seakins? - esperando que fosse, bem, ela não sabia exatamente o que esperava, mas com certeza não era aquilo. - Ah. Cecil Beaton. Conheceu? - Não, senhora. - Não, claro que não. O senhor é jovem demais. Ele costumava andar por aqui, clicando. Um tanto impositivo. Fique aqui, fique ali. Clique, clique. Então existe um livro sobre ele agora? - Diversos, majestade. - É mesmo? Creio que mais cedo ou mais tarde todo mundo acaba sendo assunto de livros. Ela folheou o livro. - Deve ter uma foto minha em algum lugar. Ah, é. Essa. Claro, ele não era só fotógrafo. Era cenógrafo e figurinista também. Oklahoma, coisas assim. - Acho que era My Fair Lady, majestade. - Ah, era? - disse a rainha, que não estava acostumada a ser corrigida. - Onde você disse que trabalhava? - Ela devolveu o livro às grandes mãos vermelhas do rapaz. - Nas cozinhas, majestade. Ela ainda não havia resolvido seu problema, ciente de que se saísse sem um livro podia parecer a Mr. Hutchings que a biblioteca era de alguma forma deficiente. Então, numa estante de volumes de aspecto bem usado, viu um nome de que se lembrou. - Ivy Compton-Burnett! Posso ler este. - Pegou o livro e entregou para Mr. Hutchings carimbar. - Que prêmio! - Ela apertou o livro contra o peito, de maneira pouco convincente, antes de abri-lo. - Ah. Foi retirado pela última vez em 1989. - Ela não é uma autora popular, majestade. - Por que será? Eu fiz dela uma dame. Mr. Hutchings não se permitiu dizer que esse não era necessariamente o caminho para o gosto popular. A rainha olhou a fotografia na contracapa. - É. Eu me lembro desse cabelo, um rolo feito uma crosta de torta em volta da cabeça toda. - Ela sorriu e Mr. Hutchings entendeu que a visita estava terminada. - Até logo. Ele inclinou a cabeça, como disseram na biblioteca que ele teria de fazer se essa eventualidade um dia surgisse, e a rainha saiu na direção do jardim, com os cachorros latindo de novo, loucamente, enquanto Norman, levando seu Cecil Beaton, passou ao largo de um chef que, em seu momento de folga, fumava um cigarro junto às latas de lixo, e voltou para as cozinhas. Enquanto fechava o furgão e ia embora, Mr. Hutchings pensou que o romance de Ivy Compton-Burnett ia ser uma leitura pesada. Ele próprio não havia ido muito longe e pensou, corretamente, que pegar o livro emprestado havia sido apenas um ato de gentileza. Mesmo assim, era um gesto que lhe era grato e significava algo além de uma cortesia. O conselho estava sempre ameaçando cortar a biblioteca e o aparecimento de tão distinta leitora (ou cliente, como o conselho preferia chamar) não lhe faria nenhum mal. - Temos uma biblioteca itinerante - a rainha disse ao marido, nessa noite. - Vem às quartas-feiras. - Que bom. As surpresas parecem não ter fim. - Lembra de Oklahoma? - Lembro. Nós vimos quando noivos. - Incrível, pensando bem, como ele havia sido um belo jovem loiro. - Era Cecil Beaton? - disse a rainha. - Nem idéia. Não gostava do sujeito. Sapatos verdes. - Cheiro delicioso. - O quê? - Um livro. Peguei emprestado. - Morto, creio. - Quem? - Esse Beaton. - Ah, sim. Todo mundo já morreu. - Boa peça aquela. E ele foi para a cama cantarolando sombriamente "Oh, What a Beautiful Morning", enquanto a rainha abria o livro. NA SEMANA SEGUINTE, ela planejava entregar o livro a uma dama de companhia para que o devolvesse, mas vendo-se presa por seu secretário particular e forçada a analisar a agenda com muito mais detalhes do que julgava necessário, conseguiu eliminar a discussão de uma visita a um laboratório de pesquisas rodoviárias declarando, de repente, que era quarta-feira e tinha de trocar seu livro na biblioteca itinerante. O secretário particular, Sir Kevin Scatchard, um funcionário superconsciencioso, nascido na Nova Zelândia, de quem se esperavam grandes coisas, ficou sozinho recolhendo a papelada, a se perguntar por que Sua Majestade precisava de uma biblioteca itinerante se possuía diversas bibliotecas fixas próprias. Sem os cachorros, a visita foi um tanto mais calma, embora, uma vez mais, Norman fosse o único freqüentador. - O que achou, majestade? - perguntou Mr. Hutchings. - De dame Ivy? Um pouco seco. E todo mundo fala do mesmo jeito, notou isso? - Para dizer a verdade, majestade, não consegui ler mais que algumas páginas. Até que ponto Vossa Majestade chegou? - Ah, até o final. Quando começamos um livro, terminamos. Assim é que fomos educados. Livros, pão com manteiga, purê de batatas, come-se tudo o que está no prato. Foi sempre a minha filosofia. - Não havia necessidade de devolver o livro, majestade Estamos reduzindo o acervo e todos os livros desta estante são gratuitos. - Quer dizer que posso ficar com ele? - Ela apertou o livro contra o peito. - Gostei de vir aqui. Boa tarde, Mr. Seakins. Mais Cecil Beaton? Norman mostrou a ela o livro que estava olhando, dessa vez algo sobre David Hockney. Ela folheou o volume, inabalável diante dos traseiros de rapazes flutuando em piscinas californianas ou deitados juntos em camas desarrumadas. - Alguns - disse ela -, alguns parecem que não estão completamente terminados. Este aqui está mesmo bem borrado. - Acho que esse era o estilo dele nessa época, majestade - disse Norman. - Na verdade, ele é um bom desenhista. A rainha olhou para Norman outra vez. - Você trabalha nas cozinhas? - Sim, senhora. Ela não tencionava, de fato, retirar outro livro, mas resolveu que, como estava ali, talvez fosse mais fácil retirar que não retirar, embora, ao procurar qual livro escolher, tenha se sentido mais perdida do que na semana anterior. A verdade é que não queria nenhum outro livro e com toda a certeza não outro de Ivy Compton-Burnett, que era absolutamente impenetrável. Então foi sorte dessa vez seu olhar bater em uma nova edição de A procura do amor, de Nancy Mitford. Pegou o livro. - Ora. A irmã dela não casou com aquele Mosley? Mr. Hutchings respondeu que achava que sim. - E a sogra de uma outra irmã foi minha guardaroupeira? - Isso eu não sei, majestade. - Então, claro, havia aquela irmã tão tristonha que teve aquela aventura com Hitler. E um que virou comunista. E acho que havia mais alguém também. Mas esta é a Nancy? - É, sim, senhora. - Bom.

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