O livro A Garça Penteia-se para Poema revela uma paisagem familiar, uma infância sem saída, emudecida, donde Lasana Lukata tirou a matéria bruta, polindo-a, vidrando-a de diversas cores verbais e a madrasta ganhou maior difusão, marcando fortemente sua arquitetura poética. Originário de uma linhagem de pedreiros, embora se imaginasse separado, leiam-se os versos no poema “Triagem” /mas vieram certas garças separando/da marreta e do ponteiro e me dando/, também foi trabalhar a pedra, mas no caso, outra pedra, Diamantina, a madrasta, pulverizá-la em versos, ocasionalmente rimados, rima moderna, e harmonicamente fragmentados. É um livro transpessoal, reflexivo, retelhado pela memória.