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A Mulher que Matou Ana Paula Usher (Cód: 2607814)

Cassas,Luis Augusto

IMAGO

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Descrição

Costumo dizer, como psicoterapeuta do encantamento, que os mitos só têm sentido quando podem ser sentidos. Afinal, de que valeria toda a mitologia universal se os mitos não espalhassem sempre uma nova possibilidade de experiência da alma humana?

De todos os heróis, digo ainda, o mais completo deles são os poetas, desde que verdadeiros, como é o caso de Cassas. Poetas assim, superiores nos dizeres de Pessoa, são pura hybris, posto que vibram a divina obsessão de responder ao chamado de sua própria natureza, que os obriga a romper a dimensão do métron, a não caber nas próprias linhas, a transformar a ordem das coisas e penetrar puros como crianças nos ministérios insondáveis, buscando aquele quê de imoralidade inerente a toda transgressão possível, de modo a libertar a alma dos grilhões de todo preconceito e nos elevar em suas asas ao vôo libertário do mergulho em direção ao numinoso arquétipo da poesia.

Mas que heróis, os poetas são p(r)o(f)etas; sabem como ninguém ouvir a voz do Daimon conselheiro, e cumprem vislumbrar paisagens além dos horizontes, para então contar aos homens o que nos espera no transcorrer dessa nossa história anímica. Os poetas vivem, pois, a perscrutar o interdito, a penetrar no Mistério, e, antevendo os raios da aurora de uma Nova Consciência, cantam em versonância com a grande orquestração divina.

Se cada um de nós trás uma missão nessa vida, a do poeta é a de se projetar no silencio dos abismos e atirar-se de alma em profusão na busca dos segredos do amor e da dor, da luz e das trevas. Exceção entre os mortais, os poetas ousam penetrar no mais profundo Hades, franqueados que são por sua própria arte e movidos pelo quê de amor divino que faz dedilhar a lira de seu próprio coração.

Neste particular, A Mulher que Matou Ana Paula Usher é, sobretudo, uma trágica história de amor. Mas é, ao mesmo tempo, uma tragédia de final feliz em que o poeta, morto várias vezes em sua honesta condição egóica, encontra-se, ao final de uma grande jornada arquetípica, liberto do veneno das paixões por tê-las experimentado até a última gota. Com isso, percebe-se transformado pelo fogo da revelação divina, que, embora capaz de nos fulminar em todos os sentidos, nos permite ressuscitar na luz do espírito, diga-se de passagem, permeada em cada uma das estrelinhas que faz brilhar de amorosidade incondicional a essência desta Obra.

A senha deste opúsculo magistral de poesia alquímica está guardada em sua Iniciação à Luz pelo Verso e pelo Pão; são as palavras do Grande Arcanjo que, à Miguel, abençoa nosso poeterói com as asas do rigor e do amor e o convoca a dissipar de sua vida toda a ilusão pela força de sua luminosa espada, ainda que preciso seja sacrificar-se por esta causa.
E Cassas cumpre bem o seu papel de modo a alegrar seus anjos protetores, mas não sem antes despertar a inveja admirável dos deuses que, por capricho, o condenam ao sofrimento insólito de, tendo encontrado nesta vida a sua esposa alquímica, experimentar a profunda dor de concluir ser este amor humano de todo impraticável e impossível. Sim, a primeira vingança dos deuses contra seus heróis mais ousados, contra os poetas mais capazes, desses que insistem em melhorar a Obra-prima, é simplesmente a solidão, prerrogativa dos raros que chegam perto do cume olímpico das montanhas.

Em A Mulher que Matou Ana Paula Usher, Cassas viaja por mitos que à Homero enxergou, deslinda os segredos de uma paixão que à Camões experimentou, resgata das mãos da morte a própria alma à Orpheu, e alcança à Ulisses a utópica Ítaca dos que sabem peregrinos de si mesmos, mas tudo isso não sem entregar aos seus leitores a essência do drama da existência humana (está lá, na poesia que dá nome a esta Obra), escrita à moda de um São Paulo enlouquecido pelo amor do Cristo, banhado na Luz da Grande Consciência, e que humildemente, já caído do cavalo, convida cada um de seus leitores a aprender de uma vez por todas a principal lição da vida, razão pela qual estamos/somos todos entes viventes e encarnados.

Redestilando o poemextrato várias vezes na retorta: o poetalquimista Cassas encontrou na paixão humana sua matéria-prima, e compôs a partir dela esta Obra-prima do amor divino. Mas cuidado! Esta leitura pode nos matar, e ainda assim, nos iluminar de Verdade!
Paulo Urban, médico psiquiatra, sonetista do aquarismo e psicoterapeuta do encantamento.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora IMAGO
I.S.B.N. 9788531210334
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 97
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788531210334
Número da edição 1
Ano da edição 2008
País de Origem Brasil
AutorCassas,Luis Augusto