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A Sabedoria dos Simpsons (Cód: 1980374)

Keslowitz,Steven

Nova Fronteira

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A Sabedoria dos Simpsons

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Descrição

'[O Mundo segundo Os Simpsons] é uma coletânea de interessantes ensaios eruditos; é um trabalho perfeito com muitos pontos a se compartilhar. O livro é útil tanto para fãs como para estudiosos, já que os ensaios são, alternadamente, engraçados e academicamente esclarecedores. A análise de Keslowitz acerta na mosca: há muito mais em Os Simpsons do que os olhos vêem. E Keslowitz fornece uma visão aguçada sobre a maneira como Os Simpsons reflete e influencia a cultura americana. [O Mundo segundo Os Simpsons] é leitura obrigatória para fãs dos Simpsons e da cultura popular americana.'

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora Nova Fronteira
I.S.B.N. 9788577480197
Altura 23.00 cm
Largura 15.50 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 340
Idioma Português
Cód. Barras 9788577480197
Ano da edição 2007
País de Origem Brasil
AutorKeslowitz,Steven

Leia um trecho

Prefácio Há dez anos tenho apresentado um one-man show chamado MacHomer: Os Simpsons fazem Macbeth, que foi visto por mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo. Se olhássemos a platéia mais de perto, diria que 10 por cento não têm intimidade alguma com Os Simpsons, 30 por cento viram um episódio ou outro e 50 por cento são fãs que, em algum momento de suas vidas, assistiram ao desenho religiosamente. Para os 10 por cento que restaram, Os Simpsons É uma religião. De fato, uma vez me enviaram uma tese de mestrado detalhando como o Cristianismo empalidecia quando confrontado ao "Evangelho segundo Matt Groening!" O fato de que tantas pessoas levam este desenho animado tão a sério é prova da sua incrível influência em nossa cultura da virada do milênio. Tive a felicidade de viajar a quatro continentes e a mais de 100 cidades com MacHomer e sou constantemente surpreendido por quão extenso é o alcance de Os Simpsons. A impressão é que, com a globalização, para o bem e para o mal, a vida suburbana da classe média descrita em Springfield transcendeu a América do Norte e pode agora se identificar com todo o mundo. Estaríamos destinados a nos tornar homogêneos? Ou, talvez, Homer-gêneos? (CARA DA LOJA DE QUADRINHOS: Pior... trocadilho... de todos!) Há mais do que isso, é claro. Os Simpsons sobreviveu este tempo todo por muitas razões, a maioria delas relacionada à consistência dos roteiros. É possível observar isto apenas examinando as citações ao longo deste livro. Pode não ser uma coisa shakespeareana, mas suspeito que o Bardo teria amado Os Simpsons! O fato de poder contar com estes personagens para fazer Macbeth, uma das tragédias mais sangrentas do mundo, é testemunho da profundidade da criação de Matt Groening. Os habitantes de Springfield foram tão bem concebidos que são dotados do que chamo de "nobreza trágica". Você é programado para rir deles, de suas falhas e de seus desejos patéticos, mas também se afeiçoa profundamente com eles. Já se viu alguma vez derramando uma lágrima feliz ao final de um episódio? Isto simplesmente não acontece quando se assiste a outros desenhos. Amamos os personagens de Os Simpsons mais intensamente porque nos vemos neles; nós os entendemos e aquilo que pretendem representar. E é por isto que estudantes colegiais, que quase inevitavelmente acham as peças de Shakespeare tediosas e incompreensíveis, apreciam de verdade meu espetáculo. Aquelas mesmas palavras "tediosas" são filtradas através de Homer e de outros, e subitamente eles entendem. E, mais importante, gostam. Pessoalmente, me considero um fã, mas não um fanático. Não assisto mais a muitos dos episódios novos, embora eles ainda me façam rir quando os vejo. Mas para a maioria de minha geração Os Simpsons era programa obrigatório na faculdade. O desenho estava no auge de sua forma, da terceira à sexta temporada, e centenas se juntavam no pub do campus todo sábado à noite para assistir a um novo episódio. A multidão explodia de gargalhar a cada fala bem bolada e a atmosfera era elétrica. E, se eu puder traçar um paralelo, aquele mesmo tipo de atmosfera deve ter permeado o Globe Theatre em Londres sempre que Bill Shakespeare surgia com uma nova peça. Shakespeare era, como Os Simpsons é agora, a cultura pop de quatrocentos anos atrás. Ele não apenas ergueu um espelho para refletir o estado da sociedade, ele ajudou a definir o que era a sociedade. É isto que os bons textos fazem, sejam eles satíricos, cômicos ou trágicos: eles provocam mudanças. Para uma análise aprofundada de como o texto de Shakespeare influenciou a sociedade, por favor visite a biblioteca local. Para uma análise aprofundada de como Os Simpsons fez isto, não procure nada além deste livro. Deixo vocês nas boas mãos do Sr. Steven Keslowitz. Hummm... sabichão! Rick Miller Prefácio Sete (Falsos) Mitos Sobre Os Simpsons: D'oh! · Os Simpsons é "apenas um desenho animado." A realidade: Os Simpsons é MAIS que apenas um desenho animado. A série oferece uma sátira icônica de modo acessível a fãs e estudiosos de todas as idades e níveis de conhecimento. Nenhum desenho animado aborda questões importantes da sociedade contemporânea com o enfoque crítico singular que Os Simpsons utiliza numa base semanal. · Os Simpsons é um dos programas de maior tendência liberal na televisão A realidade: algumas pessoas afirmam que Os Simpsons tem uma tendência liberal. Embora pareça ser o caso, os roteiristas abordam as questões de maneira imparcial e equilibrada. A filosofia política de Os Simpsons é definida melhor como "Simpsoniana", nem liberal nem conservadora. · Os Simpsons é demolidor quanto ao conceito de família. A realidade: Os Simpsons é um dos programas de TV mais voltados à família hoje em dia. A família é retratada como um alicerce de uma vida feliz em meio ao mundo agitado e corrupto. · Os Simpsons é anti-religião e iconoclasta. A realidade: Os Simpsons é um dos programas de TV mais calcados na religião hoje em dia. Os Simpsons não promove anarquia ou colapso de instituições privadas ou governamentais. · Os Simpsons é um oponente formidável ao capitalismo. A realidade: Os Simpsons zombam de certos abusos do sistema econômico capitalista, mas o faz de maneira leve e apenas para expor como certos indivíduos se aproveitam de nosso sistema econômico. O sistema, de um modo geral, é retratado como funcional e útil para uma sociedade produtiva. Além disso, Os Simpsons ataca severamente o comunismo. Em um episódio, Fidel Castro é mostrado admitindo que "todos nós sabíamos que esta bobagem [comunismo] não daria em nada". · Os Simpsons exalta o consumo de álcool. A realidade: Os Simpsons expõe constantemente as conseqüências negativas do consumo excessivo de álcool. Em um episódio, por exemplo, é revelado que o amigo de Homer, Barney Gumble, trilhava o caminho do sucesso antes de começar a ficar bêbado o tempo todo. Ao controlar seu hábito de beber, entretanto, ele conseguiu atingir muitos de seus objetivos, como pilotar um helicóptero. Ao retratar Barney como uma pessoa incapaz de alcançar seus objetivos na vida enquanto está sob a influência da cerveja, o desenho examina as conseqüências negativas do álcool. Como proclamou Homer. "Ao álcool: a causa - e solução - de todos os problemas da vida." · Os Simpsons é só mais um desenho "espertinho". A verdade: Os Simpsons é o programa de televisão MAIS ESPERTO de todos os tempos. Introdução Os Simpsons: Mais Do Que "Apenas Um Desenho" "Ora, Marge, desenhos animados não têm um significado profundo. São só uns rabiscos estúpidos feitos para você dar umas risadas baratas." Homer Simpson, "Mr. Lisa Goes To Washington" ("A Verdade Sempre Triunfa") Uma pesquisa de opinião feita em 2003 pela BBC perguntou aos entrevistados quem consideravam que era o "maior americano de todos os tempos." Este é o resultado online até 13 de junho de 2003: Bill Clinton 3,92 % Bob Dylan 6,15 % Benjamin Franklin 4,52 % Thomas Jefferson 6,43 % Martin Luther King Jr 10,06 % Abraham Lincoln 10,28 % Franklin D. Roosevelt 4,34 % Homer Simpson 40,83 % Mr. T 8,38 % George Washington 5,10 % Notem que 40.83 % dos opinantes votaram em Homer Simpson. Em outra pesquisa feita pela BBC na internet, Homer foi escolhido pelos espectadores como seu astro de televisão americano favorito. Uma terceira pesquisa da BBC apontou recentemente Marge Simpson como a mãe ideal. O que estas enquetes dizem sobre a América e sua relação com Os Simpsons? Críticos de Os Simpsons atribuiriam os males da América (falta de ética e moralidade) à série. No entanto, ao responder que Homer Simpson é o americano mais importante de todos os tempos, os americanos - e o resto do mundo - perceberam que Os Simpsons ajuda diretamente a criar a essência atribuída aos Estados Unidos. Homer Simpson é um grande pensador filosófico. Não riam: é verdade. Desafio os fãs a encontrarem uma figura nos últimos dezesseis anos que tenha alcançado tantas conclusões importantes sobre questões pertinentes à sociedade contemporânea quanto Homer. Seja controle de armas, casamento homossexual, política presidencial, culto a celebridades, consumismo, adultério, difamação, segurança nuclear, obesidade, alcoolismo, religião, moralidade, cultura popular, vegetarianismo, pobreza ou execução das leis, Homer examinou as diferentes maneiras como a sociedade trata questões importantes e expôs opiniões abalizadas - sim, abalizadas - sobre o que via em sua sociedade. E isto não deveria ser uma surpresa, apesar do fato de ser Homer um personagem fictício em uma série de desenho animado. Homer Simpson vive em Springfield, Qualquer Lugar, Estados Unidos, lar do Big Mac, do Colégio Eleitoral e de todas as coisas americanas. Ele representa tudo que há de certo e errado na América. Embora se sinta tentado - e muitas vezes sucumba - à indulgência em seus desejos mais superficiais, incluindo, mas não se limitando a, rosquinhas, cerveja, televisão, jogo, e, talvez mais memoravelmente, comer 64 fatias de queijo americano ("Hummm...sessenta e quatro fatias de queijo americano"), Homer é um chefe de família que se mostra ao menos parcialmente dedicado a seus dois ou três filhos (dependendo se ele lembra ou não da existência de Maggie) e também um marido carinhoso. Ele é um produto da era da televisão, do consumismo e da cultura obcecada por celebridades à qual pertence. Homer não é exatamente um homem religioso, mas vai à igreja (é um ótimo lugar para ouvir aos jogos de futebol americano enquanto aquele "cara da igreja" fala) e jurou sua fidelidade a "Jebus" em diversas ocasiões. Temendo sua morte iminente, Homer certa vez exclamou "Jesus, Alá e Buda, amo todos vocês" e depois explicou que estava apenas cobrindo todas as bases. Divertido, sim. Mas. Mais importante, este foi um momento clássico de indagação filosófica emanando diretamente da cabeça agitada de Homer. Todos Amam Os Simpsons O amor das pessoas pelo programa pode ser percebido dentro do programa em si. Os Simpsons teve mais convidados especiais do que qualquer outra série. Como foi destacado por Michael Solomon no TV Guide, "Você ainda não chegou lá até merecer uma participação em Os Simpsons." Os convidados surgem de todas as estradas - do astro da luta livre Bret "The Hitman" Hart a Elton John e a Stephen Hawking. Os Simpsons atrai tantos convidados especiais devido à sua natureza satírica: um convidado deve supor que será ridicularizado quando decide estrelar um episódio de Os Simpsons. Ainda assim, convidados freqüentemente aparecem repetidas vezes no programa (o ator Kelsey Grammer, por exemplo) pois compreendem que a atração é extremamente bem escrita. Por exemplo, como declarou Matt Groening, "Um monte de roteiristas talentosos trabalha no programa, sendo metade deles CDFs de Harvard. E você sabe, quem estuda a semiótica de Alice através do espelho ou assiste a cada episódio de Jornada nas estrelas tem de aproveitar isso, e assim você vai colocando uma porção de referências dos seus estudos em tudo o que faça depois na vida." Os convidados especiais são atraídos por Os Simpsons pois não se trata de um desenho "comum". Ponto em destaque: de todos os músicos convidados para participar da série, apenas Bruce Springsteen recusou a oferta. Líderes mundiais também são atraídos por Os Simpsons: o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair recentemente apareceu num episódio e declarou que gosta de assistir à série. Semelhantemente, o ex-procurador geral do Estados Unidos John Ashcroft relatou ao programa CBS Sunday Morning que era um fã ávido de Os Simpsons. Até o arcebispo de Canterbury, Dr. Rowan Williams, admitiu ser um grande fã de Os Simpsons. Podemos ver claramente que o mundo ama Os Simpsons e abraçou o programa como um fenômeno cultural e global. Os produtores, roteiristas e atores conseguiram criar centenas de episódios magnificamente poderosos e perceptivos de Os Simpsons. A quantidade de energia e dedicação que entra na produção de cada episódio, combinada ao enorme talento do elenco, fez de Os Simpsons uma dos maiores e mais queridas séries de televisão de todos os tempos. Por que estudar Os Simpsons? No episódio de Os Simpsons intitulado "Little Girl in the Big Ten" ("A pequena garota no Big Ten"), Lisa se infiltra no campus da Universidade de Springfield e entra num amplo salão de conferências. O curso é baseado na popularíssima série de desenhos animados de "Comichão e Coçadinha" e foi projetado para explorar a complexidade do desenho numa tentativa de aprender mais sobre a sociedade contemporânea. Embora de início esta possa parecer uma idéia forçada, uma série de universidades dos Estados Unidos está atualmente oferecendo cursos baseados na família favorita da América, os Simpsons. Um destes cursos é chamado "Os Simpsons e a Sociedade" e foi ministrado na Tufts University. O curso explora os modos como Os Simpsons reflete e influencia vários aspectos da vida na sociedade contemporânea. Ainda que alguns professores descartem a idéia de que Os Simpsons mereça consideração acadêmica séria, muitos outros discordam. O professor Paul Levinsons, da Fordham University, foi recentemente indagado numa entrevista para a NBC sobre o valor de Os Simpsons como uma ferramenta acadêmica. Quando perguntado sobre o curso "Os Simpsons e a Sociedade" e sobre livros escritos sobre a série de televisão, ele observou que "Para ser séria, [a matéria] não precisa ser apresentada seriamente. O gênero da comédia vem dos gregos antigos e... [pode ser considerado] tão importante quanto as tragédias gregas." Então, para apreciar integralmente o valor acadêmico inerente que os roteiristas de Os Simpsons incorporaram a virtualmente todos dos mais de trezentos episódios, os espectadores devem desconsiderar o fato de que Os Simpsons é um desenho e dar-lhe uma oportunidade. A finalidade de estudos eruditos acadêmicos sobre Os Simpsons é destacar as questões importantes discutidas na série. A influência de Os Simpsons se concentra na força de sua sátira, e a força de sua sátira é derivada de seus comentários políticos e sociais. É importante, por exemplo, compreender que a caracterização de Homer Simpson como o homem "médio" americano diz muito sobre nossa sociedade. Sim, Homer passa horas no sofá comendo batatinhas fritas, mas muitos americanos desempenham atividade similar em suas vidas cotidianas. Homer Simpson, em muitos aspectos, funciona como uma extensão exagerada da inclinação humana ao ócio. Quando olhamos para Homer, vemos uma versão parque-de-diversões de nós mesmos; entretanto desejamos sinceramente que a imagem refletida não revele nossa identidade real - ou, por conseguinte, a direção que nós, como indivíduos, estamos seguindo. Para "sentir" como o humor dos Simpsons se transforma em sátira acadêmica, considerem a seguinte citação do episódio de "Treehouse of Horror" ("Dia das Bruxas") no qual o fantasma de Snake, um dos criminosos de Os Simpsons que fora executado no início do episódio, passa a matar do além-túmulo: Lisa Simpson: - Eu lhe disse que a pena de morte não é um meio de intimidação. A citação de Lisa é satírica pois as autoridades debatem com freqüência sobre a eficácia da pena de morte como um meio de intimidação para os criminosos. A pena de morte (Snake é executado na cadeira elétrica) não serve como intimidação neste episódio porque Snake consegue de fato matar do além-túmulo. Esta é precisamente a maneira como Os Simpsons pega um tópico absurdo (Snake possui uma capacidade de matar póstuma) e o transforma num comentário satírico sobre a efetividade da pena de morte. Em conversa recente que tive com Robert Thompson, diretor Centro para Estudos da Televisão Popular da Universidade de Syracuse, ele explicou por que acredita que Os Simpsons seja tão especial. Ele declarou que "Os Simpsons é o melhor programa da história da televisão," e é "uma das grandes criações na história da arte cômica americana." Ele também destacou que o programa está "no mesmo nível de [trabalhos de] Mark Twain e Will Rogers." Lembrando que a "luta diária de Homer Simpson através da vida na esperança de mais uma rosquinha" é similar às ações de Jó na Bíblia, ele defendeu que "Homer é uma das grandes criações da literatura americana." Em termos de uso de Os Simpsons como ferramenta de ensino, Thompson destacou que "a genialidade de usar Os Simpsons [nas salas de aula] está em pegar conceitos difíceis e usar algo que os alunos conhecem intimamente. Os Simpsons é como um cavalo de Tróia e é uma ferramenta útil para fazer os alunos aprenderem." Também conversei recentemente com Matt Selman, co-produtor executivo de Os Simpsons. Ele se mostrou encantado por estudos acadêmicos como este serem escritos sobre Os Simpsons. Disse-me que tenta fazer o programa divertido e que o conteúdo acadêmico que surge dele é apenas uma prioridade secundária. O brilhantismo de Os Simpsons se deve a sua habilidade de manter um tom divertido, enquanto explora algumas das questões políticas, sociais e filosóficas mais importantes e complexas na sociedade contemporânea. Cada um dos temas seguintes presentes na sociedade contemporânea foi, em algum ponto, examinado em Os Simpsons. A Parte Três deste livro aborda questões fundamentais como controle de armas, educação, globalização, a era da televisão, o Método da Dúvida de Descartes, o empregado industrializado moderno e uma ampla extensão de outras questões sociais importantes. Por favor, notem o impacto vital que os Simpsons teve na sociedade com relação a muitas áreas acadêmicas de estudo (política, comunicação de massa, excepcionalidade americana, filosofia e industrialização). Também percebam que os ensaios individuais seguintes enfocam temas acadêmicos básicos e depois os amarram a exemplos de Os Simpsons. Já que os roteiristas de Os Simpsons estudam a sociedade, cabe a nós analisar estas questões e depois explorar como Os Simpsons tratou de cada questão ao longo de sua jornada no horário nobre. Por Que Os Simpsons Recompensam o Consumo Por Repetição Os Simpsons é abarrotado de componentes secretos que mantêm os fãs procurando por mais. Os episódios geralmente são transmitidos várias vezes ao dia nos Estados Unidos e em várias partes do mundo - e com um bom motivo. É simplesmente impossível distinguir todas as alusões à cultura popular e contemporânea e analisar o sarcástico comentário social e político assistindo a cada episódio apenas uma vez. A redação do programa é a força maior por trás de sua grandeza. Os Simpsons merece ser consumido repetidamente porque os roteiristas montam o programa com uma quantidade espantosa de detalhes intrincados. Na seqüência de abertura, por exemplo, Maggie é escaneada na caixa registradora do supermercado enquanto Marge paga pelos mantimentos. Esta cena em particular é extremamente curta, mas os fãs gravaram a seqüência, pausaram no exato momento em que Maggie é escaneada e descobriram que a registradora aponta "US$ 847,63." O motivo para este preço específico é que este foi o custo mensal estimado certa vez para se criar um bebê nos Estados Unidos. Por esta razão, é importante entender que uma cena engraçada freqüentemente contém mais profundidade e significado do que aparece na superfície. Com Os Simpsons, o caso é sempre ir mais fundo e encontrar mais. Os fãs verdadeiros de Os Simpsons nunca se satisfazem ao assistir cada episódio apenas uma vez. Em "Last Exit to Springfield" ("Última Saída Para Springfield", o Sr. Burns fica furioso quando os funcionários da Usina Nuclear de Springfield se unem e cantam em protesto do lado de fora. Ele subitamente parece frágil, delicado e especialmente perverso - mais do que o habitual. Ele fica desorientado com tal insubordinação e diz para Smithers, que está a seu lado: Olhe para eles, apesar da escuridão que provoco. Eles não estão tristes. Estão até cantando! Eles cantam sem centrífugas. Eles cantam sem liqüidificadores. Eles cantam sem rotores, processadores e trituradores! O que é particularmente interessante nesta cena é a referência ao personagem infamemente malvado de Dr. Seuss, o Grinch. O corpo delicado e frágil de Burns e suas gesticulações manuais se assemelham bastante às do Grinch. Mais reveladora, no entanto, foi a escolha de Burns tanto de rimar como inventar palavras que soam como algo saído de um livro de Dr. Seuss (" rotores, processadores e trituradores"). Um fã que assiste ao episódio pela primeira vez pode muito bem não captar a influência direta e a homenagem a Dr. Seuss. Entretanto, se um espectador não captar esta referência específica, ele não ficará alienado da idéia principal por trás do programa. Os Simpsons é inacreditavelmente habilidoso em fazer referências diretas a elementos de nossa cultura - algumas mais esotéricas que outras - sem alienar membros do público espectador que não compreendem a referência. Mas quando um espectador assiste novamente a um episódio, ele ou ela quase certamente irá encontrar referências que não foram captadas durante a primeira vez a que assistiram. Assim, o uso de um vídeo-cassete ou gravador de DVDs é fundamental para se assistir a Os Simpsons seriamente, extraindo tudo que os roteiristas inseriram no programa. Os Simpsons claramente recompensa o consumo por repetição. Os SImpsons É Cultura Popular Michael Jackson: Oi, eu sou Michael Jackson, dos Jacksons. Homer: Eu sou Homer Simpson, dos Simpsons. Os Simpsons transformou o estilo de vida americano. Os fãs da série vêem o programa como uma paródia da família americana "comum". De fato, Os Simpsons fornecem reflexões sobre o funcionamento íntimo do lar americano. No entanto, os telespectadores podem não perceber que Os Simpsons moldou de verdade nosso modo de viver. Onde vemos este impacto? Ainda que Os Simpsons faça alusões freqüentes a filmes e programas de TV populares, a série também criou sua própria marca registrada de cultura popular. O primeiro lugar do compacto "Do The Bartman", de Bart Simpson, ao lado da enorme popularidade do programa em si contribuiu para que Os Simpsons assegurasse um lugar nos "200 Maiores Ícones da Cultura Pop" da revista People. Das traquinagens de Bart à preguiça de Homer, a série se tornou um alicerce da vida americana. Ponto em destaque: Quantas vezes os americanos ouvem com freqüência as expressões "D'oh!" ou "Don't have a cow, man" ("Não esquenta, cara") fora da série? A linguagem inventada na série, aliada a virtudes simpsonianas, transformou a própria natureza da unidade familiar americana. Os Simpsons adiciona um importante elemento satírico à televisão, pois é raro encontrar uma série de desenho animado na qual os personagens principais verbalizam suas opiniões sobre governo, política ou qualquer outro assunto. E desde que este programa explodiu na cultura, a sátira em si se tornou um modo de viver americano. Qualquer evento importante que ocorra (excluindo atividades terroristas e assassinato em massa) é imediatamente ridicularizado por programas de televisão e comediantes noturnos (Jay Leno ainda não parou totalmente de falar sobre O.J.). Lev Grossman, da revista Time, escreveu recentemente que "toda sátira tem uma medida de futilidade dentro de si... Os verdadeiros objetos de sátira tendem a ser impenetráveis a ela... Como Jonathan Swift destaca, "A sátira é uma espécie de espelho, no qual os observadores geralmente exploram o rosto de todos menos o seu". Mas eu discordo das declarações acima - o impacto da sátira é de fato universal e permeia a sociedade americana. Alguns indivíduos religiosos riem do comportamento de Ned Flanders, enquanto alguns donos de lojas de conveniências gargalham das peculiaridades de Apu. Mais importante, entretanto, é o impacto da sátira simpsoniana nos domínios da política. Sideshow Bob ("Selvagem Cor-de-Rosa"), a mente criminosa Republicana da série que foi preso em determinado episódio declara: "Eu voltarei. Vocês não conseguirão deixar os Democratas fora da Casa Branca para sempre - e quando eles entrarem, eu voltarei às ruas - com todos meus comparsas criminosos! Ha ha ha ha ha..." Os Democratas não ficariam indiferentes a tal declaração. Por causa da enorme audiência de Os Simpsons, as visões políticas de Bob têm um alcance extraordinário. Em algum lugar de Washington, um congressista Democrata deve ter endurecido sua postura em relação ao crime depois de ouvir ao comentário político de Bob. Os Simpsons e o Pensamento Americano O crítico cultural Chris Turner identifica mais precisamente a função e os objetivos básicos da sátira, destacando que "a sátira tem... metas ambiciosas: ela parte de uma crença de que as idéias e objetos por ela zombados - geralmente idéias e objetos investidos de autoridade - estão errados e que expor este fato por meio de sátira irá corroer sua autoridade e provocar mudanças. A sátira é, neste sentido, inerentemente otimista." E Os Simpsons dá conta do recado. A sátira nos ajuda a perceber o fato que as figuras autoritárias de Springfield - assim como na sociedade contemporânea - não são isentas para sempre de reprovação. Em "Os Simpsons e a Filosofia: O D'oh! de Homer", Paul A. Cantor menciona um exemplo interessante de como Os Simpsons se infiltrou na mente dos americanos. O senador nova-iorquino Charles Schumer visitou uma escola secundária para falar sobre o tema da violência escolar. Um dos estudantes respondeu à questão levantada sobre controle de armas: - Isto me lembra de um episódio dos Simpsons. Homer queria arranjar uma arma, mas tinha sido preso duas vezes e colocado num instituto psiquiátrico. Eles o rotularam de "potencialmente perigoso". Então Homer pergunta o que aquilo significava e o vendedor de armas diz: - Significa apenas que você terá de esperar mais uma semana até conseguir a arma. O aluno conseguiu se expressar melhor ao se identificar com um episódio dos Simpsons. Na verdade, muitos fãs de Os Simpsons conseguem relacionar algum aspecto da realidade com a vida em Springfield. Muitas vezes os fãs ficam imersos nos episódios, passando a esquecer que Os Simpsons é um desenho animado. Então, da próxima vez que você pensar sobre quais são as características que definem a família americana "comum", não procure algo além de sua televisão e assista a Os Simpsons. A televisão pode ter sido projetada para servir como uma fuga de nossas vidas reais, mas Os Simpsons penetrou a barreira previamente intransponível que separa realidade de desenho animado. Agora que a série alcançou sua décima sétima temporada, é hora de considerarmos todas as contribuições notáveis de Os Simpsons para a sociedade americana. Como declarou Michael Starr, do NY Post, "Os Simpsons... é... um dos programas mais influentes na história da cultura popular." Há muitas razões para que os fãs de Os Simpsons tenham transformado a série de televisão numa instituição. (As franquias de Os Simpsons constituem uma indústria de um bilhão de dólares.) Nas páginas seguintes, irei examinar por que Os Simpsons é mais do que um desenho animado. Este livro irá tocar em vários aspectos da vida simpsoniana na sociedade contemporânea: vida familiar, notícias, política e medicina. Meu objetivo é suprir o público telespectador americano com exemplos do impacto da série na sociedade contemporânea. (Um rápido exemplo: a palavra "D'oh" foi adicionada ao Dicionário de Inglês Oxford.) Então, sem mais demora (sinta-se à vontade para soltar um "u-hu" homérico) , é hora de ver por que exatamente Os Simpsons é importante. Ou, nas palavras de Kodos, "Digo que devemos nos mover para frente, não para trás, para cima não para frente, e sempre girando, girando, girando rumo a..." - Bem, é só virar a página... Capítulo 1 Os Simpsons e a Sociedade "Suas autoridades morais nem sempre têm em mente seus melhores interesses" ~ Matt Groening "Onde há poder, há resistência" ~ Michel Foucault Marge: Você sabe, Homer, criticar é muito fácil. Homer: Divertido também. "O que não daria um homem para poder conversar com Orfeu, Museu, Hesíodo e Homer(o)?" ~ Sócrates, A Apologia (Será que ele quis dizer "Homer Simpson?") Na Apologia de Platão, Sócrates é levado a julgamento por supostamente "corromper a juventude" por meio da sua subversão de figuras e instituições de autoridade. Sócrates é conhecido como o "pai da filosofia moderna" precisamente por questionar constantemente as crenças de todos - incluindo suas próprias crenças. Seus seguidores o consideravam um sábio, enquanto seus detratores o viam como um agente frívolo e potencialmente desestabilizador do status quo estabelecido. Mas Sócrates não via a si mesmo como um sábio - "Tenho plena consciência de não ser realmente sábio," ele declarou - apenas mais sábio que todos os outros. Ele continua dando um exemplo de uma conversa que teve com um homem que julgava ser sábio: "Embora eu não acredite que nenhum de nós dois conheça algo realmente belo e bom, estou melhor do que ele - pois ele não nada sabe e pensa que sabe. Eu nem sei e nem tampouco penso que sei. Nesta particularidade, então, pareço ter uma leve vantagem sobre ele." Mas Sócrates era mais esperto do que o crédito a que se dava. Sua implacável busca da verdade nunca se rendeu verdadeiramente à corrupção. Pode a busca da verdade alguma vez se manifestar numa forma de corrupção? Penso que não - e assim pensam Os Simpsons. Os Simpsons busca constantemente a verdade na vida. Ao subverter figuras de autoridade e instituições corruptas e criar sua própria mistura de idéias única para a sociedade, a voz de Os Simpsons se manifesta contra os males e vislumbra uma sociedade em que políticos corruptos são responsabilizados por seus atos, em que os negociantes são honestos e justos e a família é o componente central de uma sociedade saudável e funcional. O uso simpsoniano da sátira retrata a corrupção como uma parte integral da vida em Springfield. Mas isto é, obviamente, intencional. O objetivo de Os Simpsons é conscientizar os muitos problemas da sociedade de modo a criar soluções para corrigir as doenças da sociedade. Sócrates amaria Os Simpsons precisamente porque seu foco principal é não aceitar qualquer coisa como verdade simplesmente porque uma figura de autoridade assim declarou. Os Simpsons levou adiante a tradição de Sócrates ao se apegar a seu ideal máximo: "A vida sem exame não vale a pena ser vivida." Os Simpsons é engraçado, é verdade, mas seu uso da sátira vai muito além do humor. Os Simpsons busca a verdade numa cidade cheia de corrupção e mentira. E nos ensina a fazer o mesmo. Vamos olhar mais de perto algumas das maneiras como Os Simpsons comenta sobre a sociedade. Questionando a Autoridade "Todos temos direito a nossas próprias opiniões, mas não a nossos próprio fatos" Senador Daniel Patrick Moynihan "O motivo pelo qual temos funcionários eleitos é não termos que pensar o tempo todo." Homer Simpson Sócrates foi claramente o Matt Groening de sua época. Na Apologia, ele afirma que "em minha investigação no serviço do deus, descobri que aqueles que detinham a mais alta reputação eram os mais imperfeitos, enquanto aqueles julgados inferiores eram mais aptos à sabedoria." Sócrates tinha claramente uma desconfiança extrema da autoridade. Era atormentado pelo fato de que as massas se agarravam a virtualmente cada palavra dita por aqueles no poder simplesmente porque foram arbitrariamente considerados superiores e mais aptos à sabedoria. Sócrates concordaria que um rei talvez fosse superior a outros sob certas maneiras, mas sustentava que não havia motivo para acreditar no parecer do rei quanto a assuntos fora do domínio de suas habilidades, tais como religião, morte e filosofia moral. O fenômeno que Sócrates descreve foi examinado no episódio de Os Simpsons intitulado "They Saved Lisa's Brain" ("Eles salvaram a inteligência de Lisa"). No episódio, os habitantes mais inteligentes de Springfield (Lisa, Dr. Hibbert, Professor Frink, Diretor Skinner e o Cara da Loja de Quadrinhos) partem para criar uma utopia platônica: "um verdadeiro parque de diversões... da mente", como aponta Chefe Wiggum. O Dr. Hibbert explica por que os membros da Mensa devem assumir as rédeas de poder: "Por que vivemos numa cidade onde as pessoas inteligentes não têm poder algum e as estúpidas mandam em tudo? Talvez devêssemos todos voltar para o Alabama." A distribuição do poder em Springfield é de fato um exemplo clássico das pessoas menos capacitadas ocupando postos de autoridade: ao Chefe Wiggum e ao prefeito Quimby faltam inteligência, firmeza e honestidade para servir às necessidades do povo da cidade. Os habitantes mais inteligentes de Springfield estão bem alinhados com a filosofia de Sócrates. Eles não querem aceitar a palavra de figuras de autoridade simplesmente porque são estas pessoas que detêm o poder. Interessantemente, no entanto, a moral deste episódio se afasta da dura lição de que os mais inteligentes possam governar melhor a cidade. O Cara da Loja de Quadrinhos, por exemplo, sugere que a procriação seja feita apenas uma vez a cada sete anos. O Professor Fink gasta seu tempo criando um detector de sarcasmo. Cada membro da Mensa surge com idéias malucas que não se encaixam bem com o povo de Springfield. Aqui, Os Simpsons nos mostra que nem sempre os mais inteligentes são os mais capacitados para governar uma sociedade. Na verdade, Os Simpsons, numa piscada de olhos para Sócrates, critica as figuras de autoridade, mas, diferentemente dos ideais que Sócrates leva adiante em A República, não oferece uma alternativa verdadeira para o status quo. O objetivo de Os Simpsons é atacar a tudo e a todos e isto é particularmente evidente em "Eles salvaram a inteligência de Lisa". O homem popularmente conhecido como o "mais inteligente do mundo", o Dr. Stephen Hawking, aparece no final do episódio e declara que "Algumas vezes, os mais espertos de nós podem ser os mais infantis". A lição que tiramos deste episódio é que o poder corrompe. A inteligência daqueles no poder, embora importante, não impede a corrupção. Conforme destacou Elfaba, a Bruxa Maligna do Oeste no romance de fantasia Maligna, de Gregory Maguire, "A maldade dos homens é que o poder deles gera estupidez e cegueira." Embora seja uma avaliação desoladora e excessivamente cínica da esfera política, este é o ponto que os roteiristas de Os Simpsons, ao retratar aqueles no poder como cegos e corruptos, escolheram explorar. Bem no final do episódio, o Dr. Hawking senta-se com Homer para uma cerveja Duff na Taverna do Moe. Ele afirma que está fascinado pela teoria de Homer sobre um "universo em formato de rosquinha". Engraçado, sim. Mas se examinarmos melhor o que esta conversa diz sobre a relação entre idéias e inteligência, ela se torna um comentário esclarecedor sobre como a cultura intelectualizada interage com a cultura popular na sociedade contemporânea. Surpreendentemente, o Dr. Stephen Hawking se interessa pelas teorias do "lesado" Homer J. Simpson. Hawking pode ser mais esperto, mas isto não significa que tenha todas as respostas. Às vezes - e Sócrates e Matt Groening concordariam com esta afirmação - grandes idéias vêm das fontes mais estranhas e menos previsíveis. Se ignorarmos o conteúdo real da observação de Homer, percebemos que talvez uma pessoa cujo intelecto não seja diferente do de Homer surja afinal com uma grande idéia. Os Simpsons nos mostra que os mais inteligentes não são necessariamente os menos equivocados em suas ações. Nem são os menos inteligentes sempre os mais adequados para governar. Em vez disso, constatamos que os roteiristas de Os Simpsons vêem o mundo de uma maneira mais complicada - provavelmente mais até do que Sócrates. Percebemos uma sugestão de niilismo neste episódio - no final, somos forçados a abandonar nossa crença de que os mais inteligentes são sempre os mais adequados para governar. De forma semelhante, as falhas do sistema em vigor são tão profundas que nenhum conserto rápido é possível. Somos, de fato, levados a acreditar que o poder inevitavelmente corrompe. Nossas opiniões anteriores sobre os mais aptos a governar são assim colocadas em questão.