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Anderson Spider Silva - o Relato de Um Campeão Nos Ringues da Vida (Cód: 4055047)

Silva,Anderson

Sextante / Gmt

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Anderson Spider Silva - o Relato de Um Campeão Nos Ringues da Vida

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Descrição

O esporte brasileiro não conhecia um ídolo internacional da envergadura de Anderson Silva desde os tempos de Ayrton Senna e Gustavo Kuerten. Dono de um carisma único, o Aranha foge ao estereótipo do lutador truculento e falastrão. É tranquilo e infalível como Bruce Lee. Suave como um monge budista, é capaz de produzir os nocautes mais espetaculares do UFC e, minutos depois, se curvar em reverência aos adversários. Impávido como Muhammad Ali, não dispensa máscaras nem cremes faciais. Intimida os adversários com o olhar e acolhe os fãs com delicadeza. A voz é de quem sussurra um segredo no ouvido. Por falar em segredos, aqui estão todos eles. Em depoimento ao jornalista Eduardo Ohata, Anderson Silva mostra que a vida pode ser tão perigosa quanto um grande combate. É impossível não reverenciar o ídolo que nocauteou o destino e se tornou um campeão nos ringues e na vida.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
Cód. Barras 9788575427835
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788575427835
Profundidade 2.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 176
Peso 0.30 Kg
Largura 16.00 cm
AutorSilva,Anderson

Leia um trecho

Prefácio Na teia do Aranha por Ronaldo Nazário de Lima Minha vida dentro dos campos foi marcada por muitas conquistas. Fora dos campos, quando iniciamos o projeto da 9ine e escolhemos Anderson Silva como o primeiro atleta para quem realizaríamos o trabalho de gerenciamento de imagem, sabíamos que não era hora de errar. A parceria tinha de ser vencedora. Logo que conheci Anderson percebi estar diante de um brasileiro muito diferente do estereótipo desenhado no imaginário das pessoas para lutadores de MMA, um vencedor já reconhecido lá fora. Faltava o principal para o atleta que sai do país em busca de títulos: o reconhecimento do seu próprio povo. Neste relato corajoso e sincero, Anderson fala, entre muitas coisas, que gosta de usar máscara facial. Posso garantir que é a única máscara que ele usa. É atleta de alto nível e fama mundial, mas também despojado, relaxado e humilde. Ao conhecer melhor sua história, fica claro que o sucesso não acontece por acaso. Anderson passou por todo tipo de dificuldade e provação. Podia ter escolhido o caminho errado mais de uma vez. A vida o testou em diversas ocasiões. De uma forma diferente, a vida me testou também. As contusões sofridas e as cirurgias a que me submeti talvez levassem outros atletas a desistir. Por alguma razão, eu sabia que alguma coisa de melhor estava reservada mais à frente. A impressão é de que Anderson sentiu algo parecido quando as portas pareciam se fechar, uma a uma. A vida pode tirar alguma coisa num momento, mas ela é generosa o suficiente para devolver em dobro logo adiante. É como numa luta. Perde-se um round, mas sempre é possível encontrar o golpe perfeito e finalizar o combate. Eu me vi muitas vezes no depoimento do Anderson. Impossível não se identificar com quem ouve o destino sussurrar que desista de seu sonho e, ainda assim, segue em frente. Por pouco Anderson não foi obrigado a desistir da carreira. Por pouco não tomou um caminho sem volta num momento de desespero. A vida tirou-lhe uma filha. Anderson foi vítima de racismo mais de uma vez. Foi alvo de injustiças e calúnias. Foi perseguido covardemente. Foi agredido, humilhado e ameaçado. Tentaram boicotar sua trajetória vitoriosa. Nada disso, porém, foi capaz de impedir a caminhada do Aranha. Anderson é um grande pai. Um cara que ama sua família e vive por ela, mesmo estando distante muitos meses num ano. É um exemplo de atleta, alguém que respeita seus adversários. É um lutador que enxerga nas artes marciais um caminho para o autoconhecimento. As páginas deste livro podem ser lidas como quem assiste a um combate. Nos primeiros rounds, o herói é golpeado para valer. À medida que a luta avança, ele vira o jogo até a redenção final com a glória do título e do reconhecimento internacional. Fico feliz em saber que Anderson Silva é hoje um ídolo aclamado no Brasil. Juntos e misturados, Anderson! INTRODUÇÃO Anderson “The Spider” Silva! Muitas vezes escutei o locutor me chamar assim. O Homem-Aranha apareceu na minha vida bem antes disso. Adorava suas histórias. Sempre que juntava um dinheirinho, dava um jeito de comprar seus gibis. Essa era minha identidade secreta quando moleque. Peter Parker, Homem--Aranha. Até máquina fotográfica dei um jeito de usar para tornar a coisa mais verdadeira. Minha tia Edith não sabia da minha identidade secreta. Em casa eu era apenas Anderson “Peter Parker” Silva. Fora de casa, me transformava no herói que voava por cima dos carros, dos arranha-céus, das pessoas e de toda a cidade. O tempo passou e pude compreender o porquê do meu fascínio pelo Aranha. Assim como Peter Parker, fui criado por uma tia. O Homem-Aranha foi muitas vezes vítima de injustiças e incompreensões. É um herói mais humano do que os outros. Um cara tão imperfeito que não foi capaz de impedir a morte do próprio tio. Na minha vida, volta e meia me culpei por acontecimentos que eu talvez não tivesse a possibilidade de evitar. A teia do destino é tão invisível que a gente chega à conclusão de que só mesmo alguém dotado de poderes divinos, um deus de verdade, e não um herói com todas as suas fraquezas, pode estar por trás de tantos fatos que se sucedem e se amontoam de uma maneira que nenhum autor de histórias em quadrinhos poderia imaginar. A primeira coisa que o Aranha fez quando se viu investido de superpoderes foi subir num ringue. Assim como ele, eu também não desconfiava que fosse capaz de derrotar tantos adversários quando me aventurei no mundo das lutas. Nas páginas deste livro, vou contar uma parte da trajetória do cara que muita gente já viu no octógono, nas campanhas publicitárias, nos talk shows e no cinema. A novidade é que, desta vez, o público vai conhecer um pouco mais da minha vida fora dos ringues. Procurei ser o mais verdadeiro possível sem a fantasia do Spider Silva. Como diria Peter Parker, um grande poder vem acompanhado de grande responsabilidade. Agora estou diante da responsabilidade de contar a minha própria trajetória. Espero que todos curtam esta viagem enquanto lanço minha teia pelo passado, presente e futuro de um certo Anderson Silva. Com vocês, as incríveis aventuras de Anderson Spider Silva! Capítulo 1 A teia do destino Leva a Curitiba Vivi os primeiros anos de minha infância num quarto de pensão na Barra Funda, em São Paulo. Minha mãe, Vera Lúcia da Silva, minha avó e eu dividíamos alguns poucos metros quadrados. Ainda bebê, era acordado às 6h e deixado na creche às 7h. Ficava por lá até as 18h. Só então minha mãe me buscava. Era empregada doméstica. Às vezes, nos feriados, eu não tinha onde ficar e ia com ela para o trabalho. Mamãe se parecia comigo. Era magra, alta, esguia. Jamais deixou que faltasse qualquer coisa, apesar de abandonada muito cedo por meu pai. Eu era pequeno quando meus pais se separaram. O tempo passou e mamãe começou a se relacionar com um homem que enfrentou problemas com a justiça. Eles tiveram dois filhos: George, meu irmão dois anos mais novo, e Jean, o caçula. Por parte de mãe, tenho ainda uma irmã, Aline, nascida anos mais tarde. Mamãe sempre procurou preservar a união da família. Infelizmente, meu padrasto passava mais tempo na prisão do que com a gente. Eu via coisas que me assustavam. Ele tratava mal minha mãe. Fui testemunha de duas ou três agressões. Em mim e em meus irmãos nunca tocou. Daqueles dias, lembro em especial de um domingo. Bem de manhãzinha, assim que acordamos, mamãe avisou que íamos sair. A notícia animou a mim e a meu irmão Jean. Não perdemos tempo em vestir nossas roupas mais bonitas, aquelas poupadas para os passeios. Tenho a recordação viva de meu irmão usando uma touca. Eu também estava agasalhado, era um dia frio. Já vestidos, soubemos que visitaríamos meu padrasto. Fazia tempo que ele não aparecia em casa. Meu irmão sentia sua falta. Para ele, o passeio era a oportunidade de matar a saudade. De minha parte, fiquei decepcionado. Ainda me lembrava de como ele tratava mamãe. Apesar dos pesares, um programa, para onde quer que fosse, era melhor do que passar todo o fim de semana num quarto. Brinquei com meu irmão por todo o percurso do ônibus. Mamãe se mantinha séria. Ao desembarcar, percebi sua tensão. Ela não era a mesma de quando nos levava ao parque ou para visitar suas amigas e filhos, com quem passávamos algumas tardes. Após breve caminhada chegamos a nosso destino. Era um prédio enorme, feio, com um portão grande e malconservado. Havia muita gente na fila, centenas de outras pessoas, em sua maioria mulheres. Também me recordo de crianças em fila para entrar. Estava de mãos dadas com minha mãe, que ainda segurava meu irmão no colo. Por toda parte havia muitos policiais. Dezenas. Armados. Dava para ouvir o choro de alguns meninos e meninas. – Mãe, que lugar é este? Onde estamos? – perguntei. – Carandiru – respondeu. Finalmente entramos. Apaguei da memória detalhes daquela visita que me fez tão mal. Prometi para mim mesmo que era um lugar para onde não retornaria jamais. Hoje, anos depois, reconheço que esse episódio ajudou a formar meu caráter. A tal ponto que fiz questão de passar para meus filhos e sobrinhos o que senti naquele domingo. Fiz isso numa tarde em que combinei de tomar um café com um amigo delegado. Levei as crianças à delegacia, mas elas não nos acompanharam ao bar. Formamos um círculo com algumas cadeiras e, sob o olhar cuidadoso dos carcereiros, deixamos que observassem os presos enquanto me afastava com meu amigo. Quando voltei do bar, uns 15 ou 20 minutos depois, as crianças estavam chorando, assustadas com o que tinham visto. Era de cortar o coração, mas aprenderam uma lição valiosa. – Sabem o que é isso? – perguntei sem esperar resposta. As lágrimas escorriam pelos rostos dos meninos – Isso é o que acontece com quem não obedece pai e mãe. Ou com quem tem a chance de ir para a escola e não quer estudar. Essas pessoas acabam aqui. É isso que vocês querem? – completei. De novo, não houve resposta. Não precisava. Eu sabia que a mensagem estava entendida. Muita gente não vai concordar com minha atitude. Acredito que esse gesto, na prática, tenha valido mais do que qualquer sermão que pudesse dar. No meu caso, foi uma maneira de transformar algo negativo em positivo. Voltamos para casa e a visita ao Carandiru continuava viva na minha mente de criança.

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