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Bel Canto (Cód: 4897436)

Patchett, Ann

Intrinseca

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Bel Canto

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Descrição

Na casa do vice-presidente de algum país da América do Sul, uma elegante festa de aniversário está sendo realizada. O homenageado é o Sr. Hosokawa, poderoso empresário japonês. Roxanne Coss, soprano de fama internacional, fascina os convidados. É uma noite perfeita – até que um bando armado invade o local pelos dutos de ar-condicionado e torna todos os convidados reféns. O objetivo inicial era sequestrar o presidente, mas ele ficou em casa assistindo à novela. E assim, desde o início, nada sai como o esperado.

No entanto, o que começa como um cenário de pânico e risco de vida evolui para algo completamente novo, com terroristas e reféns desenvolvendo laços inesperados e pessoas de diferentes países agindo como compatriotas. Compaixão, amizade e a possibilidade de um grande amor levam os personagens a esquecer a ameaça real que os cerca.



Ao transitar com maestria pela mente e pelo coração de reféns e terroristas, Ann Patchett constrói um romance que revela uma humanidade profunda. Com sua voz sutilmente lírica e melódica, a autora faz de Bel Canto um gentil lembrete sobre a transcendência e a beleza do amor.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580573473
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580573473
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor MARIA CARMELITA DIAS
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 288
Peso 0.34 Kg
Largura 16.00 cm
AutorPatchett, Ann

Leia um trecho

Um

Quando as luzes se apagaram, o pianista que a acompanhava a beijou. Talvez ele estivesse se voltando na direção dela logo antes de o ambiente ficar inteiramente escuro, ou talvez ele estivesse começando a levantar as mãos. Deve ter havido um movimento, um gesto, porque todos naquela sala mais tarde se lembrariam de um beijo. Eles não viram um beijo, o que teria sido impossível. A escuridão que se instalou sobre eles era completa e surpreendente. Não apenas as pessoas tinham certeza de que viram um beijo, mas elas alegavam serem capazes de identificar o tipo de beijo: forte e apaixonado, além de tê-la tomado de surpresa. Todos olhavam diretamente para ela quando as luzes se apagaram. Aplaudiam, de pé, ainda no auge das palmas, palmas batidas com firmeza, os cotovelos levantados. Nenhum dos espectadores estava perto de se cansar de aplaudir. Os italianos e os franceses gritavam “Bravo! Bravo!” e os japoneses se afastavam deles. Será que ele a teria beijado daquela forma se as luzes do salão estivessem acesas? Será que a mente dele estava tão impregnada por ela que, no exato instante em que a escuridão se instalou, ele pensou rapidamente em tomá-la nos braços? Ou será que os outros a queriam também, os homens e as mulheres no salão, e imaginaram a cena coletivamente? Ficaram de tal maneira tocados com a beleza da voz dela que quiseram cobrir sua boca com a boca deles, beber daquela fonte. Talvez a música pudesse ser transferida, devorada, possuída. O que significaria beijar os lábios que produziam sons como aqueles? Algumas pessoas já a amavam há anos. Colecionavam todas as suas gravações. Mantinham um caderno em que anotavam os lugares onde a tinham visto se apresentar, descrevendo a música, o elenco, o regente. Outros que estavam presentes naquela noite jamais haviam ouvido o nome dela e teriam dito, se fossem indagados, que a ópera nada mais era do que um conjunto de gritos e miados sem sentido, e que prefeririam passar três horas sentadas em uma cadeira de dentista àquilo. Essas eram as pessoas que choravam abertamente agora, tão enganadas estiveram. Ninguém teve medo da escuridão. Na realidade, mal a notaram. Continuaram aplaudindo. Os que moravam em outros países supuseram que coisas como aquela sempre aconteciam ali. As luzes se acendem e se apagam. Os que moravam no país anfitrião sabiam que era verdade. Além do mais, o momento da falha elétrica parecia dramático e perfeitamente adequado, como se as luzes tivessem dito: Vocês não precisam ver. Escutem. Porém, ninguém deixou de se perguntar por que as velas de todas as mesas também se apagaram provavelmente no mesmo momento, ou um instante antes. O salão se encheu com o agradável odor de velas recém-apagadas, uma fumaça doce e inteiramente inofensiva. Um odor que indicava que já estava tarde, hora de ir para a cama. Os convidados continuaram a aplaudir. Eles presumiram que ela retribuía o beijo. Roxane Coss, soprano lírico, era a única razão da vinda do Sr. Hosokawa a este país. O Sr. Hosokawa era o motivo por que todos os outros convidados foram à festa. Não era o tipo de lugar que as pessoas costumavam visitar. A razão para o país anfitrião — um país pobre — encomendar uma festa de aniversário de alto custo para um cidadão estrangeiro que não precisava de subornos era que se tratava do fundador e presidente da Nansei, a maior em- presa de eletrônica do Japão. O maior desejo do país anfitrião era que o Sr. Hosokawa sorrisse para ele e o ajudasse em algumas dos cem diferentes tipos de ajuda possíveis. Poderia ser por meio de treinamento ou de comércio. Uma fábrica (um sonho tão acalentado que não se podia nomeá-lo em voz alta) talvez pudesse ser construída aqui, onde a mão de obra barata constituiria um bom lucro para todos os envolvidos. A indústria poderia dar um passo adiante em relação à cultura de folhas de coca e papoulas de coração negro, criando a ilusão de um país que se afastava da matéria-prima da cocaína e da heroína, de forma a fomentar ajuda estrangeira e tornar menos evidente o tráfico daquelas drogas. Contudo, o plano nunca decolou em tempos passados, uma vez que os japoneses, pela própria natureza, vaguearam para o lado da cautela. Eles acreditaram no perigo e nos rumores de perigo que países como este apresentam. Então, ver o próprio Sr. Hosokawa, e não um vice-presidente, nem um político, sentar-se à mesa era uma prova de que uma mão poderia ser estendida. E talvez fosse uma mão à qual se tivesse que implorar e seduzir. Talvez ela tivesse mesmo que ser puxada do fundo do bolso. Mas essa visita, com um glorioso jantar de aniversário adornado pela presença de uma estrela da ópera, com diversas reuniões planejadas e viagens a possíveis locais para a instalação de uma fábrica no dia seguinte, representava uma diferença fantástica em direção aos propósitos do país. Assim, o ambiente da festa estava adocicado pelas promessas. Representantes de mais de uma dúzia de países que se mantinham iludidos quanto à natureza das intenções do Sr. Hosokawa encontravam-se ali, investidores e embaixadores que possivelmente não incentivariam os próprios governos a colocarem um tostão no país anfitrião, mas certamente apoiariam qualquer esforço da Nansei, agora circulavam pelo salão vestidos em smoking e trajes de gala, brindando e rindo. Quanto ao próprio Sr. Hosokawa, sua viagem não fora motivada por negócios, diplomacia ou amizade com o Presidente, como seria posteriormente relatado. O Sr. Hosokawa não gostava de viajar e não conhecia o Presidente. Ele tinha deixado suas intenções — ou a falta delas — perfeitamente claras. Ele não pretendia construir uma fábrica. Nunca teria concordado em viajar para um país estrangeiro para celebrar o aniversário com pessoas que não conhecia. Ele não era muito do tipo de comemorar aniversário com as pessoas que de fato conhecia, e certamente não faria isso ao completar cinquenta e três anos, que considerava um número sem qualquer simbolismo. Ele já tinha recusado meia dúzia de convites semelhantes dessas mesmas pessoas, para uma festa exatamente igual, até que prometeram conseguir a presença de Roxane Coss. Se ela fosse o presente, como seria possível recusar o convite? Por mais distante, mais inapropriado, mais equivocado que pudesse ser quem diria não? Mas antes vale lembrar outro aniversário, o décimo primeiro, o aniversário em que Katsumi Hosokawa ouviu uma ópera pela primeira vez: Rigoletto, de Verdi. O pai o havia levado de trem a Tóquio e juntos caminharam até o teatro sob um tremendo aguaceiro. O dia era 22 de outubro; logo, era uma chuva fria de outono, e as ruas estavam cobertas de uma camada tão fina quanto papel de folhas vermelhas e molhadas. Quando chegaram ao Tokyo Metropolitan Festival Hall, suas camisas estavam ensopadas embaixo dos casacos e suéteres. As entradas, que aguardavam dentro da carteira do pai de Katsumi Hosokawa, se encontravam molhadas e sem cor. Seus assentos não eram especialmente bons, mas a visão era desimpedida. Em 1954, o dinheiro era um bem precioso; passagens de trem e óperas eram coisas inimagináveis. Em uma época diferente, tal produção parece-ria demasiado complicada para uma criança, mas havia se passado apenas um punhado de anos após a guerra, e as crianças de então estavam muito mais propensas a compreender uma quantidade de coisas que parecem impossíveis para as crianças de hoje. Eles subiram a longa escadaria para a fila dos seus assentos, com cuidado para não olharem para baixo na direção do vão que provocava tonteiras. Eles se curvaram e pediram licença a cada uma das pessoas que se levantaram para deixá-los passar a caminho dos lugares, e em seguida baixaram os assentos e se acomodaram neles. Chegaram cedo, mas outros espectadores tinham chegado ainda mais cedo, pois uma parte do luxo que vinha com o preço da entrada era o direito de se sentar tranquilamente neste lindo local e esperar. Eles esperaram pai e filho, em silêncio, até que finalmente fez-se a escuridão e o primeiro sopro de música tremeu de algum lugar bem abaixo deles. Pessoas pequeninas, como insetos, apareceram por detrás das cortinas, abriram as bocas e soltaram as vozes adornando as paredes com desejos, sofrimentos, amores ilimitados e temerários que os levariam à própria ruína. Foi nessa apresentação de Rigolettoque a ópera marcou indelevelmente Katsumi Hosakawa, uma mensagem escrita em suas rosadas pálpebras inferiores que ele lia para si mesmo quando adormecia. Muitos anos depois, na época em que tudo passou a ser uma questão de negócios, quando ele passou a trabalhar mais do que qualquer outra pessoa em um país cujos valores são estruturados em torno do trabalho árduo, ele acreditava que a vida, a vida real, era algo guardado na música. A vida real era mantida intacta nas linhas de Eugene Onegin, de Tchaikovsky, enquanto você participava do mundo cumprindo com as obrigações que eram esperadas de você. Certamente ele sabia (embora não compreendesse por completo) que a ópera não era para todos, mas esperava que existisse algo para cada um. As gravações de que gostava, as raras oportunidades de ver uma apresentação ao vivo, essas eram os sinais que ele usava para avaliar sua capacidade de amar. Não sua mulher, nem suas filhas, nem seu trabalho. Ele nunca pensou que de certa forma transferira o que teria preenchido sua vida para a ópera. Ao invés disso, sabia que, sem a ópera, uma parte de si mesmo teria desaparecido inteiramente. Foi logo no início do segundo ato, quando Ri-goletto e Gilda cantaram juntos, suas vozes se retorcendo, saltando, que ele agarrou a mão do pai. Ele não fazia ideia do que os cantores diziam, nem sabia que eles representavam os papéis de pai e filha; só sabia que tinha de agarrar algo. Os cantores o tocaram tão profundamente que ele podia se sentir tombando para a frente, para fora dos altos e distantes assentos. Tal amor provoca lealdade, e o Sr. Hosokawa era um homem leal. Jamais se esqueceu da importância de Verdi em sua vida. Como todo mundo, tinha sua preferência por determinadas cantoras. Criou coleções especiais de Schwarzkopf e Sutherland. Acreditava na genialidade de Callas, acima de todas as outras. Ele nunca tinha tempo suficiente, não o tanto de tempo que esse interesse claramente merecia. Criou o costume de, após jantar com os clientes e concluir a papelada, passar trinta minutos ouvindo música e lendo os libretos antes de adormecer. Era quase uma raridade impossível, talvez acontecesse em cinco domingos por ano, que ele conseguisse três horas consecutivas para ouvir uma ópera do início ao fim. Certa vez, quando estava com quarenta e tantos anos, ele comeu uma ostra estragada e sofreu um surto de intoxicação alimentar que o fez ficar em casa por três dias. Ele se lembra dessa época como um tempo bom, semelhante a férias, porque ouviu Alcina, de Händel, sem parar, mesmo enquanto dormia.

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