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Bem - Vindo À Vida (Cód: 2591416)

Aquino,Eduardo

Sextante / Gmt

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Descrição

Em 'Bem-vindo à vida', Eduardo Aquino faz mais do que contar a história de um neurocientista e psiquiatra que descobre uma doença fatal: transmite uma mensagem profunda e inspiradora sobre a relação entre fé e ciência, corpo e alma.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
I.S.B.N. 9788575424087
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 144
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788575424087
Número da edição 1
Ano da edição 2008
País de Origem Brasil
AutorAquino,Eduardo

Leia um trecho

CAPÍTULO 1 SENTEI-ME PESADAMENTE NA POLTRONA e olhei mais uma vez os exames. Ao meu lado, o livro de hematologia que não consultava desde que terminara a faculdade de medicina. Não havia dúvida alguma: leucemia aguda mieloblástica. Folheei o compêndio até ler o prognóstico e a descrição da evolução fatal dentro de meses ou, no máximo, de um a dois anos. Fechei os olhos. Pensei nos meninos, na Débora, nos pacientes. Chorei em silêncio e, como num filme, revivi minha trajetória: a criança observadora, o adolescente responsável, tímido, idealista, que sonhava em ser médico e se vestir de branco, salvando vidas. O vestibular e a alegria da vitória compartilhada com a família. A namorada Cris, linda, paixão e motivação constante. Meu único irmão, Ricardo, e nossa viagem após o vestibular. A estrada, a chuva, o acidente. Eu dirigia atento, mas aquele caminhão desgovernado nos pegou numa colisão inevitável. Sobrevivi, mas a dor, a culpa e a angústia permaneceram em minha alma. Duvidei de Deus. Odiei a medicina e o desacerto da ciência em lidar com a morte. Eu estava na maca, politraumatizado, e um médico de branco, à minha frente, como se fosse uma miragem de Deus, “salvador de vidas”, dizia secamente: – Rodrigo? – Sim?! – Lamento informá-lo, mas seus dois acompanhantes não resistiram. Naquele dia, pedi a morte a cada segundo. Nada mais fazia sentido para mim. Eu questionava: para que estudar medicina? Para que continuar vivendo? Só me restavam a culpa, a tristeza e a solidão. Lembro-me da minha mãe, forte, amiga, dias e dias de mãos dadas comigo, naquele quarto de hospital, espaço de tragédias, dramas e milagres. Eu vivia meu inferno interior, imobilizado, mortificado, escravo de pensamentos negativistas e autopunitivos. Estava mudo, inerte, sem alma e com o corpo estraçalhado e dolorido. Lembro-me da minha descrença em Deus, da minha revolta para com a vida. Mas tive um sonho, naquela noite, que me marcou para sempre. Um sonho tão nítido, tão forte e revelador que só hoje, como neurocientista, posso entender: um sonho-realidade, janela para a alma, pela qual acessamos consciências periféricas, coexistindo com toda a nossa herança de vida e sabedoria. Na verdade, não são sonhos, são revelações. O lugar era lindo, paradisíaco: uma mata com árvores altas margeando o caminho. Aquela névoa, a refração da luz do sol formando um arco-íris por entre as árvores e as frestas de um céu muito azul esgueirando-se por entre galhos e folhas. Caminhava em êxtase, quase levitando, envolto por uma paz absoluta e agradecendo a Deus por estar ali, quando fui atraído por uma luz azulada a distância. E então notei a presença de um senhor idoso, de aparência terna e doce, semelhante à imagem que fazemos de Deus. Barbas brancas, um sorriso no olhar, sentado numa pedra com o corpo levemente apoiado sobre um cajado, acenando-me num convite: – Bem-vindo à vida, meu jovem! Respire o ar, deixe-se invadir pelas cores da natureza, mãe e amiga. Sinta o calor do sol, precioso e terno. Dance no ritmo do cosmos. Agradeça a Deus cada elemento que você carrega em seu corpo, vindo das mais longínquas partes do universo. Busque a água, os gases, os sais minerais e todos os elementos essenciais à vida da matéria. Saiba que a Terra, há milhões de anos, era carbono puro em rochas e a atmosfera era sulfurosa e insalubre. Os vulcões exalavam fogo e enxofre. Num meticuloso trabalho, Deus foi semeando nesse pequeno planeta, através de cometas e de estrelas, o oxigênio, o nitrogênio, o hidrogênio, toda essa poeira cósmica formadora da natureza. Com o ato divino, fomos privilegiados com o azul do céu, com a água fluida e líquida, com o verde das árvores e o sol que nos aquece e cria as cores e formas. Guardo cada imagem e cada palavra daquele sonho: – Meu jovem, se Deus nos ofertou a vida, vamos festejá-la, ela que é uma dádiva e um milagre. Vamos agradecer cada segundo e sorver o ar, o canto dos pássaros, a harmonia dos tons. Somos parte do universo e fração de Deus. Portanto, bem-vindo à vida! Esse sonho me fez voltar à vida e mudar o rumo de minha existência. “Bem-vindo à vida” foram palavras que me reapresentaram Deus. Passei a compreender a vida como um milagre, redescobri as leis naturais, resgatei a simplicidade, a espontaneidade e a verdade na construção do meu universo. – Bem-vindo à vida, meu jovem! Respire o ar, deixe-se invadir pelas cores da natureza, mãe e amiga. Naquele dia, ao acordar no hospital, senti vibrar cada molécula, cada célula, cada parte do meu corpo. Olhei para minha mãe e exclamei: – Mãe, quero viver! Naquele quarto de hospital, em plena convalescença, renasci para a vida, em meio à tragédia da ausência da Cris, minha fada e meu grande amor, e de meu irmão, Ricardo. A morte deles seria a grande inspiração para a nova vida que ressuscitava em mim: eu me tornaria médico, mas, em vez da magia, dos sonhos de um adolescente sobre a “profissão que salva vidas”, minha grande busca seria penetrar na essência de cada ser que eu encontrasse, curando a “dor da alma”, a angústia que asfixia, a ansiedade que adoece, o medo que limita, a culpa que aprisiona, a insegurança que imobiliza. Seria médico para libertar a alma, deixando-a fluir e harmonizar-se com o cosmos. A partir daquele dia, tudo mudou. Abracei a medicina, mesmo tendo consciência da ênfase desse saber no aspecto biológico, orgânico e mecanicista. Percebia o erro da especialização médica, os exageros da tecnologia e o cartesianismo a separar o inseparável: o corpo da alma, o cérebro da mente, a parte do todo. Segui a trilha das neurociências, da psiquiatria e da psicoterapia. Estudei física quântica, a matemática do caos. Passei a lidar com depressões, fobias, com as doenças do sentimento, do pensamento e da ação. Acabei me transformando num “pedagogo da vida”, dando palestras e cursos, promovendo debates sobre a vida e a morte, defendendo a eternidade, a existência do tempo não como conceito psicológico, mas como uma dimensão. Comecei a trabalhar com doentes terminais, fazendo-os compreender que só estaria apto para a vida aquele que não temesse a morte, aquele que aprendesse a difícil lição do desapego. O temor das perdas impede a vida, dizia-lhes. Refletia sobre a transitoriedade e a efemeridade das coisas e das pessoas, mostrando que o que vale é a vibração diante do que acontece no momento presente, na dinâmica relação entre o interior de cada um e o mundo a seu redor. Tudo passa, a alegria, o sofrimento, as conquistas e as derrotas. Vinte e três anos se passaram e agora eu me encontrava neste confuso e decadente fim do século XX, estatelado na poltrona, sendo informado de minha morte por exames que davam o veredicto final numa sentença irreversível. “Morte programada”, pensei em voz alta. E pensei nas diversas vezes em que levei acalento, luz e paz de espírito a quem recebia o “aviso prévio” da morte. “Agora, chegou a minha vez”, pensei, conformado. Orei, agradecendo a Deus. Prometi a mim mesmo não ceder à autopiedade e aproveitar meus últimos momentos com dignidade, para complementar minha missão junto à família, aos amigos e aos pacientes. Sentia um enorme aperto no coração. A mente estava abarrotada de pensamentos. Paradoxalmente, surgia em mim uma vontade forte de executar projetos adiados, escrever, gravar, passar adiante minha vivência como médico, pesquisador e humanista. Levantei-me com energia redobrada, o oposto de como me sentia nos últimos meses. Andava muito abatido, com gripes sucessivas, dores constantes e uma ligeira perda de peso. Somente agora eu tinha a explicação para tanto mal-estar: o terrível diagnóstico de leucemia aguda mieloblástica. Olhei no relógio. Eram 2h da manhã. Decidi que, logo que amanhecesse, ligaria para o JR, apelido carinhoso do colega Júnior, e lhe daria a notícia. Eu sabia que o JR, no fundo de sua competência, academicismo e obsessividade, já esperava por um prognóstico nada animador. Quando o procurei, ele já revelara seu pessimismo: – Rodrigo, a coisa é séria. Você deveria ter me procurado há meses! Você é muito relapso consigo mesmo. – Sabe como é, JR. Estou ocupado com as palestras. Nós, médicos, somos na realidade péssimos pacientes. – Não entendo você, Rodrigo. Vive afirmando que não há vida nem morte, que a eternidade existe e todas essas coisas que diz em suas palestras, mas, simplesmente, desconsiderou as gripes e as febres como possíveis sintomas de algo mais sério. – Talvez por isso mesmo. Por não temer a morte, fui displicente com a vida. Mas do que você suspeita? – Limite-se a fazer os exames com urgência. Não quero debater hipóteses neste momento. O ar autoritário e grave de JR me levou a intuir o que os exames agora me revelavam: um mal irreversível. Nessa madrugada não dormi. Ia e vinha pela varanda como se algo pudesse acontecer a qualquer instante. Lembrei-me de Ric, de minha mãe, de Cris, de meu avô e de todos os que já haviam partido. Acreditava, com toda a certeza, no reencontro das pessoas que, em vida, desenvolveram o afeto, a energia atrativa que liga seres de alma gêmea, levando-os a desfrutar juntos a eternidade. Esse sentimento me confortava e me fazia sentir leve. Mas quando pensava nos filhos, em Débora, nos amigos e nos pacientes, uma dor de saudade invadia meu peito e inundava meus olhos de lágrimas. Fui ao quarto dos meninos. Os dois, na penumbra, mostravam calma. Nem de longe pareciam os adolescentes inquietos, curiosos e ansiosos por viver. João Ricardo, com quase 13 anos, tinha o nome de meu irmão que morrera. Esse e outros fatos o transformaram em um grande amigo. Era doce, terno, afetivo, superligado a mim. Entre nós havia uma empatia que transcendia a relação pai e filho. Ele era especial. A família, os colegas de escola e os amigos percebiam que ele era uma pessoa de paz e de muita luz. Wagner, prestes a completar 15 anos, era o oposto: agitado, meio indiferente, com atitudes imaturas, motivo de preocupação constante para mim e para Débora. Eu percebia nele uma tendência a atitudes de rebeldia e impulsividade. Chegamos a pensar, Débora e eu, em algum tipo de desvio de personalidade. Mantivemos sempre com ele um vínculo estreito, para ajudá-lo a encontrar seu limite e estimular um comportamento mais respeitoso e educado. Ultimamente ele vinha melhorando, o que nos encheu de alegria e esperança. Caminhei até o quarto das meninas. Bruna, a mais velha, estava com 16 anos. Era de uma beleza e de uma maturidade impressionantes. Ótima aluna, bailarina ágil, companheira de todas as horas. Nossas conversas eram profundas e enriquecedoras, repletas de confidências, de opiniões sensatas diante dos problemas do dia-a-dia. Sara, a caçula de 10 anos, era a sapeca da casa. Decidida, firme, sempre defendendo as próprias opiniões, se impunha diante dos mais velhos, pois seu temperamento forte não admitia injustiças nem pressão. Voltei à varanda. O dia nascia e as cores iam dando forma à natureza. O momento era de magia, de pura poesia. Entreguei-me àquele instante na tentativa de me reenergizar e encarar os fatos. Precisava planejar minha conversa com Débora, com os meninos e os clientes, para lhes comunicar o que fora revelado: meu corpo entrara em retrocesso e, mês a mês, iria em direção à falência biológica. Entretanto, minha mente deveria evoluir, amadurecer, gerar pensamentos, afetos e ações, numa preparação para a transcendência, quando a matéria emitiria luz em direção à eternidade. Esses pensamentos me motivaram e renovaram meu estado de espírito. Minha fé e meus conhecimentos como neurocientista me davam a convicção da eternidade. Olhei no relógio. Eram 5h43. Fui acordar Bruna: – Filhinha, tá na hora! – Ô, pai, só mais um pouquinho... – Bruninha, são quase seis! – Tá bom. Meu Deus, como isso é bom, como faz falta! Quantas mil vezes repeti esse ritual, e hoje uma sensação indescritível me assaltou. Estava inquieto e sem lugar. Bruna logo percebeu: – Ô, velho, teve insônia? – É, filhinha, só agora vejo que você tem razão. É isso mesmo. Tô ficando velho, com insônia e de mau humor. – Que nada, pai, você é um amor! Retirei-me, para que as lágrimas não denunciassem minha fragilidade. Sim, tinha de reconhecer que estava frágil e com a sensibilidade à flor da pele.