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Conversa na Catedral (Cód: 2649011)

Llosa, Mario Vargas

Arx

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Conversa na Catedral

R$75,00

Descrição

Considerada por especialistas – e pelo próprio Vargas Llosa – o livro mais importante do escritor peruano, chega agora uma nova edição de Conversa na Catedral (publicado originalmente em 1969). Trata-se de fato de um texto intenso, vibrante, de leitura complexa, no qual o autor põe em prática os ensinamentos de seus mestres, William Faulkner entre eles, usando uma perturbadora técnica fragmentária, intercalando histórias e episódios, e o resultado é um sólido conjunto literário responsável por inserir Mario Vargas Llosa entre os escritores contemporâneos mais valiosos.

Em Conversa na Catedral, o jornalista Santiago Zavala, o Zavalita, dialoga com os amigos Ambrosio e Carlitos, numa mesa do Bar La Catedral, em Lima, na época do ditador general Manuel A. Odría, de 1948 a 1956. Desses papos de boteco emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido. Uma história esplêndida que reúne muito dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano – as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arx
Cód. Barras 9788502082588
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788502082588
Profundidade 6.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2009
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 792
Peso 0.80 Kg
Largura 16.00 cm
AutorLlosa, Mario Vargas

Leia um trecho

Da porta do La Crónica Santiago olha a avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos fl utuando na neblina, o meio-dia cinzento. Em que momento o Peru se fodera? Os vendedores de jornais dão voltas por entre os carros parados no farol da avenida Wilson, anunciando os vespertinos, e ele caminha devagar em direção à Colmena. As mãos nos bolsos, cabisbaixo, segue escoltado por transeuntes que também avançam na direção da Plaza San Martín. Zavalita era como o Peru: tinha se fodido em algum momento. Pensa: em qual? Na frente do Hotel Crillón, um vira-lata vem lamber seus pés: vai ver tem raiva, fora daqui. O Peru fodido, pensa, Carlitos fodido, todos fodidos. Pensa: não tem solução. Vê uma grande fi la no ponto em que passam os ônibus para Mirafl ores, atravessa a praça e lá está Norwin, oi, irmão, numa mesa do Bar Zela, senta aí, Zavalita, segurando um chilcano* e engraxando os sapatos, convidava-o a tomar um drinque. Ainda não parece estar bêbado, e Santiago se senta, diz ao engraxate que também quer que seus sapatos sejam engraxados. Pronto, chefe, agorinha mesmo, chefe, vou deixá-los como espelhos, chefe. — Há séculos que não aparece, senhor articulista — diz Norwin. — Está mais contente no editorial do que nas páginas de notícias locais? — Trabalha-se menos — dá de ombros, quem sabe fora nesse dia que o diretor o chamou, pede uma cerveja Cristal gelada, gostaria de substituir o Orgambide, Zavalita? fez faculdade e podia escrever editoriais, não, Zavalita? Pensa: foi aí que me fodi. — Chego mais cedo, recebo a pauta, tapo o nariz e, em duas ou três horas, pronto, puxo a descarga e fi m da história. — Eu não escreveria editoriais nem por todo o ouro do mundo — diz Norwin. — Você está longe da notícia, e jornalismo é notícia, Zavalita, bota isso na cabeça. Vou morrer na seção policial, só isso. A propósito, Carlitos morreu? — Continua no hospital, mas vai ter alta logo — diz Santiago. — Jura que dessa vez deixa a bebida. — É verdade que certa noite, quando ia se deitar, viu baratas e aranhas? — Norwin pergunta. — Levantou o lençol e lhe vieram em cima milhares de tarântulas, de ratazanas — respondeu Santiago. — Saiu pelado pela rua, gritando. Norwin ri, e Santiago fecha os olhos: as casas do balneário de Chorrillos são cubos com grades, porões rachados por tremores de terra, dentro formigam cacarecos e velhinhas empoeiradas, pútridas, de chinelos, com varizes. Uma fi gurinha corre por entre os cubos, seus gritos estremecem a madrugada viscosa e enfurecem formigas, grilos e escorpiões que a perseguem. O consolo do álcool, pensa, o delirium-tremens contra a morte lenta. Tudo bem, Carlitos, a gente se defende do Peru como pode. — Um dia, quando eu menos esperar, também vou dar de cara com esses bichinhos — Norwin contempla seu chilcano com curiosidade, sorri amarelo. — Mas não existe jornalista abstêmio, Zavalita. A bebida inspira, põe isso na cabeça. O engraxate terminou com Norwin e agora passa graxa nos sapatos de Santiago, assobiando. Como iam as coisas lá no Última Hora, o que diziam aqueles bandidos? Queixavam-se de sua ingratidão, Zavalita, que pelo menos fosse visitá-los de vez em quando, como antes. Ou seja, agora que você tinha tanto tempo livre, Zavalita, trabalhava em outro lugar? — Leio, tiro minhas sonecas — diz Santiago. — Talvez me matricule outra vez na Faculdade de Direito. — Você se afasta da notícia e já quer um diploma — Norwin olha-o consternado. — O editorial é o fi m, Zavalita. Você vai se formar advogado e deixará o jornalismo. Já estou vendo você feito um burguês. — Acabo de fazer trinta anos — diz Santiago. — É tarde para me tornar um burguês. — Só trinta? — Norwin fi ca pensativo. — Eu tenho trinta e seis e pareço ser seu pai. A seção policial mói a gente, põe isso na cabeça. Rostos masculinos, olhos opacos e derrotados sobre as mesas do Bar Zela, mãos que se estendem para alcançar cinzeiros e copos de cerveja. Como é feia essa gente, Carlitos tem razão. Pensa: o que é que eu tenho hoje? O engraxate espanta com as mãos dois vira-latas que arfam entre as mesas. — Até quando vai a campanha contra a raiva do La Crónica? — Norwin pergunta. — Já está ficando chata, na edição de hoje dedicaram outra página a isso. — Escrevi todos os editoriais sobre a raiva — responde Santiago. — Ora, esse trabalho me aborrece menos que escrever sobre Cuba ou Vietnã. Bem, a fi la acabou, vou pegar o ônibus. — Almoce comigo, eu pago — convidou Norwin. — Esqueça sua mulher, Zavalita. Ressuscitemos os bons tempos. Preás assados e cerveja gelada, o Rinconcito Cajamarquino de Bajo el Puente e o espetáculo das vagas águas do Rímac, escorrendo entre pedras cor de catarro, o café terroso do Haiti, o baralhinho na casa do Milton, os chilcanos e a ducha na casa de Norwin, a apoteose da meia-noite no puteiro com o Becerrita, que conseguia descontos, o sono ácido, os enjoos e as dívidas do amanhecer. Bons tempos, talvez tenham mesmo sido bons. — Ana fez sopa de camarões, e isso eu não perco — diz Santiago. — Outro dia, irmão. — Você tem medo de sua mulher — diz Norwin. — É... você está bem fodido, Zavalita. Mas não pela razão que você pensava, irmão. Norwin faz questão de pagar a cerveja e o engraxate, apertam as mãos. Santiago volta ao ponto de ônibus, toma um Chevrolet que tem o rádio ligado. Inca Kola refrescaria mais, depois uma valsa, rios, vertentes, a veterana voz de Jesús Vásquez, era o meu Peru. Ainda há engarrafamentos no centro, mas as avenidas República e Arequipa estão livres, e o veículo pode ir mais rápido, outra valsa, as limenhas eram tão tradicionais. Por que as valsas nativas seriam tão, tão arrastadas? Pensa: o que está acontecendo comigo hoje? Tem o queixo encostado no peito e os olhos meio fechados, como se olhasse o próprio ventre: caramba, Zavalita, é só você se sentar que logo aparece esse volume debaixo do paletó. Quando bebera cerveja pela primeira vez? Quinze, vinte anos atrás? Quatro semanas sem ver a mamãe e a Teté. Quem diria que o Popeye se formaria arquiteto, Zavalita, quem diria que você acabaria escrevendo editoriais contra os vira-latas de Lima. Pensa: mais um pouco e ficarei barrigudo. Iria ao banho turco, jogaria tênis no Clube Terrazas, em seis meses queimaria as banhas e teria outra vez uma barriga lisinha como a dos quinze anos. Mexer-se, romper a inércia, sacudir-se. Pensa: esporte, essa é a solução. Pronto, o parque de Mirafl ores, a Quebrada, o Calçadão, na esquina da avenida Benavides, chefe. Desce, caminha até a calle Porta, as mãos nos bolsos, cabisbaixo, o que está acontecendo comigo hoje? O céu continua nublado, a atmosfera é ainda mais cinzenta e começou a garoar: patinhas de pernilongo na pele, carícias de teias de aranhas. Nem sequer isso, uma sensação ainda mais furtiva e desanimada. Até a chuva andava fodida nesse país. Pensa: se pelo menos chovesse a cântaros. Que fi lmes estariam em cartaz no Colina, no Montecarlo, no Marsano? Almoçaria, um capítulo de Contraponto que o iria languescendo e o levaria nos braços até o sono viscoso da sesta, se exibissem um policial como Rifi fi , um de caubói como Rio Grande. Mas Ana teria seu dramalhão marcado no jornal, que me acontece hoje? Pensa: se a censura proibisse os dramalhões mexicanos ele brigaria menos com Ana. E depois do aperitivo? Dariam uma volta pelo Calçadão, fumariam debaixo dos abrigos de cimento do parque Necochea sentindo o rugir do mar na escuridão, voltariam à Quinta dos Duendes de mãos dadas, brigamos muito, amor, discutimos muito, amor, e Huxley entre bocejos. Os dois quartos se encheriam de fumaça e cheiro de azeite, tinha muita fome, amor? O despertador da madrugada, a água fria do chuveiro, o táxi, a caminhada entre escriturários pela Colmena, a voz do diretor, você prefere a greve bancária, Zavalita, a crise pesqueira ou Israel? Talvez valesse a pena esforçar-se um pouco e tirar o diploma. Pensa: dar marcha à ré.