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Conversa No Catedral (Cód: 4834340)

Llosa, Mario Vargas

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

Publicado originalmente em 1969, 'Conversa no Catedral' é um dos livros mais importantes do autor Prêmio Nobel de Literatura, além de uma das obras mais contundentes e aclamados na ficção latinoamericana deste século. Vargas Llosa, a exemplo de tantos de seus demais romances, narra aqui uma história ambientada em um período de grande insatisfação política. Os protagonistas do livro estiveram ligados, à própria maneira, com a ditadura do general Manuel Odría (entre 1948 e 1956). Santiago “Zavalita” é filho de Fermín Zavala, rico empresário ligado ao ditador. Ele se distanciara da família por questões pessoais e políticas, chegando a integrar uma organização ligada ao Partido Comunista Peruano. Já o velho Ambrosio, após se envolver em um caso obscuro, foge, mas retorna a Lima. Ele trabalha em um canil, mas já não tem a mesma energia de antes. A conversa entre Zavalita e Ambrosio revela aos poucos os dramas de suas vidas. Os conflitos, as paixões e as histórias centradas principalmente em don Fermín trazem à tona relatos de um período marcante. Aos poucos, o leitor tem diante de si não só um rico panorama histórico da América Latina – da busca da identidade de um país em meio à repressão e à corrupção desenfreada –, como uma fascinante história de amor e morte, que liga os dois personagens de uma forma cada vez mais profunda. Escrevendo com riqueza de detalhes suas observações sobre os mais diversos segmentos da sociedade peruana, o autor levou três anos para completar este livro. Segundo o próprio, na apresentação da edição, nenhuma outra obra deu tanto trabalho a ele quanto esta. Por este motivo, Vargas Llosa diz, Conversa no Catedral é o único romance que salvaria do fogo – caso tivesse que tomar uma decisão tão crucial.

Características

Peso 0.81 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
I.S.B.N. 9788579622021
Altura 23.00 cm
Largura 15.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Roitman, Ari
Cód. Barras 9788579622021
Ano da edição 2013
AutorLlosa, Mario Vargas

Leia um trecho

1

Da porta do La Crónica Santiago observa a avenida Tacna, sem amor: carros, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos flutuando na neblina, o meio-dia cinzento. Em que momento o Peru tinha se fodido? Os jornaleiros circulam entre os veículos parados no sinal da Avenida Wilson anunciando os jornais da tarde e ele começa a andar, lentamente, para a Colmena. De mãos nos bolsos, cabisbaixo, vai escoltado por pedestres que também avançam rumo à Praça San Martín. Ele era como o Peru, Zavalita, tinha se fodido em algum momento. Pensa: em qual? Em frente ao Hotel Crillón um cachorro vem lamber seus pés: vai ver está com raiva, fora daqui.
O Peru fodido, pensa, Carlitos fodido, todos fodidos. Pensa: não há solução. Vê uma longa fila no ponto de ônibus para Miraflores, atravessa a praça e ali está Norwin, oi irmão, numa mesa do Bar Zela, sente-se Zavalita, bebendo um chilcano enquanto um rapaz engraxava os seus sapatos, e convidava para beber alguma coisa. Ainda não parece estar bêbado e Santiago se senta, manda o engraxate lustrar os seus sapatos também. Pronto chefe, agorinha chefe, iam ficar feito espelhos, chefe.
— Há séculos que você não aparece, senhor editoria lista — diz Norwin.
— Está mais satisfeito na página editorial que no noticiário local?
— Trabalha-se menos — encolhe os ombros, talvez tenha sido nesse dia que o diretor o chamou, pede uma Cristal gelada, não queria substituir Orgambide, Zavalita?, ele tinha estudado na universidade e podia escrever editoriais, não é, Zavalita? Pensa: estou fodido. — Eu chego cedo, me dizem o assunto, eu aperto o nariz e em duas ou três horas, pronto, puxo a descarga e tudo terminado.
— Eu não faria editoriais nem por todo o ouro do mundo — diz Norwin. — Você fica longe da notícia, e jornalismo é notícia, Zavalita, entenda isso. Eu vou morrer na reportagem policial, não tem jeito. Aliás, o Carlitos morreu?
— Continua na clínica, mas vai receber alta logo — diz Santiago. — Ele jura que desta vez vai largar a bebida.
— É verdade que uma noite ele viu baratas e aranhas quando foi dormir? — diz Norwin.
— Levantou o lençol e milhares de aranhas, de ratos vieram para cima dele — diz Santiago. — Saiu pelado pela rua aos gritos.
Norwin ri e Santiago fecha os olhos: as casas de Chorrillos são uns cubos com grades, uns buracos cheios de rachaduras por causa dos tremores de terra, lá dentro se multiplicam cacarecos e pestilentas velhinhas todas empoeiradas, de chinelo, cheias de varizes. Uma figurinha corre entre os cubos, seus berros estremecem a madrugada viscosa e enfurecem as formigas, lacraias e escorpiões que a perseguem. O consolo no álcool pensa, contra a morte lenta o delirium tremens. Tudo certo, Carlitos, cada qual se defendia do Peru como podia.
— Qualquer hora dessas também vou ver os tais bichinhos — Norwin observa o seu chilcanocom curiosidade, sorri de leve. — Mas não existe jornalista abstêmio, Zavalita. A bebida inspira, acredite em mim.
O garoto terminou o serviço com Norwin e agora trabalha nos sapatos de Santiago, assobiando. Como andavam as coisas na Última Hora, o que contava daqueles bandidos? Eles estavam reclamando da sua ingratidão, Zavalita, devia visitá-los algum dia, como antes. Quer dizer que agora você tinha um monte de tempo livre, Zavalita, também estava trabalhando em outro lugar?
— Leio, durmo depois do almoço — diz Santiago. — Talvez me matricule de novo em Direito.
— O sujeito se afasta da notícia e já quer um diploma — Norwin olha para ele com dó. — A página editorial é o fim, Zavalita. Você vai se formar em Direito, largar o jornalismo. Já posso até vê-lo como um verdadeiro burguês.
— Acabei de fazer trinta anos — diz Santiago. — É tarde para virar burguês.
— Trinta, só? — Norwin fica pensativo. — Eu tenho trinta e seis e pareço seu pai. A seção policial acaba com a gente, acredite.
Rostos masculinos, olhos opacos e derrotados sobre as mesas do Bar Zela, mãos se estendendo em direção a cinzeiros e copos de cerveja. Que feio era o pessoal daqui, Carlitos tinha razão. Pensa: o que há comigo hoje? O engraxate afugenta com a mão dois cachorros que estavam arfando entre as mesas.
— Até quando vai a campanha do La Crónicacontra a raiva? — diz Norwin. — Vocês já estão ficando enfadonhos, esta manhã publicaram mais uma página sobre o assunto.
— Eu escrevi todos os editoriais contra a raiva — diz Santiago. — Ora, isso me chateia menos que escrever sobre Cuba ou o Vietnã. Bem, não tem mais fila, vou pegar meu ônibus.
— Vamos almoçar juntos, eu pago — diz Norwin. — Esqueça a sua mulher, Zavalita. Vamos ressuscitar os bons tempos.
Preás na brasa e cerveja gelada, o Rinconcito Cajamarquino em Bajo el Puente e o espetáculo das águas errantes do Rímac escorrendo entre pedras cor de muco, o café terroso do Haiti, o carteado na casa de Milton, os chilcanose o banho na casa de Norwin, a apoteose à meia-noite no puteiro com Becerrita que tinha desconto, o sono ácido e os enjoos e as dívidas do amanhecer. Os bons tempos, pode ser.
— Ana fez um chupede camarão e não posso perder — diz Santiago. — Outro dia, irmão.
— Você tem medo da sua mulher — diz Norwin. — Puxa, está mesmo fodido, Zavalita.
Não pelo que você pensava, irmão. Norwin insiste em pagar a cerveja, o engraxate, apertam as mãos. Santiago volta para o ponto, o ônibus que pega é um Chevrolet e está com o rádio ligado, Inca Kola refrescava melhor, depois uma valsa, rios, bocainas, a voz veterana de Jesús Vásquez, era o meu Peru. Ainda há engarrafamentos no centro, mas as avenidas República e Arequipa estão livres e o ônibus pode ir rápido, uma outra valsa, as valsas limenhas tinham a alma da tradição. Por que a valsa criollaseria tão, tão babaca? Pensa: o que há comigo hoje? Vai com o queixo encostado no peito e os olhos quase fechados, como se estivesse olhando a própria barriga: caramba, Zavalita, você senta e este volume no paletó. Quando terá sido a primeira vez que bebeu cerveja? Quinze, vinte anos atrás? Quatro semanas sem ver mamãe, a Teté. Quem diria que Popeye ia se formar em arquitetura, Zavalita, e quem diria que você ia acabar escrevendo editoriais contra os cachorros de Lima.
Pensa: daqui a pouco vou ficar barrigudo. Ia tomar banho turco, jogar tênis no Terrazas, em seis meses queimaria as gorduras e ficaria de novo com a barriga lisinha como aos quinze anos. Depressa, romper a inércia mexer-se. Pensa: esporte, esta é a solução. O parque de Miraflores já, a Quebrada, o Malecón, na esquina da Benavides ele chefe. Desce, anda para a rua Porta, de mãos nos bolsos, cabisbaixo, o que há comigo hoje? O céu continua nublado, a atmosfera está ainda mais cinzenta e começou a garoar: patinhas de mosquito na pele, carícias de teias de aranha. Nem mesmo isto, uma sensação ainda mais furtiva e imperceptível. Até a chuva era fodida neste país. Pensa: se pelo menos chovesse a cântaros. Que filme estava passando no Colina, no Montecarlo, no Marsano? Ia almoçar, um capítulo de Contrapontoque iria deixando-o lânguido e transportando para o sono viscoso da sesta, e se passasse um filme policial como Rififí, um filme de caubói como Rio Grande. Mas Ana já devia ter o seu dramalhão marcado no jornal, o que há comigo hoje? Pensa: se a censura proibisse os dramalhões mexicanos, eu brigaria menos com Ana. E depois da matinê? Dariam uma volta pelo Malecón, fumariam um cigarro debaixo dos parassóis de cimento do parque Necochea ouvindo o mar rugir na escuridão, voltariam para a quinta dos duendes de mãos dadas, brigamos muito amor, discutimos muito amor, e Huxley entre bocejos. Os dois aposentos ficariam cheios de fumaça e de cheiro de fritura, estava com fome, amor? O despertador na madrugada, a água fria do chuveiro, o ônibus, a caminhada pela Colmena entre escriturários, a voz do diretor, você prefere a greve dos bancários, Zavalita, a crise pesqueira ou Israel? Talvez valesse a pena fazer um esforço e tirar o diploma. Pensa: dar marcha a ré. Vê os muros ásperos cor de laranja, as telhas vermelhas, as janelinhas com grades pretas das casas de duende da quinta. A porta do apartamento está aberta, mas não aparece Batuque, o vira-lata, pulando, barulhento e efusivo. Por que você deixa a casa aberta quando vai ao armazém, amor? Mas não, Ana está aí, o que aconteceu, está com os olhos inchados e chorosos, despenteada: levaram o Batuque, amor.
— Eles o tiraram das minhas mãos — soluça Ana. — Uns negros nojentos, amor. Meteram o Batuque num caminhão. Foi roubado, roubado.
Beija a sua testa, calma amor, acaricia o seu rosto, como foi que aconteceu, leva-a pelo ombro até a casa, não chore, bobinha.
— Liguei para La Crónicae você não estava — Ana choraminga. — Uns bandidos, uns negros com cara de bandidos. Eu estava levando o animal com corrente e tudo. Eles o arrancaram de mim, meteram no caminhão, roubaram. — Depois do almoço vou ao canil para tirá-lo de lá — Santiago a beija de novo. — Não vai acontecer nada, não seja boba.