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Do Outro Lado Tem Segredos (Cód: 4869830)

Machado, Ana Maria

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

Do outro lado tem segredos conta as aventuras de Bino até ele descobrir o que há do outro lado. Uma das descobertas do garoto é que da África chegaram milhões de negros como ele, vindos como escravos para o Brasil. E ao longo das suas investigações para saber o que há do outro lado, Bino é ajudado por seu avô, seu irmão e outras pessoas que sabem os segredos do outro lado

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Alfaguara / Objetiva
Cód. Barras 9788579621963
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788579621963
Profundidade 0.50 cm
Ilustrador Alarcão, Renato
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
País de Origem Brasil
Seller ID 1
Peso 0.16 Kg
Largura 15.50 cm
AutorMachado, Ana Maria

Leia um trecho

1. Peixe Muito!

Bino era menino. Bino era Benedito. Bino era filho de pescador.
Isso era coisa que todo mundo por ali sabia. Quer dizer, um ou outro podia não saber que o nome dele de verdade era Benedito. Só chamavam mesmo era de Bino. Mas o pessoal de Guriri todo conhecia o moleque, filho de Balbino, neto do velho Zé Manduca, tudo gente direita. Tudo pescador do bom.
Filho de pescador, neto de pescador, na certa Bino também ia sair para o mar numa canoa quando crescesse um pouco mais. Já ajudava bastante, carregando samburá, esvaziando a água do fundo da embarcação quando os homens voltavam, procurando buraco em rede, recolhendo peixe salgado que ficava secando no sol. Era só ficar um pouquinho mais velho e lá ia ele também um dia mar afora. Coisa de homem grande.
Enquanto isso, Bino esperava, brincava, ajudava. E gostava muito de ficar olhando o mar e pensando. Reparando nas conchinhas da beira da areia. Descobrindo todos os cantinhos das grutas dos arrecifes. Seguindo o voo das gaivotas ou vendo o boto pular lá longe. E ir aprendendo os segredos daquela água toda:
— Olha só, Dilson, tem uma mancha azul na água. Ali, olha. Vindo da ponta para cá.
— É mesmo, Bino, toda crespinha. Xi, a água está fervendo...
E lá saíam os dois meninos na carreira, gritando para dentro da vila:
— Peixe muito! Está vindo da ponta para olanço! Depressa...
Parecia até palavra mágica. Aquela vila que estava parada no sol, modorrenta, com uns homens conversando na porta da venda e outros de papo pro ar debaixo do quitungo, contando caso e coçando cabeça de cachorro, de repente virou um formigueiro. Cada um corria numa direção e todo mundo sabia muito bem o que tinha que fazer. Num instante a canoa, com a rede dobrada dentro, já descia a areia em direção ao mar, deslizando sobre uns paus compridos que apontavam a água e pareciam querer mergulhar nela de cabeça, em vez de ficar só servindo de escorrega de canoa. E lá ia a embarcação.
Os homens se juntavam todos num lado e empurravam a proa para a água: — Ooooooô! Pronto. Aquele lado escorregava, ficava mais perto das ondas. E lá vinham eles, todos juntos, para o outro lado. Empurravam agora a popa:
— Ooooooô!
E voltavam correndo para a proa. E para a popa. E num instante, com a força dos homens e a ajuda dos paus, a embarcação estava n’água. Um ia logo empurrando mais para o fundo, os outros, se molhando na água, iam tratando de subir na canoa, venciam as ondas, num instante ela se afastava, só deixando na praia uma ponta de corda que o velho Mané Faustino pacientemente ia pegando e começando a enrolar em grandes voltas, uma por cima da outra.
Bino e Dilson estavam quase sem fôlego de tanta correria para avisar os homens, de tanta força para ajudar a empurrar as canoas. Sentaram um pouquinho na areia:
— Será que eles vão conseguir pegar o peixe?
— Tá com jeito de ser manjuba.
— Será que eles pegam? Outro dia um cardume fugiu inteirinho, a rede só trouxe alga. E seu Euclides ainda ficou furioso com a gente porque perdeu a vez dele no lanço, jogou a rede à toa e teve que ir para o fim da fila de novo, esperar que todo mundo jogasse rede até chegar a vez dele outra vez.
— É, mas pior foi aquele dia que o velho Samuel ficou aguentando a vez, com medo de perder. E os peixinhos todos dando sopa aí na cara da gente, passando para lá e para cá, e ele, nada. Empatou a vida de todo mundo.
— Foi mesmo. Demorou tanto tempo que quando resolveu e todo mundo foi atrás só deu umas três redadas boas. Aquilo era dia de botar mais de dez redes. E de ficar a vila toda pela noite adentro salgando peixe e cantando debaixo dos quitungos.
E de levarem caminhões para a cidade bem carregados. E de entrar um dinheirinho para tanta coisa que a gente vive querendo.
No meio da conversa, a voz de seu Mané Faustino:
— Ó menino, vem cá dar um adjutório.
Seu Mané Faustino era gozado. Ele, seu Zé Manduca, seu Joaquim Barbosa, todos os mais velhos de Guriri gostavam de usar umas palavras esquisitas, antigas assim.
Ele nunca chamava os garotos para darem uma mãozinha, quebrarem um galho ou mesmo ajudar. Era sempre aquilo de dar um adjutório.
Os meninos foram. Mais gente também ia chegando. No começo, não tinha muito que ajudar. Era só ficar parado, enfileirado, segurando a ponta de corda na areia. Lá longe, dentro d’água, a outra ponta estava dando a volta na rede.