Artboard 33 Artboard 16 Artboard 18 Artboard 15 Artboard 21 Artboard 1 Artboard 2 Artboard 5 Artboard 45 Artboard 45 Artboard 22 Artboard 9 Artboard 23 Artboard 17? Artboard 28 Artboard 43 Artboard 49 Artboard 47 Artboard 38 Artboard 32 Artboard 8 Artboard 22 Artboard 5 Artboard 25 Artboard 1 Artboard 42 Artboard 11 Artboard 41 Artboard 13 Artboard 23 Artboard 10 Artboard 4 Artboard 9 Artboard 20 Artboard 6 Artboard 11 Artboard 7 Artboard 3 Artboard 3 Artboard 12 Artboard 25 Artboard 34 Artboard 39 Artboard 24 Artboard 13 Artboard 19 Artboard 7 Artboard 24 Artboard 31 Artboard 4 Artboard 14 Artboard 27 Artboard 30 Artboard 36 Artboard 44 Artboard 12 Artboard 17 Artboard 17 Artboard 6 Artboard 27 Artboard 19 Artboard 30 Artboard 29 Artboard 29 Artboard 26 Artboard 18 Artboard 2 Artboard 20 Artboard 35 Artboard 15 Artboard 14 Artboard 48 Artboard 50 Artboard 26 Artboard 16 Artboard 40 Artboard 21 Artboard 29 Artboard 10 Artboard 37 Artboard 3 Artboard 3 Artboard 46 Artboard 8

Esaú e Jaco - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649514)

Assis, Machado de

Saraiva De Bolso

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 12,90 R$ 6,40 (-50%)
Cartão Saraiva R$ 6,08 (-5%) em até 1x no cartão

Crédito:
Boleto:
Cartão Saraiva:

Total: R$0,00

Em até 1x sem juros de R$ 0,00


Esaú e Jaco - Col. Saraiva de Bolso

R$6,40

Quer comprar em uma loja física? Veja a disponibilidade deste produto

Entregas internacionais: Consulte prazos e valores de entrega para regiões fora do Brasil na página do Carrinho.

ou receba na loja com frete grátis

X
Formas de envio Custo Entrega estimada

* Válido para compras efetuadas em dias úteis até às 15:00, horário de Brasília, com cartão de crédito e aprovadas na primeira tentativa.

X Consulte as lojas participantes

Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Como no episódio bíblico que dá título ao romance, os gêmeos Pedro e Paulo, pertencentes à alta burguesia carioca, desde a infância se mostram opostos e rivais em tudo. Já rapazes, apaixonam-se pela mesma mulher, Flora, o que só agrava os embates entre eles. Entremeada a esse enredo, há ainda a visão crítica que tem Machado de Assis do cenário político do Brasil às vésperas da Proclamação da República.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520927472
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520927472
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorAssis, Machado de

Leia um trecho

Capítulo I

Coisas futuras!

Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.
Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castelo, por mais que ouvissem
falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube.

O íngreme, o desigual, o malcalçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão do andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam.

Uma crioula perguntou a um sargento: “Você quer ver que elas vão à cabocla?”. E ambos pararam a distância, tomados daquele invencível desejo de conhecer a vida alheia, que é muita vez toda a necessidade humana. Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura. Quiseram entrar depressa, mas esbarraram com dois sujeitos que vinham saindo, e coseram-se ao portal. Um deles perguntou-lhes familiarmente se iam consultar a adivinha. — Perdem o seu tempo — concluiu, furioso —, e hão de ouvir muito disparate...
— É mentira dele — emendou o outro rindo —; a

cabocla sabe muito bem onde tem o nariz. Hesitaram um pouco; mas, logo depois advertiram que as palavras do primeiro eram sinal certo da vidência e da franqueza da adivinha; nem todos teriam a mesma sorte alegre. A dos meninos de Natividade podia ser miserável, e então... Enquanto cogitavam passou fora um carteiro, que as fez subir mais depressa, para escapar a outros olhos. Tinham fé, mas tinham também vexame da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas. Velho caboclo, pai da adivinha, conduziu as senhoras à sala. Esta era simples, as paredes nuas, nada que lembrasse mistério ou incutisse pavor, nenhum petrecho simbólico, nenhum bicho empalhado, esqueleto ou desenho de aleijões. Quando muito um registro da Conceição colado à parede podia lembrar um mistério, apesar de encardido
e roído, mas não metia medo. Sobre uma cadeira, uma viola.
— Minha fi lha já vem — disse o velho. — As senhoras
como se chamam?
Natividade deu o nome de batismo somente, Maria, como um véu mais espesso que o que trazia no rosto, e
recebeu um cartão — porque a consulta era só de uma — com o número 1.012. Não há que pasmar do algarismo; a
freguesia era numerosa, e vinha de muitos meses. Também não há que dizer do costume, que é velho e velhíssimo.
Relê Ésquilo, meu amigo, relê as Eumênides, lá verás a Pítia, chamando os que iam à consulta: “Se há aqui helenos,
venham, aproximem-se, segundo o uso, na ordem marcada pela sorte”... A sorte outrora, a numeração agora, tudo é
que a verdade se ajuste à prioridade, e ninguém perca a sua vez de audiência. Natividade guardou o bilhete, e ambas
foram à janela.

A falar verdade, temiam o seu tanto, Perpétua menos que Natividade. A aventura parecia audaz, e algum perigo
possível. Não ponho aqui os seus gestos: imaginai que eram inquietos e desconcertados. Nenhuma dizia nada.
Natividade confessou depois que tinha um nó na garganta. Felizmente, a cabocla não se demorou muito; ao cabo de
três ou quatro minutos, o pai a trouxe pela mão, erguendo a cortina do fundo. — Entra, Bárbara. Bárbara entrou, enquanto o pai pegou da viola e passou ao patamar de pedra, à porta da esquerda. Era uma criaturinha leve e breve, saia bordada, chinelinha no pé. Não se lhe podia negar um corpo airoso. Os cabelos, apanhados no alto da cabeça por um pedaço de fi ta enxovalhada, faziam-lhe um solidéu natural, cuja borla era suprida por um raminho de arruda. Já vai nisto um pouco de sacerdotisa. O mistério estava nos olhos. Estes eram opacos, não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos, e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento. Não te minto dizendo que as duas sentiram tal ou qual fascinação. Bárbara interrogou-as; Natividade disse ao que vinha e entregou-lhe os retratos dos fi lhos e os cabelos cortados, por lhe haverem dito que bastava.
— Basta — confirmou Bárbara. — Os meninos são seus fi lhos?
— São.
— Cara de um é cara de outro.
— São gêmeos; nasceram há pouco mais de um ano.
— As senhoras podem sentar-se.
Natividade disse baixinho à outra que “a cabocla era simpática”, não tão baixo que esta não pudesse ouvir também;
e daí pode ser que ela, receosa da predição, quisesse aquilo mesmo para obter um bom destino aos fi lhos. A
cabocla foi sentar-se à mesa redonda que estava no centro da sala, virada para as duas. Pôs os cabelos e os retratos defronte de si. Olhou alternadamente para eles e para a mãe, fez algumas perguntas a esta, e ficou a mirar os retratos e os cabelos, boca aberta, sobrancelhas cerradas. Custa-me dizer que acendeu um cigarro, mas digo, porque é verdade, e
o fumo concorda com o ofício.

Enquanto o fumo do cigarro ia subindo, a cara da adivinha mudava de expressão, radiante ou sombria, ora interrogativa,
ora explicativa. Bárbara inclinava-se aos retratos, apertava uma madeixa de cabelos em cada mão, e fi tava-as, e cheirava-as, e escutava-as, sem a afetação que porventura aches nesta linha. Tais gestos não se poderiam contar naturalmente. Natividade não tirava os olhos dela, como se quisesse lê-la por dentro. E não foi sem grande espanto
que lhe ouviu perguntar se os meninos tinham brigado antes de nascer.
— Brigado?
— Brigado, sim, senhora.
— Antes de nascer?
— Sim, senhora, pergunto se não teriam brigado no ventre de sua mãe; não se lembra? Natividade, que não tivera a gestação sossegada, respondeu que efetivamente sentira movimentos extraordinários, repetidos, e dores, e insônias... Mas então que era? Brigariam por quê?

A cabocla não respondeu. Ergueu-se pouco depois, e andou à volta da mesa, lenta, como sonâmbula, os olhos abertos e fixos; depois entrou a dividi-los novamente entre a mãe e os retratos. Agitava-se agora mais, respirando grosso. Toda ela, cara e braços, ombros e pernas, toda era pouca para arrancar a palavra ao Destino. Enfim, parou, sentou-se exausta, até que se ergueu de salto e foi ter com as duas, tão radiante, os olhos tão vivos e cálidos, que a mãe fi cou pendente deles, e não se pôde ter que lhe
não pegasse das mãos e lhe perguntasse ansiosa:
— Então? Diga, posso ouvir tudo.
Bárbara, cheia de alma e riso, deu um respiro de gosto.
A primeira palavra parece que lhe chegou à boca, mas recolheu-
se ao coração, virgem dos lábios, dela e de alheios
ouvidos. Natividade instou pela resposta que lhe dissesse
tudo, sem falta...
— Coisas futuras! — murmurou finalmente a cabocla.
— Mas coisas feias?
— Oh! não! não! Coisas bonitas, coisas futuras!
— Mas isso não basta; diga-me o resto. Esta senhora é
minha irmã e de segredo, mas se é preciso sair, ela sai; eu
fi co, diga-me a mim só... Serão felizes?
— Sim.
— Serão grandes?
— Serão grandes, oh! grandes! Deus há de dar-lhes
muitos benefícios. Eles hão de subir, subir, subir... Brigaram
no ventre de sua mãe, que tem? Cá fora também
se briga. Seus fi lhos serão gloriosos. É só o que lhe digo.
Quanto à qualidade da glória, coisas futuras!
Lá dentro, a voz do caboclo velho ainda uma vez continuava
a cantiga do sertão:

Trepa-me neste coqueiro,
Bota-me os cocos abaixo.

E a filha, não tendo mais que dizer, ou não sabendo que
explicar, dava aos quadris o gesto da toada, que o velho
repetia lá dentro:

Menina da saia branca,
Saltadeira de riacho,
Trepa-me neste coqueiro,
Bota-me os cocos abaixo.
Quebra coco, sinhá,
Lá no cocá,
Se te dá na cabeça,
Há de rachá;
Muito hei de me ri,
Muito hei de gostá,
Lelê, coco, naiá.