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Esse Tal de Orgasmo - Uma Jovem Mulher Em Busca do Prazer (Cód: 4269761)

Altman,Mara

L&PM

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Descrição

'Já toquei aquilo lá uma ou duas vezes, pele com pele, mas desisti. Fiquei com nojo. Fiquei com nojo de mim. Eu tinha medo daquela parte do meu corpo e, convenhamos, ela fica num lugar convenientemente ignorável. Se não explorasse a área, não seria obrigada a descobrir se havia algo errado – ou certo – com aquilo lá.”

Filha de psicólogos californianos liberais – o pai, especializado em sexualidade –, a norte-americana Mara Altman, como tantas jovens mulheres de sua geração Sex and the City, perdeu a virgindade aos dezessete anos. Mas, aos 26, nunca tinha experimentado um orgasmo. O que podia se perpetuar como uma frustração, no entanto, foi transformado em uma longa jornada em busca do prazer...

Altman estabeleceu como meta atingir seu primeiro orgasmo, e passou quase um ano pesquisando (pesquisa de campo, é claro) e escrevendo sobre suas experiências. Suas investigações foram tão vastas quanto são as maneiras de o ser humano se relacionar com o prazer sexual: entrevistas com sexólogos e gurus variados, convenções sobre sexo, visitas a clubes de sadomasoquismo, acampamento de masturbação coletiva, templos do prazer, aulas de sexo tântrico etc. O resultado é um livro franco e bem-humorado, cheio de uma doce intimidade, que divertirá a todos aqueles interessados em conhecer melhor a si mesmo e as possibilidades da satisfação sexual.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora L&PM
Cód. Barras 9788525427274
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788525427274
Profundidade 2.40 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Ana Luiza Lopes
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 352
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorAltman,Mara

Leia um trecho

Parte I - Cadê a chave do meu cli-Taurus? Liguei para o dr. Barry Komisaruk. “Você nunca teve um orgasmo!?” isso foi o que ele disse ao saber que meu aparelho orgástico – minha “área de lazer” – não funcionava. Talvez notando o desespero na minha voz, o neurocientista de Nova Jersey ficou de vir a Nova York para conversarmos. Mas antes de desligar começou a tomar notas. “Qual a sua idade? Quantos irmãos você tem? Já tentou...”O dr. Komisaruk acabara de publicar o livro The Science of Orgasmcom outros dois autores e parecia saber tudo sobre o assunto. Tinha esperanças de que ele pudesse me ajudar, já que nada do que eu tentara até então havia dado certo. A verdade é que uma parte fundamental, porém bastante contraproducente, do meu problema estava ligada ao fato de que “tentar” não incluía masturbação. Sobre isso falarei mais adiante. Veja bem, tenho 26 e nenhum orgasmo para contar história. Até os três gatos – Buddy, Sika e Lucy – que andam para lá e para cá pelo meu apartamento no Brooklyn não me deixam esquecer esse fato. Eles vomitam pelos, se lambem, arranham tudo e se esfregam na minha frente, o que me faz pensar em como os humanos, especialmente eu, nos distanciamos tanto do instintivo. Meus instintos parecem danificados; atrofiaram-se porque não os exercito regularmente. Quero me esfregar na almofada do sofá e ainda me felicitar por isso “vai lá, garota” –, mas não sou capaz de tocar minha virilha, que dirá me esfregar na almofada. Estou padecendo de um caso de inibição, que pode estar associado a um certo grau de ceticismo amoroso. Consultei as estatísticas: 43 por cento das mulheres afirmam ter algum tipo de disfunção sexual; logo, eu não deveria ficar tão chocada. No entanto, quanto mais penso no problema, mais ele me angustia. Quando falei da minha situação a uma amiga, ela por pouco não caiu de joelhos na calçada e rezou por mim – um feito particularmente impressionante dada sua natureza ateia. O dr. Komisaruk marcou nosso encontro em um restaurante indiano na Bleecker Street, no Village. Sugeri um etíope, mas ele contou que, da última vez que comeu esse tipo de comida, se confundiu e usou o pão folha para enxugar o suor da testa. Supôs que fosse uma toalha. isso deixou-o com uma sensação desagradável na pele, que não desejava reviver. Nem os neurocientistas podem ser inteligentes em todas as áreas. Não é que eu não tenha feito sexo; eu fiz, com seis homens. (Na verdade, digamos que foram cinco e meio, mas deixo para falar mais sobre isso depois.) Bom, de volta aos orgasmos, ou melhor, à falta deles. Não, eu não tive um orgasmo. Um orgasmo comigo mesma parece tão impossível quanto com qualquer um dos meus cinco homens e meio. Quero mudar isso. Fui capaz de viajar pelo mundo – morei na Espanha, na Índia, na Tailândia e no peru e perdi muitos relacionamentos pelo caminho –, mas nunca me aventurei pelo interior do meu corpo. Sendo assim, a jornada que decidi empreender – a que me levou a ligar para o dr. Komisaruk – consistirá em sair da minha zona de conforto, expandir meus limites e dar um fim ao meu jeito pudico de ser. Bom, isso foi o que disse a mim mesma, mas até agora a coisa está se mostrando mais difícil do que eu imaginava. Meu projeto não teve um início promissor. Há algumas semanas, marquei consulta com uma sexóloga chamada Melinda. Ao entrar no seu consultório, estava extremamente ansiosa. Suava como se tivesse atravessado uma floresta – poças d’água se formavam sob meus braços, assim como pequenos redemoinhos sobre meu lábio superior. Melinda me disse que ficasse à vontade no seu sofá florido, que era totalmente inadequado. Caso me sentasse na borda, meus pés balançavam; se me apoiasse no encosto, minhas pernas ficavam esticadas como as de uma criancinha numa camionete. Melinda não podia falar sobre sexo comigo enquanto estivesse sentada daquele jeito. A sensação seria de algo quase pedófilo. Decidi pelas pernas cruzadas em posição de ioga e tentei ficar zen. Ela lembrava a Bette Midler, porém mais inchada. imagine a Bette Midler com cabelos mais compridos e metida num uniforme de futebol americano. Agora, imagine que, em vez de deslizar num palco cantando sobre amor, ela está à sua frente incitando vocêa cantar sobre seus entraves sexuais. “Nunca tive um orgasmo”, desabafei. Comecei a detalhar minhas teorias – talvez estivesse me rebelando contra meus pais, um casal de hippies que ama o sexo; talvez estivesse me definindo por comparação com a minha melhor amiga, que respira orgasmos; talvez meu problema fosse causado pelo muçulmano que namorei na Índia, um cara que não sabia nem o que era punheta –, mas ela me cortou e começou a discorrer sobre o que acontece com o corpo quando nos excitamos. “A genitália se enche de sangue... lateja.”“Espere aí”, exclamei. “Dá para voltar um pouquinho?” Senti como se estivesse no nível três e ela tivesse pulado direto para o dez.“Vá pra casa e estimule o seu clitóris”, continuou. CLI-tóris? É assim que se fala? Eu tenho dito cli-Taurus, como se fosse um modelo de Ford sedan que precisa ser acionado por uma chave especial antes que eu possa levá-lo para dar uma volta pela cidade. Racionalmente, eu sabia que bastava enfiar nas minhas partes baixas um desses vibradores em formato de coelho de que todo mundo fala e acabar logo com aquilo. Mas eu não via a questão como um problema meramente físico. Queria entender por que, apesar dos inúmeros vibradores que ganhara ao longo da vida, eu ainda não havia tentado usá-los. para mudar de assunto, disse a ela que estava pensando em escrever um livro sobre o processo. Até aquele momento, estivera tão envolvida com o trabalho, tão obcecada em fazer algo importante na vida, que era totalmente possível minha vagina ter sumido sem que eu notasse. A única maneira de levar aquilo a sério seria fazer do orgasmo o foco do meu trabalho, tornar aquela odisseia parte do meu cotidiano de escritora e jornalista. “Péssima ideia”, declarou a sexóloga. Segundo ela, escrever sobre o orgasmo seria a pior atividade para alguém que desejasse experimentá-lo. “Você não pode pensar sobre o orgasmo”, afirmou. “Quanto mais ponderar sobre o orgasmo, mais improvável se tornará. É preciso relaxar.”Em outras palavras, ela continuava a cantar seu mantra: Deixe de drama e estimule o seu clitóris! Sem arredar pé, Melinda reiterou sua posição. “Sou muito direta”, declarou. “Existe algum lugar reservado na sua casa onde você fique à vontade para se tocar?” Joguei um travesseiro entre as pernas, protegendo meus países baixos, e encolhi os ombros. “Meu quarto tem porta. É isso que você quer dizer?” Nosso tempo acabou. Quando fui ao banheiro, não havia vestígio algum de orgasmo, apenas um sabonete velho e um bastão de desodorante ressecado. Confiar naquela sexóloga seria como confiar numa cabeleireira com um penteado estilo Ênio, da Vila Sésamo. Enquanto me acompanhava até a porta, ela disse que adoraria trabalhar comigo novamente, mas foi enfática ao me aconselhar a não escrever: “Você nunca terá um orgasmo se pensar demais nisso”. Fui incapaz de levar a sério o conselho, não sei ao certo por quê. Talvez fosse a foto do Vaticano emoldurada no consultório. Ela parecia o Antigasmo. Do Antigasmo, fui para o Google. Encontrei um site interessante chamado Vulva University, com base em São Francisco. Dorrie Lane, a diretora, me contou que estava treinando a nova geração de vulvalucionárias. Evoquei a imagem da icônica camiseta vermelha com a silhueta de Che Guevara substituída por um solitário monte púbico de boina. Eu queria ser uma vulvalucionária. Tornar-se vulvalucionária parecia ser um pré-requisito para uma garota como eu, que desejava gozar. Dorrie afirmou que isso não era problema, bastava ter uma vulva. “Mesmo que a vagina seja defeituosa?”, perguntei. Antes de mais nada, ela repreendeu meu vocabulário genital. Dorrie explicou que a palavra “vagina” se refere apenas ao canal interno e só enfatiza o caráter penetrável da genitália femini na, ao passo que “vulva” engloba a parafernália toda, inclusive o clitóris.

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