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Minhas mulheres (Cód: 9020042)

Victor Vitoriano

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Minhas mulheres

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Descrição

Eu tinha 20 anos e era um perfeito merda. Era como se eu repelisse buceta, ou algo assim. Vivia sonhando com mulheres lindas, de todas as cores, idades e de muitos amores passando por meus braços, mas a única coisa que eu tinha era minhas mãos e alguns cremes. Eu até entendia o porquê de nenhuma mulher sentir atração por mim: baixo, magro e pobre, não tinha nada em mim que agradasse um par de peitos.

Minha trajetória com as mulheres tinha sido drástica. Namorei desde que me conhecia por gente e mesmo sabendo que não daria certo desde aquela época, continuava nessa fissura por ter alguém a vida inteira, amar intensamente, coisas de gente que ainda não viveu nada.

Aos dezesseis anos, conheci uma mulher da igreja, ela tinha uns seis anos a mais do que eu que era um completo moleque. Ela se apaixonou de uma maneira até então desconhecida por mim e eu por ela, talvez por sua idade avançada e a ilusão de estar com alguém mais madura, me enganei. Namoramos por alguns meses e os pais dela eram barra pesada, não gostavam de mim por eu ser novo demais, certo dia me chamaram para jantar com eles.

- Olha aqui, eu só chamei você aqui para dizer o quanto eu me arrependo de ter aceitado esse namoro. – disse o pai dela.

- Só lamento coroa, agora fodeu, vamos nos casar!

O atrito entre nós dois era perceptível de longe e ela ficava do lado deles – às vezes – mas tinha todo o direito, aliás, eram seus pais. Ficamos noivos com quase um ano de namoro e estava tudo pronto para o enterro, até que ela descobriu sobre os meus outros casos, coisas antigas e recentes, e por mais que eu tentasse contornar a situação, não deu para segurar, fora o fim, fora ótimo para ela.

Dali a alguns dias eu estava novo em folha, de volta para a caçada. Caí no mundo, comecei a escrever alguns contos eróticos e algumas poesias de amor, fazia sucesso com meia dúzia de garotas. Era raro um cara da minha idade se interessar por essas baboseiras, mas eu me aproveitava ao máximo da situação.

Estava bem considerando os últimos anos, saia com uma garota diferente por semana, e pensava que elas não sabiam dessa minha vida paralela, até que um dia quando marquei um encontro com duas garotas, uma loira e outra morena, pensando que iria botar pra foder com as duas juntas, quebrei a cara, as garotas me usaram e levaram tudo o que eu tinha, voltei para casa só com a roupa do corpo. Mas nesse mesmo dia, todas as mulheres em que eu confiava me deixaram na mão, a Luciana, a mulher mais inteligente e livre de espírito que eu já havia conhecido, após muitas vezes dizer que me amava e de repente ter rompido comigo, dizendo:

- Victor, eu não estou na fase certa para namorar no momento, o meu trabalho toma muito do meu tempo, e você sabe, não vai dar, vamos ser só amigos, eu gosto muito de você e das coisas que escreve, pode continuar mandando para mim, você vai conseguir lançar seu livro, acredite.

Ela tinha aberto o jogo para mim, e eu fiquei na esperança de que seria apenas uma questão de tempo para tudo se normalizar e ela ficar comigo de vez, mas nesse dia, ah, esse dia a bruxa estava solta, tive a notícia de que ela havia começado um namoro. O chão se abriu e eu caí direto no inferno.

Desde então fiquei com receio de me aproximar das mulheres, pois nada me interessava mais. Não havia mulher melhor e mais linda do que Luciana, e também posso dizer que não havia tão cruel naquele nível.

O pior de tudo é que ela tinha quebrado minhas pernas logo quando fizera 18 anos, e então fiquei trancafiado em casa escrevendo por dois anos consecutivos, não tinha outra vida a não ser os livros e o teclado, tec tec tec tec. Eu fazia parte daquela tela com várias linhas e letras, eu era o que escrevia e nada mais iria mudar. O mundo não tinha valor algum e tudo que eu mais queria era que todas as mulheres se fodessem juntas com suas ambições, exclusões, traições de confiança e companheirismo falso, e tudo o que há de ruim que Deus colocou no coração delas. Eu não estava mais nem aí pra nada.

Me entreguei a bebida, bebia todos os tipos de cerveja e whiskys, passei a fumar, qualquer bituca de cigarro e até charuto quando queria inspiração. Maconha não faltava, me entregava para o mundo da alucinação já que o real estava uma completa merda, e nunca esteve diferente, para ninguém.

Eu não era visto, e por consequência não fazia falta, pois não era lembrado. No fundo eu desejava bucetas rosas e bicos pontudos, bundas grandes rebolando em cima de mim e longos cabelos para puxar. Queria coroas de seus quarenta anos pra cima, ou até mesmo as garotas mais novas de treze. Mas repelia, com todas as forças repelia, meu carma era ser sozinho e morrer dessa maneira, apenas na vontade, até que meu livro fora lançado.

Características

Peso 0.00 Kg
Produto sob encomenda Sim
Marca publique-se!
Idioma 333
Acabamento e-book
Territorialidade Internacional
Formato Livro Digital Pdf
Gratuito Não
Proteção Drm Não
Início da Venda 14/08/2015
Código do Formato Pdf
Cód. Barras 9999090200425
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Ano da Publicação 115
AutorVictor Vitoriano