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Misterio Dos Anos 50 - Convencional (Cód: 7438424)

Agatha Christie

L&PM

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Descrição

Quatro histórias escritas por Agatha Christie nos anos 50, reunidas em um único e belo volume. Tais romances são apresentados em ordem cronológica nesta coleção que já lançou um volume dos anos 40.

Histórias Anos 50

Aventura em Bagdá

Atrás de seu grande amor, uma jovem viaja para Bagdá e acaba se envolvendo em uma intriga internacional durante a Guerra Fria.

Um destino ignorado

Nesta trama de espionagem, uma mulher à beira da morte é convocada pelo Serviço de Inteligência Britânico para investigar o sumiço de vários cientistas de elite.

Punição para a inocência

Novas pistas sobre um assassinato trazem à tona os segredos de uma família, iniciando um jogo psicológico de culpa e vingança.

O Cavalo Amarelo

Um escritor em busca de inspiração tenta desvendar os mistérios que assombram um vilarejo na zona rural inglesa, contando com a ajuda de sua amiga Ariadne Oliver.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora L&PM
Cód. Barras 9788525429452
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788525429452
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 288
Peso 0.18 Kg
Largura 14.00 cm
AutorAgatha Christie

Leia um trecho

O capitão Crosbie saiu do banco com aquele ar satisfeito de alguém que compensou um cheque e descobriu que havia um pouquinho a mais do que pensara em sua conta corrente. O capitão com frequência aparentava estar satisfeito consigo mesmo. Era desse tipo de homem. Fisicamente, era baixo e atarracado, com o rosto vermelho e um bigode militar eriçado. Empertigava-se um pouco ao andar. Usava roupas talvez um tanto extravagantes, e adorava uma boa história. Era popular entre os homens. Era alegre, banal, mas gentil e solteiro. Nada de especial a seu respeito. Há montes de Crosbies no Oriente. O capitão Crosbie caminhava pela Bank Street, rua assim chamada porque a maioria dos bancos da cidade se localizava ali. Dentro do banco estava fresco, escuro e um tanto embolorado. O ruído predominante era de uma grande quantidade de máquinas de escrever tilintando ao fundo. Do lado de fora, na Bank Street, o dia estava ensolarado, cheio de redemoinhos de poeira, e os ruídos eram os mais terríveis e variados. Havia o barulho insistente das buzinas dos automóveis, os gritos dos vendedores dos mais diversos produtos. Havia discussões acaloradas entre pequenos grupos que pareciam prestes a matarem-se uns aos outros, mas eram de fato amigos íntimos; homens, meninos e crianças vendiam todo tipo de planta, guloseimas, laranjas, bananas, toalhas de banho, pentes, lâminas de barbear e outras mercadorias diversas, que eram carregadas sobre tabuleiros com rapidez pelas ruas. Havia também o ruído perpétuo e sempre renovado de gente pigarreando e cuspindo, e, acima de tudo isso, o gemido fino e melancólico dos homens conduzindo jumentos e cavalos em meio ao fluxo de veículos e pedestres, gritando: “Balek – Balek!”. Eram onze horas da manhã na cidade de Bagdá. O capitão Crosbie parou um menino que passava correndo com os braços carregados de jornais e comprou um. Dobrou a esquina da Bank Street e entrou na Rashid Street, a principal avenida de Bagdá, que corta a cidade por uns seis quilômetros, sempre paralela ao rio Tigre. Crosbie olhou de relance para as manchetes, enfiou o jornal debaixo do braço, andou por mais uns duzentos metros e depois dobrou em uma viela estreita, chegando a um grande khan ou largo. Do outro lado deste, abriu uma porta com uma placa de bronze e entrou em um escritório. Um funcionário iraquiano todo arrumadinho deixou a máquina de escrever e foi ao seu encontro com um sorriso de boas-vindas. – Bom dia, capitão Crosbie. O que posso fazer pelo senhor? – O sr. Dakin está na sala dele? Que bom, vou entrar. Passou por uma porta, subiu uma escada íngreme e seguiu por uma passagem suja. Bateu na porta dos fundos, e uma voz respondeu: – Pode entrar. Era uma sala alta, bastante vazia. Havia uma estufa a óleo com um prato de água em cima, um banco acolchoado longo e baixo com uma mesinha de centro em frente e uma escrivaninha grande em péssimo estado. A lâmpada elétrica estava acesa e a luz natural fora cuidadosamente excluída. Atrás da escrivaninha deteriorada se encontrava um homem quase maltrapilho, com o rosto cansado e derrotado – o rosto de alguém que não progrediu na vida, tem consciência disso e parou de se preocupar com o assunto. Os dois homens, o alegre e autoconfiante Crosbie e o melancólico e cansado Dakin, olharam-se. – Olá, Crosbie. Acaba de chegar de Kirkuk? O outro assentiu com a cabeça. Fechou a porta com cuidado atrás de si. Era uma porta de aparência desgastada e pintura ruim, mas tinha uma qualidade inesperada: encaixava-se bem, sem deixar nenhuma fresta e nenhum vão embaixo. Era, de fato, à prova de som. Com o fechar da porta, a personalidade de ambos se transformou de maneira muito sutil. O capitão Crosbie se tornou menos assertivo e cheio de si. Os ombros do sr. Dakin ficaram menos caídos, e seus modos, menos hesitantes. Se alguém estivesse naquela sala ouvindo a conversa, ficaria surpreso ao descobrir que Dakin era o homem que detinha a autoridade. – Alguma novidade, senhor? – perguntou Crosbie. – Sim – Dakin suspirou. Tinha diante de si um documento que estivera ocupado em decodificar. Rabiscou mais duas letras e declarou: – Será em Bagdá. Então riscou um fósforo, ateou fogo ao papel e ficou observando-o queimar. Quando ardia em cinzas, soprou-as com suavidade. As cinzas alçaram voo e se dispersaram. – Pois é – disse. – Decidiram por Bagdá. Dia 20 do mês que vem. Temos de “manter sigilo total”. – Estão comentando no souk, já há três dias – ironizou Crosbie. O homem alto sorriu um sorriso cansado. – Confidencial! Nada é confidencial no Oriente, não é mesmo, Crosbie? – Não, senhor. Se quiser saber minha opinião, nada é confidencial em lugar nenhum. Durante a guerra, muitas vezes percebi que um barbeiro em Londres sabia mais que o alto comando.

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