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No Coração do Mar (Cód: 4903884)

Rogan, Charlotte

Intrinseca

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Descrição

No verão de 1914, a Europa está à beira da guerra, mas o futuro de Grace parece caminhar para um destino seguro enquanto ela e o marido navegam rumo a Nova York. Quando uma misteriosa explosão afunda o navio, Grace é jogada em um barco salva-vidas por um ágil membro da tripulação, que também pula para dentro da embarcação já sobrecarregada.

À medida que o clima piora e os passageiros são forçados a escolher lados em uma disputa por poder, Grace percebe que sua sobrevivência depende de quem vai apoiar: o velho lobo do mar John Hardie ou a enigmática Ursula Grant, cuja influência aumenta a cada dia. Durante três semanas, os passageiros planejam, esquematizam, disseminam intrigas e confortam uns aos outros enquanto suas mais profundas convicções sobre humanidade e divindade são postas em xeque.

Grace Winter finalmente é resgatada, apenas para ser levada a julgamento. Incertos sobre como defendê-la, seus advogados sugerem que ela escreva as lembranças do naufrágio. O resultado é uma fantástica narrativa sobre dilemas morais e o retrato de uma mulher que se torna cada vez mais complexa à medida que os acontecimentos se desenrolam.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580573541
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580573541
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Flávia Rossler
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 240
Peso 0.18 Kg
Largura 16.00 cm
AutorRogan, Charlotte

Leia um trecho

Parte I
Dia Um

Passamos nosso primeiro dia no barco salva-vidas em silêncio quase absoluto, assimilando ou recusando-nos a acompanhar o drama que se desenrolava nas águas turbulentas ao redor. O forte marinheiro John Hardie, único membro da tripulação do navio a bordo do salva-vidas 14, logo assumiu o comando. Definiu os assentos em função do peso de cada um e, como o barco estava sobrecarregado, proibiu que nos levantássemos ou caminhássemos sem permissão. Em seguida, pegou um leme do compartimento embaixo dos bancos, fixou-o na parte de trás da embarcação e determinou que quem soubesse remar deveria pegar um dos quatro remos existentes. No instante seguinte estavam todos tomados: três homens e uma mulher robusta, a Sra. Grant. Hardie ordenou-lhes que afastassem o barco salva-vidas o máximo possível do navio que aos poucos ia a pique, gritando: “Agitem esses malditos remos até não poderem mais se não quiserem ser engolidos por esse maldito oceano!”
O Sr. Hardie mantinha os pés bem fincados no chão e os olhos atentos, guiando-nos com habilidade por entre os obstáculos que bloqueavam o caminho enquanto os quatro remavam em silêncio, os músculos retesados e os nós dos dedos brancos. Alguns passageiros seguravam a extremidade dos compridos remos na tentativa de dividir o esforço, mas, como não tinham prática, havia tanta possibilidade de deixarem as pás escaparem ou ricochetearem na água quanto de empurrá-las transversalmente, como seria o correto. Meus pés faziam pressão contra o piso do barco, em solidariedade, e a cada remada eu contraía os ombros como se com isso pudesse, por magia, ajudá-los. De tempos em tempos o Sr. Hardie quebrava o silêncio estarrecedor com palavras como: “Mais duzentos metros e estaremos a salvo” ou “Dez minutos até o navio afundar de vez, doze no máximo”, ou ainda “Noventa por cento das mulheres e crianças se salvaram”. Suas palavras me confortaram, embora eu tivesse acabado de ver uma mãe jogar a filha pequena na água, saltar atrás dela e desaparecer. Ignoro se o Sr. Hardie testemunhou esse fato, mas suspeito que sim, pois seus olhos pretos sempre em movimento sob as sobrancelhas espessas pareciam assimilar cada detalhe de nossa situação. Em todo caso, não o corrigi nem sequer cogitei culpá-lo por mentir. Em vez disso, eu o via como um comandante que tentava inspirar confiança em seus soldados.
Uma vez que nosso barco fora um dos últimos a serem lançado no mar, a água à frente estava congestionada. Vi duas embarcações colidirem ao tentar evitar uma montanha de destroços flutuantes, e uma parte ainda tranquila de minha mente conseguiu entender que o Sr. Hardie buscava encontrar uma faixa de mar desobstruída, distante dos outros. Ele perdera o quepe e, com seus cabelos rebeldes e olhos brilhantes, parecia estar tão à vontade no meio daquela confusão quanto nós estávamos aterrorizados.
— Força nesses remos, pessoal! — gritou ele. — Mostrem do que são capazes!
Os quatro então redobraram os esforços. Na mesma hora ouvimos uma série de explosões atrás de nós, além de gritos e lamentos das pessoas ainda a bordo do Empress Alexandra ou na água ao redor; os próprios sons do inferno, se é que o inferno existe. Ao olhar para trás, vi a enorme carcaça do transatlântico estremecer e tombar, e só então notei que labaredas alaranjadas lambiam as janelas das cabines. Passamos por madeiras lascadas, tonéis semi-submissos e cordas retorcidas que lembravam serpentes. Avistei, flutuando lado a lado, uma espreguiçadeira, um chapéu de palha e o que parecia ser uma boneca, tristes lembranças da manhã ensolarada com a qual nos deliciáramos naquele mesmo dia e do ar de descontração que reinara no navio. Quando cruzamos com três tonéis pequenos boiando juntos, o Sr. Hardie exclamou “Arrá!”, ordenou aos homens que recolhessem dois e os guardou sob o assento triangular formado pela popa da embarcação. Garantiu-nos que continham água potável e que assim que nos víssemos a salvo do turbilhão provocado pelo naufrágio provavelmente iríamos precisar escapar também da sede e da fome; eu, no entanto, não conseguia pensar assim tão à frente. Em minha cabeça, a amurada de nossa pequena embarcação já estava perigosamente próxima da superfície da água, e eu só podia acreditar que parar naquele momento, por qualquer motivo que fosse, reduziria nossas chances de alcançar uma distância segura do transatlântico.
Havia também cadáveres flutuando na água e pessoas vivas agarradas aos destroços. Avistei outra mãe com o filho, uma criança de rosto pálido que estendia os braços em nossa direção e gritava. Quando nos aproximamos, percebi que a mãe estava morta, o corpo inerte enviesado sobre um pedaço de madeira e o cabelo loiro espalhado ao redor do rosto como um leque aberto sobre a água esverdeada. O menino usava uma gravatinha-borboleta e suspensórios, e achei ridículo que a mãe o vestisse de modo tão inadequado, embora eu mesma tenha sempre admirado as roupas elegantes e mesmo naquele momento me sentisse incomodada sob o peso de um espartilho, saias e botinas de pelica macia, comprados pouco antes em Londres.
Um dos homens gritou:
— Um pouco mais para esse lado e conseguimos alcançar o menino!
Hardie, no entanto, retrucou:
— Ótimo, e quem vai trocar de lugar com ele?
O Sr. Hardie tinha a voz áspera dos marinheiros. Eu nem sempre conseguia entender o que dizia, mas isso servia para aumentar minha confiança nele. Ele conhecia aquele universo marinho, usava sua linguagem, e quanto menos eu o compreendesse, maior era a possibilidade de que o oceano o fizesse. Ninguém respondeu o questionamento, portanto deixamos para trás o menino aos gritos. Um homem franzino sentado ao meu lado murmurou:
— Podíamos trocar os tonéis por essa pobre criança!
Para isso, no entanto, seria agora necessário dar meia-volta, mas a compaixão que por um breve momento sentíramos pelo menino já fazia parte de um passado em vias de submergir, por isso nos mantivemos em silêncio. Apenas o homem franzino falou, mas sua voz fraca mal podia ser ouvida em meio ao gemido ritmado dos toletes dos remos, do rugido do fogo e da cacofonia de comandos e gritos de angústia.